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Posts na categoria "rock"

Rinoceronte de chumbo

06 de junho de 2013 1


Expoente da fértil cena musical de Santa Maria, o trio Rinoceronte acaba de liberar seu novo disco, O Instinto. O álbum pode ser ouvido no site oficial do grupo e traz como base o sólido e delirante hard rock setentista britânico _ parece que Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath encarnaram em Paulo Noronha (voz e guitarra), Vinícius Brum (baixo e voz) e Luiz Henrique Alemão (bateria).

Dizem Por Aí é a minha preferida. Hardão pegado, daqueles bons de ouvir bem alto fazendo air guitar (ou air bass, porque olha...):

Há citações explícitas, mas o saldo final é de chorar de bom. Acenda um incenso e deixe rolar.

Cinco estrelas para a Apanhador Só: acho é pouco

31 de maio de 2013 1


Esta semana publiquei no Segundo Caderno matéria sobre o disco novo da Apanhador Só, Antes Que Tu Conte Outra. Além de ganhar capa, algo raro para um lançamento de disco, o álbum levou cinco estrelas. Foi a primeira vez que tive coragem de dar a cotação máxima a um disco. Já tive vontade com outros trabalhos, mas acabava esbarrando na cautela necessária a quem anda no fio da navalha da crítica.

Porque dar cinco estrelas, pombas, é atestar que aquele trabalho é praticamente irreparável. Óbvio que não é, mas é o que você, como jornalista, como crítico, como avaliador, está dizendo para o seu leitor. Está dizendo para ele, o leitor, ir fundo naquela parada, seja disco, filme, livro, série de TV, enfim. E se ele não gostar, é a tua caixa de e-mail ou teu perfil no Facebook quem vai pagar a conta. E a conta, a gente sabe, sempre vem.

Mas no caso da Apanhador, confesso, foi barbada. Vencida a estranheza inicial de Mordido, Antes Que Tu Conte Outra é um passeio do tipo que gosto de fazer: esquisito, imprevisível e encantador. É um passeio naquele parque de diversões que o Coringa usa em A Piada Mortal, manja? Não é um lugar seguro, é um lugar que pode te deixar louco. Ante Que Tu Conte Outra tem esse efeito, o de dar uma pirada no ouvinte. Principalmente ouvinte que tá buscando a Apanhador do Nescafé. Nescafé, agora, só com prego enferrujado _ e passarinho que come prego... bom, já sabem.

O grande mérito da Apanhador toca não somente à música, que é agressiva (embora não violenta) e criativa como há muito eu não ouvia na esfera pop, mas também às letras. Se você presta atenção no que andam dizendo na atual produção musical brasileira, sabe do drama. Há uma carência de gente que não apenhas tenha o que dizer, mas que saiba como dizer. Que não tente emular o lado brega e sentimentalóide dos ídolos oitentistas ou seja boçal o suficiente para achar que o coração é um penteadeira. Nem vou entrar no mérito do sertanejo de balada, do pagode mauricinho ou da putaria do funk, porque essa parada é outra parada.

Estamos em busca, aqui, de quem te diga alguma coisa com inteligência, coragem e algum humor. E é isso que está presente nas letras de Ante Que Tu Conte Outra. Existe ali uma rebeldia existencial tão simples e direta que capta até o mais desacreditado dos ouvintes _ eu, por exemplo. Dá vontade de ouvir até decorar as letras, escrever trechos delas e entregar pra pessoas, viralizar algum verso no Facebook usando uma foto da banda em sépia (tô brincando, não façam isso).

Há, sobretudo, uma vontade de entortar o senso comum, de confundir, de atordoar, que não tem como não concordar. Não há espaço para obviedade ou ironia na Apanhador. Só coragem. Tipo dar cinco estrelas pra eles.

O novo do Avante Royale

23 de maio de 2013 1

Outra excelente banda da surpreendente cena instrumental de Porto Alegre, a Avante Royale acaba de disponibilizar seu novo disco para streaming e download.

Valente parte da surf music e se espraia pelo funk, rock e jazz em 12 faixas redondinhas. Pode não ser o trabalho mais inventivo do mundo, mas está entre os mais coerentes e divertidos da nova formação da banda, que conta com as guitarras de Diego Mello, Renato Ortiz, Frederico Tarasuk, Gabriel Guedes (além de viola caipira e ukelele) e Pedro Paiva (também nos teclados), bateria de Sandro Machado e baixo de Daniel Camargo.

Em breve, o disco também sairá em formato físico.

Sobre o Lollapalooza

03 de abril de 2013 1

Crédito: Cambria Harkey / LollapaloozaBR

Habitual colaboradora deste espaço, a chapa Janaína Azevedo se bandeou para os lados de cima do Mampituba e voltou com este pujante e honesto relato sobre o Lollapalooza _ que bem pode servir como um guia para quem ficou de mimimi com o festival.

Confiram:

Janaína Azevedo

Hoje eu vim aqui pra contar uma coisa: eu não fui maltratada no Lollapalooza. Nenhum direito meu foi atingido, não precisei testar a minha dignidade em qualquer ocasião. Tá, vou confessar logo: eu curti o Lollapalooza. Me diverti do início só fim, não fritei em fila, padeci de fome ou outros imprevistos. E os shows que queria? Assisti a todos.

Eu sou uma sortuda que saiu do interior do RS, pediu hospedagem pros amigos, economizou três meses de ceva artesanal e tava lá, no segundo dia (escolhi bem escolhidinho hein), pronta pra assistir às bandas que tanto gosto.

Tá, tá, ok. Reconheço que o festival não foi 100% firmeza.  Me emputeci com umas coisas lá. O esquema das fichas pra comprar bebida e comida, por exemplo: se tu tivesse comprado na sexta, teria que gastar tudo no dia mesmo, porque no sábado já não ia mais valer. Sabia disso quando fui comprar as minhas (sem nenhuma fila), mas, marotamente, fiquei quieta, pra testar se a moça atendente me orientaria sobre isso. Ela não falou nada. Sacanagem, sabe. Quem quis comprar ficha pros três dias só descobriu que não conseguiria usá-las quando tentou de fato. No domingo, a organização reconsiderou e permitiu que os papeizinhos (aliás, pra que um nome tão ridículo: Pillapalooza? Eu chamei apenas de FICHA) fossem usados, pra quem já tinha comprado. Mas aí eu já tava em casa, com duas fichas sobrando na bolsa. Dei pra minha sobrinha brincar junto com o ingresso e o programa do festival.

E também vi a filonas pra pegar o ingresso comprado na internet ou comprar ali na hora. Bah, era o horror. Ouvi falar dos seguranças que cobravam cem paus pra quem quisesse passar na frente. Cadê civilidade? Bem, eu era uma das que tinha deixado pra comprar o ingresso na última hora. Me deu aquela coisa no peito: e agora, se eu não conseguir?

Foi aí que decidi apelar pra amigos e redes sociais na busca de uma entrada inteira a um preço não absurdo e sem filas. Sempre tem aquele pessoal que prefere garantir o ingresso antes da própria possibilidade de ir, e por um infortúnio da vida mudam de planos, precisando se desfazer do bilhete de alguma forma. Acho que pelo fato do Lolla não ter chegado nem perto de esgotar, consegui um  preço bem bom e meu ingresso tava na mão. Não recomendo seguir o meu exemplo. Mas é que eu realmente nasci virada pra lua.

Fui cedo, de metrô, entrei na boa, controlei bem as questões de alimentação e bebida, levei um boné e calcei um tênis que uso pra correr, calculei distâncias entre palcos e horários de shows. Opa, acho que passei aqui a receita do meu sucesso no festival. Porque foi assim que fiquei entre meio-dia e nove da noite, passeando pelo Jockey, vendo shows, curtindo com os amigos e tendo um sábado bem mais legal que tô acostumada.

Eu pelo menos não costumo ver um show do Tomahawk todo sábado, com trilha do Morricone no início e no fim. Com o Trevor Dunn tocando um baixo quase maior que ele  e o Jon Stainer esticando o braço pra alcançar a baqueta no prato, vocês já repararam? Ele deixa lá em cima! Prefiro mil vezes o Mike Patton gritando PORRA CARALHO na letra de uma das músicas da banda do que assistir Caldeirão do Huck. E nem vou contar que quase chorei quando vi o QOTSA inteirinho passando no lado no palco pra assistir ao show. Ver Tomahawk junto com o Josh Homme, de certa forma: não teria rolado se eu tivesse ficado em casa.

Aliás, aqui devo dizer que 90% da razão de eu ter ido no Lolla foi o QOTSA. É aqui que eu também explico que essa é a minha banda preferida dos últimos anos, e que eu nunca tinha conseguido vê-los. Vi o Kyuss, vi o Mark Lanegan. Faltava o Queens.

Essa era a minha missão ali, e por essa missão enfrentei adversidades: perdi Alabama Shakes e Nas, tive que aturar o Two Door Cinema Club, tudo em nome de conseguir um bom lugar. A banda do cinema ali era ruim? COM CERTEZA. O público era formado por jovens com roupas estranhas e pinturas no rosto? COM CERTEZA. Isso deveria me incomodar naquele momento? NEM UM POUCO. Consegui um lugar bom pra ver e ouvir o show que me importava? Sim, e o resto é a história que vocês sabem. Batera novo, música nova, primeiro show completo em dois anos. Josh Homme ergue a cabeça pra cantar e olha o público de cima, porque ele sabe que o que tá fazendo ali é tão bom que obriga as pessoas a cantarem os solos. Bem, eu cantei os solos. Ouço aquelas músicas há anos, é como se fossem minhas também. Daquela noite em diante, elas fazem parte da minha história. Eles podiam ter tocado alguma do primeiro disco, ah, eles podiam. Mas tudo bem. Não pretendo que esse seja o único show deles que eu assista.

Terminando o Queens, eu atravessei o Jockey igual um cavalo brabo pra chegar a tempo de ver o A Perfect Circle, última banda que eu pretendia por ali. Na verdade nem precisava, porque cheguei lá enquanto eles tocavam uma versão pavorosa de Imagine. Tirando isso, foi um baita de um show, que não aproveitei mais porque ainda estava obliterada pelo Queens. Mas ver o James Iha tocando teclado e guitarra meio que ao mesmo tempo foi sensacional. Grande banda, grandes músicas, grande Maynard James Keenan, cantor e produtor de vinho. Enquanto a última atração do dia (que eu chamo carinhosamente de Blargh Keys) entrava no palco, eu entrava no trem pra voltar pra casa, sem tumulto, sem problema nenhum, e cheguei em tempo de pegar parte do show na TV.

Depois do festival começaram a surgir vários relatos dos problemas ocorridos. Sem ironia, fiquei bem chateada em saber de gente que passou mal, teve o celular roubado, precisou jogar o tênis fora ou simplesmente desistiu de pegar o ingresso na confusão das filas. Meu amigo passou o maior trabalho pra voltar depois do show do Black Keys. Infelizmente ir a um evento desse tamanho, sabendo que terá muita, mas muita gente envolvida, acarreta em alguns desses riscos.

Isso porque o Lollapalooza é a legítima experiência coletiva, mas a tua atitude também vai determinar se tu vai aproveitar pra valer ou voltar pra casa arrependido. Ciente de que as condições eram essas, eu me programei com calma, e agora só tenho história boa pra levar adiante. Por isso, se tu tá planejando ir a algum festival, seja o Coachella, seja a Festa da Bergamota de São Sebastião do Caí, presta atenção. Garante o ingresso antes, te alimenta e descansa bem no dia anterior, leva chocolate e água de copinho. Vai com os teus amigos, cuida deles. Carrega bem o celular se precisar pegar fila, fica ligado quando usar ele, e pelamordedeus, só tira foto de show se não atrapalhar os outros. Escolhe o show que tu quer ver, pensa se realmente vai valer a pena dadas as condições. Não fica torcendo o nariz pro público, pra quem é indie, hipster, punk, headbanger, pessoa física ou jurídica: ele tá ali pelo mesmo motivo que tu. E se pra ti é o fim da picada pisar na lama ou sentir cheiro ruim, cara, pensa que logo isso vai acabar. Tu pagou caro pra tá lá, sim. Mas ninguém te obrigou, então é feio ficar fazendo beicinho depois.

Eu vou certo no Lollapalooza do ano que vem, se a escalação for boa que nem a desse ano. E, caso alguém encontre o roadie vestido de amish, por favor, me mostre esse cara, que vou eu mesma fazer uma entrevista com ele.

Novo dos Strokes é um espelho

27 de março de 2013 0

Semana passada escrevi uma crítica sobre o novo disco dos Strokes, Comedown Machine. O texto, que pode ser lido aqui, partiu da análise do álbum, mas ampliou-se para o atual estado das coisas dentro da música pop _ que, vez ou outra, é um bom espelho do mundo contemporâneo. Comedown Machine é qualquer nota porque a música pop atual é qualquer nota. É feita para consumo rápido na mais estrita concepção do termo fast food, com o ouvinte sendo um cliente numa esteira de produção que oferece para ele uma infinita gama de sanduíches diferentes por fora, mas insossos por dentro.

Comedown Machine é descolado da função primordial da arte que é a de confrontar, a de provocar, chamar para o combate, plantar a dúvida. Em 2001, com Is This It, os Strokes fizeram justamente o contrário: lançaram um disco de garage rock quando o que todo mundo consumia era numetal e cantoras do Disney Club. Com todo o mérito, o disco está em todas as listas de mais relevantes da década passada _ e vai estar nas próximas, justamente porque teve um papel desestruturador. Os caras redefiniram o que seria o rock tanto no indie quanto no mainstream peitando o que era considerado econômica e esteticamente correto e viável na época.

Pra mim _ ou seja, na minha opinião _, um disco ou artista não pode ir a favor da corrente, não pode chancelar óbvio, mesmo que isso custe a própria cabeça. Se não houver risco, não vale a pena. Quer cafuné e Nescau quentinho fica morando com os pais _ não com os meus, que me mandavam embora de casa desde os 15 anos, veja bem.

E tudo o que os Strokes fazem nesse Comedown Machine é reproduzir o que já existe por aí, bem confortáveis e tranquilos. Você começa a ouvir o disco e dá uma preguiça do tamanho do ego do Julian Casablancas de tentar começar a entender o que está se passando. Mas depois de um tempo, percebe que não está se passando nada. É como tentar levar a sério uma discussão no Facebook: é tanta argumentação sem fundamento, tanta bobagem, que não dá vontade de ir adiante.

O disco dos Strokes _ da mesma forma que boa parte do quem sendo produzido _, não possui uma única partícula desafiadora, nada que te faça parar uma faixa e ouvi-la de novo, por exemplo. Qual o lugar dele no mundo? A que veio? Pra que serve? Talvez sirva para entretenimento, talvez sirva para fazer ginástica, ou talvez o lance seja só matar tempo, mesmo.

Porque não existe preocupação, não existe um penso. Não há seriedade. Não há responsabilidade. Ele está blindado pela ironia em cada piado dos seus sintetizadores, em cada acorde de guitarra. Comedown Machine é um abobado de bigodinho e calça skinny fazendo biquinho numa foto do Instagram. Só quer fazer festinha e ser taggeado pelo maior número de pessoas possíveis. E não faz o menor peso no mundo.

Rage Against the Machine para maiores de 10 anos

15 de março de 2013 0


Essa semana chegou aqui pra redação a edição comemorativa dos 20 anos do lançamento do disco de estreia do Rage Against the Machine. Em um belo triple pack, a Sony botou o disco original acrescido de faixas bônus, um disco com as demos de cada uma das faixas e um DVD com videoclipes e trechos de performances ao vivo, além de um libreto com fotos e as letras _ com exceção de Killing in the Name, não me pergunte a razão.

E aí vem o espanto de constatar que já faz 20 anos que Zack de la Rocha e sua gangue fecharam aquele ano em que o rock se aventurou como nunca pela vida loka. Tivemos a estreia explosiva do Body Count com o controverso hino Cop Killer; o Pantera encheu o metal de groove em Vulgar Display of Power; os Beastie Boys voltavam inspirados com Check Your Head; o Faith no More lançava Angel Dust, seu disco mais bem sucedido; o Suicidal Tendencies provava estar vivo com The Art of Rebelion; o Biohazard estourava com o impecável Urban Discipline e até a molecada desmiolada teve vez com o Ugly Kid Joe e seu America's Least Wanted.

Too old to rock 'n' roll, too young to die, era esse o espírito.

Musicalmente, a origem direta era o funk metal que vinha sendo produzido nas duas costas dos EUA desde meados dos anos 1980 _ no Leste, o Living Colour, no Oeste, Red Hot Chili Peppers, Jane's Addiction e o próprio Faith No More. Mas o que torna a turma de 1992 diferente é o conteúdo politizado de suas letras e postura combativa _ para não dizer agressiva e perigosa. Os temas deixam de ser as divagações de praxe e os problemas sociais, políticos e raciais entram na pauta.

Uma das razões para essa guinada estão nos conflitos raciais que tomaram Los Angeles naquele ano. Se você é jovem demais para saber do que se trata, em 1992 um grupo de policiais brancos foi inocentado de espancar um jovem negro chamado Rodney King durante uma abordagem um ano antes. O resultado do julgamento mergulhou a cidade em seis dias de distúrbios, que começaram na região sul e se espalharam pelo resto da cidade. Coloque Los Angeles Riots no YouTube e sinta o drama.

Essa tensão está presente na mensagem passada por muitas dessas bandas em 1992. Foi o Verão do Amor, só que muito pelo contrário. E qual não é o meu espanto ao constatar que, no relançamento do disco do RATM, está impressa a seguinte classificação etária: NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS.

Eu não sei o que pensar exatamente: se os assuntos abordados ali são agora considerados inofensivos ou se nossas crianças hoje estão mais espertas que as de 20 anos atrás. Quero acreditar na segunda opção, mas é difícil. Pra mim, o verdade é que ninguém se importa. Não quero ser pentelho e entrar naquela lenga-lenga de "geração perdida", mas dá uma olhada no que era dito há 20 e olha agora. Mesmo com toda a informação do mundo na ponta dos dedos, olha o nível do que é dito na música pop _ ou mesmo no rap _ hoje.

É preciso uma outra batalha campal para mostrar que as coisas estão erradas? Eu acho que não. É preciso só um tiquinho assim ó de indignação e vontade de fazer. Falar menos e fazer mais. Valeu classe de 1992.

Ramones: entenda o caso

28 de fevereiro de 2013 0


Na mitologia grega, Prometeu foi um titã que roubou o fogo dos deuses e o entregou aos homens. Na mitologia pop, os Ramones fizeram o mesmo: pegaram a música, antes restrita ás divindades, e a deu aos mortais. Como algo dessa importância não pode ser deixado no esquecimento, o Mondo Cane (João Alfredo, 325) apresenta o Rock'n'Roll High School, projeto que pretende dissecar a vida e a obra do quarteto nova-iorquino com debates, música, vídeos e memorabilia.

O primeiro ato está marcado para esta sexta-feira, às 20h, e terá o ramonesmaníaco Paulo Caramês (do excelente blog Sequela Coletiva) como convidado e curador. O investimento é de R$ 5, por isso é bom chegar cedo.

O novo disco do David Bowie vai ser normal (excelente notícia)

26 de fevereiro de 2013 0

Primeiro foi uma baladinha melancólica, Where Are We Now?. Agora, um rock radiofônico, como The Stars (Are Out Tonight). David Bowie indica que The Next Day, seu próximo disco, previsto para a primeira quinzena de março, não indicará o futuro. Depois de décadas adiantando as próximas ondas, se arriscando, ousando, rompendo limites e criando outros, parece que Bowie só quer, agora, fazer umas paradinhas redondinhas, sem galhos, sem grilos.

É só ouvir essa The Stars. É um lance tão óbvio, tão 3x4, tão certinho, tá fácil, tão previsível, tão... normal, que mesmo você identificando ela em trocentas outras canções, não se cansa de ouvir. Dá pra ficar escutando ela o dia todo, sem parar. É possível enxergar preguiça ou esgotamento criativo, mas eu entendo o contrário. Bowie sacou como as coisas funcionam agora e tá dizendo que não é preciso fazer mais nada de diferente _ basta fazer com qualidade, bem feito, audível. Menos doidice e mais foco. Menos discurso e mais música. E estamos falando de um monstro sagrado da música pop, que já contribuiu tanto que teria carta branca pra fazer a porralouquice que quisesse.

Mas, não. Prefere fazer um rockinho papai-e-mamãe de primeiríssima qualidade, com espaço pra coro, pra palminha, pra air guitar _ guitarras, sim, guitarras, temos guitarras em toda a faixa. E um baixo bem marcado, cordas que não entojam e um tecladinho ali de canto, só pra dar um brilho. The Stars é uma aula de música pop boa de ouvir, daquelas que poderiam inundar o rádio e a genta não teria mais vergonha de sintoniar o dial no FM.

Pra mim, isso é um indicativo de que The Next Day vai ser um daqueles discos que não precisam de mais do que três ou quatro parágrafos para ser resenhado, de tão simples e fácil. Eu não vejo a hora.

"Eu acho que o rock está perdendo espaço e tem sido assim há um bom tempo"

14 de fevereiro de 2013 0


Sim, os Virginmarys são a minha nova banda favorita. Não, eles não tem nada de mais (embora tenha muito a dizer). É só rock, daquele tipo que você deixa rolando e, quando menos percebe, começa a sentir o coração bater mais forte, o pescoço se contorcer e uma vontade incontrolável de cantar junto o refrão espoca. Não sei vocês, mas eu sinto falta desse tipo de coisa, vez ou outra. Música que dá só um "oi" pro cérebro e desce direto pra virilha.

Bom, bati um papo rápido com eles via e-mail, enquanto se preparavam para a turnê norte-americana do disco King of Conflict, seu recém-lançado primeiro disco. Não deu pra ir muito fundo, então é o que temos. E, ao cabo, o que interessa mesmo é a música. O álbum já está completo no YouTube, é só procurar. Os Virginmarys são Ally Dickaty (vocal e guitarra), Danny Dolan (bateria) e Matt Rose (baixo).

Remix _ Pra começar, explica a origem do nome da banda. As Virgens Marias não é exatamente um nome de banda de rock...
Danny _
No começo, usávamos o nome de outra banda que eu e Ally participávamos. Então, fomos passar seis meses em Los Angeles, gravando nosso disco e explorando os arredores. E ficamos sabendo que havia um bar, digamos, "londrino", em Santa Clarita, e começamos a ir lá após as gravações para tomar uns drinks. Uma noite, estávamos lá e cinco caras começaram a falar de um clube de strip-tease em San Fernando chamado Virginmarys. Ficamos tão impressionados com aquilo _ um puteiro ter o nome de Virgens Marias, entende? _ que aquilo não saia mais das nossas cabeças.

Vocês são da mesma cidade que Ian Curtis e John Mayall. Qual o peso do legado deles na música e na carreira de vocês?
Matt _
Não dá pra dizer que há uma grande influência na nossa música, mas sempre haverá a história de todas as grandes bandas que vieram de Manchester e arredores que faz você pensar "eles eram caras normais como nós, então por que não tentar?". Então, nesse aspecto, eles influenciaram mais na crença de que podemos ir adiante e alcançar grandes coisas como uma banda do que na nossa música.

A banda foi formada em 2006, mas só lançou um disco completo agora. Por que a demora?
Matt _
Eu acho que uma das principais razões foi que, embora tivéssemos algumas canções muito boas e fortes, nós não queríamos apressar nada até ter certeza de que tivéssemos as 12 melhores e mais fortes canções. Mais, no tempo entre Cast the First Stone, em 2010, e King of Conflict, Ally escreveu algumas canções incríveis que eu acho que ajudaram a fazer o disco tão forte como ele é.

Por falar em King of Conflict, esse título não foi escolhido por acaso, certo? Eu, pelo menos, vejo relação direta com o tipo de rock que vocês fazem...
Ally _
O título veio da letra de Dead Man's Shoes. Muito do álbum versa sobre estar em conflito consigo mesmo. Muitas das canções são sobre fins de relacionamento, vícios e o lado escuro da mente. Eu acho que é um título forte que funciona bem para o disco.

Vocês são constantemente comparados com o Led Zeppelin e o Nirvana. Não têm medo de serem estigmatizados?
Ally _
Nós somos comparados com montes de bandas diferentes, mas que nós respeitamos imensamente, então, nesse sentido, é muito legal. As pessoas sempre procuram comparar a sua música com alguma coisa, mas eu acho que nós sempre tivemos o nossa própria sonoridade. Nossa música vem naturalmente pra gente e não fazemos nenhum esforço para soar igual a ninguém. Acho que esse é o melhor caminho se você quiser parecer original. Fora que nossas influências vão de Radiohead a Arcade Fire, passando por Leonard Cohen e Neil Young.

E como vocês avaliam a cena rocker atual? Acreditam que falta espaço para o rock, por exemplo?
Danny _
Eu acho que o rock está perdendo espaço e tem sido assim há um bom tempo... Penso que "rock" se tornou, de alguma forma, um termo demodé em alguns círculos da indústria da música e quando você usa o termo "rock music" as pessoas imediatamente pensam em spray de cabelo, air guitar, calças de spandex e letras cheias de clichê. E nós não poderíamos estar mais longe disso, somos uma banda de rock de verdade.

Conheça os Virginmarys

07 de fevereiro de 2013 0


Guarde este nome: The Virginmarys.

Power trio nascido na pequena Macclesfield, terra natal de Ian Curtis e John Mayall. Mas o lance de Ally Dickaty (vocal e guitarra), Danny Dolan (bateria) e Matt Rose (baixo) é rock transbordando testosterona, do tipo que não se faz mais.

Formada em 2006, a banda lançou uma série de EPs e excursionou feito doida até se sentir apta a gravar um disco completo. Portrait of Red pertence ao EP de mesmo nome lançado em 2011. Saca a guitarreira:

Enfim, o disco compleo, King of Conflict, chegou em 2013. Lançado esta semana, tem a fantástica Dead Man’s Shoes como single e pode ser comprado via iTunes ou no site oficial da banda. Se você precisa de uma referência, imagine se o Raconteurs tivesse menos pretensão e mais vontade de quebrar o bar inteiro. É isso.

O vídeo com a letra de Dead Man’s Shoes é melhor que o clipe oficial, fá um bico: