Primeiro foi uma baladinha melancólica, Where Are We Now?. Agora, um rock radiofônico, como The Stars (Are Out Tonight). David Bowie indica que The Next Day, seu próximo disco, previsto para a primeira quinzena de março, não indicará o futuro. Depois de décadas adiantando as próximas ondas, se arriscando, ousando, rompendo limites e criando outros, parece que Bowie só quer, agora, fazer umas paradinhas redondinhas, sem galhos, sem grilos.
É só ouvir essa The Stars. É um lance tão óbvio, tão 3x4, tão certinho, tá fácil, tão previsível, tão... normal, que mesmo você identificando ela em trocentas outras canções, não se cansa de ouvir. Dá pra ficar escutando ela o dia todo, sem parar. É possível enxergar preguiça ou esgotamento criativo, mas eu entendo o contrário. Bowie sacou como as coisas funcionam agora e tá dizendo que não é preciso fazer mais nada de diferente _ basta fazer com qualidade, bem feito, audível. Menos doidice e mais foco. Menos discurso e mais música. E estamos falando de um monstro sagrado da música pop, que já contribuiu tanto que teria carta branca pra fazer a porralouquice que quisesse.
Mas, não. Prefere fazer um rockinho papai-e-mamãe de primeiríssima qualidade, com espaço pra coro, pra palminha, pra air guitar _ guitarras, sim, guitarras, temos guitarras em toda a faixa. E um baixo bem marcado, cordas que não entojam e um tecladinho ali de canto, só pra dar um brilho. The Stars é uma aula de música pop boa de ouvir, daquelas que poderiam inundar o rádio e a genta não teria mais vergonha de sintoniar o dial no FM.
Pra mim, isso é um indicativo de que The Next Day vai ser um daqueles discos que não precisam de mais do que três ou quatro parágrafos para ser resenhado, de tão simples e fácil. Eu não vejo a hora.











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