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Posts na categoria "video"

O novo disco do David Bowie vai ser normal (excelente notícia)

26 de fevereiro de 2013 0

Primeiro foi uma baladinha melancólica, Where Are We Now?. Agora, um rock radiofônico, como The Stars (Are Out Tonight). David Bowie indica que The Next Day, seu próximo disco, previsto para a primeira quinzena de março, não indicará o futuro. Depois de décadas adiantando as próximas ondas, se arriscando, ousando, rompendo limites e criando outros, parece que Bowie só quer, agora, fazer umas paradinhas redondinhas, sem galhos, sem grilos.

É só ouvir essa The Stars. É um lance tão óbvio, tão 3x4, tão certinho, tá fácil, tão previsível, tão... normal, que mesmo você identificando ela em trocentas outras canções, não se cansa de ouvir. Dá pra ficar escutando ela o dia todo, sem parar. É possível enxergar preguiça ou esgotamento criativo, mas eu entendo o contrário. Bowie sacou como as coisas funcionam agora e tá dizendo que não é preciso fazer mais nada de diferente _ basta fazer com qualidade, bem feito, audível. Menos doidice e mais foco. Menos discurso e mais música. E estamos falando de um monstro sagrado da música pop, que já contribuiu tanto que teria carta branca pra fazer a porralouquice que quisesse.

Mas, não. Prefere fazer um rockinho papai-e-mamãe de primeiríssima qualidade, com espaço pra coro, pra palminha, pra air guitar _ guitarras, sim, guitarras, temos guitarras em toda a faixa. E um baixo bem marcado, cordas que não entojam e um tecladinho ali de canto, só pra dar um brilho. The Stars é uma aula de música pop boa de ouvir, daquelas que poderiam inundar o rádio e a genta não teria mais vergonha de sintoniar o dial no FM.

Pra mim, isso é um indicativo de que The Next Day vai ser um daqueles discos que não precisam de mais do que três ou quatro parágrafos para ser resenhado, de tão simples e fácil. Eu não vejo a hora.

Conheça os Virginmarys

07 de fevereiro de 2013 0


Guarde este nome: The Virginmarys.

Power trio nascido na pequena Macclesfield, terra natal de Ian Curtis e John Mayall. Mas o lance de Ally Dickaty (vocal e guitarra), Danny Dolan (bateria) e Matt Rose (baixo) é rock transbordando testosterona, do tipo que não se faz mais.

Formada em 2006, a banda lançou uma série de EPs e excursionou feito doida até se sentir apta a gravar um disco completo. Portrait of Red pertence ao EP de mesmo nome lançado em 2011. Saca a guitarreira:

Enfim, o disco compleo, King of Conflict, chegou em 2013. Lançado esta semana, tem a fantástica Dead Man’s Shoes como single e pode ser comprado via iTunes ou no site oficial da banda. Se você precisa de uma referência, imagine se o Raconteurs tivesse menos pretensão e mais vontade de quebrar o bar inteiro. É isso.

O vídeo com a letra de Dead Man’s Shoes é melhor que o clipe oficial, fá um bico:


Consenso sensorial

06 de dezembro de 2012 1

Crédito da foto: Gabriel Von Brixen

Quem acompanha música em escala industrial sabe que músicos de verdade, criando canções de verdade, estão entrando em extinção. Por isso, quando aparece um disco como A + B, do trio instrumental porto-alegrense Quarto Sensorial, é impossível segurar a baba. E, confesso, as lágrimas.

A + B saiu agora, na finaleira do ano, para bagunçar as listas de melhores de qualquer coisa. São sete faixas que colocam o ouvinte a explorar planícies sonoras em diferentes velocidades, ritmos e texturas. E a cada audição a viagem muda: descobre-se um novo riff, uma levada diferente, um instrumento escondido sob as camadas de ideias.

Ouça Voo Livre, por exemplo, e tente segurar os miolos.

Mas não confie em mim. Ouça você mesmo no SoundCloud do caras.

Hoje tem clipe dos Damn Laser Vampires!

29 de novembro de 2012 0

Já tá rolando por aí o novo clipe dos Damn Laser Vampires. Não vou dizer nada, vou dizer apenas que é impossível errar quando o espírito de Ed Wood paira sobre uma produção de Francis K.

Rise, Weirdo Army já nasce clássico.

Quando rockers precisam pagar as contas OU pela criação do bolsa dignidade

22 de novembro de 2012 0

Todo mundo tem conta pra pagar, seja você jornalista brasileiro, seja você um astro do rock. O que varia, além da quantidade de dígitos, é de quanta dignidade você disposto a abrir mão para não incluírem seu nome no SPC. No meu caso, o máximo que me permito é pedir uns pila emprestados pro meu irmão mais novo.

Mas há quem tenha contas maiores que as minhas, tipo o:

JIMMY PAGE

Não bastou topar participar da trilha sonora do horrendo Godzilla (1998). Precisava chamar o rapper então conhecido como Puff Daddy para trucidar o clássico Kashmir, com direito a orquestra e tudo.

PETER CRISS

Você é o baterista qualquer nota de uma banda de brinquedo. Daí te expulsam porque você é muito doidão e tal. Você amarga um tempo na miséria, falando e escutando todo tipo de besteira dos antigos companheiros, mas quando te chamam pra fazer uma ponta num projeto acústico, você não só topa, como fica abanando o rabo pros caras que, visivelmente, não estão te dando a mínima. Pior do que isso, só aceitar voltar pra banda para, logo em seguida, tomar outro pé na bunda.

BRIAN MAY e ROGER TAYLOR

Se liberar um clássico para ser usado em propaganda de mau gosto já é ruim, o que dirá participar da indiada? Pois Brian May e Roger Taylor, respectivamente guitarrista e baterista do Queen, não só permitiram que Beyoncé, Pink e Britney Spears "cantassem" We Will Rock You num comercial da Pepsi como também vestiram togas para fazer figuração na bagaça (é rápido, mas tá lá no 1:45).

OZZY OSBOURNE

Se tem uma coisa que ninguém pode negar a respeito de Ozzy é seu esforço para ser um bom pai. Pegar uma balada do quilate de Changes e triturar sua letra apenas para agradar a filha está além da minha compreensão. Por isso, mesmo que não tenha sido por grana, merece estar aqui.

Aerosmith e o fim de uma relação que parecia eterna

22 de outubro de 2012 3


O Aerosmith lançou um novo clipe. E é para uma balada, What Could Have Been Love (dá um bico aí embaixo). E balada, convenhamos, é uma coisa que o Aerosmith sempre fez bem. Daí eu vou ouvir. E constato o óbvio: o Aerosmith não é mais pra mim. Havia desconfiado disso quando lançaram a primeira música inédita do novo disco, Legendary Child. Mas estava esperando por uma balada. E, bom, acho que é hora de uma DR final.

Sim, minha relação com o Aerosmith, banda que fez boa parte da trilha sonora da minha adolescência e um pouco além, é uma relação daquelas que pareciam eternas, mas não resistem ao tempo. De repente, parece natural, quase automático: sempre que o presente se faz presente, você volta ao passado. Uma ida ao cinema hoje te faz lembrar de uma ida inesquecível ao cinema de anos atrás. Uma viagem de carro de agora nem se compara àquela viagem de carro de outrora. Não dá, você está preso às lembranças e incapaz de seguir em frente.

É como eu me sinto com o Aerosmith. Ouço essa What Could Have Been Love, por exemplo, e imediatamente procuro por Hole in My Soul ou Cryin'. E fico tentando entender onde é que está o erro. Por que diabos não gostei dessa nova canção, por que ela não me toca como as outras me tocaram? É a estrutura? A letra? O refrão? Falta um riff melhor, talvez um solo mais inspirado? Quem sabe é a voz do Steven Tyler que já tenha ido pras cucuias?

Nada disso. É só lembrar da mais canalha _ e ao mesmo tempo sincera _ das explicações para um fim de relação: o problema sou eu. O Aerosmith continua a encantar antigos seguidores e angariar novos fãs repetindo a mesma fórmula _ só que, pra mim, não rola mais. Sabe aquela garota, de quem você precisou terminar porque não aguentava mais ver a cara por N motivos? Pois é, hoje ela faz a alegria de outra pessoa. Simples assim.

Cada nota que o Joe Perry tira atualmente me faz ter saudade das notas antigas que ele tirava, da mesma forma que, se eu estivesse numa relação fracassada, um novo beijo me faria ter saudade de um beijo antigo. E continuar nessa é a receita ideal para a infelicidade eterna. Por isso, obrigado por tudo, Aerosmith, mas é hora de seguir em frente. Pra quem está chegando agora nessa carne, boa sorte. É de muito valor. Mas pra mim, vou ficar só com as boas lembranças.

Heavy metal violado

13 de setembro de 2012 0

Crédito: Ulisses Matandos

Misturar gêneros musicais é como cozinhar doce com salgado: ou você sabe o que está fazendo ou arrisca mandar todo mundo pra emergência. Ainda bem que Ricardo Vignini e Zé Helder são dois chefs de primeira grandeza. A dupla acaba de lançar o DVD ao vivo do projeto Moda de Rock, em que se propõe a tocar clássicos do heavy metal com técnicas de viola caipira.

– É mais complicado do que parece, principalmente se consideramos que muitas dessas músicas são compostas para duas ou três guitarras e nós fazemos os arranjos para duas violas – explica Vignini.

Quer dizer, não é apenas tocar Mr. Crowley na viola, é rearranjar o hino de Ozzy Osbourne para o instrumento imortalizado por Tião Carreiro e Pardinho.

Sente só:

O DVD completo vale mais do que muita videoaula, e tem ainda a participação dos mestres guitarreiros Pepeu Gomes e Kiko Loureiro. No repertório, versões podres de lindas de Smells Like Teen Spirit, Master of Puppets e In the Flesh. Não perde.

Mulheres Maravilhas vão ganhar documentário (sim, no plural)

27 de agosto de 2012 0


Única mulher a ocupar lugar de destaque no testosterônico panteão dos super-heróis, a Mulher Maravilha é daqueles raros símbolos que atravessam gerações sem perder sua essência e razão de existir. Mas Diana, a semi-deusa por trás das roupas costuradas com base na bandeira norte-americana, conseguiu transcender o papel de coadjuvante e tornou-se a representação feminista por excelência _ importante numa época que não deve esquecer de suas meninas sendo presas por externarem sua opinião.

Wonder Women! The Untold Story of American Superheroines vai atrás das origens da heroína, sua evolução e como tornou-se a única referência feminina num mundo predominantemente masculino _ e não estamos falando somente dos gibis.

O trailer:

Green Day lança clipe e jogo para Angry Birds

20 de agosto de 2012 0


Em 2010, entrevistei o baterista do Green Day, Tré Cool, dias antes da banda tocar em Porto Alegre. O cara estava numa conexão em algum aeroporto da Colômbia e só tive tempo de fazer três ou quatro perguntas. Numa delas, pedi que ele fizesse uma comparação rápida e rasteira sobre o início da banda e seu momento atual. Como ele avaliava o Green Day do final dos anos 1980 e o Green Day de agora?

Cool respondeu que o GD não era só uma banda apenas, mas uma corporação. Havia uma centena de pessoas trabalhando com eles, havia os discos e suas enormes turnês de divulgação, havia um musical na Broadway (o fracassado American Idiot), havia um jogo de videogame exclusivo (um Rock Band) e havia até uma outra banda tocada pelo trio, a Foxboro Hot Tubs.

Lembrei disso porque o Green Day acabou de lançar sua "versão" para o já clássico game Angry Birds. Dá um bico:

Nada de original ou necessariamente novo, é só velho Angry Birds de sempre recauchutado para atrair os fãs da banda e provar que o Green Day está vivo, respirando e continua atacando por qualquer brecha que ache adequada. Tanto que o joguinho não é desprovido de intenção: através dele, é possível destravar duas músicas que devem estar em algum dos três próximos discos do grupo: a inédita Troublemaker e Oh Love, que ganhou um videoclipe digno do Mötley Crüe (e não estamos falando de música...)

Espie:

Não estranhe, portanto, se em breve eles não lançarem seu próprio molho para churrasco...

Marina and the Diamonds

15 de agosto de 2012 1


Coisa boa um synthpop de vez em quando né? Eu uso bastante como música ambiente (não confundir com ambient, por favor), pra desbaratinar ou baixar a adrenalina depois de um fechamento de caderno complicado. Essa semana tá rolando direto a Marina and the Diamonds, vocês conhecem?

Ela acabou de lançar Electra Heart, disco com 12 faixas que mais parecem uma só. É sério. Hoje mesmo estava ouvindo a segunda faixa, a deliciosa Primadonna, quando resolvi ir no bar da redação buscar um café. Quando voltei a colocar os fones no ouvido, achei que o CD tinha enroscado, mas na verdade estava na igualmente deliciosa Living Dead, que é a oitava faixa.

Não que isso seja ruim, porque a Marina canta pacas. É uma mistura de Gwen Stefani com Florence Welch numa base da Little Boots, saca? Baita vozeirão, embora não seja fácil discernir o quanto é ela e o quanto é pro tools na maçaroca de sintetizador das faixas. Se bem que dá pra tirar uma provinha botando com esse dois vídeos de Primadonna.

Primadonna em versão elétrica:

Primadonna em versão acústica:

É, rola um pouco de contorcionismo vocal que às vezes irrita, mas no geral é divertido. E tem punch, tem pegada, zero de mela cueca. Fora que ela também escreve uma letras bem decentezinhas, tipo Teen Idle. Diz a Marina:

I wanna be a virgin pure
A 21st century whore
I want back my virginity, so I can feel infinity

Nessa linha. Se interessar, dá pra acessar o completíssimo canal do YouTube dela ou o site oficial. É  isso.