Semana passada escrevi uma crítica sobre o novo disco dos Strokes, Comedown Machine. O texto, que pode ser lido aqui, partiu da análise do álbum, mas ampliou-se para o atual estado das coisas dentro da música pop _ que, vez ou outra, é um bom espelho do mundo contemporâneo. Comedown Machine é qualquer nota porque a música pop atual é qualquer nota. É feita para consumo rápido na mais estrita concepção do termo fast food, com o ouvinte sendo um cliente numa esteira de produção que oferece para ele uma infinita gama de sanduíches diferentes por fora, mas insossos por dentro.
Comedown Machine é descolado da função primordial da arte que é a de confrontar, a de provocar, chamar para o combate, plantar a dúvida. Em 2001, com Is This It, os Strokes fizeram justamente o contrário: lançaram um disco de garage rock quando o que todo mundo consumia era numetal e cantoras do Disney Club. Com todo o mérito, o disco está em todas as listas de mais relevantes da década passada _ e vai estar nas próximas, justamente porque teve um papel desestruturador. Os caras redefiniram o que seria o rock tanto no indie quanto no mainstream peitando o que era considerado econômica e esteticamente correto e viável na época.
Pra mim _ ou seja, na minha opinião _, um disco ou artista não pode ir a favor da corrente, não pode chancelar óbvio, mesmo que isso custe a própria cabeça. Se não houver risco, não vale a pena. Quer cafuné e Nescau quentinho fica morando com os pais _ não com os meus, que me mandavam embora de casa desde os 15 anos, veja bem.
E tudo o que os Strokes fazem nesse Comedown Machine é reproduzir o que já existe por aí, bem confortáveis e tranquilos. Você começa a ouvir o disco e dá uma preguiça do tamanho do ego do Julian Casablancas de tentar começar a entender o que está se passando. Mas depois de um tempo, percebe que não está se passando nada. É como tentar levar a sério uma discussão no Facebook: é tanta argumentação sem fundamento, tanta bobagem, que não dá vontade de ir adiante.
O disco dos Strokes _ da mesma forma que boa parte do quem sendo produzido _, não possui uma única partícula desafiadora, nada que te faça parar uma faixa e ouvi-la de novo, por exemplo. Qual o lugar dele no mundo? A que veio? Pra que serve? Talvez sirva para entretenimento, talvez sirva para fazer ginástica, ou talvez o lance seja só matar tempo, mesmo.
Porque não existe preocupação, não existe um penso. Não há seriedade. Não há responsabilidade. Ele está blindado pela ironia em cada piado dos seus sintetizadores, em cada acorde de guitarra. Comedown Machine é um abobado de bigodinho e calça skinny fazendo biquinho numa foto do Instagram. Só quer fazer festinha e ser taggeado pelo maior número de pessoas possíveis. E não faz o menor peso no mundo.












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