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Posts de março 2010

Sem palavras, só Big River

31 de março de 2010 40

Foto Nauro Júnior

Ontem passei o dia em Rio Grande, produzindo uma matéria para o Caderno Dinheiro da Zero Hora. Fotografei os molhes da Barra, caminhei dentro no monumental Dique Seco, andei pelo Cais do Porto, e tive o privilégio de subir no prédio da Câmara do Comércio de RG, de onde se tem uma visão única de Big River.
As fotos e os textos do Guilherme Mazui deverão sair no próximo domingo. Ainda guardei um tempo para fazer algumas fotos do pôr-do-sol e do nascer da lua, no Saco da Mangueira.

Ao chegar em casa a noite, exausto, fui revisar se havia comentários no blog. Tinham alguns, mas um em especial me deixou cabreiro.  Era do amigo e conterâneo Eduardo Loréa. Ele tem um texto que é uma obra prima. Foi o responsável pelo refinamento do texto no livro meu e do Cecconi, e agora ele vem me dizer que do jeito que estou escrevendo vou acabar parandode fotografar.

Em protesto, hoje vou publicar só fotos, que é o que realmente sei fazer. Vou trocar as palavras pelas luzes de Big River.

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Aldo Locatelli e o céu de minha infância

30 de março de 2010 6

Foto Nauro Júnior

Eu ainda era criança quando ouvi falar pela primeira vez em Aldo Locatelli. Nas noites de domingo, minha família se reunia para a missa, na Igreja Matriz em Novo Hamburgo. Sempre com os olhos brilhando eu perguntava à Lúcia, minha irmã mais velha:

- Quem fez aquelas pinturas em cima do altar da igreja?

Foto Nauro Júnior

Ela me respondia que tinha sido Aldo Locatelli. Aquele nome nunca saiu da minha memória. Aldo Locatelli fez parte da minha infância.
Na minha ingênua imaginação, me encantava saber com era o céu. Anjos em nuvens, observando a chegada de um sofrido Jesus ao firmamento, sendo recebido de braços abertos pelo padroeiro de Novo Hamburgo, São Luiz Gonzaga.

Foto Nauro Júnior
Soube depois de crescido, que Locatelli tinha também pintado a Igreja de São Pelegrino, em Caxias do Sul e o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Mas as imagens da Catedral São Luiz Gonzaga, continuavam fazendo parte na minha meninice. Fiz vestibular para Belas Artes na Feevale, passei e cursei alguns semestres, porém nenhuma professora jamais citou Aldo Locatelli em aula.

Foto Nauro Júnior

Em 1996 vim morar em Pelotas, e apesar de nunca ter vindo antes nesta cidade do sul do mundo, quando entrei pela primeira vez na Catedral São Francisco de Paula, senti minha infância muito perto de mim. Os olhos de minhas lembranças enxergaram os lábios da minha irmã, que já habitava o céu onde anjos moram em nuvens, pronunciando o nome "Aldo Locatelli". Senti que a mão que pintou aquelas paredes era a mesma que havia pintado o céu da minha infância, e que a beleza do altar da Catedral de Novo Hamburgo, se espalhava por todas as paredes da Catedral São Francisco de Paula em Pelotas.

Foto Nauro Júnior

Resolvi saber mais sobre o autor daquelas pinturas que me perseguiam desde a infância, e me surpreendi. Eu estava morando na mesma cidade que foi a porta de entrada de Locatelli no Brasil. 

"Aldo Locatelli nascera em Bérgamo, na Itália, em 1915, numa família humilde; na infância,  ficara impressionado com a restauração da igreja de sua terra natal. Em 1931, iniciou um curso de decoração, onde teve contato com obras de Rafael, Botticelli, Miguelangelo e outros grandes pintores. Entre 1943 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou em sua primeira obra. Quando recebeu o convite do bispo de Pelotas, estava pintando a catedral de Gênova.

Foto Nauro Júnior

Aldo Locatelli foi um pintor que deixou extraordinárias marcas por igrejas e outros espaços públicos do Rio Grande do Sul. Veio ao Estado em 1948,  a convite do bispo de Pelotas, Dom Záttera, para pintar a Catedral São Francisco de Paula; a sua indicação fora feita pelo núncio apostólico de Paris, que mais tarde se tornaria o papa João XXIII.  A partir do afresco "A primeira missa", que causara grande repercussão, recebeu convites para realizar várias outras pinturas, em paredes e painéis, nas cidades de Porto Alegre, Santa Maria, Caxias do Sul e outras (inclusive no Estado de São Paulo).  Rapidamente se afeiçoou ao Estado, que adotou e reproduziu em expressivos e marcantes trabalhos. Logo trouxe sua esposa, teve filhos, e tornou-se professor do Instituto de Artes da UFRGS.

Foto Nauro Júnior

Nos 14 anos de vivência no Estado do RS, pintou painéis com motivos religiosos e do povo gaúcho, retratando a história, mas também focando o futuro.  A via-sacra da Igreja de São Pelegrino, em Caxias do Sul, que levou 10 anos para ser concluída, é considerada ser sua obra-prima. A sua última obra foi a pintura do quadro Sagrado Coração de Jesus, que ficou inacabada, porque veio a falecer em 03/09/1962, aos 47 anos, provavelmente vítima da constante inalação de cheiros de produtos químicos, usados nas tintas utilizadas."

Fonte das informações sobre Aldo Locatelli: Magda Achutti

Foto Nauro Júnior

Um dia voltei a Novo Hamburgo e fui até a Catedral São Luiz Gonzaga me encontrar com o céu de minha infância. Ele continuava lá, imponente, nostálgico e estava um pouco mais próximo de mim. Não sei se é porque eu cresci e cheguei mais perto dele ou se é porque à distância que me separa da inocência infantil me afastou um pouco de minha fé.

 Foto Nauro Júnior

Por isso, ao eu entrar sozinho no templo, onde minha família cumpria um ritual dominical, juntos, como se a vida e o tempo nunca fosse nos separar, o céu de minha infância, pintado por Aldo Locatelli chegou mais perto de mim, para que eu observasse em detalhes e concluísse que aquilo que me encantou quando criança não passava de um deslumbrante afresco pintado por um mestre italiano sobre uma fria parede de cimento.

 

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Fotos da Catedral São Luiz Gonzaga em Novo Hamburgo, lugar onde descobri ainda na infância a energia e o poder da obra de Aldo Locatelli.

 

As ovelhas de Pinheiro Machado

29 de março de 2010 2

Foto Nauro Júnior

Quando mostrei aqui o pórtico de Bagé, uma leitora de Pinheiro Machado me mandou um e-mail falando que eu não tinha visto as ovelhas de pedra no canteiro de entrada da cidade dela.

Foto Nauro Júnior

Ontem voltava dirigindo de Candiota pela BR 293 no final da tarde quando me deparei com aquela bicharada na beira da estrada.  Cheguei a frear pensando que os borregos fossem atravessar o asfalto. Lembrei do e-mail da minha leitora, parei e fiz algumas fotos dos ovinos.

Foto Nauro Júnior

Pinheiro Machado é onde se realizou entre os dias 28 e 31 de janeiro, a 26ª edição da Feira e Festa Estadual da Ovelha – Feovelha , a feira registrou R$ 660.144,00 mil de arrecadação com a venda de 5.023 animais. Estima-se que aproximadamente 40 mil pessoas passaram pelo Parque Charrua durante os quatro dias de feira.

Foto Nauro Júnior

Ai vai alguns ângulos das ovelinhas de pedra na entrada de Pinheiro Machado.

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Breve Crônica sobre foto e sexo

28 de março de 2010 5
Somente alguém que ama, que realmente ama a fotografia, para perceber a semelhança entre sexo e foto. Comecemos pela "pegada" da máquina.
Você deve estender a mão esquerda como se fosse segurar uma bandeja com duas taças de champanhe, com a palma virada para cima. Ok? Agora dobre a mão estendida, com as pontas dos cinco dedos apontados para teu ombro direito, em frente ao peito.

Repouse suavemente a máquina sobre a mão, como se uma pena em delicada queda beijasse lençóis de cetim. Aponte o dedo indicador e o polegar até o anel do zoom, fazendo movimentos leves de vai e vem. Obrigatoriamente o indicador e o polegar, não o dedo médio. Para evitar que o indicador encubra a lente.

A máquina já está presa em tua mão esquerda.Tens um certo controle sobre ela. A exemplo da valsa, abraçado à cintura da mulher amada, conduzindo-a pelo salão.

Falta a outra mão. Empunhe a máquina na destra, deixando somente o dedo indicador livre, para receber os estímulos do cérebro, e explorar o disparador - o ponto G. Como no ato sublime do amor, é preciso pegada. Tem que haver carinho, como se buscasse o primeiro beijo.

A dama e máquina fotográfica gostam de ambos - pegada e carinho. Só assim vais sentir tesão pela fotografia. Não se alcança este estágio de excitação com aquilo que não te seduz.

Amparada em suas mãos, a máquina está sob pleno controle. Não perca a classe. É um momento comparável ao beijo afetuoso. Olhas através do visor e enxergas quatro linhas, delimitando um quadro em branco, da mesma forma que contemplas o olhar feminino, decifrando seus sinais.

Este quadro em branco está à disposição para as mais belas pinturas, tendo a luz como pincel, e as cores do universo como tintas. Como à disposição está um corpo para o amor. Combine imaginação, técnica e sensibilidade, construindo telas inimagináveis.

A busca pela imagem ideal é apenas a preliminar do amor. Ansiedade no peito, respiração ofegante, até encontrar o quadro definitivo, a pose ideal. Não existe orgasmo sem preliminares. Fotografia e sexo exigem o cumprimento de todos os rituais.

Trate a máquina como extensão do seu corpo. Como se estivesse unido ao corpo da pessoa amada. Sinta cada momento, acaricie a imagem e a pele, sinta o ambiente saturado de amor. Apaixone-se.

Sinta o pulsar dos grandes momentos da fotografia, do amor e da vida. Prepare-se para o instante definitivo, do corpo vinculado à câmera, do olhar buscando seu interior. Ela sentirá a respiração bem próxima. Saiba que a preparação objetiva a sintonia entre a pessoa, a natureza e o equipamento. No ápice.
Pressionar o disparador é um gozo sublime. Orgasmo que retém um milionésimo de segundo pela eternidade. Não esqueça, entretanto, que a máquina é um equipamento frio, sem alma. O sentimento parte do fotógrafo.

Por isso é necessário transformá-la em tua extensão. Tens que transmitir tuas emoções para ela. A máquina captura sentimentos e anseios, como fazem as mulheres correspondendo a teus estímulos.

Quando fotografo, sinto-me fazendo amor. Busco o prazer pleno, ofertando tudo que tenho sem perder o controle da situação. Assim me sinto completo.

Não ensino, portanto, a arte da fotografia a ninguém. Não existem regras. Esmero-me em cultivar a paixão nas pessoas que descobriram na fotografia não apenas uma profissão, e sim uma opção de vida.

É impossível ensinar alguém a amar. É impossível ensinar alguém a fazer amor. É impossível ensinar alguém a fotografar. É puro instinto. As pessoas nascem desta forma. O desenvolvimento se dá com dedicação e treino. Se fosse de outra maneira, todos fariam amor e fotografia do mesmo jeito. Frias instruções encontram-se no manual da máquina fotográfica, ou na embalagem dos preservativos.

Tudo que escrevi é fácil. Difícil é ter certeza que realmente amas a fotografia e o sexo, que não vai enjoar de praticá-los nunca. Atos que não podem cair na rotina. Tesão, pulsação e loucura são diariamente imprescindíveis.

Mande flores, compre lentes novas, convide para jantar, fotografe viagens inesquecíveis, faça programas diferentes, busque novas luzes, novos matizes, vá ao motel. A mesma paixão pela fotografia se verifica no sexo em um relacionamento.

Se este sentimento não for alimentado todos os dias, corre-se o risco de transformá-lo em hábito rotineiro. Como nas envelhecidas fotografias de casamentos, abandonadas em um canto escuro das casas endurecidas, sem valor algum.

Janela de Luz

27 de março de 2010 4

O céu hoje em Pelotas ficou cinza o dia todo, porém no final da tarde uma janela imaginária se abriu no horizonte. Por ela se via do outro lado do vitrô de nuvens, todas as cores e a beleza do pôr-do-sol, que estava encoberto por uma densa camada de nuvens cor de chumbo.

Foto Nauro Júnior

São as cores do outono e o prenúncio de um inverno que não tarda em chegar. Já estamos vivendo a "Estética do frio", como diria Vitor Ramil.

Foto Nauro Júnior

Foto Nauro Júnior

Cena de horror na escuridão

26 de março de 2010 1

Foto Nauro Júnior

Ontem a noite fiquei sabendo de um acidente grave, no km 96, da BR 392. Fui para lá com algumas informações desencontradas. Sabia apenas que tinha óbito, não sabia quantos.

Quando cheguei ao local do acidente, me deparei com uma cena de guerra. Um Escort de Pelotas bateu de frente com um caminhão Bitrêm, carregado de lenha. O motorista do carro morreu na hora.
Com o choque, o caminhão tombou e a carga se espalhou pela pista. Um Fiat Uno que vinha logo atrás, acabou sendo atingido pela carga. O motorista do Uno, por milagre, não sofreu nenhum ferimento grave.

A BR ficou totalmente bloqueada em função do derramamento da carga. Só que a cena que descrevi se formava na escuridão da noite e eu precisava fazer uma imagem que descrevesse toda a dramaticidade daquele momento, sem ser sensacionalista.

Foto Nauro Júnior

Eu aumentei o ISO da máquina, e coloquei o flash, diminui a velocidade do obturador e abri todo o diafragma, só que as fotos ficavam estouradas em primeiro plano, ou sem profundidade de campo conforme eu mudava as regulagens. Não conseguia uma foto que fosse iluminada de uma forma real sem ser chocante. E eu só trabalho no manual.

Então vi que a estrada estava sinalizada por cones. Como não costumo andar com tripé, pedi um dos cones emprestado para um policial, e apoiei a máquina em cima dele. Abri o obturador em, 5 segundos com f.5.6, coloquei o flash levemente virado para a esquerda, que era a parte mais escura da cena, no lado direito um farol de carro iluminava o Fiat Uno até com luz demais.

Fiz algumas fotos, na escuridão da noite, e consegui que a velocidade baixa captasse o céu iluminado pela lua e todo o pandemônio que estava formado em baixo do céu.

Foto Nauro Júnor

Depois fui até o Escort e fiz mais algumas fotos do estrago. Impactante o estado que ficou o carro que teve o motorista morto instantaneamente.

Acho que consegui um resultado razoável para o horário e as condições de luz que tinha, porém como já era quase meia-noite, e a ZH já tinha fechado, as fotos não entraram no jornal de hoje.

Algumas fotos saíram na zerohora.com outras, se eu não tivesse este blog, ficariam para sempre escondida no meu arquivo.

Foto Nauro Júnior

Camelódromo de Pelotas

26 de março de 2010 10

Foto Nauro Júnior

Há alguns anos, o Klécio e eu fazíamos uma matéria sobre o comércio de Pelotas, foi quando o então presidente do CDL, Fernando Estima sentenciou:

- É impossível ser um comerciante sério em Pelotas. O Camelódromo está ao lado da CEEE, e eles não pagam luz. Está em um ponto central e privilegiado da cidade, e não pagam IPTU. E está ao lado da Receita Federal, e eles não pagam nenhum tipo de impostos. Não tem como concorrer com eles!

Quem não conhece o camelódromo de Pelotas, não imagina o número de pessoas que circula por lá diariamente. Fui até a Receita Federal hoje, e fiz esta foto que resume um pouco do que o Fernando Estima falou há alguns anos.

Não leia este post

26 de março de 2010 6

Tenho uma fama "injusta" de que bato fotos de todos os colegas e não as entrego. Sempre que estou em pautas, festas e aqui na redação, todos me pedem;

- Bate uma foto nossa e depois manda por e-mail.

Se eu ficar mandando tudo que faço por e-mail não vou trabalhar mais, vou só ficar abastecendo os amigos com fotinhas batidas a todo instante. Eu tenho um arquivo privilegiado dos colegas que convivem comigo, inclusive mostrando as mudanças que o tempo tratou de fazer em seus rostos, corpo e até na alma. Tenho uma espécie de estudo antropológica da vida das pessoas que vivem perto de mim. Porém, isto faz com que algumas pessoas criem uma ira permanente contra a minha pessoa. Toda vez que vou a uma festa de final de semana, como só eu que levo a máquina, acabo renovando meu arquivo e dando sequência ao meu estudo antropológico.

Mas ao chegar segunda-feira a minha vida vira um inferno, todos vêm para a volta da minha mesa pedir fotinhos por e-mail. Na semana passada a nossa colega Maíra Lessa casou. Foi uma festa linda com tudo de bom que tínhamos direito. A galera se botou dentro de uma "beca" e se divertiu pra valer, e pra variar, um dos únicos que tinha máquina fotográfica era eu. Fiz mais de cem fotos. Segunda-feira a romaria se fez em minha mesa, e até agora não mandei fotos para ninguém. Só que a Dalcira Oliveira, coordenadora do tele aqui na RBS TV, com sua "ira" cotidiana, perdeu o tempo dela escrevendo um texto com insultos contra mim. Pior, agora não mando mesmo, só de vingança.
E só estou publicando o texto dela abaixo, porque fui ameaçado fisicamente. E quem conhece a Dalcira, sabe que é melhor não contrariá-la. Mas sugiro que ninguém leia o texto dela, porque se trata de uma injustiça.

Estou publicando a única fotinho que ela vai ver, dela, no casamento!!!!!

Foto Nauro Júnior

MALDADE, MALDADE, PURA MALDADE

por Dalcira Oliveira

- "Que fotos lindas! Manda prá mim"? Pede uma das meninas da redação.

- "Que maravilha! Manda pro meu email"? Implora outra.

- "Esta da turma toda junta, eu quero, pleaaaaase"!!!! Suplica a outra.

Há quase uma semana, o mantra é quase o mesmo. Mas, Nauro Jr só faz cara de desentendido. Cara de quem "estou nem aí" e não responde. Isso enquanto os olhos brilham numa expressão quase sádica.

Este filme se repete a cada festa. Desta vez é a festa de casamento da nossa colega Maira, no último sábado.

Nauro, acompanhado pela Gabi e Sofia, compareceu a caráter. Mas, mesmo como convidado, não esqueceu em casa a máquina fotográfica. E fotografou a torto e a direito (como se diz lá em Cachoeira do Sul) os noivos e os colegas. As fotos como sempre, ficaram maravilhosas (não se esperava menos de um profissional deste calibre). Cheio de orgulho, na segunda-feira, ele mostrava algumas delas na tela do lap top. E deixou todo mundo alvoroçado.

Mas, pelo que parece, as dezenas, centenas de fotos vão ficar apenas no cartão da máquina da criatura, e na memória de quem viu as ditas cujas.

Reza a antiga lenda, que sempre que se é alvo de uma foto, nossa alma fica presa para sempre dentro da máquina.

No caso sério, seríssimo, do Nauro, todo mundo já concluiu: ele não aprisionou a alma, mas algo muito mais grave, se for levado em conta o número de mulheres na redação: a vaidade de cada uma dela. E ainda se dá o luxo de brincar com assunto tão sério, isso quando não ignora solenemente os apelos.

Por isso Gabi, se em algum momento Nauro Jr. aparecer em casa com o olho roxo ou com as canelas inchadas, nada de susto. Foi apenas uma pequena vingança do time feminino aqui da redação.

O Barão de Satolep

25 de março de 2010 18

# toda vez que ler Satolep, leia Pelotas. É assim que Vitor chama o lugas que nasceu.

Foto Nauro Júnior

Liguei pra casa do Vitor Ramil  e ele me atendeu com aquela voz calma.

 - Alô? 

- Vitor é o Nauro.

- E ai cara?

- Meu, eu preciso fazer umas fotos tuas para a matéria que a gente ta fazendo, do lançamento do teu disco novo.

Foto Nauro Júnior

- Nauro, pode ser amanhã a tarde? Tenho um monte de coisas para fazer hoje e amanhã de manhã tenho que sair com a Ana. Depois durmo um pouco para não ficar com aquela cara de morto nas fotos.

- Por mim tudo bem. Que horas te pego?

- Pode ser às quatro da tarde? Onde tu ta pensando as fotos?

- Pois é irmão, não sei ainda, mas se tu tiveres tempo à gente da uma volta por Satolep e vai fotografando. O que tu achas?

- Legal, é tu que manda.

Foto Nauro Júnior

O Vitor é um resumo de tudo que quero e penso sobre Satolep. Acredita que o seu trabalho pode ecoar pelo mundo, sem que ele precise deixar de morar neste lugar que ama e se sente tão bem.  Ele é uma espécie de referência deste lugar tão singular.

Por isso que a pergunta do Vitor não me saia da cabeça.

- "Onde tu tá pensando em fazer as fotos?"

Foto Nauro Júnior

Pensei em andar pelo centro histórico de Satolep onde a umidade do ar combina com nostalgia da sua música.  Pensei em ir para o Bairro Porto, onde ele fez a capa do novo CD. Pensei até em levá-lo para o Café Aquários, ponto de referência de todos os habitantes de Satolep. Mas qualquer uma destas idéias não seriam originais.

Foto Nauro Júnior

Liguei para o Araújo do Segundo Caderno da ZH, em Porto Alegre, e ele me falou que as fotos tinham que ser bem conceituais. O délibáb é um disco de milongas, que foi gravado em Buenos Aires.  O Vitor musicou poemas do argentino Jorge Luis Borges, e do poeta gaúcho João da Cunha Vargas e não tem muito a ver com Pelotas.

Foto Nauro Júnior

Me derrubou, pensei. As fotos que eu tinha programado não têm nada a ver com o que eles querem.

Fiquei a noite matutando e acordei de manhã ainda sem nenhuma ideia. Assim fui para a casa do Vitor Ramil, às quatro da tarde.

Bati na porta, ele me atendeu e convidou para entrar. Fomos até uma varanda onde fica o piano de calda. A Ana Rute, sua mulher, me mostrou uma máquina fotográfica nova, que o Vitor trouxe pra ela na última turnê que fez pelo Japão. A Ana fotografa tri bem. É dela a capa do CD délibáb, e também aquelas fotos do Vitor no estúdio com o Caetano Veloso.

Foto nauro Júnior

Bom, mas e as fotos que eu tinha que fazer para o Segundo Caderno da ZH, seriam onde? Ainda não tinha uma idéia final.

Falei pra ele que eu precisava fazer um vídeo com o meu celular, dele cantando uma música inédita do délibáb, para a zerohora.com. Disse a ele que tinha pensado em fazer no Theatro Sete de Abril, mas como o "Sete" está fechado, poderíamos fazer ali, ao lado do piano mesmo.

Ele cantou e tocou violão, eu gravei.

Depois saímos e entramos no carro, foi quando ele me perguntou o que eu tinha pensado.

Foto Nauro Júnior

Centro histórico, Sete de Abril, zona do Porto, não, nada disso. e me veio na hora: minha casa. Lá é o porto seguro de todos os Desgarrados de Satolep que chegam na cidade. Foi construída em 2005, ou seja, nasceu junto com a Sofia e desde então abriga nossos sonhos e acolhe nossos amigos.

Então tá decidido. O melhor lugar para fotografar o Vitor poderia ser a minha casa. Meu mundo, e canto cativo dos que amam Satolep.

Foto Nauro Júnior

Nos dirigimos então para o “Areal Fundos” e nisso até a tarde nublada resolveu nos presentear com um céu azul e um sol morno, para dar cor áquela ideia. Chegamos e a sintonia rolou. O Vitor se sentiu em casa, ficou bem à vontade. Começamos a fotografar e as imagens começaram a fluir. Cada foto batida me dava a certeza de que eu tinha escolhido o lugar certo.

Fotografei ele no campo, sem que as fotos ficassem campeiras. Surgiam imagens que poderiam ter sido tiradas em Pelotas, Porto Alegre, Buenos Aires ou até na Hungria. Mas eram aqui em casa e o Barão de Satolep estava visitando meu castelo. Estava vislumbrando nosso arroio e tocando para os meus cachorros, em plena tarde de terça-feira.

Foto Nauro Júnior

Tomamos mate, fotografamos mais um pouco e conversamos por um bom tempo. No final, o Vitor me contou que no DVD dele, as primeiras e as últimas cenas são gravadas na praia do Laranjal. Olhei para o céu e vi que tinha um bom tempo de luz até o sol se por. Perguntei a ele, se não se importava de a gente dar um pulo lá na praia. Como ele, além de concordar se empolgou com a ideia, entramos no carro e fomos.

Foto Nauro Júnior

Chegamos ao Laranjal e as últimas matizes do dia se desfaziam. Como já estávamos sintonizados, descemos do carro fotografando. No final, senti a mesma sensação de antes. As fotos eram nas margens da Lagoa dos Patos, mas poderiam ser no Rio da Prata, em Buenos Aires, ou qualquer outro lugar do mundo.

Já anoitecia quando voltamos para cidade, para leválo em casa. Cruzamos a cidade, e quando entravamos na avenida Bento Gonçalves, o trânsito parou. O Vitor perguntou por que a gente não desviava pela Domingos de Almeida que tinha menos carro. Olhei para a direita e vi que no carro ao lado estava a minha amiga Silvinha. Gritei o nome dela, e pedi para cruzar pela sua frente para desviarmos para outra rua.

O Vitor comentou:

- Só em Satolep para ti olhar para o lado e ver alguém que tu conheces pelo nome no engarrafamento. Se fosse em São Paulo seria mais fácil ser assaltado no trãnsito.

Foto Nauro Júnior

Larguei o Barão de Satolep em casa, me despedi e fui embora pensando.

Por isso tudo e muito mais que Satolep é um lugar especial. Moramos em uma cidade histórica, onde a cultura germina em cada esquina. Moramos em um lugar onde temos tudo que precisamos sem pagar todo o preço de morar em uma metrópole. Dirigimos pelas ruas de um lugar que conhecemos o nosso vizinho de engarrafamento.

Vivemos em um lugar que bem poderia ser Porto Alegre, Buenos Aires ou Hungria. Mas é Pelotas e o  melhor, somos vizinhos de Vitor Ramil.

Assista um clipe que gravei especialmente para Zero Hora com Vítor Ramil, ao violão, em Pelotas, um dos cenários de referência de seu novo CD, délibáb.  www.zerohora.com

Últimos retoques para a inauguração

24 de março de 2010 0

Foto Nauro Júnior

Amanhã as 15hs a ponte sobre o Arroio Fragata, entre Pelotas e Capão do Leão, será liberada para o transito de veículos.

A ponte foi construida para substituir a antiga, que existia no local e foi arrancada pela enchente de janeiro de 2009 que deixou o sul do Estado isolado e 14 pessoas mortas. Na tarde de hoje trabalhadores finalizavam a pintura e a limpeza do local que fica no km 528 da BR 116.

A obra que custou  R$ 8,5 milhões, foi custeados com recursos do próprio pedágio. 

A concessionária tomou cuidados para erguer uma estrutura maior e mais resistente que a anterior. A nova ponte tem 90 metros de comprimento, 40 a mais que a antiga. Além disso, tem 13 metros de altura, três a mais que a antiga.

Foto Nauro Júnior

A construção da nova ponte se iniciou em julho de 2009.

Esta sendo esperada para o ato de liberação a presença de representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de Brasília, direção da Ecosul e autoridades da região.

Algumas cicatrizes da tragédia de janeiro de 2009 estão sendo apagadas, outras ficaram para sempre.

Foto Nauro Júnior

 

Foto Nauro Júnior

 

Foto Nauro Júnior