Sábado publiquei um post sobre o Adão Monquelat e o Klécio. Sobre o Klécio ninguém me perguntou nada, mas sobre o Adão, várias pessoas me mandaram email perguntando mais sobre ele. Como minha semana está atribulada com a abertura da 18ª Fenadoce e com a vinda de Nilson Mariano que esteve aqui comigo produzindo matérias para a série "52 histórias...", vou colocar uma entrevista que a fotógrafa Daniela Xú fez com o nosso querido livreiro. O texto e a foto são da Xú.

Conheço Adão Fernando Moquelat há tempos. Gosto dele desde então, assim gratuitamente, até porque ele é fácil de ser gostado.
Dono da livraria Monquelat situada ali na Telles, 558, entre Gonçalves Chaves e Santa Cruz ou mais precisamente entre a Odonto e a Católica. Quer referência melhor?!
Monquelat trabalha com livros usados há 29 anos. Os lançamentos são reservados para autores nossos e das cidades circunvizinhas. De tanto andar pelos sebos do País o acervo é considerável.
Todo sábado pela manhã acontece um ritual encontro de professores, historiadores, advogados e amigos que tem a literatura como ponto convergente de longos e frutíferos papos. O horário que funciona este local de puro deleite? Das 9h às 11h45 e das 14h às 19h. Monquelat chega antes e já prepara o tradicional chimarrão de pura folha da erva Baldo. Também aos sábados a tarde os amigos de todos os quadrantes e de gostos diversificados vem se aprochegando atraídos pela amizade que ali reina. Ao sair, deixam um pouco de si e levam a vontade de voltar em breve para, entre uma conversa e outra, se reabastecerem de afeto. Este é o Monquelat, um fazedor de amigos e de livros. Falando com ele indaguei tudinho e passo pra vocês o que considerei de melhor, como se fosse possível.
Monquelat, quando começou essa paixão pelos livros?
- Com os gibis. Iniciei uma coleção na década de 40 e 50. Tinha como heróis o superhomem, Durango Kid, Zorro, Kid Limonada e Kid Colt. Guardava-os em caixas de Madeira que antes armazenavam champagnes Georges Aubert e Michelon. Eram todos cadastrados e valeriam uma fortuna hj.
O que aconteceu com os gibis?
- Minha mãe colocou fogo na coleção quando tomei bomba em uma prova de Latim. Meus heróis viraram cinzas. A partir daí começou meu interesse pela literatura.
Quais foram os primeiros livros adquiridos?
- Eu tinha 13 anos e havia nos gibis propagandas de novas publicações proibida para menores de 14 anos. Meu pai comprou pra mim dois exemplares que me chamaram a atenção, Sapho, de Afonso Daudet e o livro Mesalina, a Imperatriz do vício e do pecado. Foi meu primeiro contato com a literatura sem figurinhas.
Porque abriste um sebo?
Por necessidade própria. Na época, Pelotas tinha apenas um sebo mas, sem catalogação, sem organização, era muito difícil a procura por um exemplar específico. Também por que sou fascinado por sebos, tenho um gosto pessoal de frequentá-los. É algo que sempre me fascina.
A Livraria Monquelat sempre teve esse nome?
- Não. O primeiro nome era Lobo da Costa mas, como ficava na rua Dom Pedro II sempre me perguntavam porque o nome da livraria não tinha o mesmo nome da rua. Cansado de explicar que era por causa de uma predileção pelo poeta pelotense troquei o nome para Monquelat. Também foi na mesma época do lançamento de A Divina Pastora. Dois fatores que me fizeram optar pela troca do nome.
Com as novas tecnologias tu acreditas que o livro impresso terá um fim?
- Os hábitos de frequentar livrarias estão mudando. Falta contato físico entre o livreiro e o consumidor. Muito por causa da internet. A magia dos sebos está se perdendo mas, acredito que o livro não vai desaparecer. A gente não leva o computador pro banheiro, né? Também acho desconfortável levar o notebook pra cama. É desagradável.
Acredito que os manuscritos também estão perdendo valor, quem perde é o mercado com a falta das críticas literárias. Antigamente os manuscritos eram valiosíssimos.
Além de livreiro tens fama de escritor, e dos bons. Quais são tuas obras publicadas?
- Novos textos Simonianos; Maiêutica; Fóquiu & Company; Antologia Poética e Alguma prosa, sobre Lobo da Costa; Coletâneas e Notas Bibliográficas de Poetas Pelotenses, de 1804 a 1864; Notas à Margem da história da Escravidão.; O Desbravamento do Sul e a Ocupação Castelhana. E a mais recente publicação é pela Editora e Gráfica da UFPEL em 2010 chamado Senhores da Carne. Charqueadas, Saladeristas y Esclavistas.
Estás preparando um novo livro?
- Não. Quer dizer, não sei, pode surgir.
Já te sentiste um Desgarrado de Satolep?
- Não, nunca! Me considero um cidadão do mundo. Quem está no mato não consegue ver as árvores.. É preciso sair da cidade para conseguir ver as árvores. Na rotina tu te perdes. Morei em Curitiba, em São Paulo e Porto Alegre. Se hoje tivesse que fazer a opção de sair eu iria para Montevidéu, no Uruguai. Visito a cidade há 41 anos. Me sinto em casa lá, já poderia ser jubilado.
Quer saber mais sobre Monquelat ? Passe na livraria. Você vai se surpreender.
O endereço é:
Rua Gen. Telles 558 fone 32251514
www.livrariamonquelat.com.br
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