Ontem, depois de 15 dias de férias, voltei ao trabalho. O ser humano tem um poder absurdo de se adaptar, ainda mais quando a adaptação a ser feita é com o ócio.
Nas últimas duas semanas fiz o que sempre tentei desde a adolescência, ou seja, nada. Mas a labuta desde a infância me privou.
Entrei madrugadas a dentro assistindo TV, virei noites escrevendo ou até mesmo lendo um livro, e tendo a certeza que na manhã seguinte ninguém me ligaria para pedir uma foto de frio ou chuva. Durante as férias cansei de acordar, abrir a janela e ver que o dia lá fora era um daqueles típicos de inverno chuvoso, cinza e muito frio, e simplesmente voltava para a cama sem a menor culpa, sabendo que não precisaria sair para a rua de máquina em punho. Não fiz nada de excepcional durante meu descanso, fiquei praticamente todos os dias na volta “das casa”. Tudo bem que fui até Jaguarão assistir a final da Copa América e dei um pulinho até Rio Branco de onde voltei com umas comprinhas e uma bandeira do Uruguai na bagagem. Agora posso provocar meu vizinho argentino duplamente, hasteando as bandeiras do Brasil e Uruguai aqui em casa.
Também subi o Canal de São Gonçalo na lancha Nina Bonaccia junto com meus amigos Umberto Delevatti, Dadá e Paulinho da Caixa. Navegar sempre me revigora a alma, ainda mais se for em direção da Lagoa Mirim.
Nos últimos dias de férias dei um pulinho até Novo Hamburgo para ver meus pais. Precisava buscar um pouco de energias na fonte onde nasci para voltar ao trabalho. Também visitei minha filha mais velha em São Leopoldo.
No domingo, um dia antes de retornar, fui até o Bento Freitas assistir o xavante vencer o Caxias.
Mas alguém aí tá pensando que foi só melzinho na chupeta minhas férias está redondamente enganado.
Aproveitei para revisar e editar vários textos que estou escrevendo para o próximo livro. Também montei um projeto que há muito planejava de uma pauta que pretendo fazer ainda este ano. Coloquei várias coisas em dia que o que o atropelamento do cotidiano vai acumulando e nos transformando em seres com a sensação permanente de débito.
Enfim, se não fosse as perdas do meu queridos amigos Vilmar Tavares e Emersom Vieira que foram fazer cobertura no céu, as férias teriam sido perfeitas.
Mas como tudo que é bom termina, segunda feira voltei a labuta. E é difícil o choque de realidade. Cheguei na Zero Hora aqui em Pelotas e a repórter que estava sentada ao meu lado tinha sido contratada durante minhas férias. Joice Bacelo é uma velha amiga que trabalhava no Diário Popular e com quem a partir de agora terei a oportunidade de dividir o meu cotidiano. Hora destas falo um pouco sobre a Joice que será a 13ª repórter a trabalhar comigo. Ou seria a 14º? Já ando pensando que o problema sou eu, ninguém para comigo.

Mas entre as realidades que tive que enfrentar na última segunda-feira foi voltar para a faculdade.
Muita gente me perguntou se eu passei ou rodei em Logica II. Bom, aí vai a respostas:

Não deu. Vou ter que repetir a matéria. Mas como as cadeiras na faculdade são intercaladas só terei Lógica II novamente no próximo semestre. Vai dar para descansar um pouco e tentar me redimir no semestre que vem. A minha primeira aula foi de Ética II com o professor Denis Silveira, que fez questão de reafirmar em aula que a fama de durão que ele tem é verdadeira e para confirmar, no mesmo instante criou um constrangimento chamando a atenção de duas alunas que cochichavam na fundo da sala.
Vamos lá. A vida continua e minha realidade é, e sempre foi trabalhar, trabalhar e trabalhar. Somos responsáveis pelo que conquistamos, e eu não nasci para playboy. Voltei a realidade que é família, faculdade e trabalho.
Mas que um período de vagabundagem faz bem pra alma, isto faz. Só não dá pra acostumar.
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