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	<title>Retratos da Vida</title>
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	<description>Retratos da Vida é um espaço para contar a vida por traz das imagens, além de mostrar todo processo que um fotógrafo passa até chegar a uma foto, como se fossem os bastidores da própria alma.</description>
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		<title>Eu já volto</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jan 2013 18:45:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Gente, hoje termina meu atestado de 14 dias. A partir de amanhã estarei fora por licença de saúde. É a primeira vez, em mais de 25 anos de trabalho que isto acontece. Sempre ouvia dizer que as pessoas se "encostavam" sem saber bem do que se tratava. Pois é. Eu esterei encostado nos próximos 30 dias.... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/2013/01/10/eu-ja-volto-2/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/convite_naufrago_mardoce_portoalegre.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2714" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/convite_naufrago_mardoce_portoalegre.jpg" alt="" width="600" height="439" /></a></p>
<p>Gente, hoje termina meu atestado de 14 dias. A partir de amanhã estarei fora por licença de saúde. É a primeira vez, em mais de 25 anos de trabalho que isto acontece. Sempre ouvia dizer que as pessoas se "encostavam" sem saber bem do que se tratava. Pois é. Eu esterei encostado nos próximos 30 dias. Por isto eu não posso publicar no blog nestes dias. Mas prometo voltar em breve. Por enquanto vamos nos vendo no Face, twitter e aqui em casa. Porque eu não posso sair de casa pra ver ninguém.</p>
<p>Por enquanto vou deixar aqui o convite para o lançamento do meu livro, Náufrago de um Mar Doce. Passa lá Cultura pra a gente se ver.</p>
<p>Até já.</p>
<p>Nauro Júnior</p>
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		<title>Motivos para viver. Livros e fotografia</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jan 2013 01:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[
Me fiz fotógrafo muito mais por necessidade do que por talento. Precisava uma profissão para me sustentar, o que já vinha fazendo como sapateiro desde os 12 anos, mas estava desempregado. Encontrei duas figuras exóticas (Xirú e Betinho) que tinham um estúdio de 3X4 ali na Rua 5 de Abril em Novo Hamburgo. Como caminhava... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/2013/01/08/motivos-para-viver-livros-e-fotografia/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/livro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2709" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/livro.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
<p>Me fiz fotógrafo muito mais por necessidade do que por talento. Precisava uma profissão para me sustentar, o que já vinha fazendo como sapateiro desde os 12 anos, mas estava desempregado. Encontrei duas figuras exóticas (Xirú e Betinho) que tinham um estúdio de 3X4 ali na Rua 5 de Abril em Novo Hamburgo. Como caminhava pela cidade em busca de um novo emprego em uma fabrica de sapatos, parava ali para bater um papo, tomar um mate. Um dia todos saíram e eu fiquei tomando conta do lugar. O Xirú me disse que se chegasse um cliente era para eu fazer a 3x4 e cobrar a metade adiantado. Fiquei rezando para não chegar ninguém, porque apesar das explicações que me dram, não me achava preparado para bater uma foto. Todas que tinha feito até então tinham saído com as cabeças cortadas e mais outras atrocidades imagéticas; <br />
 Chegou uma moça: Eu, com cara de experiente, recebi ela e antes se sentar em um banquinho para fazer a foto em que ela se veria na identidade por muito anos, indiquei o espelho onde ela arrumou os cabelos.<br />
 Quando o Xirú chegou eu mostrei o dinheiro e ele me deu a metade da grana. Me levou ao laboratório e revelei a primeira foto da minha vida.<br />
 Como podia um profissão onde a gente se divertia, ia em festas, não trabalhava e ainda ganhava dinheiro. Naquele dia minha carreia de sapateiro encerrou.<br />
 Passei pela época do deslumbre, de roupas de marcas, de achar que eu era artista.<br />
 Passei pela época em que eu pensei que a fotografia iria acabar porque tínhamos que andar com uma máquina com filme cor e outra P/B, porque só a capa dos jornais eram coloridas. Passei pela época que tivemos que fechar o laboratório P/B porque a fotografia preto e branco tinha ficado no passado. Passei pela época em que resistimos bravamente para que as fotos digitais não substituíssem os nossos filmes Kodak, Fuji, T-Max, porque jamais uma foto digital teria a mesma qualidade de uma foto analógica. Chegou o tempo em que nossas Nikons F3 F4, F5, Pentax, Canons analógicas tiveram que ir dormir em uma prateleira. Ainda tínhamos esperança que desse para implantar um beck digital nelas, até que nos convencemos que era como querer chegar de fuca na lua.<br />
 Hoje a digital é uma realidade. Parece que aquele tempo nunca existiu. Temos um monte de gente com a máquina encravada no "P" no "A" dizendo que são fotógrafos. Somente duas coisas mudaram minha vida. A fotografia e os livros. Máquinas são máquinas. Frias e desalmadas caixas de ferro que pensam aprisionar a luz.<br />
 O que aprisiona a luz é a humildade e a coragem de querer um mundo melhor. A fotografia é uma ferramente de sensibilização. É uma linguagem universal e plena de comunicação entre ricos e pobres, intelectuais e analfabetos.<br />
 Amo minha profissão. Sou fotógrafo desde antes de nascer, só que levei 19 anos para descobrir. Vivo uma vida plena. A fotografia me deu amigos, amores, minha casa, e me levou para conhecer lugares. No dia da fotografia só posso desejar uma coisa a todos os meus colegas. Leiam. Leiam muito. Porque minhas fotografias são o resultado de tudo que vivi até a hora do clic. O resto... Bom. O resto é pós-produção.<br />
 Parabéns a todos os que vivem e sobrevivem deste sonho cotidiano que é ver o mundo através dos olhos da alma.</p>
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		<title>O trem descarrilou, eu descarrilei!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jan 2013 15:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto: Nauro Júnior
Vários amigos têm enviado mail preocupados com meu estado de saúde. Nas redes sociais também perguntam como estou. Vou aqui tentar explicar aqui no meu blog exatamente o que me sucedeu.
Este ano meu plantão de Natal foi super tranqüilo. Uma pauta sobre as melhorias de infraestrutura da Praia do Laranjal me rendeu uma... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/2013/01/05/o-trem-descarrilou-eu-descarrilei/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/trem_pe.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2704" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/trem_pe.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a>Foto: Nauro Júnior</p>
<p>Vários amigos têm enviado mail preocupados com meu estado de saúde. Nas redes sociais também perguntam como estou. Vou aqui tentar explicar aqui no meu blog exatamente o que me sucedeu.</p>
<p>Este ano meu plantão de Natal foi super tranqüilo. Uma pauta sobre as melhorias de infraestrutura da Praia do Laranjal me rendeu uma contracapa na zero Hora e a foto comentada da semana.</p>
<p>Mal sabia eu, que no dia seguinte, 26 de dezembro, uma pacata quarta-feira, tudo iria mudar.</p>
<p>Eu estava na redação com a colega Julia Otero quando chegou uma ligação informando que um trem havia descarrilado no leito da antiga Viação Férrea, no bairro Simões Lopes, em Pelotas. Ao chegar lá me deparei com doze vagões do trem que vinha de Cruz Alta em direção a Rio Grande, carregado de trigo, jogados para fora dos trilhos. Sabe aquelas fotos de descarrilamentos que vemos em agências internacionais? Eu tinha na minha frente uma imagem destas!</p>
<p>Comecei a fotografar e fazer vídeos de tudo o que se passava no local. Comigo estavam o cinegrafista Luciano Charnaud, da RBS TV e o fotógrafo Jô Folha, do jornal Diário Popular. Na busca da melhor foto, subi em vagões, caminhei sobre os trilhos e procurei os mais diferentes ângulos, já que a pauta poderia ser capa do jornal.</p>
<p>Com o material quase pronto, fui cruzar entre os trilhos e ao pisar na brita que sustenta os dormentes, meu pé torceu e cai no chão sustentado apenas pelo meu pulso direito. Consegui salvar a máquina, segurando com a mão esquerda e sustentando-a pela alça no pescoço. Senti aquela dor aguda e fiquei mareado. Quando levantei os olhos vi a mão estendida de um dos fiscais da rede ferroviária, solidário, que me ajudou a levantar. Na hora já vi que não conseguia colocar o pé no chão, mas sabia que precisava transmitir as fotos rapidamente, porque já caia a tarde e arriscava não saírem no jornal do outro dia.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/26122012572.jpg"></a><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/261220125721.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2706" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/261220125721.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a>Foto: Júlia Otero</p>
<p>Chegando à redação, a colega Julia Otero, vendo o inchaço do pé, buscou um saco de gelo para amenizar a dor. Com o pé para cima, enviei as fotos e fui para casa, pensando que a dor iria diminuir. Ledo engano, quase não dormi. No dia seguinte a Gabi me levou direto para o Pronto Atendimento da Unimed. Por sorte tinha um traumatologista no plantão. O Dr. Tales Marçal foi impecável!</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/pe1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2707" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/pe1.jpg" alt="" width="403" height="403" /></a>Foto: Paulo Rossi</p>
<p>Saí dalí com uma bota ortopédica, o pulso enfaixado e 14 dias de molho. O tempo passa, mas a dor não me deixe. Estou começando a ficar preocupado, mas vamos ser otimistas, o ano está só dando as caras!</p>
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		<title>Miro de Souza... Uma lenda.</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jan 2013 16:24:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[No final da década de 80, lá em Novo Hamburgo, decidi que queria ser 
 fotografo de jornal. Não sabia muito bem o que o futuro me reservava. Mas 
 tinha decidido que queria ser como aqueles caras que eu lia todos os dias o 
 nome nos cantinhos das fotos do Jornal NH. Eles estavam sempre em... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/2013/01/03/miro-de-souza-uma-lenda/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final da década de 80, lá em Novo Hamburgo, decidi que queria ser <br />
 fotografo de jornal. Não sabia muito bem o que o futuro me reservava. Mas <br />
 tinha decidido que queria ser como aqueles caras que eu lia todos os dias o <br />
 nome nos cantinhos das fotos do Jornal NH. Eles estavam sempre em ação, e me <br />
 parecia que aquela falta de rotina seria a minha felicidade. Um deles, em <br />
 especial, me chamava a atenção. As fotos de Miro de Souza nunca eram óbvias. <br />
 Não precisava ler os créditos. Quando uma imagem na capa do jornal viesse <br />
 com ângulos intrigantes, era sempre dele. Eu estava começando como fotógrafo <br />
 de aniversários e casamentos e resolvi ir até o jornal pedir emprego. O que <br />
 consegui foi uma vaga nas rotativas, durante a madrugada. Assim fiquei <br />
 durante um ano, tentando alguma coisa na área da fotografia. Um dia fui <br />
 convidado para trabalhar de auxiliar de laboratório, e lá comecei a conviver <br />
 com o Miro. Além de ser um fotógrafo inteligente, culto, era de uma bondade <br />
 que encantava a todos. Miro estava sempre pronto para ajudar, ensinar e dar <br />
 um conselho a quem quisesse ouvir. Logo que fui para a fotografia, lembro <br />
 que ele ganho o Prêmio dos Direitos Humanos. Um orgulho para todo o setor. <br />
 Miro foi meu primeiro ídolo no fotojornalismo. E quem é o primeiro, sempre <br />
 terá um lugar de destaque na nossa vida. Agora que estou aqui na cama me recuperando, fiz uma retrospectiva de alguns momentos de minha vida e Miro de Souza faz parte de um destes bons momentos. Este é um dos últimos fotojornalista a moda antiga do Rio Grande do Sul.</p>
<p> Abaixo coloco um breve ensaio de fotos antigas de Miro de Souza. As legendas foram escritas por ele mesmo.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_rua5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2684" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_rua5.jpg" alt="" width="600" height="408" /></a></p>
<p>Foto Rua 5 - Esta inocente menina, chora no centro de São Leopoldo. sabe  porquê? Ela não conseguiu vender todos os panos de prato, e disse que não poderia chegar em casa sem o dinheiro. Adivinha o que aconteceu.... comprei todos os panos e busquei o conselho tutelar. Fui até a casa da menina com a conselheira e demos um cagaço na família. Resultado; nunca mais ví a menina na rua. Esse desfecho me dá prazer em fazer fotojornalismo.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_sapucaia1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2685" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_sapucaia1.jpg" alt="" width="600" height="446" /></a></p>
<p>Foto Sapucaia - A pauta era sobre as travessias perigosas da br-116. Os caras quebram o muro que divide as duas pistas e por ali atravessam. Passarela pra que né?</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_saúde10.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2686" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_saúde10.jpg" alt="" width="600" height="410" /></a></p>
<p>Foto Saúde - Vergonha! O hospital de Montenegro estava em crise(é sempre assim) e o atendimento fica mais precário ainda. A coitada da mulher foi jogada(deixada) por uma ambulância na porta da emergência na espera de atendimento. Mas um assaltante chega preso e tem atendimento antes da senhora. questão de prioridade. Que prioridade é esta? Resultado; em cinco minutos a senhora foi atendida. bá.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_urubú2-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2687" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_urubú2-1.jpg" alt="" width="600" height="397" /></a></p>
<p>Foto Urubú - Alguém já viu um ninho de urubú? Pode até ser que alguém tenha visto mas resolvi registrar este com os filhotes, amarelados.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/miro_zh1.jpg"></a><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/miro_zh11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2689" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/miro_zh11.jpg" alt="" width="600" height="501" /></a></p>
<p>Fotozh1 - Levitação. No ano de 1989, usando uma pentax K1000 registrei o momento que um vendedor de pomadas para dores musculares fazia a apresentação no calçadão de Novo Hamburgo, isso para convencer seus futuros fregueses. Polegar direito para passar o filme e o indicador para registrar. Bati durante o salto duas fotos.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/miro_zoo13.jpg"></a><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/miro_zoo131.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2691" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/miro_zoo131.jpg" alt="" width="600" height="446" /></a></p>
<p>Foto Zoo - Este é um registro no zoo. não parece com nós? eheheheheheheh</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_IRIS1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2692" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_IRIS1.jpg" alt="" width="600" height="315" /></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Foto iris - O arco da irris é sempre bonito de se ver e registrar, este em Portão</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_paraglider04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2693" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_paraglider04.jpg" alt="" width="600" height="390" /></a></p>
<p>Foto miro 3 - Alçar vôo é sempre fascinante mas prefiro registrar. Se lê paraglaider ou parapente ou espiga de milho no caso em Sapiranga</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_parado9.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2694" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_parado9.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
<p>Foto Parado - Este é o verdadeiro retrato do cotidiano da br-116 em Canoas</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_des5-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2695" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_des5-1.jpg" alt="" width="600" height="433" /></a></p>
<p>Foto Desfile - Brasileirinhos entrando de cabeça no desfile de 7 de setembro em Novo Hamburgo.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_faro2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2696" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_faro2.jpg" alt="" width="600" height="408" /></a></p>
<p>Foto Faro - O detalhe do olho do cão e do adestrador mostra toda a sintonia de um tratamento. O cão só ganha a bolinha se achar o explosivo. Brigada militar de Montenegro.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_fei.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2697" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_fei.jpg" alt="" width="600" height="378" /></a></p>
<p>Foto Fei - Artesão em São Leopoldo. Mãos que moldam é mão moldada.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_calor3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2698" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_calor3.jpg" alt="" width="600" height="394" /></a></p>
<p>Foto calor3 - Foto de calor mostrando toda a liberdade de ser uma criança tomando banho no Rio dos Sinos apesar do perigo que existe em um rio. Foto tirada em Campo Bom.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_car9.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2699" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_car9.jpg" alt="" width="600" height="452" /></a></p>
<p>Foto car 9 - Pega-pega - Fragrante da polícia na busca de um assaltante em Novo Hamburgo. A qualidade da luz está ruim mas flagrante é assim mesmo...tu sabe né?.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_charrete1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2700" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_charrete1.jpg" alt="" width="600" height="440" /></a></p>
<p>Foto charrete - Outro flagrante, o pobre do cavalo resolver se atirar no chão bem na minha frente. foi em uma corrida de charretes em são Leopoldo. O piloto da charrete conheceu o ditado que o chão é o limite.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_comida1-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2701" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_comida1-.jpg" alt="" width="600" height="386" /></a></p>
<p>Foto Comida - Menores carentes em uma ONG. Todos os dias eles vão até a ONG receber um prato de comida no bairro Santo Afonso em novo Hamburgo.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_dalua8.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2702" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2013/01/MIRO_dalua8.jpg" alt="" width="600" height="405" /></a></p>
<p>Foto Dalua - Dalua é o apelido deste maluco de São Leopoldo que resolveu bater o record mundial de velocidade em um skate.</p>
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		</item>
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		<title>Tempestade in Satolep</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Dec 2012 02:17:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
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		<description><![CDATA[


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/raios01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2679" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/raios01.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/raios02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2680" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/raios02.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/raios023.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2681" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/raios023.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Discurso de Pedro Moacyr em homenagem a Schlee</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Dec 2012 20:33:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro amigo Nauro,
Conforme prometido, em anexo envio-te a saudação que fiz ao Schlee.
Um forte abraço e obrigado pela atenção.
Pedro Moacyr Pérez da Silveira
"
Tenho tão grande prazer vendo a todos aqui,
para homenagearmos o Schlee. Seus familiares, os
velhos amigos, antigos colegas, autoridades, gente
do Direito, gente das Letras. Boa noite a todos.
O que é uma homenagem, motivo que... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/2012/12/10/discurso-de-pedro-moacyr-em-homenagem-a-schlee/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo Nauro,</p>
<p>Conforme prometido, em anexo envio-te a saudação que fiz ao Schlee.</p>
<p>Um forte abraço e obrigado pela atenção.</p>
<p>Pedro Moacyr Pérez da Silveira</p>
<p>"</p>
<div>Tenho tão grande prazer vendo a todos aqui,</div>
<div>para homenagearmos o Schlee. Seus familiares, os</div>
<div>velhos amigos, antigos colegas, autoridades, gente</div>
<div>do Direito, gente das Letras. Boa noite a todos.</div>
<div>O que é uma homenagem, motivo que nos</div>
<div>reúne agora em torno do nome do Aldyr?</div>
<div>Uma homenagem parece ser um instante em</div>
<div>que nos desprovemos do cotidiano para avaliarmos</div>
<div>um pouco uma fatia da vida de alguém, um pedaço</div>
<div>dessa vida que teve imenso significado e grande</div>
<div>valia para tantos: são esses tantos os que, num</div>
<div>momento inevitável em suas próprias vidas, dão de</div>
<div>reconhecer o homenageado por esse pedaço, por</div>
<div>esse valimento.</div>
<div>A totalidade de alguém, sendo inexpugnável,</div>
<div>não se homenageia. Nela estão os deuses e os</div>
<div>demônios desse alguém, parte conhecidos, parte</div>
<div>desconhecidos, mas que nos igualam de tal forma</div>
<div>que o olhar aí nascido, forçosamente horizontal,</div>
<div>não destaca nenhum dentre todos. Mas uma</div>
<div>porção, uma leiva, um fragmento da vida de alguém</div>
<div>mostra às vezes uma luz tão intensa, refulgente,</div>
<div>que nos faz parar um momento e ficar olhando para</div>
<div>essa amostra e vendo como ela, sendo doutro, nos</div>
<div>influenciou, nos marcou, e em grande parte</div>
<div>contribuiu significativamente para sermos o que</div>
<div>somos. Uma homenagem é, portanto, um olhar</div>
<div>vertical - e para cima -, lá onde se encontra,</div>
<div>superior a nós, esse aspecto deslumbrante de</div>
<div>alguém e que nos assombra.</div>
<div>Quando o destacamos, nós o</div>
<div>homenageamos. Quando reverenciamos essa</div>
<div>parcela de alguém, esse alguém, não sendo em si</div>
<div>mesmo fracionável, vem em sua inteireza para o</div>
<div>ato, mas vem sabendo por que está sendo</div>
<div>salientado.</div>
<div>Melhor assim: saber o que de si foi notado,</div>
<div>foi testemunhado e o fez existir no sentido cogitado</div>
<div>por um ministro da igreja anglicana inglesa, George</div>
<div>Berkeley, “esse est percipii” (ser é ser percebido).</div>
<div>Este é o momento em que, olhando para o lado,</div>
<div>vendo o homenageado ao lado, na verdade o</div>
<div>estabelecemos como um ser aéreo, um</div>
<div>comandante que nosso afeto e reconhecimento põe</div>
<div>amorosamente numa espécie de céu, para dizer-lhe</div>
<div>que ele nos foi muito importante e que precisamos</div>
<div>uma vez mais convocá-lo ao nosso convívio, à nossa</div>
<div>casa de trabalho, que sempre foi também a casa em</div>
<div>que ele exerceu seus ofícios, e de onde seu espírito,</div>
<div>pelo que foi quando por aqui passou, mantém-se</div>
<div>iluminado a nosso lado. É um momento para dizerlhe</div>
<div>de seu prestígio e de nossa consideração.</div>
<div>Schlee andou largamente pelo mundo da</div>
<div>imaginação, vertendo o que concebeu em palavras</div>
<div>que organizou para a expressão literária, e nos</div>
<div>mostrou, com seu modo muito peculiar, até onde a</div>
<div>febril força criativa que o anima permitiu levá-lo.</div>
<div>Tornou-se conhecido de muitos pela sua verve</div>
<div>artística, lançando ao papel, como artesão, os</div>
<div>sortilégios sedutores do material com que melhor</div>
<div>trabalha: as letras, as letras que formam palavras,</div>
<div>que formam frases, que formam parágrafos, que</div>
<div>formam capítulos, que formam livros, que são os</div>
<div>berçários enfeitiçados de onde vêm as criaturas da</div>
<div>sua literatura, as que nos fazem caminhar com ele</div>
<div>por seu mundo (que não é absolutamente</div>
<div>inexistente), esse seu mundo onde habitam seres</div>
<div>humanos com características vivenciais</div>
<div>aparentemente únicas, mas que, logo a seguir e em</div>
<div>metáfora, vemos representarem a humanidade. O</div>
<div>mundo de seu Jaguarão-Roma, de seu Jaguarão-</div>
<div>Constantinopla, de seu Jaguarão-Jerusalém, de seu</div>
<div>Jaguarão-mundo-inteiro e de seu Jaguarão-mundoafora,</div>
<div>com a aparente redução regional que nos</div>
<div>mostra na tona, mas que cuida de evanescer na</div>
<div>metáfora contida naquelas baixezas fundas e raras</div>
<div>de sua tão criativa metalinguagem.</div>
<div>Schlee é um homem de fronteira com sede</div>
<div>de universo, e que volta à fronteira para montar,</div>
<div>fragmento após fragmento, a totalidade que o</div>
<div>comove, e este universo é uma terra só, feita de</div>
<div>pampa, de caudilhos, de amplidões de um planeta</div>
<div>sem canhadas, com poucos cerros, onde a língua</div>
<div>espanholada é um pouco a nossa e um pouco a</div>
<div>deles, o humilde povo de fala castelhana da</div>
<div>América Latina, pousado um pouco sobre o Uruguai</div>
<div>e outro pouco sobre o Rio Grande, e que Schlee faz</div>
<div>ser apenas um, mas que se desprende deste um</div>
<div>para ser todos.</div>
<div>Schlee compõe livros como um compositor</div>
<div>conduz lentamente a letra musical, até dá-la por</div>
<div>aprontada. É meticuloso e é estudioso, para não</div>
<div>permitir que a loucura da imaginação irrestrita o</div>
<div>retire completamente da concretude do mundo,</div>
<div>ainda que tenha menos compromisso com essa</div>
<div>concretude do que com a arte. É um homem feito</div>
<div>de uma substância infrequente, com interesses</div>
<div>espantosamente simultâneos e aparentemente</div>
<div>díspares, que mesclam certamente um leitor de</div>
<div>Borges com um improvável jogador de futebol de</div>
<div>mesa. São desse homem as potentes irritações</div>
<div>súbitas e a ternura permanente e alentada, como</div>
<div>um menino que reluta em envelhecer o espírito, e</div>
<div>faz caricaturas enquanto analisa o destino do</div>
<div>mundo.</div>
<div>Mas o Schlee que hoje homenageamos não</div>
<div>está aqui por ser este escritor criativo e</div>
<div>multipremiado, apreciado verdadeiramente pela</div>
<div>crítica literária. O Schlee que homenageamos é</div>
<div>outro: é o Schlee professor.</div>
<div>Falo-lhes da minha relação com ele, e estou</div>
<div>certo que ela é representativa das emoções de</div>
<div>todos os que com ele conviveram, desde os de</div>
<div>antes de mim até os de depois.</div>
<div>Quando por aqui cheguei, vindo da</div>
<div>Campanha, há já quase trinta e quatro anos, e</div>
<div>ingressei no Curso de Direito, havia um professor</div>
<div>que caminhava com sua cabeleira encrespada por</div>
<div>estes corredores. Eu, muito menino; ele já um</div>
<div>homem de cerca de quarenta e poucos anos. Eu</div>
<div>nunca sabia bem o que o animava, de que se</div>
<div>alimentava o espírito do homem de cabeleira</div>
<div>armada para trás, do que, enfim, ele tratava. Os</div>
<div>mais velhos, neste tempo em que para cá vim,</div>
<div>florescido que fui na selvagem Bagé, me diziam: -</div>
<div>ele é o Schlee. E aquele juízo descritivo era</div>
<div>imperfeito em sua origem, pois só me era dado o</div>
<div>nome da criatura, mas não o que fazia, por que</div>
<div>razão aqui estava, qual a disciplina que lecionava.</div>
<div>Na verdade – depois fui me apercebendo -</div>
<div>havia várias formas de me dizerem quem era o</div>
<div>professor sem terno, sem gravata, desgrenhado,</div>
<div>que parecia estar ali como visitante de outro</div>
<div>mundo. Também vi depois que isso não era</div>
<div>exatamente um exagero.</div>
<div>Vivíamos ainda no período ditatorial, era</div>
<div>ainda um general o chefe da nação, um homem que</div>
<div>amava cavalos e detestava estudantes, o General</div>
<div>Figueiredo. Os combativos colegas do CAFV falavam</div>
<div>com orgulho do Schlee, como se ele fosse uma</div>
<div>porta aberta para um tipo de embate político de</div>
<div>onde sairíamos todos para dizer “o mundo precisa</div>
<div>ser diferente, canalhas”. “Canalha” era uma</div>
<div>expressão que ele utilizava muito, e que não tinha a</div>
<div>exata força semântica que um desaforo dessa</div>
<div>ordem parece ter. Era uma expressão até mesmo</div>
<div>carinhosa, um aposto despretensioso, muito</div>
<div>embora às vezes “canalha” fosse “canalha” mesmo.</div>
<div>Mas havias os outros, os que não queriam</div>
<div>mudança alguma, os que seguiam o caminho</div>
<div>inverso daquele que comovia meus amigos da</div>
<div>época, e estes me apresentavam o Schlee como o</div>
<div>professor inconsequente, de mau-humor, um</div>
<div>solitário em seus sonhos e que não deveria ser</div>
<div>levado a sério. Estudar Direito, mesmo, era ler os</div>
<div>códigos e fazer apontamentos.</div>
<div>Pouco a pouco, em silêncio, fui dele me</div>
<div>aproximando, até que se tornou meu professor de</div>
<div>Direito Internacional Público.</div>
<div>Aí, eu finalmente conheci o Schlee, ou penso</div>
<div>que conheci o suficiente para vê-lo, de maneira</div>
<div>definitiva, como alguém que não era daquele</div>
<div>mundo, que sugeria outras hipóteses cognitivas,</div>
<div>que via a política com entusiasmo forte, e mesmo</div>
<div>que ele não saiba, nesta casa permaneci apenas</div>
<div>porque sabia que era possível manter-se uma vela</div>
<div>acesa para iluminar outras veredas. E não foi sem</div>
<div>razão que, anos depois, aqui ingressei para lecionar</div>
<div>Filosofia do Direito, esse outro nicho de</div>
<div>possibilidade teórica onde se pode realizar o</div>
<div>enfrentamento da dogmática jurídica, acalentar</div>
<div>utopias inexistentes no deserto árido onde</div>
<div>repousam os mandamentos estatais; enfim, querer</div>
<div>pensar em outras coisas sem precisar sair de dentro</div>
<div>deste prédio, destas salas, do discurso jurídico e da</div>
<div>retórica da ordem.</div>
<div>O Direito dá poucas chances aos professores</div>
<div>das matérias codificadas para que logrem delirar</div>
<div>com pensamentos que se afastem por demais das</div>
<div>leis. Tive professores magníficos também nessas</div>
<div>áreas, e com eles muito aprendi, mas meu apreço,</div>
<div>àquele tempo, era pelo homem de cabeleira ampla,</div>
<div>que caminhava com a demência própria dos sonhos</div>
<div>permanentes de quem, não sendo desse mesmo</div>
<div>filão de pensamento, ou dessa mesma resolução</div>
<div>emocional, buscava formular outras conjecturas</div>
<div>para a vida.</div>
<div>E o Schlee, aproveitando o seu DIP, em plena</div>
<div>Guerra Fria nos falava mal dos americanos e não</div>
<div>tão bem dos Soviéticos, mas deixava entrever muito</div>
<div>claramente que havia dois lados e dois ideais</div>
<div>básicos. Schlee era contrário às adaptações e se</div>
<div>deixava estimular pelas resistências. Qualquer</div>
<div>opressão, qualquer oportunismo político, qualquer</div>
<div>modelo de dominação era refutado por ele, com a</div>
<div>veemência que sempre lhe foi própria.</div>
<div>“Os canalhas, os canalhas”.</div>
<div>Pontualmente, recordo do Schlee duas coisas</div>
<div>que me pareceram extraordinárias: ele desenhava</div>
<div>com rapidez impressionante mapas dos países no</div>
<div>quadro. Falava-se em Albânia, lá estava a Albânia;</div>
<div>falava-se em Israel, lá estava Israel; falava-se em</div>
<div>Cuba, lá estava Cuba; falava-se da França, lá estava</div>
<div>a França.</div>
<div>Nunca conferi a exatidão dos mapas, mas ela</div>
<div>não era para ser conferida. Aquilo era um tanto</div>
<div>charmoso e louco, ninguém sabia se realmente os</div>
<div>mapas eram coincidentes com a realidade, mas o</div>
<div>nosso professor, tomado pela força de nos falar</div>
<div>sobre o mundo político, nulificava completamente</div>
<div>quaisquer interesses investigativos sobre estarem</div>
<div>ou não os mapas no perfeito formato dos mapasmúndi.</div>
<div>O outro fato que gostaria de mencionar</div>
<div>eram as Provas de Livro Aberto, as PLAs. Dizia</div>
<div>Schlee que não tinha o menor interesse em que</div>
<div>fizéssemos outra coisa senão raciocinar, e</div>
<div>procurávamos, assim, tentar compreender algum</div>
<div>sentido possível para os assuntos durante as</div>
<div>avaliações.</div>
<div>Pois bem, é o professor dos mapas</div>
<div>espantosos, da cabeleira farta, das roupas comuns,</div>
<div>das provas em que consultávamos os livros, é esse o</div>
<div>ser humano que hoje homenageamos. Mas não o</div>
<div>homenageamos porque desenhava mapas</div>
<div>espantosos, tinha cabeleira farta, usava roupas</div>
<div>comuns ou nos permitia consultar livros durante as</div>
<div>provas. Nós o homenageamos porque foi um</div>
<div>contraponto a uma visão consideravelmente</div>
<div>unificada do mundo, porque resistiu e não se</div>
<div>adaptou, porque ensinou-nos o valor pedagógico da</div>
<div>palavra “não” e o idêntico valor moral da palavra</div>
<div>“sim”, conquanto ambas fossem ditas de acordo</div>
<div>com as convicções pessoais mais fundas.</div>
<div>Não homenageamos o autor de vários livros,</div>
<div>o sonhador sensível que idealizou, rompidos os</div>
<div>aramados e os marcos frágeis de fronteira, uma</div>
<div>terra só para o Pampa, e sobre ela escrever contos.</div>
<div>Não serão os contos gardelianos, de concepção</div>
<div>formidável e prosa única, ou estudos alentados de</div>
<div>figuras emblemáticas como foi José Fructuoso</div>
<div>Rivera, ou da miríade de personagens que</div>
<div>apareceram em seu Contos de Sempre, ou ainda o</div>
<div>relato da viagem do Papa João Paulo II a Melo, uma</div>
<div>cidade uruguaia esquecida do mundo, mas tão</div>
<div>recordada por nós, que proporcionou uma</div>
<div>receptividade curiosa de seus habitantes. E nem é o</div>
<div>reconhecido divulgador da obra simoniana, autor</div>
<div>de três livros recentes, lançados conjuntamente,</div>
<div>para desvendar a obra de João Simões Lopes Neto.</div>
<div>E também não homenageamos o jornalista e</div>
<div>o desenhista, atividades que desenvolvia</div>
<div>profissionalmente junto ao outro personagem aqui</div>
<div>lembrado nesta noite, jornalista Clair Lôbo</div>
<div>Rochefort, seu grande amigo e de quem, ao que</div>
<div>soube, foi agradadamente subordinado em um</div>
<div>tempo mais ingênuo, mais romântico, mais</div>
<div>gracioso, muito anterior a este nosso tempo, de</div>
<div>tanta pressa, de tanta informação desorganizada e</div>
<div>muitas vezes de uma imoralidade muito mais</div>
<div>ordinária; este tempo brutal em que vivemos, onde</div>
<div>o Bem e o Mal, se existem de fato para além da</div>
<div>abstração de seus conceitos, dançam uma sinistra</div>
<div>valsa sem lugares fixos, dificultando ao fotógrafo</div>
<div>localizar-lhes bem as posições para obter uma boa</div>
<div>imagem, instalado então já em algum saudoso</div>
<div>laboratório de revelação fotográfica, pois estamos</div>
<div>em tempos de espantosas fotografias digitais.</div>
<div>Não, não é este o homem que</div>
<div>homenageamos.</div>
<div>O homem a quem rendemos nossos</div>
<div>emocionados tributos esta noite é aquele – e por</div>
<div>isso – que foi o professor de gerações. E ensinou</div>
<div>Arte, ensinou língua vernácula, ensinou Sociologia,</div>
<div>ensinou Teoria Geral do Estado, ensinou Direito</div>
<div>Internacional, ensinou, ensinou e ensinou, e que</div>
<div>agora precisa ser revisto pela casa em que</div>
<div>trabalhou, para que esta lhe devolva o mesmo amor</div>
<div>com que foi por ele amada.</div>
<div>Seus amigos estão aqui, Schlee. Seus velhos</div>
<div>amigos estão aqui. E os que não estão, estariam por</div>
<div>certo, tivesse a organização desse acontecimento se</div>
<div>produzido com mais normalidade. Vejo na plateia, e</div>
<div>me perdoem se a algum eu não enxergar, os</div>
<div>professores Boaventura Centeno, Gilberto</div>
<div>Quadrado, José Gilberto da Cunha Gastal, José</div>
<div>Rodrigues Gomes Neto. São seus velhos</div>
<div>companheiros, independentemente de tudo que</div>
<div>possa, no passado, haver-te aproximado de uns e te</div>
<div>afastado de outros. Ninguém escolhe</div>
<div>definitivamente os que transitam por nossas vidas,</div>
<div>mas na hora em que, voltando os olhos para o</div>
<div>passado, fazemos um inventário afetivo e afetuoso</div>
<div>de nossas vidas, vamos lá encontrar todos aqueles</div>
<div>que, pelo mesmo mistério que nos impede de</div>
<div>compreendermos as nossas vidas, viveram,</div>
<div>contudo, ao mesmo tempo que nós, e</div>
<div>proximamente.</div>
<div>A coincidência de este galardão ser-te</div>
<div>concedido no ano em que a Faculdade fez cem</div>
<div>anos, e Pelotas, duzentos, é fortuito. O</div>
<div>requerimento que entreguei para que tal</div>
<div>acontecesse data de dois anos e meio, mas foi, por</div>
<div>essas coisas estranhas das tramitações de papeis</div>
<div>que caminham e estancam em impensáveis</div>
<div>escaninhos da burocracia, aprovado apenas muito</div>
<div>recentemente pelos Conselhos Superiores da</div>
<div>Universidade Federal de Pelotas.</div>
<div>Quis, assim, uma dessas vontades sem dono</div>
<div>que hoje, na confluência de dois séculos agrupados</div>
<div>em exatidão, aqui viéssemos para te conceder este</div>
<div>título, materializado na cártula do diploma que ora</div>
<div>recebes.</div>
<div>Uma coincidência do tamanho da história</div>
<div>dessa Faculdade, da dignidade de Pelotas e da</div>
<div>envergadura de tua docência aqui passada em sua</div>
<div>maior parte.</div>
<div>Conto-lhes um já esquecido acontecimento:</div>
<div>um dia, amigos que eram, Hegel jantava em casa de</div>
<div>Goethe. E Hegel tinha maneiras bruscas, e era</div>
<div>falastrão, e suas palavras eram altas. Fizeram suas</div>
<div>libações, comeram sua comida. Hegel, não</div>
<div>abandonando seu dialeto suabo e obrigando</div>
<div>Goethe a se comunicar imperfeitamente com ele,</div>
<div>falou-lhe de vários assuntos. Ao final, quando se</div>
<div>despediu, a fraca voz da governanta de Goethe</div>
<div>chegou-lhe na forma de uma pergunta: - Quem é</div>
<div>este senhor de tão más maneiras?</div>
<div>E Goethe respondeu-lhe: - Este é o maior</div>
<div>filósofo da Alemanha.</div>
<div>Nosso homenageado é, sem dúvida, o maior</div>
<div>literato de nossa aldeia, e a está levando além do</div>
<div>que nossos olhos podem ver. Mas hoje, ele é outro.</div>
<div>Ele é o Aldyr Garcia Schlee, que pode não ter sido,</div>
<div>talvez, em sentido estrito, o maior professor da</div>
<div>história desta Casa centenária, mas que foi – isso</div>
<div>sem qualquer dúvida – o que mostrou a quem o viu</div>
<div>trabalhar, sempre encantado com sua docência, o</div>
<div>professor que fez ver a seus alunos que outro</div>
<div>mundo, menos opressivo, menos bárbaro, menos</div>
<div>violento, menos iníquo, menos vilipendioso era</div>
<div>possível. E é por isso que - não fora todo o resto - se</div>
<div>torna definitivamente suficiente à Universidade</div>
<div>Federal de Pelotas, ao te conceder este título, dizer,</div>
<div>nem tão cifradamente assim, o que eu te digo:</div>
<div>“muito obrigado, velho, sem ti eu seria pior”.</div>
<div>Abraço grande deste teu velho amigo, que traz</div>
<div>consigo certamente o abraço de todos os teus</div>
<div>alunos de todos os tempos, o mesmo abraço que te</div>
<div>darão os teus amigos verdadeiros, muitos dos quais</div>
<div>aqui estão. Comovidos como eu. Obrigado.</div>
<p>Tenho tão grande prazer vendo a todos aqui,para homenagearmos o Schlee. Seus familiares, os velhos amigos, antigos colegas, autoridades, gente do Direito, gente das Letras. Boa noite a todos.O que é uma homenagem, motivo que nos reúne agora em torno do nome do Aldyr?Uma homenagem parece ser um instante em que nos desprovemos do cotidiano para avaliarmos um pouco uma fatia da vida de alguém, um pedaço dessa vida que teve imenso significado e grande valia para tantos: são esses tantos os que, num momento inevitável em suas próprias vidas, dão de reconhecer o homenageado por esse pedaço, por esse valimento.A totalidade de alguém, sendo inexpugnável,não se homenageia. Nela estão os deuses e os demônios desse alguém, parte conhecidos, parte desconhecidos, mas que nos igualam de tal forma que o olhar aí nascido, forçosamente horizontal,não destaca nenhum dentre todos. Mas uma porção, uma leiva, um fragmento da vida de alguém mostra às vezes uma luz tão intensa, refulgente,que nos faz parar um momento e ficar olhando para essa amostra e vendo como ela, sendo doutro, nos influenciou, nos marcou, e em grande parte contribuiu significativamente para sermos o que somos. Uma homenagem é, portanto, um olhar vertical - e para cima -, lá onde se encontra,superior a nós, esse aspecto deslumbrante de alguém e que nos assombra.Quando o destacamos, nós o homenageamos. Quando reverenciamos essa parcela de alguém, esse alguém, não sendo em si mesmo fracionável, vem em sua inteireza para o ato, mas vem sabendo por que está sendo salientado. Melhor assim: saber o que de si foi notado,foi testemunhado e o fez existir no sentido cogitado por um ministro da igreja anglicana inglesa, George Berkeley, “esse est percipii” (ser é ser percebido).Este é o momento em que, olhando para o lado,vendo o homenageado ao lado, na verdade o estabelecemos como um ser aéreo, um comandante que nosso afeto e reconhecimento põe amorosamente numa espécie de céu, para dizer-lhe que ele nos foi muito importante e que precisamos uma vez mais convocá-lo ao nosso convívio, à nossa casa de trabalho, que sempre foi também a casa em que ele exerceu seus ofícios, e de onde seu espírito,pelo que foi quando por aqui passou, mantém-se iluminado a nosso lado. É um momento para dizer-lhe de seu prestígio e de nossa consideração. Schlee andou largamente pelo mundo da imaginação, vertendo o que concebeu em palavras que organizou para a expressão literária, e nos mostrou, com seu modo muito peculiar, até onde afebril força criativa que o anima permitiu levá-lo.Tornou-se conhecido de muitos pela sua verve artística, lançando ao papel, como artesão, os sortilégios sedutores do material com que melhor trabalha: as letras, as letras que formam palavras,que formam frases, que formam parágrafos, que formam capítulos, que formam livros, que são os berçários enfeitiçados de onde vêm as criaturas da sua literatura, as que nos fazem caminhar com ele por seu mundo (que não é absolutamente inexistente), esse seu mundo onde habitam seres humanos com características vivenciais aparentemente únicas, mas que, logo a seguir e em metáfora, vemos representarem a humanidade. O mundo de seu Jaguarão-Roma, de seu Jaguarão-Constantinopla, de seu Jaguarão-Jerusalém, de seu J aguarão-mundo-inteiro e de seu Jaguarão-mundo afora,com a aparente redução regional que nos mostra na tona, mas que cuida de evanescer na metáfora contida naquelas baixezas fundas e raras de sua tão criativa metalinguagem. Schlee é um homem de fronteira com sede de universo, e que volta à fronteira para montar,fragmento após fragmento, a totalidade que o comove, e este universo é uma terra só, feita de pampa, de caudilhos, de amplidões de um planeta sem canhadas, com poucos cerros, onde a língua espanholada é um pouco a nossa e um pouco adeles, o humilde povo de fala castelhana da América Latina, pousado um pouco sobre o Uruguai  e outro pouco sobre o Rio Grande, e que Schlee fazer apenas um, mas que se desprende deste um para ser todos. Schlee compõe livros como um compositor conduz lentamente a letra musical, até dá-la por  aprontada. É meticuloso e é estudioso, para não  permitir que a loucura da imaginação irrestrita o retire completamente da concretude do mundo,ainda que tenha menos compromisso com essa concretude do que com a arte. É um homem feito de uma substância infrequente, com interesses espantosamente simultâneos e aparentemente díspares, que mesclam certamente um leitor de Borges com um improvável jogador de futebol de mesa. São desse homem as potentes irritações súbitas e a ternura permanente e alentada, como um menino que reluta em envelhecer o espírito, e faz caricaturas enquanto analisa o destino do mundo. Mas o Schlee que hoje homenageamos não está aqui por ser este escritor criativo e multipremiado, apreciado verdadeiramente pela crítica literária. O Schlee que homenageamos é outro: é o Schlee professor.Falo-lhes da minha relação com ele, e estou certo que ela é representativa das emoções de todos os que com ele conviveram, desde os de  antes de mim até os de depois.Quando por aqui cheguei, vindo da Campanha, há já quase trinta e quatro anos, e ingressei no Curso de Direito, havia um professor que caminhava com sua cabeleira encrespada por estes corredores. Eu, muito menino; ele já um homem de cerca de quarenta e poucos anos. Eu nunca sabia bem o que o animava, de que se  alimentava o espírito do homem de cabeleira armada para trás, do que, enfim, ele tratava. Os mais velhos, neste tempo em que para cá vim,florescido que fui na selvagem Bagé, me diziam: -ele é o Schlee. E aquele juízo descritivo era imperfeito em sua origem, pois só me era dado o nome da criatura, mas não o que fazia, por que razão aqui estava, qual a disciplina que lecionava.Na verdade – depois fui me apercebendo -havia várias formas de me dizerem quem era o professor sem terno, sem gravata, desgrenhado,que parecia estar ali como visitante de outro mundo. Também vi depois que isso não era exatamente um exagero.Vivíamos ainda no período ditatorial, era ainda um general o chefe da nação, um homem que amava cavalos e detestava estudantes, o General Figueiredo. Os combativos colegas do CAFV falavam com orgulho do Schlee, como se ele fosse uma porta aberta para um tipo de embate político deonde sairíamos todos para dizer “o mundo precisa ser diferente, canalhas”. “Canalha” era uma expressão que ele utilizava muito, e que não tinha a exata força semântica que um desaforo dessa ordem parece ter. Era uma expressão até mesmo carinhosa, um aposto despretensioso, muito embora às vezes “canalha” fosse “canalha” mesmo.Mas havias os outros, os que não queriam mudança alguma, os que seguiam o caminho inverso daquele que comovia meus amigos da época, e estes me apresentavam o Schlee como o professor inconsequente, de mau-humor, um solitário em seus sonhos e que não deveria ser levado a sério. Estudar Direito, mesmo, era ler os códigos e fazer apontamentos.Pouco a pouco, em silêncio, fui dele me aproximando, até que se tornou meu professor de Direito Internacional Público.Aí, eu finalmente conheci o Schlee, ou penso que conheci o suficiente para vê-lo, de maneira definitiva, como alguém que não era daquele mundo, que sugeria outras hipóteses cognitivas,que via a política com entusiasmo forte, e mesmo que ele não saiba, nesta casa permaneci apenas porque sabia que era possível manter-se uma vela acesa para iluminar outras veredas. E não foi sem razão que, anos depois, aqui ingressei para lecionar Filosofia do Direito, esse outro nicho de possibilidade teórica onde se pode realizar o enfrentamento da dogmática jurídica, acalentar utopias inexistentes no deserto árido onde repousam os mandamentos estatais; enfim, querer pensar em outras coisas sem precisar sair de dentro deste prédio, destas salas, do discurso jurídico e da retórica da ordem.O Direito dá poucas chances aos professores das matérias codificadas para que logrem delirar com pensamentos que se afastem por demais das leis. Tive professores magníficos também nessas áreas, e com eles muito aprendi, mas meu apreço,àquele tempo, era pelo homem de cabeleira ampla,que caminhava com a demência própria dos sonhos permanentes de quem, não sendo desse mesmo filão de pensamento, ou dessa mesma resoluçãoemocional, buscava formular outras conjecturaspara a vida.E o Schlee, aproveitando o seu DIP, em plenaGuerra Fria nos falava mal dos americanos e nãotão bem dos Soviéticos, mas deixava entrever muitoclaramente que havia dois lados e dois ideaisbásicos. Schlee era contrário às adaptações e sedeixava estimular pelas resistências. Qualqueropressão, qualquer oportunismo político, qualquermodelo de dominação era refutado por ele, com aveemência que sempre lhe foi própria.“Os canalhas, os canalhas”.Pontualmente, recordo do Schlee duas coisasque me pareceram extraordinárias: ele desenhavacom rapidez impressionante mapas dos países noquadro. Falava-se em Albânia, lá estava a Albânia;falava-se em Israel, lá estava Israel; falava-se emCuba, lá estava Cuba; falava-se da França, lá estavaa França.Nunca conferi a exatidão dos mapas, mas elanão era para ser conferida. Aquilo era um tantocharmoso e louco, ninguém sabia se realmente osmapas eram coincidentes com a realidade, mas onosso professor, tomado pela força de nos falarsobre o mundo político, nulificava completamentequaisquer interesses investigativos sobre estaremou não os mapas no perfeito formato dos mapasmúndi.O outro fato que gostaria de mencionareram as Provas de Livro Aberto, as PLAs. DiziaSchlee que não tinha o menor interesse em quefizéssemos outra coisa senão raciocinar, eprocurávamos, assim, tentar compreender algumsentido possível para os assuntos durante asavaliações.Pois bem, é o professor dos mapasespantosos, da cabeleira farta, das roupas comuns,das provas em que consultávamos os livros, é esse oser humano que hoje homenageamos. Mas não ohomenageamos porque desenhava mapasespantosos, tinha cabeleira farta, usava roupascomuns ou nos permitia consultar livros durante asprovas. Nós o homenageamos porque foi umcontraponto a uma visão consideravelmenteunificada do mundo, porque resistiu e não seadaptou, porque ensinou-nos o valor pedagógico dapalavra “não” e o idêntico valor moral da palavra“sim”, conquanto ambas fossem ditas de acordocom as convicções pessoais mais fundas.Não homenageamos o autor de vários livros,o sonhador sensível que idealizou, rompidos osaramados e os marcos frágeis de fronteira, umaterra só para o Pampa, e sobre ela escrever contos.Não serão os contos gardelianos, de concepçãoformidável e prosa única, ou estudos alentados defiguras emblemáticas como foi José FructuosoRivera, ou da miríade de personagens queapareceram em seu Contos de Sempre, ou ainda orelato da viagem do Papa João Paulo II a Melo, umacidade uruguaia esquecida do mundo, mas tãorecordada por nós, que proporcionou umareceptividade curiosa de seus habitantes. E nem é oreconhecido divulgador da obra simoniana, autorde três livros recentes, lançados conjuntamente,para desvendar a obra de João Simões Lopes Neto.E também não homenageamos o jornalista eo desenhista, atividades que desenvolviaprofissionalmente junto ao outro personagem aquilembrado nesta noite, jornalista Clair LôboRochefort, seu grande amigo e de quem, ao quesoube, foi agradadamente subordinado em umtempo mais ingênuo, mais romântico, maisgracioso, muito anterior a este nosso tempo, detanta pressa, de tanta informação desorganizada emuitas vezes de uma imoralidade muito maisordinária; este tempo brutal em que vivemos, ondeo Bem e o Mal, se existem de fato para além daabstração de seus conceitos, dançam uma sinistravalsa sem lugares fixos, dificultando ao fotógrafolocalizar-lhes bem as posições para obter uma boaimagem, instalado então já em algum saudosolaboratório de revelação fotográfica, pois estamosem tempos de espantosas fotografias digitais.Não, não é este o homem quehomenageamos.O homem a quem rendemos nossosemocionados tributos esta noite é aquele – e porisso – que foi o professor de gerações. E ensinouArte, ensinou língua vernácula, ensinou Sociologia,ensinou Teoria Geral do Estado, ensinou DireitoInternacional, ensinou, ensinou e ensinou, e queagora precisa ser revisto pela casa em quetrabalhou, para que esta lhe devolva o mesmo amorcom que foi por ele amada.Seus amigos estão aqui, Schlee. Seus velhosamigos estão aqui. E os que não estão, estariam porcerto, tivesse a organização desse acontecimento seproduzido com mais normalidade. Vejo na plateia, eme perdoem se a algum eu não enxergar, osprofessores Boaventura Centeno, GilbertoQuadrado, José Gilberto da Cunha Gastal, JoséRodrigues Gomes Neto. São seus velhoscompanheiros, independentemente de tudo quepossa, no passado, haver-te aproximado de uns e teafastado de outros. Ninguém escolhedefinitivamente os que transitam por nossas vidas,mas na hora em que, voltando os olhos para opassado, fazemos um inventário afetivo e afetuosode nossas vidas, vamos lá encontrar todos aquelesque, pelo mesmo mistério que nos impede decompreendermos as nossas vidas, viveram,contudo, ao mesmo tempo que nós, eproximamente.A coincidência de este galardão ser-teconcedido no ano em que a Faculdade fez cemanos, e Pelotas, duzentos, é fortuito. Orequerimento que entreguei para que talacontecesse data de dois anos e meio, mas foi, poressas coisas estranhas das tramitações de papeisque caminham e estancam em impensáveisescaninhos da burocracia, aprovado apenas muitorecentemente pelos Conselhos Superiores daUniversidade Federal de Pelotas.Quis, assim, uma dessas vontades sem donoque hoje, na confluência de dois séculos agrupadosem exatidão, aqui viéssemos para te conceder estetítulo, materializado na cártula do diploma que orarecebes.Uma coincidência do tamanho da históriadessa Faculdade, da dignidade de Pelotas e daenvergadura de tua docência aqui passada em suamaior parte.Conto-lhes um já esquecido acontecimento:um dia, amigos que eram, Hegel jantava em casa deGoethe. E Hegel tinha maneiras bruscas, e erafalastrão, e suas palavras eram altas. Fizeram suaslibações, comeram sua comida. Hegel, nãoabandonando seu dialeto suabo e obrigandoGoethe a se comunicar imperfeitamente com ele,falou-lhe de vários assuntos. Ao final, quando sedespediu, a fraca voz da governanta de Goethechegou-lhe na forma de uma pergunta: - Quem éeste senhor de tão más maneiras?E Goethe respondeu-lhe: - Este é o maiorfilósofo da Alemanha.Nosso homenageado é, sem dúvida, o maiorliterato de nossa aldeia, e a está levando além doque nossos olhos podem ver. Mas hoje, ele é outro.Ele é o Aldyr Garcia Schlee, que pode não ter sido,talvez, em sentido estrito, o maior professor dahistória desta Casa centenária, mas que foi – issosem qualquer dúvida – o que mostrou a quem o viutrabalhar, sempre encantado com sua docência, oprofessor que fez ver a seus alunos que outromundo, menos opressivo, menos bárbaro, menosviolento, menos iníquo, menos vilipendioso erapossível. E é por isso que - não fora todo o resto - setorna definitivamente suficiente à UniversidadeFederal de Pelotas, ao te conceder este título, dizer,nem tão cifradamente assim, o que eu te digo:“muito obrigado, velho, sem ti eu seria pior”.Abraço grande deste teu velho amigo, que trazconsigo certamente o abraço de todos os teusalunos de todos os tempos, o mesmo abraço que tedarão os teus amigos verdadeiros, muitos dos quaisaqui estão. Comovidos como eu. Obrigado.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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		<title>A paz da Praia do Laranjal</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Dec 2012 17:28:26 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/laranjal1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2676" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/laranjal1.jpg" alt="" width="500" height="332" /></a></p>
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		<title>A nave de Niemeyer</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Dec 2012 01:57:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Vi essa nave criada por Niemeyer estacionada em Niterói. Sabia que um dia ela iria buscá-lo para encantar o resto do universo

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Vi essa nave criada por Niemeyer estacionada em Niterói. Sabia que um dia ela iria buscá-lo para encantar o resto do universo</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/nave.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2673" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/nave.jpg" alt="" width="600" height="399" /></a></p>
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		<title>Minha Bela</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Dec 2012 19:28:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

Pela vida e pela morte, sempre fui em busca dela,
dias e noites espreitando, na janela, na janela,
procurando, procurando
entregaria minha alma só pra ela, só pra ela.

Quantas vezes icei velas, perambulei por ruelas
namorei Isabelas, Donatelas e Danielas,
mas minhas vida buscava, os rumos de Gabriela.

Vi minhas melhores cenas no cinema em um tela
amei anjos e demônio, meretrizes... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/2012/12/05/minha-bela/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<div><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/gabi.jpg"></a><a href="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/Resize-of-gabi.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2671" src="http://wp.clicrbs.com.br/retratosdavida/files/2012/12/Resize-of-gabi.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></div>
<div>Pela vida e pela morte, sempre fui em busca dela,</div>
<div>dias e noites espreitando, na janela, na janela,</div>
<div>procurando, procurando</div>
<div>entregaria minha alma só pra ela, só pra ela.</div>
<div></div>
<div>Quantas vezes icei velas, perambulei por ruelas</div>
<div>namorei Isabelas, Donatelas e Danielas,</div>
<div>mas minhas vida buscava, os rumos de Gabriela.</div>
<div></div>
<div>Vi minhas melhores cenas no cinema em um tela</div>
<div>amei anjos e demônio, meretrizes e donzelas</div>
<div>futuro, presente e passado andando na direção dela</div>
<div>razão, sentimento e espirito, eu te entrego minha bela.</div>
<div></div>
<div>Amava minha existência em palácios e favelas,</div>
<div>senti teu cheiro nos campos, nos céu nos mares em vielas</div>
<div>Aromas de alecrim, de flores e de canela</div>
<div>perecem minhas frases prontas, sobrevive versos pra ela</div>
<div></div>
<div>Fruto da vida, Sofia,</div>
<div>amor entre eu e ela,</div>
<div>sem graça seria a vida</div>
<div>espreitando na janela, procurando, procurando</div>
<div>e no peito um coração que martela</div>
<div>amando a vida e a morte,</div>
<div>junto a nossa flor mais bela.</div>
<div>Existência em despedida, minha alma distraida</div>
<div>só sou feliz nesta vida, por te amar ó Gabriela.</div>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Próximo ao fim</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Dec 2012 16:01:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nauro_junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[o final das férias significa o começo do fim.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>o final das férias significa o começo do fim.</p>
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