Rafael Diverio | rafael.diverio@zerohora.com.br
Uma carta do coronel de ordenanças Cristóvão Pereira de Abreu, português de nascimento, ao general brasileiro Gomes Freire de Andrada, em 27 de setembro de 1736, pode reescrever a história gaúcha.
Ela seria o documento que marcaria a origem do Estado e alteraria em quatro meses a data oficial da fundação, estabelecida como 19 de fevereiro 1737. Assim, o Rio Grande do Sul teria 275 anos e não 274 como se prega atualmente.
Convidado pelo jornalista Willy César, folclorista foi ao local onde supostamente estaria sepultado Cristóvão Pereira de Abreu. Foto: Rafael Diverio.
Os dados foram apresentados ao tradicionalista Paixão Côrtes, durante visita ao sul do Estado. Côrtes está na região para conhecer o Ponto de Cultura Freguesias Litorâneas, em São José do Norte. Convidado pelo jornalista Willy César, pesquisador da vida de Abreu, o folclorista foi ao local onde supostamente estaria sepultado o tropeiro, no centro de Rio Grande.
Na recuperação histórica de César, Abreu teria chegado à localidade de São Pedro de Rio Grande ao lado de 160 homens, durante o percurso entre Sorocaba (SP) e Colônia do Sacramento (Uruguai). No local, criou as bases para o forte Jesus-Maria-José (primeira construção gaúcha) e teve confrontos com indígenas que habitavam o Estado. Quatro meses depois, orientava a chegada do brigadeiro José da Silva Paes ao porto de Rio Grande.
Uma suposta briga entre Abreu e Silva Paes seria o motivo do esquecimento do tropeiro na história gaúcha.
Especialista em Rio Grande do Sul, o historiador Luiz Henrique Torres discorda da versão de que o Estado tenha começado por Cristóvão de Abreu. Apesar de reconhecer a importância do tropeiro e a sua chegada à cidade antes de Silva Paes, o professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) considera o brigadeiro português como o fundador de fato.
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Por Roberto Witter
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