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Será o fim da tchê music?

17 de outubro de 2009 14

Reportagem de capa do Diário Gaúcho, hoje:

JOSÉ AUGUSTO BARROS  |  jose.barros@diariogaucho.com.br  

Músicos do movimento que abandonou a pilcha nos palcos, desafiando patrões de CTGs, voltam atrás e rendem-se ao tradicionalismo.
Três anos após a polêmica que varreu bailantas Rio Grande afora, os filhos à casa tornam. Em 2006, de um lado do embate, estavam os integrantes das chamadas bandas de tchê music, do outro, os irredutíveis tradicionalistas.

Agora, nomes até pouco tempo da tchê music, como Luiz Cláudio e o grupo Quero-Quero, estão voltando às origens. Outros, como o Tchê Barbaridade, tentam o meio-termo. Será o início do fim da tchê music? Eles serão aceitos de volta nos CTGs?

Pelas palavras do presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), Manoelito Savaris, não será tão simples assim.

– Se voltarem a fazer música gaúcha tradicional, tendo a postura adequada, serão contratados. Mas poderão ter dificuldade, pois haverá desconfiança – avisa o tradicionalista.

– Quem for contratá-los terá que tomar certos cuidados. Eles terão que comprovar que voltaram ao tradicionalismo – sustenta Manoelito.

Quem for voltar, que volte por inteiro:
– Se quiserem disputar o mercado, que venham por inteiro. Existem 900 galpões de CTGs realizando bailes e fandangos pelo Rio Grande do Sul!

Crítico de todo e qualquer tipo de radicalismo com que tradicionalistas tratam a questão, o folclorista e pesquisador Paixão Côrtes ressalta:
– Sou contra qualquer medida proibitiva, mas sou a favor de conceituação, da diferenciação dos estilos claramente.

E, se o presidente do IGTF, Manoelito, aposta que os tchês têm prazo de validade:
– Eles não guardam raiz com nada!

Aí, o eterno Laçador bem que concorda:
– Todo modismo tem tempo limitado, é circunstancial, consumista…

Quero-Quero, um dos grupos mais renomados, teve apenas um DVD em estilo tchê music e não quis continuar na linha. Foi em 2005, com Ave Fandangueira ao Vivo.
– Tentamos passar para um mercado que estava se abrindo. Mas o público mais fiel chiou e com razão. Nossa veia é tradicional – define o vocal, André Lucena.

Para confirmar o que diz, o músico ressalta que o grupo nunca deixou de usar toda a vestimenta gaúcha nos palcos.
– A gente ouvia: “O Quero-Quero tá na tchê music, então, não toca mais no nosso CTG”. Mas já estamos recebendo convites novamente – relata o integrante do grupo.

Quanto ao motivo da volta às origens, o cantor não poupa palavras, ainda que com um pouco de receio de provocar a ira dos adeptos da tchê music:
– Nós somos muito críticos em relação à musicalidade. O que observamos, sem querer depreciar ninguém, é que as letras da tchê music eram muito pobres!

Os fãs já podem agendar-se, porque o retorno do grupo ao tradicionalismo será marcado pelo lançamento do álbum Quero-Quero 20 anos de História. Deve estar nas lojas em dezembro.

Em 2006, Luiz Cláudio declarava: “Abandonamos a pilcha para ficar mais perto do público”. Hoje, voltou a usar bombacha e, definitivamente, como gosta de ressaltar.
– O nosso público começou a nos cobrar músicas tradicionais. Nunca cuspi no prato que comi, apenas segui um caminho que achei conveniente na época. Voltei para ficar – assegura.

Durante o seu tempo de tchê music, os CTGs não o aceitavam. Agora, tem esperança que a situação mude:
– Já pilchado, fiz o encerramento da Semana Farroupilha em Canoas.

Um dos primeiros a saber da mais recente mudança de Luiz Cláudio foi Manoelito, que, em 2006, presidia o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), hoje comandado por Oscar Gress (o Diário tentou contato, mas Oscar está em viagem). Luiz Cláudio enviou e-mail a Manoelito, com a capa do novo CD e com a música Se o Rio Grande me Precisa – na “nova” linha tradicionalista.
– Fiz isso para me retratar com ele e comunicar a mudança. Ele respondeu muito bem – conta o músico.

Direto de Itajaí, Santa Catarina, onde Tchê Garotos fez show recentemente, o gaiteiro e vocalista Markynhos Ulyian nega o rótulo de tchê music para o grupo. Mas não dá para negar que foi justamente quando abandonaram a fase tradicionalista, que estes gaúchos começaram a bombar nacionalmente.
– Tchê music não existe no resto do país. Em São Paulo, por exemplo, somos sertanejos. Em novembro, lançaremos o CD Tchê Garotos – Luau Sertanejo – conta.

Quanto aos grupos que estão voltando para o tradicionalismo, Markynhos é definitivo:
– Acredito que é mais uma forma de desespero deles, atrás do ganha-pão.

Em busca de “um ponto de equilíbrio entre as vertentes”, como gosta de argumentar, o Tchê Barbaridade lança o CD Cante e Dance com faixas bem mais campeiras como Trancaço, escrita por Mauro Moraes, premiado em vários festivais nativistas.
– A gente vai tentar achar um caminho para unificar as duas ideias, o tradicional com o novo. Já temos músicas com esta perspectiva – afirma o vocalista e líder do grupo, Marcelo Noms.

Mesmo perseguindo o meio-termo com o resgate do tradicional, o Tchê Barbaridade não pretende vestir a bombacha de novo.
– Temos uma cantora (Carmen). Colocá-la vestida de prenda é pedir para andar para trás! – sentencia o músico, que finaliza com uma observação:
– Deixamos de ser um objeto cultural, para ser um grupo totalmente ligado à música.

Postado por Giovani Grizotti

Comentários (14)

  • Jacira Franco diz: 17 de outubro de 2009

    SIM, SIM, SE POR UMA VEZ LIGADO A MUSICA TRADICIONAL GAUCHA DEVE SIM SE VESTIR COMO TAL, DE BOMBACHA E ESPÓRA E A PRENDA SE VESTIR DE PRENDA; NÃO É ANDAR PRA TRÁS.
    A GAUCHADA VAI PRA FRENTE; IMAGINEM 900 CTGS É UMA CONSTATAÇÃO DO SUCESSO TRADICIONALISTA GFAUCHO.
    PARABÉNS E OBRIGADA…

  • ivan lindenberg diz: 19 de outubro de 2009

    Nada como um dia após o outro…
    Será que eu entendi direito “Colocá-la vestida de prenda é pedir para andar para trás!” então ele está querendo dizer que
    quem está abandonando a tchê music está andandao para tráz?? sim porque eles voltarão a usar bombacha, e para mim tem o mesmo significado.

  • Roberto Neto diz: 17 de outubro de 2009

    Quem escuta o primeiro CD do tche Barbaridade e o último sabe o que do que estou falando,é outra musica,é uma coisa que nem tinha que ter permissão de entrar no estado,eu realmente espero que esse modismo finalmente acabe(pq tudo que tem instinto assim tão artificial,um dia vai acabar)esses caras que se diziam tradicionalistas e agoram são maxixeiros são uns baita de uns viracasacas,duvido se o Luiz Marenco para de fazer sucesso ela vá vestir calça de brim tamanho 30 e por guitarra,é bom q acab

  • Mauro diz: 17 de outubro de 2009

    Tive o privilégio de nascer na cidade “berço da canção nativa”,privilégio esse que me proporcionou vivenciar o ambiente de campo, seja em estâncias ou granjas. Talvez esse convívio, hoje, me torna mais exigente musicalmente falando. Que bom que os campeiros voltem às origens, e o resto é só lixo musical que como todo modismo não demora acabar.

  • Paulo Benito diz: 20 de outubro de 2009

    Bando de mercenários! Vendidos primeiro trocaram a música tradicionalista por que não dava dinheiro, agora que a boca ta entaipada pro lado deles, voltam ao tradicionalismo tamanho o desespero.
    Já o Marcelo Noms, diz que se vestir de prenda é andar para trás, pois bem pegue tua banda e vá para a Bahia.
    E o Grizotti nos chama de Chiita, faça-me o favor.
    Forte Abraço

  • João Batista Rodrigues diz: 20 de outubro de 2009

    Sou do tempo onde eles começaram…e muitos bailes tocaram pra mim pois os contratei por acreditar na capacidade e no talento e também pelo prestígio que eles tinha….ainda tem..porém de um público diferente….que não somos nós….mas por tudo isso..e por muito mais…agradeço aos que não se envergonham de ser…de permanecer Gaúchos…Viva a Musica Regionalista!!!…e dizer que dancei até chula com o Machado..gaiteiro do Tchê…em cima do palco…pois é…Bem vindo Luiz Clàudio e quero-quero

  • cristiano diz: 17 de outubro de 2009

    eu não sou radical sobre esse assunto, através do tchê barbaridade e tchê garotos com uma batida mais”pegada” nas músicas campeiras que comecei a gostar da música gaúcha. Tinha abandonado esses “tchês” que estão mais pra banda de forró que de vanerão!fico feliz em ver um cara como o luiz claudio(também grande compositor) voltando as origens e não cantando aquelas versões com letras pobres e rídiculas.

  • jonatan caetano diz: 20 de outubro de 2009

    ESPERO QUE O TCHE BARBARIDADE VOLTE AS ORIGENS… REGRAVAR FORRÓ É UM PASSO ATRAS. O MELHOR CD GAUCHO FOI O AO VIVO 100% VANEIRA E AMELHOR MUSICA É PANCADA DE VANEIRA. E VEM REGRAVAR VOCE NÃO VALE NADA… PODE PARAR… TCHE BARBARIDADE GRAVANDO VANEIRA IMEDIATAMENTE PARA A VOLTA DO SUCESSO

  • Daniel Raota diz: 20 de outubro de 2009

    Sou gaúcho e levo minhas tradições aonde estou e em nada fico diferente gostando de outras musicalidades. Vamos respeitar aos que opinão a favor ou não da tchê music. Por isso que outras regiões do país consegue colocar suas música nas rádios e novelas nacionais ao ponto de fazer sucesso , ou seja chega de mesquinharias por isso a música tradicionalista não passa o Paraná hum e olhe lá já está perdendo muito espaço !Abrem os olhos sejamos democráticos !

  • Luis Carlos Fonseca diz: 17 de outubro de 2009

    Só pode ser piada hoque o Marquinho(tchê garotos) e o Marcelo do (tchê Barbaridade)falam do tradicionalismo me sinto envergonhado de comprar os cd deles anos atrás,eles se esquecem quem colocou onde eles estão agora.è povo do RS.SC e o paraná antes disso eles não eram nada.Hoje eu pago pra não escutar Os tchês garotos e Barbaridade tenho nojo das musicas deles.A musica Tradicionalista não precisa de vcs…!

  • Felipe diz: 17 de outubro de 2009

    Se tirarem o tchê music, vai ser um milagre.
    VIVA A TRADIÇÃO GAÚCHA!, VIVA O RIO GRANDE!
    VIVA A MÚSICA GAÚCHA!.

  • Alessandro Alves diz: 28 de outubro de 2009

    Realmente o comentário de Marquinhos do Tchê Garotos foi infeliz, pois foram aqui no RGS que começaram, e se algum colega de profissão quiser voltar atrás em seu estilo, não precisa sofrer repudiações, mesmo tendo havido algo entre os integrantes antigamente. Para ver o sucesso do TG lá pra cima, é só dar uma olhada na agenda de shows, a maioria é aqui, pois lá os caras querem ver música gaúcha, de bota e bombacha, trancão véio e não sertanejo, pra isso existem tem boas duplas.

  • EDU diz: 19 de outubro de 2009

    Fico feliz e parabenizo o Luiz claudio e o grupo Quero-quero pela volta ás origens,e mando um recado ao Markynhos ulyan:Ele deve entender mesmo de música setaneja,pois é mais um de fora do RS que vem contaminar nossa tradição com suas frescuras.
    e o pessoal do Quero-quero disse tudo:”as letras dos tche music são muito pobres”.
    parece que eles não tem capacidade de compor suas próprias canções e regravam tudo quanto é forró(argh!).patéticos.
    O Rio grande é maior que eles!!

  • Gustavo diz: 20 de outubro de 2009

    Esses tche-music é coisa pra brasileiro ver. Bem como disseram, é sertanejo, forró, axé, maxixe, qualquer coisa, menos musica gaucha! Até que enfim esta porcaria ta acabando. O Rio Grande é maior que isso. VIVA A CULTURA GAUCHA! VIVA A REPUBLICA RIO-GRANDENSE!

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