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Paixão não vê "razão" nas cavalgadas

26 de fevereiro de 2010 24

Entrevista de Paixão Côrtez, hoje, em Zero Hora:

Descansando em Cidreira, o folclorista Paixão Côrtes, a maior autoridade em tradicionalismo gaúcho, viu apenas as pegadas deixadas pela Cavalgada do Mar deste ano. O evento não o entusiasma. Apesar de achar a ideia boa, ele considera que ela é desperdiçada pela falta de conhecimento e de propósito. Confira a entrevista concedida ontem pelo folclorista:

Zero Hora – Qual é a sua visão a respeito de eventos como a Cavalgada do Mar?

Paixão Côrtes – As cavalgadas podem chamar a atenção à ligação entre o gaúcho e o cavalo no movimento tradicionalista. Assim como existem apresentações de danças, podem ocorrer essas demonstrações de cavaleiros. É salutar, quando bem organizada. Mas bem organizado significa ter objetivos e não simplesmente montar no cavalo sem perspectivas maiores. Passo um bom tempo aqui em Cidreira e não vejo razão de ser nessas cavalgadas. É simplesmente uma caminhada a cavalo. Não há pesquisa ou questionamento sobre nada. Não serve para questionar os problemas do Rio Grande. É um passeio. É comer, beber e dar risada.

ZH – Existe desconhecimento sobre os cavalos por parte dos participantes?

Paixão Côrtes – O gaúcho sempre esteve ligado ao cavalo. Ele podia dormir mal, nos arreios, mas o cavalo precisava ficar em um condição excepcional, porque era através do cavalo que o gaúcho podia fazer o seu trabalho. Na cavalgada, há participantes inconscientes da responsabilidade que deveriam ter. Estão percorrendo grandes distância cavalos mal-alimentados e não habituados a isso. Não estou dizendo que não existem pessoas com conhecimento, mas tenho visto aqui que são pessoas sem a mínima noção da sua responsabilidade e da dignidade do animal. Estão fazendo exibição descaracterizante, em vez de exaltar o cavalo e a identidade da terra.

ZH – O trajeto pelo litoral faz sentido?

Paixão Côrtes – O litoral foi a primeira rota dos tropeiros, a partir de 1731. Mas eu falo com os cavaleiros aqui e eles não sabem nada do que estão fazendo, não têm conhecimento nenhum da História. Tinham de conhecer e de fazer o resgate. Uma cavalgada dessas tem de ter algum objetivo além de simplesmente montar. Existes festas e recepções, mas o tradicionalismo não vive de festas. Vive da realidade e do desenvolvimento do Rio Grande. Precisa ter substância. É preciso ter a cultura do saber, não só a do montar.

Nota do blog: segundo o comandante Vilmar Romera, a Cavalgada do Mar tem um objetivo sim: divulgar as tradições do campo aos veranistas que estão na cidade.

Clique aqui e leia a reportagem de Itamar Melo em ZH, que revela, inclusive, o relato de uma professora de medicina veterinária da UFRGS, afirmando que as fezes de cavalos oferecem risco mínimo à saúde pública, se comparadas às de cães e gatos.

Postado por Giovani Grizotti

Comentários (24)

  • Alicia diz: 26 de fevereiro de 2010

    A fala do Paixão tá certa: não há nenhum propósito, nenhum objetivo, nenhuma meta nessa cavalgada. Só junção, bebida, comilança. Creio que o Nei Lisboa também concorda!

  • Juarez Zaias diz: 27 de fevereiro de 2010

    Devemos dar total atenção às sábias palavras do nosso grande Paixão Cortes.
    Eu sempre achei que muitos desses “caval(h)eiros pouco se importam com quem vai por baixo, é só espora e relho. Seria diferente se ambos se revezassem vez em quando, aí sim, nós veriamos até onde iria tanta valentia.

  • Neimar Iop diz: 26 de fevereiro de 2010

    Parabéns ao Paixão por sua manifestação. EU tenho comentado que cavalgadas devem ter um objetivo cultural, como a que percorre os distritos de Santa Maria e como as promovidas pela Confraria de Cavaleiros e Resgate Histórico Sangue Farrapo. Esssa do litoral não possui nada de cultural. Ontem no Conversas Cruzadas percebi a falta de organização quando foi dito, pelos organizadores, que não sabiam quantas pessoas participavam e nem de onde eram. É necessário um contole urgente nestas atividades.

  • Anderson diz: 26 de fevereiro de 2010

    Eu sou a favor e creio que a mortalidade é normal visto o nº de animais (3.000) se esse cavalos não estivesse participando da cavalgada seriam imortais? não ia nem um morrer neste mesmo período em suas baias? concordo 100% com o paixão, mas a cavalgada deve continuar porém com um objetivo e maior organização . ponto!

  • Paulo diz: 26 de fevereiro de 2010

    “Divulgar tradição para o veranista”…imagina se houvesse uma inversão – seria legal ver pescadores tarrafeando em plena Praça da Alfândega… essa gente que compra a pilcha ali na Alberto Bins, não sabe nem por quê está usando e vai sujar as já bem sujas praias gaúchas não tá com nada…

  • gustavo de souza ferreira diz: 1 de março de 2010

    Sou participante da Cavalgada do Mar desde 2005, já fizemos 06 cavalgadas do mar, eu, minha esposa e minha filha de 11 anos, que participa desde os 6 anos de idade, o nosso Piquete é o PMP/Piquete Memórias do Passado, este piquete ganhou nos últimos 7 anos o 1º lugar em organização e nunca morreu nenhum cavalo dos nossos, participam famílias em nosso piquete e ninguém vai bebend e fazendo judiarias nos animais, portanto, não vamos generalizar as coisas “ruins” que possam acontecer, é uma minoria

  • Carla Trois diz: 26 de fevereiro de 2010

    A propósito, depois que a cavalgada passa, passam pessoas trabalhando na limpeza da praia.

  • Carmem diz: 26 de fevereiro de 2010

    Continuando.Se a preocupação é divulgar,porque a cavalgada não é feita em horário em que os veranistas também pudessem interagir?Poderia ser feita a tardinha, usando os palcos já existentes em quase todas as praias para os seus eventos, onde poderia ter musica gaucha e roda de chimarão, quem sabe até com a participação de danças típicas. Sei que a maioria iria prestigiar. E a tardinha, os animais não sofreriam tanto e os veranistas não teriam que ficar a resto da tarde numa praia suja.

  • Fabio diz: 26 de fevereiro de 2010

    E entre fezes de cavalos e areia limpa, qual oferece mais risco?

  • Luiz Dreher diz: 26 de fevereiro de 2010

    finalmente alguém com com credibilidade falou , a respeito das cavalgadas pelo mar.
    Realmente não há objetivo nenhum.

    Pior é ler, que os excrementos dos animais é obrigação das prefeitura de limpar. Que bobagem. Por que o dono de um cachorro tem obrigação de juntar a sujeira do seu anilmal eo ditos defensores da tradição nã se sentem obrigados?
    Parabéns Paixão Cortes, isto é equilibrio e bom senso!

  • Tordilho diz: 26 de fevereiro de 2010

    Vejam essa idèia: http://tradicaogauchars.blogspot.com

    Eu participo dessa cavalgada que além do diferencial de ser diferente por ser noturna, pretende ter um aspecto cultural, pois estarão relacionadas com as lendas gaúchas.

  • Carmem diz: 26 de fevereiro de 2010

    Estava em Pinhal quando essa cavalgada passou, pouco antes do meio dia, pode ser que alguns estejam preocupados em divulgar as tradições, mas a maioria quer mesmo é aparecer,sem nenhum cuidado com os animais ou as pessoas que estão na beira do mar, e a sujeira fica. Quem vai recolher? a própria maré é quem limpa. Mais uma coisa a poluir o mar, mas quem liga? Infelizmente, isto é apenas um grão de arreia, o número de sacos plásticos,garrafas etc. é tão grande que alguns cavalos não são nada.

  • Soraya diz: 28 de fevereiro de 2010

    Conhecer a história do RS é importante, assim como a história de cada cidade. Não é preciso reencenar fatos históricos, e o mundo evoluiu. Maltrata cavalos já pertence à pré-história e o uso dos animais como se fossem coisas ou propriedade um dia também irá ser considerado absurdo. Para muitas pessoas que pensam e refletem sobre os direitos animais já é. Pena que estas pessoas não conseguem ainda sensibilizar parcelas maiores de pessoas.

  • PauloHenrique Camilo Porto diz: 28 de fevereiro de 2010

    Em primeiro lugar gostaria de dizer que esta cavalgada existe a 26 anos e eu nunca tinha ouvido ninguém questioná-la agora aparecem pessoas das sombras dando sua opinião contrária a este movimento, porque será, querem aparecer.O Paixão Cortes como maior autoridade em tradicionalismo não deveria desmerecer o trabalho dos organizadores da mesma e se tem algo errado como autoridade em tradicionalismo deveria ajudá-los e não criticá-los, não faça que nem o Nei Lisboa.

  • jorge leandro diz: 26 de fevereiro de 2010

    Para entrar em qualquer CTG,tens que se submeter as regras(alem de se convidado). quem quer cultuar ou conheçer as tradições que va ao CTG, eu vou a praia pela e por praia.
    Nao pode ser tão serio assim, cavalgar com latas de cerveja, fazer gracinhas com os animais em frente as crianças,sem contar o uso ostensivos de facas na cintura.
    Ha, ia esquecendo: alguns carros de apoio(parentes)dos cavalarianos que circulam livremente na areia.(ao menos em PInhal foi assim).

  • jose vilmar de medeiros diz: 27 de fevereiro de 2010

    Até que enfim um grande conhecedor da a sua opinião abalizada a respeito do assunto.Concordo em gênero,número e grau com o amigo e parceiro de muitas conversas salutares quando visita nossa cidade. Um homem simples, conhecedor que respeita a todos e que sem ofender ou querer saber mais está sempre transmitindo bons exemplos e conhecimento da área.

  • Paulo Henrique Camilo Porto diz: 28 de fevereiro de 2010

    O Sr. Vilmar Romera como organiz não pode dizer q não tem nd a ver com a morte dos cavalos, tem sim, pois vcs deveriam fazer uma inspeção em tds os animais que irão participar e proibir aqueles q não tem condições. Sua comparação com as mulheres não pegou bem.Proibam alguns idiotas de fazerem firulas encima dos animais e andarem a passo para não judiá-los, no mais sou a favor das cavalgadas desde q se tome os devidos cuidados com os animais.Façam um seminário p os participantes antes do evento.

  • Rodrigo A L E G R E T E diz: 26 de fevereiro de 2010

    Perfeita a colocação do mestre Paixão Cortes, é uma cavalgada sem sentido e que só sacrificam os cavalos.

  • Sandra Schmith Alves diz: 26 de fevereiro de 2010

    Concordo com O Folclorista Paixão Cortes, e acrescento que a cavalgada é assunto sério e de muita responsabilidade para o gaúcho. Há dois anos atrás um amigo levou seu filho de nove anos para a cavalgada da praia e por infelicidade o menino veio a falecer devido a disparada de um animal. Além disso se for feita uma prova escrita sobre história do RS, a maioria não acertaria nem 50% das questões.

  • Elenilton Neukamp diz: 26 de fevereiro de 2010

    Que pena. Mais uma vez somos motivo de críticas e chacotas. Só que desta vez é esta crueldade com os animais, gratuita e sem nenhum sentido.

  • Marcio Vargas diz: 26 de fevereiro de 2010

    Estou de pleno acordo com o velho Paixão…

  • Fernando Massolini diz: 26 de fevereiro de 2010

    Tche, Paixão fala pouco mas fala com fundamento, eu particularmente não sei a história das cavalgadas no litoral, também não participo. A iniciativa é ótima, mas deve-se ter integrantes selecionados e todos saberem o porque que estão ai, não apenas para ressaltar o tradicionalismo.

  • Portalete diz: 26 de fevereiro de 2010

    Bueno! Creio que a fala do Sr.Paixão Cortes resume tudo: não dá para ser contra as cavalgadas apenas por radicalismo em relação ao tradicionalismo,nem tampouco ser a favor somente pra divulgar a tradição, sem base histórica. Os participantes DEVEM ter noções de história do RS e folclore,para que a cavalgada possa transmitir algo de fundamento cultural. Montar em cavalos e sair desfilar não diz nada, a não ser massagear o ego. Cavalgada sim, mas racional e com fundamentação. Parabéns ao Paixão.

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