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Posts de julho 2010

MAIS UMA !

29 de julho de 2010 10

Aproveitando que no post anterior falei de uma situação envolvendo carro e pedestre, tenho outra pra dividir com a querida audiência.

Imagine a cena, é clássica: via de mão única, você querendo estacionar o carro de ré numa vaga normal de rua à sua esquerda. Resta como única opção o espelho retrovisor externo esquerdo, é ele quem vai te orientar a não subir o cordão da calçada e não bater no carro da vaga de trás. Mas aí, do nada, surge de trás do carro um casal com sua filhinha de 5, 6 anos. A menina, certamente instruída pelos pais, me aborda reclamando que eu quase os atropelei. Que eu teria que ter mais cuidado, que eu estive perto de causar um acidente. Com todo cuidado, carinho e atenção que uma criança merece me dirigi a ela e a mãe, que estava ao seu lado, justificando que naquele momento eu estava olhando para o espelho e que não tinha como ver ou perceber sua aproximação, e sugeri como pai, que talvez fosse prudente que ela não passasse atrás de um carro estacionando de ré, que esperasse, ou então passasse pela frente do carro onde o motorista poderia vê-la. “Tu quase nos atropelou.” insistiu  a menina, me imputando uma responsabilidade que eu sabia que não tinha.

A responsabilidade do atropelamento, entendo eu, seria atribuída aos pais dela que inconseqüentemente cruzaram atrás de um carro em movimento estando o motorista sem condições de visualizar o que vinha por trás do lado contrário.

A mãe parece ter entendido meu argumento. Já o pai não se deu por satisfeito e quis prolongar o debate. Ceifei as expectativas dele encerrando o assunto fechando o vidro. Não teria paciência para o bate boca, ainda mais com vizinho.

TÓIN !!

29 de julho de 2010 7

Ao entrar à esquerda na João Pessoa vindo da Sebastião Leão, aqui em porto Alegre, dei de cara com um aturdido casal de idade avançada, bem no meio da rua, atravessando fora da faixa. Percebi que a senhora guiava ou indicava o caminho de braço dado ao senhor que a acompanhava e por ela era amparado, protegido. Por certo era seu marido, e aparentemente não vivia um bom momento, parecia estar debilitado física e mentalmente. 

Notei também que ela, mais do que ele, ficou apavorada quando se deparou com o carro em sua direção. Ele coitado nem percebeu. Obviamente eu tinha o controle absoluto da situação. Assim que os vi pisei no freio, ainda que já estivesse em velocidade bem baixa, pois vinha fazendo uma conversão, mas o baque da pisada no freio é impactante pra quem vê a cena. O movimento de inclinação do carro à frente realmente chama atenção.

Tudo isso aconteceu em muito pouco tempo, dez, talvez quinze, segundos. Durante este tempinho minha imaginação voou me fazendo mastigar a situação, sofrer por ela. Me culpei pelo susto que o pobre e idoso casal levou. Afinal poderia ser ali minha mãe amparando meu pai atravessando a rua, ou eu mesmo daqui a alguns anos, amparado pela Rodaika.

Ao mesmo tempo, parado na faixa de segurança, um agente de trânsito a tudo assistia. Imediatamente após ver a cena ele me fez sinal para parar. Dei o pisca para a direita e encostei. Antes de chegar à minha janela eu já estava com o texto da minha defesa na ponta da língua, afinal entendia estar com a razão. O casal estava fora da faixa, além do que fiz o que manda o bom senso diminuindo a velocidade e agindo com cautela. Só o fato de ter sido parado pelo fiscal já era motivo suficiente para eu espumar de indignação.

Ao me pedir os documentos já lasquei:“fiz algo errado, comandante?”. Louco para poder expor minha visão dos fatos sem, claro, perder a chance de descarregar nele uma parcela da carga de indignação do dia. Me respondeu ele: só te parei por que tivemos aqui uma situação crítica, um quase acidente”, exagerou. “Precisava conferir se teus documentos estavam em dia”, argumentou. “Parabéns pela educação e atitude preventiva diante da situação, e a gente não perde um Pretinho”, concluiu.

MEUS FANTASMAS

06 de julho de 2010 54

Tenho uma teoria que me persegue e que, na minha vida, é mais que teoria – me acompanha na prática.

Sou cercada por alguns fantasmas. Eles não tem nomes, mas representam questões muito particulares, importantes pra mim. Às vezes, são assuntos que se repetem, nunca são totalmente resolvidos, vão e voltam para a pauta da minha vida. Outras vezes são assuntos novos, talvez trazidos pela idade ou pelo modo de vida.

 

Estes fantasmas mudam de opinião a toda hora. Nem sempre respeitam uma lógica. Podem dançar conforme a música ou nadar contra a correnteza. São capazes de fazer uma confusão gigantesca na minha cabeça. Claro que eles não me perseguem o tempo todo. Se assim fosse, eu seria uma forte candidata a loucura. Não chega a tanto.

 

Eles aparecem sem avisar e fazem barulhos em diferentes volumes. Sussurram e podem ser facilmente ignorados por mim. Mas também gritam e me tiraram o sono. Foram eles que me apresentaram a insônia.

 

Não quero pensar que estes fantasmas são totalmente do mal. Muitas vezes já me alertaram sobre algum assunto. Se eu já não tivesse percebido a presença deles, poderia chamar este sentimento de instinto – sabe aquele feminino bem forte? Sim, minha tese também explica que os fantasmas atormentam muito mais as mulheres que os homens, por isso temos a fama do sexto sentido. Neste ponto, os fantasmas contribuem.

 

O problema é que eles não se contentam com o alerta, eles vão além e, algumas vezes, atormentam. Acham cabelo em ovo, inventam um problema que talvez nem exista e me deixam culpada por estar pensando em coisas ruins quando tenho uma vida muito feliz.

 

Minha esperança é que meus fantasmas saibam ler ou pratiquem telepatia, ao menos. Quem sabe eles sejam envolvidos por um imenso sentimento de piedade ao lerem este meu desabafo e resolvam segurar a onda comigo. Não quero que eles partam de vez, já me acostumei com suas vozes, seus alertas.

Quero é que eles não gritem, não me tirem o sono, não me façam embarcar em suas fantasias como se elas fossem mais importantes que a vida real.

 

Estou sozinha neste mundo ou alguém mais é assombrado por estes fantasmas?