
Levantada em um artigo publicado ontem em Zero Hora, a possibilidade de os "adesivos das famílias'' municiarem criminosos com informações relevantes sobre a rotina de possíveis vítimas é considerada pequena por policiais. Febre no Estado, os decalques de figuras que representam a família dos motoristas tomaram conta das traseiras de automóveis nos últimos meses. Mas os adesivos trariam informações suficientes para bandidos traçarem o perfil de uma vítima?
Ou você já deve ter visto ou já deve ter colado no seu carro os adesivos que mostram o perfil da família do motorista. A "febre" começou no verão passado, em Florianópolis (SC) e logo se espalhou pelo Rio Grande do Sul.
No entanto, alguns especialistas estão preocupados porque esses adesivos estariam dando pistas a sequestradores, que veem na traseira do carro alguns detalhes que lhe poderiam ser úteis como, por exemplo, na chantagem no caso de um falso sequestro.
O blog reproduz abaixo a matéria publicada nesta quarta-feira pelo jornal Zero Hora, assinada pelo jornalista Francisco Amorin, e que esclarece alguns detalhes sobre o assunto. Confira.
No artigo Abaixo o "adesivo da família'', a advogada e professora do Programa de Pós-graduação em Direito da PUCRS, Denise Pires Fincato, pondera que o proprietário do carro estaria transmitindo informações pessoais que poderiam ser usadas por bandidos na orquestração de roubos e sequestros.
A opinião é vista com cautela por policiais ouvidos por ZH. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ranolfo Vieira Júnior, é enfático:
- Não há registro de que bandidos estejam se guiando por esses adesivos para roubos ou sequestros.
Segundo Ranolfo, criminosos que se dedicam à pratica de sequestros tradicionais escolhem suas vítimas a partir de informações obtidas com pessoas próximas, funcionários e familiares, que conhecem em detalhe a rotina profissional e doméstica.
Já os sequestros relampagos são decididos pela observação da vítima na saída ou chegada a bancos ou estabelecimentos comerciais. O carro da vítima também é usado como um indicativo importante: isso porque veículos mais sofisticados são conduzidos, via de regra, por quem tem conta em banco e dispõe de cartões de crédito na carteira. Para a estratégia dos criminosos, portanto, as informações nos adesivos teriam caráter secundário.
Ranolfo alerta, no entanto, que informações postadas em sites e redes sociais transitam publicamente e, portanto, podem ser usadas por bandidos. Na avaliação do delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos, o adesivo traz informações genéricas demais para motivar, por si só, sequestros e extorsões. No máximo, tais figuras - do números de familiares ou de cães - poderiam ser somadas a outros dados já reunidos pelo criminoso.
- Mas discrição nunca é demais - ressalva.