
Esta semana, Luciano Peres escreveu um artigo como interino de Paulo Santana, questionando:
- Que país é este que força seus filhos a abandonarem seus lares para ganhar um salário um pouco maior, para ter uma vida um pouco mais confortável, para dar um futuro melhor às suas crianças?
O comentário referia-se à série de reportagens publicadas por ZH que mostrou a diáspora brasileira - a odisséia de quem deixou a pátria em busca de uma vida melhor lá fora.
A leitora Carmen Cynira Otero Gonçalves nos enviou o seguinte comentário, publicado abaixo, na íntegra:
%22Gostei muito de seu artigo do dia 22 .Sou mãe de três filhos.Meu marido e eu procuramos educá-los dentro dos princípios cristãos, prepará-los para exercer uma profissão, para serem cidadãos conscientes e pessoas equilibradas, capazes de buscar a realização de seus sonhos com empenho e dedicação,contribuindo para termos uma sociedade mais justa e um país melhor.Assim fizemos nossa lição de casa como pais e eles como bons filhos corresponderam,mas veja o que aconteceu:
1-Nosso filho mais velho tem agora 45 anos.É comandante de linha aérea, com 27 anos de experiência através de várias empresas: trabalhou em aviação executiva, aviação agrícola, foi piloto da VASP, da Rio Sul, da Passaredo, da TAM.Tem cursos nos EUA (boeing)e na França (airbus).Quando a VASP terminou ele tinha 12 anos nessa companhia.Até hoje espera que a Justiça do Trabalho lhe conceda o que é de direito.Se isso não acontecer perderá o tempo de contribuição para aposentadoria.
Cansado de ganhar mal e de aguentar situações de trabalho difíceis, decidiu-se a a partir para o exterior a fim de ter melhores condições de vida..Trabalhou 6 anos em Seul, na Coréia como instrutor de vôo e há um ano trabalha em Macau como piloto.
2-Nossa segunda filha formou-se em administração e trabalhou durante 7 anos aqui no RS numa empresa multinacional americana.Após enfrentar uma situação difícil por não se achar devidamente valorizada pela empresa, ela decidiu-se a fazer um curso de marketing em Berkeley,California.Foi contratada pela empresa onde fez seu estágio e continua nos EUA, agora morando e trabalhando em São Francisco.
3-Apenas nossa terceira filha ficou no Brasil e mora no interior do RS, ocupando um cargo público para o qual foi nomeada por ter sido aprovada em concurso.Eram 45.000 concorrentes,21.000 foram aprovados e ela ficou no lugar nº 273 .Isso após um longo período em que ficou desempregada, apesar de ser engenheira agrônoma ,dominar 3 idiomas e ter bons conhecimentos de informática.
Meu relato portanto corrobora o que você expressou tão bem: %22 Que país é este que força seus filhos a abandonarem seus lares para ganhar um salário um pouco maior, para ter uma vida um pouco mais confortável, para dar um futuro melhor às suas crianças?...Que país é este que afasta até muitos de seus cidadãos bem nascidos, com curso superior e boa renda? Como o nosso país se tornou de destino sonhado de imigrantes em exportador de gente?
Sei que o mundo de hoje tornou-se pequeno,que as comunicações e os transportes aproximaram os países e as pessoas.Mas no fundo do meu coração de mãe e brasileira mora a dor da saudade e a tristeza de saber que meus filhos estão dando o melhor deles em outras paragens, quando poderiam estar aqui,contribuindo para um Brasil melhor.
Concluo esta mensagem expressando como você a esperança de dias melhores para o nosso país.
Acho que
- uma educação de melhor qualidade,
-uma gestão mais eficiente dos recursos públicos oriundos de impostos suados, pagos por nós contribuintes
-e maior participação na política de pessoas honestas e dedicadas ao bem comum possam ser elementos decisivos a concretizar nossos sonhos de cidadãos brasileiros.%22
Postado por Rodrigo Lopes
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