
O Paquistão viveu hoje mais um dia de turbulência. Um homem-bomba explodiu próximo a um prédio onde trabalhava, no momento do ataque, o presidente paquistanês Pervez Musharraf.
A violência política, uma constante na história paquistanesa, vem aumentando no país, como reflexo da instabilidade provocada pelo desgaste do governo de Musharraf, que tomou o poder num golpe em 1999.
Esse aumento reflete também a situação cada vez mais volátil na fronteira com o Afeganistão, onde há bases do Talibã e para onde teriam fugido militantes da rede Al-Qaeda, inclusive o próprio Bin Laden.
No último dia 18, um atentado contra a ex-premiê Benazir Bhutto, que acabara de chegar ao país, matou mais de 140 pessoas. Benazir chegava do exílio, quando seu comboio na cidade de Karachi, cercado por centenas de simpatizantes, foi alvo de duas explosões. A ex-premiê voltou ao Paquistão para costurar um acordo com Musharraf, ele próprio eleito presidente pelo parlamento no fim do mês passado. Tal acordo consiste no apoio de um ao outro para que Benazir se eleja, em pleito direto previsto para janeiro de 2008, primeira-ministra.
Ela levaria então as forças moderadas representadas por seu Partido do Povo Paquistanês para apoiar o governo de Musharraf - que, em contrapartida, abriria mão de seu cargo de general. Mas a própria eleição de Pervez Musharraf está sub judice, e a Suprema Corte deve decidir no fim desta semana se a valida.
Um dos objetivos de Musharraf e Benazir é impedir que muçulmanos radicais cheguem ao poder no Paquistão, e cada qual enfrenta focos de pressão -Musharraf tenta conter a ala das Forças Armadas que não quer Benazir no poder; já a ex-premier tem em seu partido membros que não querem uma aliança com o ditador.
Outra parte interessada em que os dois se unam é o governo dos EUA. Washington tem cobrado empenho maior de Musharraf no combate ao Talibã e e à Al Qaeda. Tudo isso em meio a atentados promovidos por radicais, os quais aumentaram depois de julho deste ano.
Postado por Rodrigo Lopes













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