
A cada semana, Hugo Chávez parece eleger uma frase de efeito e um alvo. No princípio, dirigia sua verborragia apenas contra os EUA de George W. Bush, a quem chama de “El diablo”.
Agora, aponta seus caricatos ataques a qualquer um que ousar contrariá-lo, como a Espanha, o México e, mais recentemente, a Colômbia. Ontem, no ápice do bate-boca envolve o presidente colombiano, Álvaro Uribe, Chávez decidiu suspender as relações com o país vizinho.
A medida é uma retaliação à decisão de Uribe de interromper a mediação de Chávez para a libertação de reféns em poder da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). – Uribe me acusa de ter um projeto expansionista.
- O império é que tem um projeto expansionista, e você (Uribe) é um servil instrumento do império americano na América Latina. Você é um triste peão do império. – afirmou o venezuelano.
Recentemente, sobrou até para o Brasil, tradicional aliado do venezuelano no continente. Irritado com a demora do Senado brasileiro em aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul, Chávez disparou:
– O Senado brasileiro age como um papagaio do Congresso americano.
No ano passado, durante as eleições no Peru, o venezuelano chamou o então candidato Alan García de “ladrão e corrupto”. E recebeu o troco na mesma moeda: “cara-de-pau” e “sem-vergonha” foram algumas das expressões usadas pelo peruano em relação a Chávez.
A antipatia do bolivariano com líderes que considera conservadores na América Latina é antiga. Em 2005, o venezuelano mirou o então presidente do México Vicente Fox, chamando-o de “filhote do império”.
– É triste que o presidente de um povo como o mexicano se preste a ser um filhote do império – afirmou.
Outro alvo constante tem sido a Igreja Católica venezuelana. O vice-presidente Jorge Rodríguez acusou a Conferência Episcopal Venezuelana e o arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa, de serem responsáveis pela morte de um jovem de 19 anos, na cidade de Valencia.
– A manifestação subversiva em que foi morto a tiros um jovem de 19 anos não foi planejada no Instituto Diocesano de Maracay? Respeite os mandamentos. Não mentirás. Urosa, não matarás – disse Rodríguez.
Segundo o governo, o jovem teria tentado passar por um bloqueio promovido por manifestantes contrários à reforma constitucional. Foi impedido e alvejado com vários tiros. Das recentes bate-bocas, ironicamente, não é de Chávez a frase mais famosa: A máxima “Por qué no te callas?” foi dita pelo rei Juan Carlos. Em resposta, Chávez exigiu desculpas e também prometeu congelar as relações com a Espanha.
Postado por Rodrigo Lopes











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