
Amanhã, sábado, o mundo vai assistir a mais uma daquelas eleições que a gente já sabe de antemão quem vai ganhar. Cartas marcadas, votos fraudados devem dar a Robert Mugabe, o veterano ditador africano, o sexto mandato a frente do Zimbábue. E olha que ele já tem 84 anos.
O que o mantém no poder, além da força? É difícil dizer. O Zimbábue chega às eleições bem longe daquele país que um dia foi modelo de desenvolvimento econômico. Está arruinado, tem a maior inflação do mundo: 100 mil por cento ao ano – isso mesmo, 100 mil por cento ao ano.
A taxa de desemprego é de 80%. Sabem qual é a expectativa de vida no país? 37 anos. Mugabe, que está no poder desde a independência da antiga colônia britânica, em 1980, diz que seu país não pode adquirir equipamentos básicos de saúde por causa das %22sanções desumanas e insensíveis%22 impostas a seu regime. Provavelmente, só cairá no momento em que morrer ou com um golpe de estado interno.
Um obstáculo para aumentar a pressão internacional sobre Mugabe é que ele é visto como um libertador no sul da África. Antiga Rodésia, o Zimbábue se tornou independente da Grã-Bretanha em 1980, e Mugabe, veterano líder pró-independência se tornou o primeiro-ministro do país. A África do Sul tentou uma diplomacia discreta mas não deseja se envolver em condenação pública.
Os sul-africanos poderiam, por exemplo, interromper o fornecimento de energia elétrica para o Zimbábue, mas relutam em fazer isso. O governo britânico tem a esperança, aparentemente remota, de que a África do Sul queira uma mudança no Zimbábue a tempo da Copa do Mundo de 2010, que os sul-africanos vão sediar. Mas ninguém está contando com essa mudança.
Postado por Rodrigo Lopes
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