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Anne Frank em Porto Alegre

29 de abril de 2008 2

Anne Frank/Reprodução
Moro no Bom Fim, pra quem não sabe um dos mais tradicionais bairros de Porto Alegre, desde que nasci, há 29 anos. E estudei na Escola Anne Frank, que fica na Rua Cauduro, a umas três quadras do meu apartamento. Ali, passei oito anos da minha vida. Aprendi a ler com a professora Yeda, fiz minhas primeiras amizades, pensei um dia em ser químico, músico, comissário de bordo… Acabei jornalista.

Uma das primeiras coisas que aprendi, logo que entrei no 1º ano, foi a escrever o nome do colégio: Anne Frank, com dois %22enes%22, nunca esqueci. A gente aprendia de cara a saber quem era %22a patrona%22 da escola. Patrona… uma palavra tão feia para designar uma menina de olhar tão meigo como Anne.

O Diário de Anne Frank nunca li. Achava triste, denso demais. Conhecia a história da jovem que, escondida com a família num sotão de Amsterdã, sobrevivera ao nazismo. Mas sabia apenas por alto. Hoje, vejo que perdi a oportunidade de conhecer um pouco mais àquela época quem era essa menina que se tornara exemplo de sobrevivência ao Terceiro Reich.

Fiz todo esse preâmbulo para explicar que voltei uns anos na minha vida no fim de semana ao visitar a mostra Anne Frank – Uma História Para Hoje, em exibição na Usina do Gasômetro. E lá encontrei várias crianças que, certamente, estavam indo até a exposição a mando dos professores. Organizada pela Fundação Anne Frank, de Amsterdã, a mostra apresenta 39 painéis contendo reproduções de fotografias dos álbuns da família Frank.

O mais chocante, além da história da menina Anne, são os desenhos feitos por crianças de um campo de concentração de Terezin, na antiga Checoslováquia. Se você já conhece um pouco da história de Anne Frank ou mesmo não conhece nada, vale dar um pulo até a usina. São apenas alguns minutos que se leva para ler todos os cartazes sobre a garota. Talvez, como eu, você leve mais tempo para tentar identificar o que queriam dizer pequenas crianças em seus rabiscos do cárcere. São desenhos que, apesar das tonalidades lúgubres, revelam um rastro de esperança, num sol, num arco-íris, num sorriso dissimulado.

Durante a visita, anotei uma frase da Anne para dividir com vocês, caros leitores:

%22Para nós, jovens, é duas vezes mais difícil manter nossas opiniões numa época em que os ideais são estilhaçados e destruídos, quando o pior lado da natureza humana predomina, quando todo mundo duvida da verdade, da Justiça e de Deus.%22

Postado por Rodrigo Lopes

Comentários (2)

  • Fernanda diz: 30 de abril de 2008

    Apesar de conhecermos a história do nazismo e já termos visto inúmeras imagens, filmes e histórias sobre esse lamentável episódio da história, sempre é chocante. E os desenhos das crianças (alguns muito bonitos, por sinal) com seu traçado infantil, não deixa de mostrar o lado triste da história, mas de uma forma mais doce.

  • Mariana Moura diz: 30 de abril de 2008

    Rodrigo que sensibilidade no texto.Irei programar-me para ir na Usina.Eu evito ler histórias tristes,pq fico mt triste e choro, pois se não posso fazer nada para melhorar o fato,não preciso saber.Ultimamente só dá para assistir noticiário local, pois não dá mais para aguentar o caso Isabella,o povo e a mídia ultrapassaram seus limites./Entrei aqui para parabenizá-lo pelo prêmio q recebeste da Operação Golfinho.Sucesso!

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