
Acompanhei a ministra Marina Silva em coberturas de conferências da ONU em Bohn, Buenos Aires, Montreal e Bali nos últimos quatro anos. Sua presença sempre era aguardada não apenas por ONGs ambientalistas nacionais representadas nesses encontros mas principalmente por especialistas, cientistas, governantes, embaixadores de outros países.
É talvez a figura do governo Lula mais conhecida mundo a fora. E normalmente suas idéias eram confundidas lá fora com as posições do presidente Lula - embora em vários momentos elas fossem antagônicas. Nos bastidores, Marina em vários momentos parecia pouco à vontade em responder como governo a questões que lhe eram caras: como o desmatamento da Amazônia, o avanço da fronteira agrícola, etc. Ícone da luta ambiental, respeitada pela esquerda e pela direita, parecia amarrada na cadeira de ministra.
Por tudo isso, é normal que jornais internacionais destaquem em suas edições de hoje a saída de Marina. A Mariana Muniz, colega aqui da Zero Hora, recolheu o que dizem alguns:
Jornal El País (Madri)
%22A ministra do Meio Ambiente brasileiro apresenta sua demissão em defesa da Amazônia Marina Silva, que foi colaboradora do líder ecologista assassinado Chico Mendes era contra alguns projetos do governo Lula que eram nocivos à floresta.%22
The Washington Post (EUA)
%22A ilustre defensora da Floresta Tropical Marina Silva renuncia ao cargo de ministra do Meio Ambiente do Brasil e afirma que falta sustentação política para proteger a Amazônia.
El Mundo (Madri)
%22A ministra do Meio Ambiente deixa o governo após última polêmica envolvendo o Rio Madeira.%22
Clarín (Buenos Aires)
%22Renunciou a ministra do Meio Ambiente do Brasil %22Tudo indica que a saída do governo seja decorrente de divergências que vinham se arrastando desde o ano passado. Acusada de atrasar recursos que o governo queria acelerar, como a hidrelétrica sobre o Rio Madeira.%22
Postado por Rodrigo Lopes
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