
A tragédia que se abate sobre a China tem mostrado uma face pouco conhecida do país normalmente acusado de censurar a imprensa. Aqui mesmo no blog, critiquei muitas vezes a falta de liberdade de expressão e o controle rígido da informação por parte do governo chinês.
Mas pelo menos uma mudança de postura deve ser saudada: até pouco tempo atrás, no auge do comunismo, informações sobre catástrofes raramente ultrapassavam as fronteiras chinesas. Basta lembrar que até hoje não se sabe ao certo quantas pessoas morreram no famoso Massacre da Paz Celestial, em 1989.
Pode-se dizer que o governo da China reagiu de uma forma mais aberta à ajuda internacional se compararmos com Mianmar, que, apesar de não se falar mais no noticiário desde que o terremoto chinês passou a dominar os meios de comunicação, continua sofrendo com a passagem do ciclone Nargis que matou milhares.
Na avaliação das ONGs que trabalham em áreas de desastre, a atitude das autoridades chinesas contrasta com a postura do governo de Mianmar, que tem dificultado o acesso de funcionários de organizações internacionais. A resposta do exército chinês, por exemplo, foi excelente em comparação à observada no país vizinho. Os oficiais chineses emprestaram celulares via satélite para equipes internacionais como Cruz Vermelha e estão transportando os socorristas. Há uma clara cooperação.
A China tem cada vez mais desempenhado um papel aberto nessas situações de emergência. Em janeiro, fortes nevascas obstruíram as linhas ferroviárias do país, deixando milhares de chineses ilhados nas estações durante o feriadão de ano novo lunar. Na ocasião, o governo sofreu forte criticas por não ter respondido com agilidade e por dificultar o acesso da imprensa a informações sobre o problema. Dessa vez no terremoto, eles foram rápidos.
E rapidez e transparência numa hora dessas pode significar mais vidas tiradas dos escombros.
Postado por Rodrigo Lopes
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