Terminei de ler o livro 101 Dias em Bagdá, da Asne Seierstad, autora do conhecido Livreiro de Cabul. Mais jornalístico, 101 Dias... relata a rotina (sim, até na guerra há uma rotina) da repórter antes, durante e depois do conflito no Iraque, em 2003.
Com a sensibilidade de sempre, Asne consegue passar ao leitor a adrenalina, os medos, as dúvidas e as pequenas conquistas de quem cobre uma guerra. Um dos relatos mais tensos do livro revela a falta de informação dos jornalistas entrincheirados no Hotel Palestine, em Bagdá. O Ministério da Informação iraquiano e seu folclórico ministro, em entrevistas coletivas que mais parecem um circo de fantasias, dizem que os americanos estão sendo triturados no deserto. Ao mesmo tempo, informações que chegam a Bagdá de jornalistas que acompanham embedded as tropas dão conta de que os militares haviam tomado o aeroporto da capital.
Em quem confiar? A dúvida permanece até que um repórter que acompanhava o comboio se perde dos americanos, consegue um carro e ruma para o Palestine. Quando ele chega, é como se os dois lados da cobertura da guerra se encontrassem.
Outro momento crucial é a madrugada em que cumpre-se o ultimato de Bush a Saddam Hussein. Os primeiros Tomahawk caem sobre os palácios do ditador, do lado oposto ao Tigre. O livro traz um relato pulsante, é uma aula de texto, de sobrevivência e, sobretudo, de humanidade.
Postado por Rodrigo Lopes


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