O K2 palco dessa que já é uma das maiores tragédias do alpinismo mundial, é traiçoeiro. É a segunda montanha mais alto do planeta, mas é mais difícil e perigosa de se escalar do que o Everest. O pico está situado no norte do Paquistão, num maciço de montanhas que se chama Karakorum, a porção ocidental e mais selvagem do Himalaia. Até hoje, apenas 185 homens conseguiram chegar no alto dos seus 8.611 metros de altitude e mais de 70 morreram durante as tentativas.
É fácil entender o perigo de uma escalada ao K2 ao compará-lo com o próprio Everest, apenas 237 metros mais alto. No topo Everest já estiveram mais de mil pessoas. E enquanto a cada ano pelo menos 400 pessoas tentam escalar o Everest, apenas cerca de 30 alpinistas desafiam o K2. Só um brasileiro, Waldemar Niclevicz, conseguiu a façanha de chegar ao seu pico, no ano 2000.
Na época, conversei com Waldemar por meio um telefone via-satélite, quando ele ainda estava na montanha, antes de retornar ao acampamento base. Contou que tivera alucinações, passara uma madrugada inteira preso na montanha.
O acidente do fim de semana aconteceu quando o grupo estava a menos de 400 metros do topo, ao começar a descida. Estavam na região chamada de Gargalo de Garrafa, a uma altitude conhecida como Zona da Morte, porque os corpos começam a se degenerar devido à falta de oxigênio. O céu estava claro e não havia previsão de mau tempo. Mas um pedaço de gelo se rompeu, e causou uma avalanche. O traiçoeiro K2 fazia valer o apelido dado pelo alpinista italiano Reinhold Messner, que o chamou pela primeira vez de montanha da morte.
Continuaçao da entrevista
Leia aqui a entrevista com Waldemar Niclevicz, em 2000
Postado por Rodrigo Lopes
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