Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts do dia 31 agosto 2008

O cone da incerteza

31 de agosto de 2008 0


Cone da incerteza. E assim que os moradores da Costa do Golfo chamam o formato de cone desenhado na rota do furacão no mapa e que mostra a área que pode ser atingida pela tempestade. No mapa, a rota provável de Gustav, que deve chegar a New Orleans com ventos de 185 km/h, um furacão de categoria 3, a mesma do Katrina. Se você prestar atenção, Gustav deve tocar terra a oeste de New Orleans, diferentemente do Katrina, que atingiu a área mais a Leste, destruindo inclusive cidades ao lado, no Mississippi - como Biloxi e Gulf Port. Cerca de 2 milhões de pessoas deixaram New Orleans até este momento.

Postado por Rodrigo Lopes

Três anos depois, o fantasma de volta

31 de agosto de 2008 1

A Bourbon Street, no centro de New Orleans/Rodrigo Lopes

O furacao Gustav, que pôs os EUA em alerta, evoca as lembranças do Katrina, que atingiu New Orleans nesta éoca do ano em 2005. Em 31 de agosto, há exatos três anos, embarquei para os EUA para cobrir, para os veículos da RBS, a maior catastrofe natural já enfrentada pelos americanos. O Katrina abriu uma chaga na sociedade dos EUA, especialmente por expor as fragilidades e vergonhas da maior potencia militar do planeta. Vale lembrar que quem ficou para trás em New Orleans, após a evacuação da cidade, foram os pobres e negros, aglomerados no Superdome, um ginásio semelhante ao Gigantinho que foi palco durante pelo menos quatro dias de graves violações - como estupros, entre outros crimes.

Hoje, o sul dos EUA vivem uma nova retirada pela rodovia Interstate 10, a qual percorri naqueles dias subsequentes ao Katrina, de carro, entre Houston e New Orleans. Conversei nesta tarde com um músico gaúcho que vive em New Orleans (leia entrevista nesta segunda em ZH). Ele contou um pouco da retirada. Disse que a população aprendeu muito com o Katrina e que agora todos estão deixando a cidade.

New Orleans, lamento dizer, esta condenada. Se o Gustav não a destruir, outro furacão no futuro o fará. A cidade, seus arranha-céus e casas, emergem de um banhado, um pântano. Os diques do Lago Pontchartrain estourados pelos ventos do Katrina foram apenas reformados. Não tiveram sua altura e potência de resistência ampliados. Se Gustav tocar New Orleans, eles se romperão de novo. Acima, uma foto da Bourbon Street, no coração da cidade, no dia em que cheguei a New Orleans. Abaixo, outras fotos da cobertura:

O Superdome de New Orleans

New Orleans debaixo d`agua

Fachadas de predios destruidas

A Bourbon Street

Uma noite dormindo dentro do carro

O destruido bairro de Metaire

Carros e fachadas destruidas

Postado por Rodrigo Lopes

Cartas do front

31 de agosto de 2008 1

A idéia da reportagem Cartas do Front, publicada a partir deste domingo em ZH (leia aqui), nasceu quando eu fazia um curso de pós-graduação em Jornalismo Literário, em 2006. Durante uma das aulas, tivemos que pensar reportagens que pudessem fazer um resgate oral de histórias de vida. Por ser um apaixonado por assuntos militares e assuntos relacionados a guerras - por julgar que ela revela o ser humano por inteiro (o que tem de melhor e de pior), achava que deveríamos resgatar as histórias de soldados que participaram de confrontos. Era uma forma de fazer uma justa homenagem àqueles que lutaram pelo Brasil em terras estrangeiras. Muitos deles inclusive estão bastante velhinhos.

Mas isso, de certa forma, até já foi feito por vários jornais. O diferencial seria contar suas histórias por meio das correspondências que eles enviavam do front. Foi muito prazeroso resgatar as histórias das pessoas, remetê-las a um tempo de glória, em que eram vistos como heróis.

Nessa jornada, acabou embarcando a colega Gisele Loeblein, repórter da editoria de Mundo de ZH. Tivemos um revés logo no início da apuração: o Comando Militar do Sul não autorizou que entrevistássemos nenhum militar.

A negação - não foi dada nenhuma explicação por parte do Comando - não inviabilizou a reportagem. Até poderíamos ter entrevistado militares em off (e varios estavam dispostos a dar sua contribuiçao), mas pensávamos que os textos, por ser uma homenagem a homens que lutaram pelo Brasil, deveriam dar cara, nome e sobrenome aos personagens. E nao revelar seus nomes era uma pena. Assim, buscamos militares que participaram de guerras ou missões de paz, mas que já haviam deixado o Exército.

Abaixo, o relato da Gisele, que acompanhou especialmente os militares da velha guarda - os pracinhas da II Guerra Mundial e os que integraram o Batalhão de Suez:

"Dava para perceber a alegria dos pracinhas e dos boinas azuis em poder conversar com alguém sobre uma história que é super importante para eles, mas que nos dias de hoje está meio esquecida. Eles sentem prazer em poder falar para alguém sobre a experiência que tiveram. Os pracinhas Armando e Rubem lembram os nosso avós, são superatenciosos, carinhosos, me fizeram sentir como se fosse da família. E no caso dos boinas azuis, fiquei realmente emocionada com a história do contigente que ficou em meio à Guerra dos Seis Dias. Dá para ver que o assunto ainda é muito delicado para eles."

Caros leitores, espero que gostem da série de reportagens, que continua nesta segunda e terça-feira. Abraços

 

Postado por Rodrigo Lopes