Há uma clara mistura entre política e economia neste momento nos EUA: não há dúvidas de que a eleição presidencial está impactando diretamente na tomada de decisões.
Até o início da manhã, discutia-se o teor do texto, o conteúdo do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda aos bancos. Não havia dúvidas de que ele seria aprovado, até porque havia um acordo de líderes dos partidos Democrata e Republicano para salvar Wall Street. Mas o texto foi a votação na Câmara dos Deputados, em Washington, e o pacote foi rejeitado por 228 votos contra 205. Especulação: tudo indica que os deputados (republicanos, a maioria) traíram a decisão dos líderes.
As razões podem ser muitas: em tempo de eleição, alguns democratas podem não querer passar a idéia de que Bush será o salvador da pátria. Outro detalhe: o pacote de ajuda é só para Wall Street, a bolsa de valores de Nova York. Não se sabe o que os deputados dos outros Estados pensam, o lobby de outras bolsas - a indústria automotiva, cujo berço é Detroit, por exemplo, também está em crise. Como reagem os deputados por Michigan?
A posição do candidato Barack Obama é contraditória. Ele disse que votaria, sim. Houve rumores de que mudaria de idéia. E agora vai a público acusar Bush pela crise.
O clima nos corredores de Washington é de decepção. Bush irá se reunir nas próximas horas com sua equipe econômica para determinar os passos a serem dados. Para muitos especialistas, justo ou não, completo ou fatiado, o pacote era a principal - talvez única - esperança de evitar o colapso em série no sistema financeiro americano e mundial. Mais do que o futuro dos bancos, o temor recai sobre o risco do chamado contágio sistêmico. Ou seja: que o efeito dominó chegue à economia real, com entrangulamento do crédito para operações corriqueiras, como exportações e pagamentos.
Postado por Rodrigo Lopes
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