Dizer que ninguém venceu o debate é como dizer que Gre-Nal é Gre-Nal. Portanto, vou, de cara, dar minha opinião: Obama em grande parte do tempo foi ofuscado pelo caminhão de informações que McCain jogou para a platéia, porém, o democrata saiu-se muito melhor do que o rival no assunto que dominou a maior parte do debate: a crise econômica. Cacique da política, o republicano soube usar melhor o seu tempo, deixando para o democrata o encargo de responder, na maioria das vezes, as ingadações que fazia. Obama, porém, se mostrou mais seguro, atento e irônico.
Para a maioria do público americano, foi Obama quem venceu o debate. Segundo uma pesquisa da rede CNN, 54% dos telespectadores acharam que o democrata saiu-se melhor. Apenas 30% acharam que o vencedor foi McCain.
No assunto que realmente interessa aos americanos no momento - a economia -, o democrata foi sempre melhor. Atualizou seu programa de governo, trouxe para os dias atuais suas propostas e mostrou firmeza ao apresentar-se como comandante-em-chefe de uma nação sob turbulência financeira.
As propostas divergiam em gênero, número e grau. Enquanto o democrata sugeriu cortar gastos, o republicano apostava na renegociação das hipotecas para resolver o problema.
McCain, por sua vez, foi melhor, de novo, na questão política externa. Sempre que pode, citou sua experiência militar como salvo-conduto para liderar os EUA na Guerra ao Terror. Obama se mostrou mais interessado em apostar no Afeganistão do que no Iraque como prioridade.
O que mais me deixou preocupado, confesso, foi a declaração dos dois ao dizerem que não é preciso o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas para um ataque ao Irã. Ambos colocaram os interesses dos EUA acima de qualquer organismo multilateral. Foi o que Bush fez ao atacar o Iraque.
Na questão ambiental, ficou muito clara a diferença entre os dois: em vários, momentos, McCain referiu-se à necessidade de se perfurar mais poços de petróleo, enquanto Obama falou sobre a importância de se utilizar novas fontes de energia.
Postado por Rodrigo Lopes
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