Da coluna de ZH
Dois dias depois da eleição de Barack Obama nos EUA, uma fila se formou em frente à Tribune Tower, a classuda sede do jornal Chicago Tribune. Uma mesinha, algumas vendedoras e muitos clientes à procura de um artigo raro: a capa do jornal de 5 de novembro, o registro histórico da noite da vitória edição que evaporou das ruas às 7h da manhã seguinte ao discurso no Parque Grant. No primeiro dia de vendas (foto ao lado), a edição custava US$ 0,75, o mesmo valor de capa do jornal diário. Por US$ 10, adquiria-se a reprodução da chapa metálica de impressão que ganhou as rotativas do Tribune, quando o Parque Grant ainda pulsava naquela madrugada.
Já no dia 5, os ambulantes sumiram das esquinas de Chicago. As camisas com o rosto de Obama, vendidas a US$ 10 antes da eleição, deixaram as ruas para ganhar as vitrines da porção mais sofisticada da Avenida Michigan. Custavam agora de US$ 20 para cima.
A capacidade americana de transformar tudo em consumo fez surgir os mais surpreendentes apetrechos com a marca Obama. Em uma loja de produtos pop art em frente ao The Art Institute of Chicago, o rosto do presidente eleito estampava quadros de artistas famosos de Illinois, quebra-cabeças, canecas... E o slogan “Yes, we can” (um dos maiores sucessos midiáticos da política americana em meio século) foi substituído pelo “Yes, we did”. Dois bonecos de John McCain apareciam jogados em um canto da prateleira. Os de Obama já haviam sumido há horas.
As ruas do Parque Grant ganharam de novo o movimento de carros. Os esquilos voltaram aos galhos das árvores e os moradores voltaram a passear com seus cães. O discurso de Obama fazia agora parte da memória. Mas, mesmo assim, era possível levar uma lembrancinha: uma nova camiseta da moda em Chicago trazia o slogan: “Parque Grant, 4 de novembro de 2008: eu estive lá”. Por US$ 25. A reprodução da capa do Chicago Tribune agora já custava US$ 10. E um passeio pelos guetos do sul da cidade, a US$ 150, ganhou o nome de Obama’s tur.
Postado por Rodrigo Lopes


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