Tudo indica que Jacob Zuma, uma incógnita política na África do Sul, será eleito hoje o presidente do país que irá sediar a próxima Copa do Mundo de futebol. Aos 62 anos, Zuma é para uns um líder forjado na luta contra o apartheid, discípulo do histórico Nelson Mandela, homem do povo, nascido em uma vila e o herói certo para manter a estabilidade do país. Para outros, é mais um populista africano, ao estilo de Robert Mugabe, no Zimbábue, corrupto, acusado de lavagem de dinheiro e até estupro (diga-se de passagem, todas as acusações - são 16 processos - foram retiradas antes de ele entrar na disputa eleitoral).
Zuma pertence ao partido Congresso Nacional Africano, o CNA, o mesmo de Mandela. Só isso já seria motivo suficiente para muitos sul-africanos votarem no político. Mas tem mais: ele participou da luta armada, tudo o que sabe aprendeu na prisão de Robben Island, com Mandela, é da etnia zulu, a mesma de mais de 70% da população.
Uma de suas declarações mais polêmicas (e revoltantes!): certa vez, Zuma foi acusado de ter violentado sua mulher, portadora do vírus da Aids. Na época, disse que não havia problema porque "tinha tomado banho depois".
O que seus críticos encaram como fraquezas - as acusações de estupro e corrupção, a falta de educação e suas origens humildes - acabaram se tornando os pontos fortes de Zuma junto a seus correligionários. Segundo analistas locais, os sul-africanos adoram uma "vítima" - alguém que foi injustiçado, ridicularizado, humilhado e abusado -, alguém que teve sua dignidade atropelada pelo destino ou por inimigos reais.
Postado por Rodrigo Lopes
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