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Posts do dia 2 junho 2009

Visto para os EUA: o desabafo de uma brasileira

02 de junho de 2009 29

Na coluna Diários do Mundo, de ZH dominical, escrevi sobre o futuro embaixador americano no Brasil, indicado pelo presidente Barack Obama, e a falta que faz um consulado em Porto Alegre. A sede diplomática foi fechada na capital gaúcha no início dos anos 90. Recebi o e-mail da Daniela Guimarães, uma leitora, e transcrevo-o abaixo:

“Muitos sonham em pisar nas terras do Tio Sam em busca de fortuna. O meu sonho é de pisar nas terras do Tio Sam, sim, mas em busca do sonho infantil chamado Disney. E foi assim que me senti a pior pessoa do mundo ao tentar tirar o visto americano.

Primeiramente a decisão: fazer sozinha ou buscar um despachante sério para auxiliar? Fui pela segunda opção: paguei taxas, juntei documentos e mais documentos, agendei entrevista, comprei passagem para o Rio de Janeiro, reservei hotel, tudo em função de entrar em outro país, gastar minhas economias de alguns anos e realizar meu sonho infantil depois de macaca velha.

Achei tudo muito tranquilo, apesar de oneroso. Como sou funcionária pública, um das poucas vantagens desta profissão é a estabilidade e o forte vinculo empregatício que por si só já garantiria minha volta garantida ao país, já que é um emprego garantido, uma renda suficientimente boa, achei que não surtiria dúvidas em relação a minha intenção de não estar entrando no país para fins de imigração, mas não foi bem assim que se sucedeu…

Às 7:30 da manhã, lá estava eu na fila do consulado, rodeada de milhares de pessoas com espectativas e planos uns diferentes dos outros: tinha família que estava de mudança em decorrência de emprego do marido, estudantes que visavam intercâmbio, imigrantes, e eu em busca de meu visto de turista, com roteiro da operadora de turismo, últimos contra-cheques, recibos de imposto de renda, extratos de cartão de crédito, meu termo de posse no emprego, meu diploma de graduação, extratos de conta corrente, enfim pronta para ter a vista devastada para ter a permissão de visitar a terra do Mickey.

O processo foi rápido, o horário foi cumprido, e minha entrevista não durou mais de dois minutos, sim dois minutos, tempo suficiente para a americana que me atendeu olhar com desprezo, averiguar minha documentação, perguntar a profissão de meus pais (o que parece não ter entendindo muito o que são comerciantes no Brasil), me perguntar se tinha filhos (a resposta foi negativa), me perguntar se era casada (também negativa) e finalmente me vir a resposta fatitica: “não tem filhos, não é casada, a senhora representa uma imigrante em potencial, leia o documento o qual estou entregando e terá direito a recorrer em 06 meses”. Perguntei:  como assim? O que faço agora?” e ela repondeu ” junte seu documentos e saia pela porta da direita…”

Nesse momento me senti uma completa idiota, gastei em torno de R$ 1,5 mil, dois dias de férias, para quê? Tentar realizar o sonho de infância, depois de adolecente (já que as meninas de 15 anos ganham a viagem a Disney, e eu tive de trabalhar para poder sonhar com isso), entrar em outro país que não é o meu, levar minhas economias, o que seria ótimo para eles já num momento em que os EUA enfrentavam os primeiros momentos de crise, mas não foi possivel. Saí de lá pensando que Bin Laden é o dono da verdade, que os meninos que cometem aqueles ataquem em escolas são reflexo do país em que vivem…

Sei, fui radical, mas estava irada: onde se viu ter que pedir permissão para visitar um país? Estava indo como turista, tinha comprovantes suficientes de que teria condições de bancar minhas despesas, de que tenho um emprego bom no meu país há mais de seis anos, iria para os EUA lavar pratos? Ser babá?

Não mesmo, o que era um sonho virou um pesadelo, cheguei ao hotel, fiz minhas malas e adiantei minha volta em dois dias para o RS, me sentindo o último ser do mundo… Depois , em consulta a fórum da Web li que os entrevistadores americanos não liberam vistos para jovens de 28 a 35 anos, que eles têm uma cota a cumprir semanamelnte de negativas de vistos, que geralmente isso é feito às sextas-feiras e que também reparam muito na aparência. Deveria ter lido isto antes, ou não…

Agora, quero mais é visitar a Europa, carimbar todo meu passaporte pelo mundo, e deixar os EUA para trás, com seus terroristas mirins, sua crise financeira, seu desemprego e sua hipocrisia. Ah e para completar tenho de ler nos jornais que se algum brasileiro estiver gripado na hora de fazer a solicitação de visto é melhor adiar, pois os EUA estão barrando turistas estrangeiros por causa da epidemia: muito bem, quantos já morreram por lá? Quantos brasileiros voltaram infectados da terra do Tio Sam? Pois bem, viva ao falso moralismo daqueles que se dizem a maior potencia mundial, pobre Obama de gastar seu intelecto em administrar um país tão pobre de espirito.”

Daniela Guimarães

Postado por Rodrigo Lopes

Buracos negros nos radares

02 de junho de 2009 1

De todas as nuances e pontas desta cobertura sobre o desaparecimento do Airbus da Air France, tem chamado a atenção desde ontem a existência de pontos cegos na cobertura de radares nos vôos sobre os oceanos.

Pesquisando um pouco mais profundamente, é possível encontrar a explicação de controladores aéreos segundo os quais, todos os aviões são acompanhados durante o voo por radares no solo, mas seu alcance limitado e não permite um contato permanente quando eles sobrevoam grandes distâncias como no Atlântico ou no Pacífico.

No caso do voo Rio-Paris da Air France não é preocupante o fato de que tenha desaparecido das telas dos radares brasileiros ao se distanciar da costa da América do Sul, o problema é que não tenha enviado informações em seguida, como é o previsto. O alcance dos radares é limitado a cerca de 500 km. Além disso, como ocorre no centro do Oceano Atlântico, não há mais contato de radar possível. Essas são zonas cegas.

Para se saber onde estão os aviões, são necessários os “pontos de registro”: de meia em meia hora, ou de hora em hora, o avião envia um sinal de rádio. Com isso, ele indica onde está, o que permite recalcular sua rota e sua posição. Quando o avião não envia esses pontos de registro, como previsto, nesse momento é iniciado os procedimentos de alerta Em um voo transatlântico no Hemisfério Norte, o buraco na cobertura de radares não deve durar mais de uma hora e meia, duas horas. Em um transatlântico aqui no Hemisfério Sul, cerca de três ou quatro horas.

Postado por Rodrigo Lopes