É incrível como em 2009, em pleno século 21, ainda existam golpes de Estado que subvertem a ordem constitucional. O presidente Manuel Zelaya, alinhado a Hugo Chávez, estilo populista, fanfarrão, queria reformar a Constituição para se reeleger. E então, militares da oposição simplesmente entraram em sua casa, no domingo, e o sequestraram, levando-o para a Costa Rica. Do nada, apareceu uma carta de renúncia... E botaram lá outro presidente, no caso o presidente da Câmara.
Organização dos Estados Americanos (OEA), condenou, o Brasil também, inclusive determinou ontem à noite que o embaixador brasileiro não retorne ao país até que se normalize a situação.
Vale dar uma olhada no perfil de Manuel Zelaya: um tipo curioso, gosta de usar chapéu de vaqueiro, botas campeiras e tem bigodão bastante espesso. Ele é integrante desde os anos 70 de um partido conservador, o Partido Liberal de Honduras (PHL) e fazendeiro de família rica. Quando chegou ao poder, anunciou que seu governo seria de “tendências esquerdistas e socialistas”, o que surpreendeu seus partidários. Ele entrou na Alba, Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), uma espécie de oposição à Alca que reúne os presidentes esquerdistas de Venezuela, Nicarágua, Equador, Cuba, Bolívia, etc.
É possível traçar alguns paralelos entre Honduras de 2009 e a Venezuela de 2002. Vale lembrar que houve um episódio semelhante com o próprio Hugo Chávez naquele ano. Ele ficou dois dias afastado do poder, durante a tentativa de golpe de uma parcela do exército, até retornar, após uma ampla manifestação popular a seu favor. Naquela ocasião também surgiram rumores de que Chávez tinha renunciado.
À época, quem assumiu a presidência foi o presidente da Fedecámaras, que é a associação dos empresários venezuelanos, uma espécie de Fiergs. Pedro Carmona, assumiu a presidência, dissolveu a Assembleia, os poderes judiciais e atribuiu-se poderes extraordinários. Isso gerou grandes manifestações nas ruas de Caracas de apoiadores de Chávez, que abriram caminho para o retorno do presidente afastado. Houve um contragolpe, e até hoje Chávez acusa a imprensa de ter apoiado o golpe.
O que se viu depois do retorno do presidente foi a radicalização do regime. Vieram referendos após referendos, aquela busca de conquistar superpoderes e várias tentativas de reeleição.
Postado por Rodrigo Lopes


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