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Posts de junho 2009

Honduras de hoje e a Venezuela de 2002

30 de junho de 2009 11

É incrível como em 2009, em pleno século 21, ainda existam golpes de Estado que subvertem a ordem constitucional. O presidente Manuel Zelaya, alinhado a Hugo Chávez, estilo populista, fanfarrão, queria reformar a Constituição para se reeleger. E então, militares da oposição simplesmente entraram em sua casa, no domingo, e o sequestraram, levando-o para a Costa Rica. Do nada, apareceu uma carta de renúncia... E botaram lá outro presidente, no caso o presidente da Câmara.

Organização dos Estados Americanos (OEA), condenou, o Brasil também, inclusive determinou ontem à noite que o embaixador brasileiro não retorne ao país até que se normalize a situação.

Vale dar uma olhada no perfil de Manuel Zelaya: um tipo curioso, gosta de usar chapéu de vaqueiro, botas campeiras e tem bigodão bastante espesso. Ele é integrante desde os anos 70 de um partido conservador, o Partido Liberal de Honduras (PHL) e fazendeiro de família rica. Quando chegou ao poder, anunciou que seu governo seria de “tendências esquerdistas e socialistas”, o que surpreendeu seus partidários. Ele entrou na Alba, Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), uma espécie de oposição à Alca que reúne os presidentes esquerdistas de Venezuela, Nicarágua, Equador, Cuba, Bolívia, etc.

É possível traçar alguns paralelos entre Honduras de 2009 e a Venezuela de 2002. Vale lembrar que houve um episódio semelhante com o próprio Hugo Chávez naquele ano. Ele ficou dois dias afastado do poder, durante a tentativa de golpe de uma parcela do exército, até retornar, após uma ampla manifestação popular a seu favor. Naquela ocasião também surgiram rumores de que Chávez tinha renunciado.

À época, quem assumiu a presidência foi o presidente da Fedecámaras, que é a associação dos empresários venezuelanos, uma espécie de Fiergs. Pedro Carmona, assumiu a presidência, dissolveu a Assembleia, os poderes judiciais e atribuiu-se poderes extraordinários. Isso gerou grandes manifestações nas ruas de Caracas de apoiadores de Chávez, que abriram caminho para o retorno do presidente afastado. Houve um contragolpe, e até hoje Chávez acusa a imprensa de ter apoiado o golpe.

O que se viu depois do retorno do presidente foi a radicalização do regime. Vieram referendos após referendos, aquela busca de conquistar superpoderes e várias tentativas de reeleição.

Postado por Rodrigo Lopes

Arquitetura da destruição

29 de junho de 2009 2

New Orleans pós-Katrina pela ótica de Polidori/Reprodução

Robert Polidori é um fotógrafo canadense que busca a inspiração em casas marcadas pela destruição. Esteve no Líbano e fotografou residências destruídas pela guerra no início da década de 80. Buscou o interior das casas de Havana, estigmatizadas pela revolução de Fidel Castro. E, finalmente, esteve em New Orleans devastada pelo furacão Katrina. A Revista Veja traz uma reportagem esta semana na qual apresenta o artista, que está chegando ao Brasil. Bem interessante seu ponto de vista para as fotos: ele busca não o movimento, a vida nas imagens, mas as marcas que ela deixou no concreto.

Mais sobre o trabalho do fotógrafo aqui

Postado por Rodrigo Lopes

A maior derrota da história dos Kirchner

29 de junho de 2009 3

O casal Néstor e Cristina Kirchner sofreram sua maior derrota política na eleição realizada ontem na Argentine e que é vista como uma espécide de plebiscito para o governo. O ex-presidente, que tem planos de voltar ao poder em 2011, disputava vaga de deputado pela província de Buenos Aires. Ele conseguiu 32% dos votos, sendo superado por seu rival Francisco de Narváez, que tem neste momento 34,56, segundo o jornal Clarín.

Foram totalizados 87% dos votos - ou seja, já não dá mais para virar o jogo e o próprio Kirchner já veio a público por volta das 2h da manhã reconhecer a derrota por "muy poquito".

Sim, muito pouquinho, mas o fato é que perdeu. E não apenas no principal colégio eleitoral. O peronismo sofreu derrotas acachapantes em Córdoba, Santa Fé e Mendoza. Os Kirchner perderam inclusive em Santa Cruz, a gelada província da Patagônia e berço político do ex-presidente.

Isso freia os planos do casal Kirchner de se perpetuar no poder através desse jogo que eles foram aos poucos colocando em prática - primeiro Néstor, depois Cristina, e em 2011 Néstor de novo. O governo perde maioria nas duas casas - eles terão 17 cadeiras a menos na Câmara e quatro no Senado.

E isso só confirma a baixa popularidade do governo de Cristina, que manda numa Argentina com uma inflação muito alta, a criminalidade crescente e a miséria também crescente. Os números são difíceis de serem medidos - até porque o governo é acusado de maquear esses índices pra esconder a realidade.

Tudo isso, num país que é hoje o maior foco da gripe tipo A na América Latina. Em muitas seções eleitorais, presidentes de mesa e policiais usara máscaras para evitar o vírus, que no país matou até agora 26 pessoas.

Postado por Rodrigo Lopes

Como nos tempos da Guerra Fria

28 de junho de 2009 9

Como nos tempos da Guerra Fria Beira o rocambolesco o que aconteceu na Honduras, o pequeno país da América Central. O presidente da República, Manuel Zelaya, foi retirado de sua casa por militares e levado de avião para a Costa Rica. Sequestro. Em poucas horas, apareceu do nada uma carta de renúncia. Fabricada. E tudo isso com o aval do parlamento. Isso mesmo: deputados aprovaram um golpe de Estado mascarado de renúncia. E empossaram o presidente da Casa.

A Suprema Corte do país afirmou ter ordenado que o exército expulsasse o presidente devido a sua insistência em realizar um plebiscito para reformar a Constituição e tornar possível sua reeleição. Sim, caros amigos, você já viu essa história antes: na Venezuela de Hugo Chávez e na Bolívia de Evo Morales.

Aliás, Zelaya tem estreita relação com os companheiros do Sul. Incluiu o país na Alba, a versão chavista da Alca, e não esconde seu plano de reeleger-se infinitamente - por isso, realizaria um plebiscito neste domingo, à revelia do parlamento. Da Costa Rica, o presidente declarou que seis ou sete pessoas da elite estão por trás da manobra. Mas não deu nome aos bois.

Chavista ou não, autoritário ou não, nada justifica o rompimento dos pilares institucionais de um país.

Postado por Rodrigo Lopes

Morre o homem. Sobrevive o mito

26 de junho de 2009 3

Reprodução

Michael Jackson é o artista que mais vendeu discos em toda a história da música. E em tempos de pirataria pela internet certamente ele o será para sempre. Ninguém mais baterá seus recordes. Apenas Trhriler, de 1982, vendeu mais de 100 milhões de cópias.

Acredita-se que ao longo da vida, ele tenha vendido 750 milhões de álbuns, o que somados aos 13 prêmios Gammy, faz dele um dos maiores artistas de todos os tempos. É sem dúvida, um artista que revolucionou o rock mundial. E, neste quesito, pode ser comparado a Elvis Presley nos EUA.

Os sucessos conviveram paralelamente com suas derrotas. Despertava amor e ódio. Admiração de muitos e indignação de outros tantos.

Nos anos 90, surgiram acusações de abuso sexual contra meninos. A primeira de um garoto de 13 anos, que levou a polícia a invadir seu rancho Neverland, na Califórnia. Mais tarde, ele fechou um acordo com a família do menino, no valor de US$ 23 milhões. Acabou inocentado de todas as acusações posteriores.

Seu primeiro casamento foi com a filha de Elvis Presley. Teve depois outro. E, no total, deixa três filhos - Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II, este último conhecido por um momento famoso e polêmico no qual o pai o segura para fora de uma sacada de hotel, quase deixando o menino cair.

Aqui no Brasil, esteve três vezes. A primeira ainda com os Jackson Five. Depois, em um show em 1993 no Morumbi. E anos mais tarde, quando gravou um clipe no morro Dona Marta, no Rio, e no Pelourinho, em Salvador.

Tão famosas quanto suas glorias, eram suas esquisitices. As várias cirurgias plásticas, as alterações na face... Nos últimos anos, surgiram sucessivos recomeços falsos. Estava prevista uma nova turnê de 50 shows. Mas a saúde frágil já deixava dúvidas se ele cumpriria a meta.

Morre o artista. Mas sobrevive o mito. Por anos, certamente seus sucessos ainda serão ouvidos. Talvez para sempre.

Postado por Rodrigo Lopes

Argentina estuda decretar estado de emergência

25 de junho de 2009 0

Hospital Posadas, em Haedo, trabalha no limite de sua capacidade/Reprodução La Nación

No momento em que sobe para 21 o número de mortos por causa da gripe tipo A na Argentina, as autoridades analizam a possibilidade de decretar estado de emergência sanitária na região metropolitana de Buenos Aires na próxima semana, depois das eleições legislativas do domingo.

Na prática, isso significa o fechamento de locais de grande aglomeração pública, como colégios, shoppings, cinemas e teatros - algo que aconteceu na Cidade do México, no início da pandemia. Esta informação está na capa do jornal La Nacion desta quinta-feira, no momento em que as próprias autoridades reconhecem que o número de casos de mortes por causa do vírus é maior do que os notificados oficialmente - fala-se nos bastidores em até 15 mortes a mais nas últimas horas.

Surgiu a ideia de se usar o hospital militar do Campo de Mayo, a grande área nos arredores da capital, que serviu de cenário para a decolagem dos chamados voos da morte na ditadura argentina. Outra medida seria a instalação de unidades sanitárias de campanha e postos de primeiro atendimento próximos às estações ferroviárias de Once e Constitución.

O médicos também estão preocupados com o risco de a epidemia atingir com maior grau populações carentes. E pelo menos uma medida do governo já pode ser criticada: o comitê de crise não se reuniu esta semana uma vez que isso poderia levar a uma tomada de decisão que obrigasse a adiar as eleições de domingo.

Com os 21 casos de mortes, a Argentina se iguala ao Canadá. No mundo todo, os argentinos só perdem para México, com 115 vítimas fatais, e EUA, com 87.

Postado por Rodrigo Lopes

Dois exemplos do Irã destes tempos

24 de junho de 2009 4

O primeiro exemplo: você lembra daqueles jogadores da seleção de futebol iraniana que usaram faixas da cor verde, em sinal de protesto contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, recentemente numa partida? Pois foram, digamos, obrigados a se aposentar do esporte e impedidos de deixar o país. Pelo menos quatro tiveram seus passaportes retirados e não poderão participar de partidas oficiais até mesmo por seus clubes. A denúncia está no jornal The Guardian.

O segundo exemplo: o The Wall Street Journal traz uma grande reportagem segundo a qual o regime iraniano desenvolveu um sofisticado mecanismo para controlar e censurar a internet. E o método vai bem além de simplesmente bloquear acesso a sites ou derrubar conexões de potenciais opositores. A técnica permite às autoridades bloquear comunicações, caputrar informações sobre pessoas enquanto elas se comunicam, como no MSN, por exemplo, possibilitando alterar o conteúdo das informações.

Tudo isso, porém, não foi suficiente para barrar uma das mais chocantes imagens da crise divulgadas até agora: a da morte da jovem Neda, numa rua de Teerã. O vídeo, que está disponível no post abaixo, ganhou a internet rapidamente e as páginas dos jornais do mundo inteiro depois de aparecer no blog de um homem identificado como Hamid.

Ele contou a um site americano que buscava informações para atualizar seu blog com notícias dos protestos. Ao saber por meio de um amigo que uma mulher havia sido morta, começou a procurar as imagens. Um outro conhecido estava ao lado da cena e gravou o vídeo. Em cinco minutos, as imagens estavam na capa da CNN. E ganhavam o planeta em um desesperado grito por liberdade. 

Postado por Rodrigo Lopes

Um símbolo contra o radicalismo

24 de junho de 2009 0

Neda, a jovem iraniana morta nos protestos no Irã, tornou-se um símbolo da luta pela democracia e contra o regime dos aiatolás. Principalmente por ser mulher, normalmente considerada inferior aos homens no país. O vídeo do momento em que ela foi atacada supostamente por milícias ligadas à Guarda Revolucionária vazaram na internet por meio de um blogueiro iraniano que tem conseguido furar o bloqueio dos aiatolás. Mas atenção: as imagens são fortes, e só estou postando-as aqui porque estão nas edições online dos principais jornais do mundo e servem como um alerta contra o radicalismo seja ele religioso ou ideológico.

Postado por Rodrigo Lopes

Como funciona o metrô de Washington

23 de junho de 2009 0

O sistema de metrô de Washington é um dos mais seguros do mundo. E, como em qualquer grande cidade americana, é usado por milhares de pessoas todos os dias. Funciona perfeitamente e em raras exceções fica superlotado. Pode-se dizer que uma destas raras exceções ocorreu no dia 20 de janeiro deste ano, na posse do presidente Barack Obama.

O acidente desta segunda-feira ocorreu na linha vermelha, que inclusive passa ao lado da Casa Branca. Mas o local do choque fica bem distante da residência do presidente. Fica, na verdade, no estado vizinho de Maryland, em um ponto onde normalmente os trens circulam em alta velocidade.

Eram 17h no horário de Washington, hora de pico, quando muita gente está usando o metrô para deixar a capital com destino a suas casas, nas cidades vizinhas.

Para se ter uma ideia, o serviço de transporte coletivo é unificado. Ou seja, os passageiros podem se deslocar livremente entre qualquer linha de ônibus, qualquer linha de metrô, ou entre uma linha de metrô para uma de ônibus. Cerca de metade dos trabalhadores usa o metrô para se locomover para o local de trabalho.

O sistema começou a operar em 1976, é um metrô em grande parte subterrâneo, inclusive corta por baixo do leito o rio Potomac, que une Washington ao Estado da Virgínia. 

O choque ocorreu quando os trens estavam sobre a terra. O sistema é extenso e eficiente e é administrado pela Washington Metro. É composto por quatro linhas diferentes. São 170 quilômetros de trilhos e um total de 80 estações. Não apenas na capital Washington DC, mas também em cidades que circundam a capital.

O acidente desta segunda-feira é o terceiro na história dos trens de Washington nos últimos 15 anos. O último havia sido em novembro de 2004, quando uma composição também na linha vermelha descarrilou e se chocou com outro trem na estação de Woodley Park. Cerca de 20 pessoas ficaram feridas. Antes, em 1982, três pessoas morreram num acidente semelhante.

Postado por Rodrigo Lopes

Um novo México mais perto de nós

23 de junho de 2009 0

A Argentina está em alerta com o avanço dos casos de gripe A (H1N1). O assunto pôs em segundo plano a eleição do próximo domingo que irá renovar boa parte do Senado federal - e que pode ser interpretada como um julgamento político do casal Kirchner.

Os principais jornais do país, Clarín e La Nación, trazem grandes reportagens sobre o assunto nesta terça-feira - o Clarín, por exemplo, criou uma área especial em sua versão na internet com todos os detalhes sobre a doença. Por enquanto, o vírus está limitado a Buenos Aires, região metropolitana e La Plata.

Conter o avanço para o interior, onde o atendimento médico é mais precário e a situação sanitária mais vulnerável, é o objetivo do governo neste momento. Uma reunião nesta terça-feira pela manhã irá definir os rumos do combate à gripe. Mas algumas medidas já estavam definidas desde a noite desta segunda-feira: médicos aposentados e residentes serão chamados ao trabalho.

O temor do governo se justifica sobretudo com o início do inverno, quando milhares de turistas deixam as principais cidades rumo ao interior, como Bariloche - para onde, aliás, migram também muitos gaúchos. Este fluxo de ida e vinda favorece a transmissão do vírus.

Se antes, no início da pandemia (quando ainda era chamada "gripe suína", o H1N1 no México parecia uma preocupação distante, agora, é necessário redobrar a atenção por aqui. A Argentina é o principal destino turístico brasileiro. E o Aeroporto Salgado Filho, o portão de entrada do Mercosul.

Postado por Rodrigo Lopes

Obama x cigarro

22 de junho de 2009 8

O presidente dos EUA sancionou uma lei histórica contra o cigarro nos EUA. É mais forte que já existiu no território americano e foi assinada nos jardins da Casa Branca.

O próprio Obama comenta com bastante frequência suas dificuldades para parar de fumar. A nova Lei de Prevenção e Controle familiar do Tabaco dá ao governo uma autoridade sem precedentes para regular a fabricação, a publicidade e a venda de cigarros. Ela permite, por exemplo, que a FDA reduza a nicotina nos produtos feitos com tabaco, proiba os cigarros com sabor e cancele as marcas que se dizem light ou com baixo teor de alcatrão.

Postado por Rodrigo Lopes

O caminho da radicalização

22 de junho de 2009 0

Como toda ditadura, seja ela de esquerda ou de direita, o governo do Irã não respeita os direitos humanos e a liberdade de comunicação. Silencia a oposição e censura a impensa. Diante dos novos episódios de violência deflagrados depois das denúncias de fraude, a situação caminha perigosamente para uma radicalização do regime.

No fim de semana, o ministério da Informação anunciou a prisão de supostos espiões que entraram no país para cometer ações terroristas. A televisão mostrou em seguida confissões públicas de pessoas com o rosto com a imagem difusa e que teriam sido treinadas e enviadas com o apoio da Grã-Bretanha.

É a velha estratégia das ditaduras de, diante do risco de ver o regime escorrer pelas mãos, unir o povo em torno de uma ameaça externa. Os aiatolás recorreram desta vez ao fantasma do terrorismo ao difundir reportagens sobre os Mudjahedines do Povo Iraniano, principal força da oposição no exílio. Também se referiram ao atentado suicida ocorrido no sábado ante o mausoléu do aiatolá Khomeini.

E o cerco à imprensa também começa a se fechar ainda mais. Além de não permitir que os jornalistas que foram cobrir a eleição permanecessem no país, agora, há prisões. Segundo a a organização Repórteres Sem Fronteiras, três jornalistas iranianos foram detidos e estão presos no Irã desde sábado e, com estes, já são 33 os jornalistas e blogueiros iranianos na prisão nesse país. A entidade disse também ter recebido confirmação da prisão de Ali Mazrui, presidente da Associação de Jornalistas Iranianos, na semana passada.

Postado por Rodrigo Lopes

Incidente envolve tropas brasileiras no Haiti

19 de junho de 2009 4

Há vários meses não ocorria um incidente como o que terminou na morte de um cidadão haitiano, em meio a protestos e à ação das tropas brasileiras no país do Caribe. Mas, seguindo a máxima de que no Haiti tudo pode acontecer e uma situação de calma se transformar de uma hora para outra num ato violento, ontem uma pessoa morreu, durante uma manifestação de seguidores do ex-presidente Jean Bertrand Aristide.

Eles enfrentaram militares brasileiros da missão da ONU, que negam ter usado fogo para reprimir o protesto. O incidente aconteceu quando milhares de pessoas participavam dos funerais de um padre ligado ao ex-presidente haitiano. Segundo os manifestantes, o homem que morreu durante a manifestação foi "abatido por soldados brasileiros da Minustah", o que é negado pelo comandante brasileiro.

Nas últimas duas semanas, estudantes também se manifestam em Porto Príncipe para exigir aumento do salário mínimo no Haiti. Um veículo da ONU foi incendiado na quarta-feira por manifestantes que exigem a saída das forças internacionais.

Um dos países mais pobres do mundo, o Haiti tem sua segurança garantida por tropas estrangeiras lideradas pelo Brasil que foram enviadas ao país em 2004, após o caos que se seguiu à deposição do presidente Aristide.

Em tempo, esta semana, numa audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado brasileiro, uma comissão da Plataforma Haitiana em Defesa de um Desenvolvimento Alternativo discursou dizendo que a missão de paz seria um fracasso. Esta delegação está encarregada de denunciar supostos excessos cometidos pelos militares.

Postado por Rodrigo Lopes

Para entender o jogo de poder no Irã

18 de junho de 2009 0

El País

O jornal El País publica um bom gráfico para entender quem é quem no Irã. Abaixo, resumi um pouco a história dos líderes, o que faz o Conselho dos Guardiães e a milícia que está por trás dos tiroteios de segunda-feira, durante os protestos.

OS LÍDERES

Os conservadores

Mahmoud Ahmadinejad - Tem 52 anos, é presidente do Irã desde 2005, extremamente conservador. Ganhou notoriedade ao negar a existência do Holocausto, o massacre de judeus pelos nazistas, e prega o extermínio de Israel.

Ali Khamenei - De 69 anos, é o líder supremo do Irã desde 1989. Entre 1981 e 1989, foi presidente do Irã. Apoia Ahmadinejad, embora tenha ordenado a recontagem dos votos nas eleições de sexta-feira passada.

Os reformistas

Mir Houssain Moussavi - De 67 anos, é uma revolucionário remanescente da Revolução Islâmica, de Khomeini. Abrandou seu discurso. Foi primeiro-ministro entre 1981 e 1988. Quer melhorar as relações com o Ocidente.

Khatami - Aos 65 anos, governou o Irã entre 1997 e 2005. É considerado o primeiro presidente reformista do Irã. Porém, assumiu o poder sob grande expectativa de reformas, o que acabou frustrando muita gente.

O CONSELHO DOS GUARDIÃES

É o órgão colegiado mais poderoso do Irã. Atualmente, é controlado por conservadores. Formado por 12 membros, seis teólogos nomeados pelo líder supremo, no caso Khamenei, e seis juristas eleitos pelo parlamento. A cada três anos, é renovada a metade dos membros. O órgão aprova leis enviadas pelo parlamento e veta as que não se ajustam à Constituição iraniana ou ao Direito Islâmico. Tem poder para vetar os candidatos presidenciais. É a força ideológica do regime.

GUARDIÃES DA REVOLUÇÃO

Foram fundados pelo aiatolá Khomeini depois da vitória da Revolução Islâmica, em 1979. São conhecidos popularmente como Pasdaran, que significa "guardiães", em farsi. São um grupo de elite formado por 120 mil membros, com grande influência política e econômica. Formam parte do exército iraniano e contam com uma divisão naval, aérea e terrestre. Sua missão: vigilância das fronteiras, segurança interna e controle de mísseis estratégicos. Seu comandante responde diretamente ao líder supremo Khamenei. Controlam o corpo de voluntários chamados de basiyís.

A MILÍCIA DOS BASIYÍS

É uma milícia ofrmada por 1 milhão de voluntários e que tem organizações locais em quase todas as cidades iranianas. Reúnem-se nas mesquitas. O grupo foi criado em 1979 e depende diretamente dos Guardiães da Revolução. Ao criar a organização, o aiatolá Khomeini disse: - Um país com 20 milhões de jovens devia ter 20 milhões de soldados. Um país assim nunca será destruído. Tem poder para prender. Seus integrantes estão por trás dos tiroteios de segunda-feira, durante manifestações da oposição em Teerã. Sua presença e influência cresceram bastante desde a chegada de Ahmadinejad ao poder. São responsáveis por vigiar o cumprimento dos códigos de roupas e moral pública.

Postado por Rodrigo Lopes

Seleção do Irã entra na onda dos protestos

17 de junho de 2009 1

Não raras são as vezes em que futebol serve para estreitar abismos da política. Foi assim em 1998, na Copa da França, quando uma partida colocou no mesmo campo países rivais, EUA e Irã. A seleção iraniana acabou vencendo a americana por dois a 1.

Pois nesta quarta-feira mais uma vez o futebol deu um pitaco na política. Nas eliminatórias para a Copa de 2010, o Irã não se classficou, perdeu para a Coreia do Sul, mas ficou o exemplo.

Na partida, pelo menos cinco jogadores da seleção iraniana usaram faixas verdes nos pulsos e braços. Tudo indica que tenha sido um sinal de apoio às manifestações contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Cor do islã, o verde é usado para identificar a campanha do oposicionista Mir Hossein Mousavi e tem sido a marca dos protestos contra as fraudes na eleição da última sexta-feira. Entre os jogadores que usavam as pulseiras estava o capitão do time. Já o craque Ali Karimi tinha pulseiras verdes nos dois pulsos.

Uma questão intriga: alguns jogadores voltaram para o segundo tempo sem as pulseiras. Já existem especulações de que o técnico ordenara a retirada dos adereços.

Postado por Rodrigo Lopes