Datas servem não apenas para trazer de novo à lembrança imagens do que se viveu, mas sobretudo para olharmos para trás e avaliarmos o que mudou - e o que mudamos - desde então. Queria ter escrito este texto no sábado, no dia em que há exatos quatro anos, o furacão Katrina tocou New Orleans, mas não consegui.
Neste domingo, aproveito para passar a limpo esse período. Naquela ocasião, em 2005, fui despachado para o Houston, no Texas, com a missão de chegar a New Orleans, que estava 80% submersa pelas águas do Lago Pontchartrain. Foi um dia inteiro de viagem de carro pela Interstate 10, a rodovia que corta o sul dos EUA.
Uma das maiores lembranças é a do meu carro sozinho na pista no caminho de New Orleans, enquanto todos os demais vinham no sentido contrário, fugindo da destruição. Outra coisa que ficou pra sempre nas minhas narinas foi o cheiro de pântano e morte proveniente da cidade, quando passei uma noite dentro do carro estacionado na margem da estrada, às portas do inferno.
Foi uma aventura e tanto chegar ao centro de New Orleans. A cada poste, rua inundada, destroços de prédio, fios de alta tensão no chão, pensava que a cobertura terminaria ali. Mas, graças a dicas de moradores e ao instinto (que graças a Deus até hoje nunca falhou) - e sorte, é verdade -, cheguei ao centro da cidade e a seu tradicional bairro francês.
Quatro anos depois, New Orleans ainda tenta cicatrizar as feridas que a água e os ventos de 240 km/h deixaram abertas. Este ano, a festa do Mardi Gras (o famoso carnaval) recebeu 1 milhão de pessoas. Em todo o ano passado, a cidade deu as boas vindas a 7,6 milhões de visitantes. Resguardada por novos diques - na verdade, muitos especialistas duvidam de que eles sejam capazes de suportar um novo furacão de categoria 4 -, a cidade tenta se reerguer, usando como pilares aquilo que tem de melhor: a comida maravilhosa, a beleza do Mississippi e, claro, o jazz.
Prédio destruídos em Gulf Port
Carro destruído por tijolos de prédio em New Orleans
Postado por Rodrigo Lopes



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