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Posts de outubro 2009

Por que se preocupar com o Paquistão?

29 de outubro de 2009 0

Por que a violência no Afeganistão e no Paquistão, exemplificada ontem em atentados mortíferos nesses dois países, deve nos preocupar? Primeiro, porque em nenhum outro lugar do mundo o terrorismo manda e desmanda e dá cria como nessa região do planeta. Nos últimos anos, tropas da Otan no Afeganistão e o exército no Paquistão lutam contra militantes da Al-Qaeda e do Talibã na área. Mas a violência em ambos países só aumenta.

No noroeste do Paquistão existe uma região chamada zona tribal, onde sequer o governo entra - a área é comandada por regime tribais, quase feudais. É nessa área que estaria Osama bin Laden.

No Afeganistão, a instabilidade do front se mistura com a crise política. Houve uma eleição imersa em suspeitas de fraudes. O Talibã não apenas boicotou como organizou uma série de atentados nos últimos meses. A milícia ganhou força e já não é mais a mesma reduzida em seu poder depois da ofensiva americana em 2001, logo após os atentados de 11 de Setembro. E pra completar a nossa preocupação, é necessário lembrar o pior de todos os pesadelos: o Paquistão, pobre, sem controle sequer sobre a totalidade de seu território, um ninho de terroristas, tem - sabe-selá em que condições de segurança - a bomba atômica.

Postado por Rodrigo Lopes

Atentados desafiam Obama na Ásia Central

28 de outubro de 2009 0

Dois atentados em menos de 12 horas colocaram de novo a Ásia Central no epicentro das atenções mundiais no que se refere ao terrorismo. De madrugada, homens-bomba invadiram uma hospedaria onde dormiam funcionários das Nações Unidas. A explosão matou pelo menos 10 pessoas na capital afegão, Cabul. Mais tarde, ali ao lado, no Afeganistão, um massacre: um mercado muito utilizado por mulheres e crianças foi pelos ares em outra explosão em Peshawar, a principal cidade do noroeste do Paquistão. A força da detonação derrubou prédios ao lado, como uma mesquita. Pior: matou cerca de cem pessoas. Foi o pior atentado desde aquele em 2008, quando a ex-primeira-ministra Benazir Bhuto voltou ao país. Na ocasião, 150 pessoas morreram. Benazir sobreviveu, mas acabou morrendo em outra ação.

O território paquistanês, berço da milícia Talibã, é um ninho de terroristas. No Afeganistão, a milícia ganha força, terreno e mídia. Os dois países representam hoje o maior desafio do governo Barack Obama no campo internacional.

Postado por Rodrigo Lopes

Mera coincidência?

28 de outubro de 2009 1

No momento em que se tenta retomar as negociações para pôr fim à crise política em Honduras, três episódios envolvidos em mistério provocam uma certa inquietação. Ontem, o pai de um vice-ministro da Defesa do governo de Honduras foi sequestrado por vários homens em Tegucigalpa. Alfredo Khalil foi retirado do carro à força quando saía de casa no início da manhã perto da Casa Presidencial.

O crime aconteceu menos de 24 horas depois da descoberta da morte de um sobrinho do presidente Roberto Micheletti. Enzo Micheletti estava desaparecido desde sexta-feira e seu corpo foi achado com marcas de bala em uma cidade no norte do país.

No domingo, o coronel do exército Concepción Jiménez foi baleado à queima-roupa por desconhecidos quando chegava em casa, na capital, e também morreu.

Podem ser crimes meramente normais. Honduras tem a maior taxa de homicídios da América Central, em grande parte relacionados às drogas. Mas, na atual circunstância, em que o presidente deposto Manuel Zelaya segue abrigado na embaixada brasileira, as negociações continuam estancadas e uma eleição que não deve legitimar nada nem ninguém se aproxima, há fortes indícios de motivações políticas.

Postado por Rodrigo Lopes

Bósnia, para não esquecer

27 de outubro de 2009 0

Depois de Slobodan Milosevic, o carniceiro dos Balcãs, está indo a julgamento o criminoso de guerra que é conhecido como carniceiro de Srebrenica: Radovan Karadzic, líder sérvio que comandou a ocupação de Sarajevo e de grande parte do país na Guerra da Bósnia. Por trás do massacre, a mesma ideia de megalomaníaca de Milosevic: criar a grande sérvia. A guerra que assombrou a Europa com imagens que o mundo pensou que não voltaria a ver depois da II Guerra Mundial levou ao esfacelamento da Iugoslávia. Só na cidade de Srebrenica, em poucos dias, cerca de 8 mil pessoas foram mortas com requintes de crueldade: mão amarradas, olhos vendados e execuções sumárias.

Confrontos eram transmitidos diariamente pela televisão: de novo, víamos campos de concentração, deportações em massa, franco-atiradores. A comunidade internacional, que se mostraria mais tarde impotente ao tentar frear o ataque de George W. Bush ao Iraque, baseado no falso argumento da existência de armas de destruição em massa, já revelava na época da Guerra dos Bálcãs ser incapaz de frear o genocídio.

Veja abaixo imagens do conflito, em cenas do YouTube:

Postado por Rodrigo Lopes

Ataques aumentam pressão sobre Obama

26 de outubro de 2009 0

Os atentados do final de semana no Iraque foram os piores já registrados no país nos últimos dois anos. Não ocorria uma tragédia desta magnitude desde 14 de agosto de 2007, quando mais de 250 pessoas morreram devido à explosão de quatro caminhões-bomba na província de Ninawa. Aquele havia sido o atentado mais sangrento desde a queda do regime de Saddam Hussein, em abril de 2003.

E o que surpreende é a localização do ataque: a superfortificada zona verde de Bagdá, a área onde ficam os prédios administrativos do governo iraquiano e as embaixadas dos EUA e da Grã-Bretanha. Como costuma acontecer no Iraque, nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do ataque, mas tudo indica que parece obra de grupos ligados à Al-Qaeda com o envolvimento de antigos partidários políticos do regime de Saddam Hussein.

O alvo é o governo do Iraque e a segurança do país, uma forte tentativa de desestabilizar o país. As explosões acontecem em um momento politicamente delicado no Iraque, já que há uma discussão em andamento sobre uma reforma da lei eleitoral que regulamentará as eleições gerais convocadas para 16 de janeiro do ano que vem.

É uma tentativa clara de sacudir as instituições ainda muito frágeis, põe em xeque a melhora nos últimos meses do nível de segurança e sobretudo aumenta a pressão sobre Barack Obama, para que ele acelere seu plano de retirar as tropas - a velha promessa de campanha e que já começou de forma gradual. Este foi o primeiro atentado de grandes proporções a ocorrer durante seu mandato.

Postado por Rodrigo Lopes

Nas entranhas do Talibã

23 de outubro de 2009 0

A série do The New York Times do repórter David Rohde, que foi sequestrado pelo Talibã, segue maravilhosa. Você pode ler, ouvir, ver o material aqui.

No site há também perguntas e respostas dos internautas e do repórter. Numa das questões, o editor-chefe do Times, Bill Keller, explica um pouco o contexto da série. Infelizmente, não existe uma versão em português. Peço desculpas por publicá-lo em inglês. Abaixo:

BILL KELLER: Readers raise a number of legitimate questions about the format and display of this series. We wrestled with those questions ourselves before arriving at a presentation that is, while unusual, not unprecedented.

Before getting to the specific questions — Why a first-person account? Why a serial? Why on the front page? — it’s important to point out that our coverage of Afghanistan and Pakistan has been an effort on many fronts, by many correspondents, from a variety of vantage points. David’s account is one slice of an immense and continuing story.

Our reporters and photographers regularly embed with American forces, for days or weeks, to report from the various battlefields of this war. Embedding is a way to witness firsthand the strategy and tactics, the relationship between NATO forces and the Afghan civilian population, and the stress and sacrifice of our military at work. Our reporters and photographers also travel independently in Afghanistan and the tribal areas of Pakistan, to provide a perspective not available when traveling with troops. To cite one example of many, the explanation of how the Taliban has consolidated its power in the tribal regions — by focusing a terror campaign against the landlords — was a story that could only be told by going to the Swat Valley and interviewing locals. We also report on the daily dramas of societies living in wartime — on schools that try to educate Afghan girls in the face of threats from the Taliban, for example, or on the shortcomings of the Afghan justice system which has created an opening for the Taliban’s rougher form of justice.

Embeds and independent reporting in the region are dangerous work. We go to great lengths to minimize the risks in such reporting, but we can’t eliminate it entirely. And there is simply no other way to tell you what is going on in the region, to provide readers with the information they need to judge for themselves whether the war is working, whether the cost in blood and treasure is worth it, except to be there.

In addition, of course, we cover events in the capitals — Kabul, Islamabad, Washington — that bear on the conflict. The Times broke several of the biggest stories about corruption in the Afghan elections. We cover the debate over troop deployments, we profile the major military and political figures, we follow the diplomacy. We have also written extensively about the impact of the wars in Afghanistan and Iraq on the American military and military families, including a series still unfolding about the dramatically increased role of women in combat.

Sorry to go on, but we’re proud of this work, and it is the context for the questions about the kidnapping series. We cover the war from many angles.

When David Rohde escaped after more than seven months in captivity, it was clear even as we celebrated that his experience was one more window into a long and complicated war. No other journalist, as far as I know, has had such an experience of the Taliban from the inside. As I hope the series makes clear, this is not a story about David Rohde, it is a story about the character, strength and organization of the people the United States is fighting in Afghanistan and Pakistan. It provides detailed insights into the minds and motives of the Taliban’s foot soldiers. It also reveals the extent to which the Taliban has, with impunity, colonized a swath of Pakistan. Yes, it is a hell of a story, but it also adds rich detail to our understanding of the Taliban.

We asked ourselves early on whether this should be a first-person account or should be assigned to another reporter. That was an easy call. We use first-person reporting sparingly in The Times, but sometimes, when the reporter is unavoidably an actor in the drama as well as the main witness of the events, first person is the most honest and accessible voice. David has been a Times correspondent for many years and has proven himself an extremely reliable reporter. He worked with some of the best editors at the paper. And it’s not as if a new reporter brought into the process would have had a lot of independent sources to check. The kidnappers are not available to provide their version of events.

We thought about presenting David’s account in The Times Magazine, or as one giant piece in the daily paper. There are precedents for both, when we have had projects of unusual length. We decided to go with a serial for a few reasons. First, the entire account — a total of nearly 19,000 words, more than twice the length of a normal magazine cover story — would be a lot to digest in a single sitting. Second, a serial, if well done, is an effective, engaging narrative device. Third, David had several distinctive points to make, so we were confident the pieces would not seem redundant.

Why the front page? While it is true that the front page is primarily the showcase for important news and news analysis, we often vary the page by including something unexpected that we think will be of interest to readers: A review of an important, long-awaited book. A column by one of our business or Metro columnists. And, rarely, a first-person account of an extraordinary experience well told. In 1998, we fronted Mirta Ojito’s moving account of returning to Cuba as a reporter more than 17 years after her family fled in the Mariel boatlift. Amy Harmon’s series on genetic testing, which won a Pulitzer Prize, included a first-person account of what she learned by having her own DNA tested. Last year another Times correspondent, Barry Bearak, wrote a front-page account of being jailed in Zimbabwe for the crime of committing journalism. In July of this year, C. J. Chivers stepped outside of the usual third-person in a profile of Natalya Estemirova, the murdered Russian journalist he acknowledged as a source and friend.

 

Postado por Rodrigo Lopes

Crise em Honduras - sem diálogo

22 de outubro de 2009 3

A crise na embaixada brasileira em Honduras há muito já foi comparada a uma típica novela latino-americana: ao completar um mês ontem e cinco dias hoje de estagnação no diálogo, hoje, tudo leva a crer que a situação vai ficar por isso mesmo: o governo que está no poder, do Roberto Micheletti, empurrando com a barriga a questão, até a eleição de 27 de novembro. Dentro da embaixada, o presidente deposto Manuel Zelaya segue reinando em seu palácio.

As denúncias dos maus tratos psicológicos a que são submetidos quem está dentro do prédio não são novas: nos dias em que nós da RBS permanecemos lá dentro, o mais difícil de fato era dormir com holofotes gigantescos apontando suas luzes para dentro da embaixada e comer uma comida que era revistada pelos cães e que ficava horas ao sol para ser levada para dentro da casa, episódio que gerou pelo menos uma crise de diarréia. Havia também quem dissesse que raios eram enviados para dentro do prédio para gerar dor de cabeça em quem estava sitiado, mas aí já beirava a imaginação fértil e às teorias conspiratórias.

O fato é que a OEA agora fala oficialmente sobre essas supostas torturas. Mas o efeito prático é nenhum, uma vez que há quase duas semanas, a organização está no país e não consegue levar adiante sequer uma negociação real.

Postado por Rodrigo Lopes

Calendário sacro ou gay?

20 de outubro de 2009 4

Imagem mostra aparição da Virgem pela estética homossexual/Divulgação

Não se trata de cercear a liberdade de expressão, mas acredito que existam assuntos que exigem cuidado. Não concordo com aquelas charges sobre o profeta Maomé, que acabaram provocando uma onda de violência no mundo muçulmano alguns anos atrás. Agora, está correndo o mundo uma polêmica: associações espanholas de defesa dos direitos dos homossexuais lançaram um calendário com imagens baseadas em conhecidas obras de arte sacra, especialmente aparições da Virgem Maria, só que interpretadas por transexuais.

Cada mês está representado por uma livre interpretação de cenas famosas, como a de Nossa Senhora de Fátima diante dos três pastores. Santas em versões drag queen, usando mantos, coroas, colares, braceletes, tendo preservativos coloridos como aplique e até vibradores no alto das coroas.

Para o Coletivo de Gays, Lésbicas, Transexuais e Bissexuais de Madri, autores desse polêmico calendário, a publicação tem como objetivo reivindicar que, em um país laico, os feriados santos sejam substituídos por eventos sociais. O grupo sugere, por exemplo, que o 25 de dezembro seja declarado oficialmente dia da democracia em lugar do Natal.

Os ativistas pediram que os fiéis não se sintam chateados. Mas é difícil num país de maioria católica, como a Espanha...E, convenhamos, um pouco de respeito com determinados assuntos, como a fé, seja ela qualquer uma - muçulmana, cristã, hindu - não faz mal a ninguém.

 

Caros leitores, apenas para lembrar que comentários racistas, xenófobos e com conteúdo discriminatório não são aceitos no blog.

Postado por Rodrigo Lopes

Só pra você, mulher

20 de outubro de 2009 0

Já pode-se dizer que é uma tendência: aqui no Brasil, uma companhia aérea oferece um banheiro no avião exclusivo para mulheres, em cidades da Europa e do Oriente Médio, os táxis para mulheres já são uma realidade. E, por aqui, já se falou na criação de vagões de metrô exclusivo para elas.

Todo mundo sabe que, mesmo no Brasil, as mulheres muitas vezes passam por constrangimentos no transporte coletivo - seja no ônibus por causa de algum engraçadinho ou mesmo nos táxis.

Na cidade de Puebla, no México, a ideia é evitar isso criando o táxi exclusivo para uso feminino. São 35 carros, como mostra uma reportagem que está em Zero Hora.com, que contam com equipamentos de beleza, como espelhos e maquiagem, GPS e botões de alarmes para emergências.

Todos têm mulheres ao volante, que passaram por um treinamento antes de integrar o programa. Quem não gostou nada foram os movimento feministas, que acham que, em pleno século 21, não se deve pensar que as mulheres estão preocupadas apenas com a beleza. Acham também que isso não ajuda a erradicar a violência.

 

Postado por Rodrigo Lopes

Refém do Talibã

19 de outubro de 2009 1

Rohde com o rosto coberto/Divulgação/NY Times
A segunda reportagem da série do repórter David Rohde, do The New York Times, que ficou refém do Talibã. Uma baita reportagem multimídia. Confira aqui

Postado por Rodrigo Lopes

Honduras no Teledomingo

18 de outubro de 2009 0

Caros leitores, reuni algumas imagens exclusivas da embaixada brasileira em Honduras e as revelo neste domingo, no Teledomingo, da RBSTV. Quem acompanha este blog, já sabe de algumas histórias vividas na cobertura. Mas há outras não reveladas, desde o início da viagem, em El Salvador, o dia-a-dia em Tegucigalpa e, por fim, a rotina na embaixada - que diga-se de passagem ainda continua sendo usada pelo Manuel Zelaya como palácio. Na terça-feira, completa-se um mês do abrigo.

Veja a reportagem aqui

Postado por Rodrigo Lopes

Relatos do front

17 de outubro de 2009 0

Rohde ficou sete meses em poder dos talibãs/Reprodução/The New York Times

Neste sábado, o The New York Times vai começar uma série que promete. São cinco artigos e vídeos em primeira pessoa, que contam a experiência de David Rohde, repórter do jornal que permaneceu sete meses refém da milícia Talibã no Paquistão.

Ele foi capturado com um outro jornalista afegão, Tahir Luddin, e seu motorista, Asad Mangal, no dia 10 de novembro de 2008, quando viajava para uma entrevista com comandantes talibãs nos arredores de Cabul, capital afegã.

Leia um trecho do primeiro artigo, em inglês

I felt the car swerve to the right and stop. Two gunmen ran toward our car shouting commands in Pashto, the local language. The gunmen opened both front doors and ordered Tahir and Asad to move to the back seat. Tahir shouted at the men in Pashto as the car sped down the road. I recognized the words “journalists” and “Abu Tayyeb” and nothing else. The man in the front passenger seat shouted something back and waved his gun menacingly. He was small, with dark hair and a short beard. He seemed nervous and belligerent.

Postado por Rodrigo Lopes

Impressionante

16 de outubro de 2009 0

Chocante a imagem do trem atropelando o carro de um bebê em Melbourne, na Austrália. A mãe se distrai, e o carrinho vai parar nos trilhos. O trem está desacelerando, mas mesmo assim atinge o carro e o arrasta por alguns metros. Incrivelmente, o bebê sobreviveu. Sofreu apenas um machucado na cabeça. Veja as imagens:

Postado por Rodrigo Lopes

Uma homenagem a dom Antônio

15 de outubro de 2009 6

Em 2003, cheguei à residência de dom Antônio Cheuiche, na casa de retiros dos irmãos Carmelitas Descalços, na zona sul de Porto Alegre, com um pedido estranho a quem não é do ramo jornalístico.

– Preciso fazer um caderno sobre João Paulo II, mas só será publicado quando ele morrer.

Não era mau agouro. Dom Antonio era do ramo e sabia que o obituário de um grande papa não se escreve do dia para a noite. Por várias semanas, percorremos juntos, por meio de suas memórias, a vida do maior Pontífice da História, seu legado e curiosidades do dia em que passou por Porto Alegre. Os olhos do bispo emérito da Capital sorriam ao lembrar que, durante seus anos na Cúria Metropolitana, dormira na mesma cama simples onde João Paulo II passara aquela longínqua noite de 4 de julho de 1980, poucas horas depois de ser aclamado gaúcho pela multidão.

– Depois disso, cada vez que encontrava João Paulo, ele me olhava com olhos azuis, penetrantes, e dizia: Porto Alegre – lembrava dom Antônio.

Ferrenho defensor dos direitos humanos em um tempo ainda sombrio no Cone Sul, o bispo orgulhava-se ao contar como driblara o cerimonial papal para arranjar um encontro fora do roteiro entre as mães da Praça de Maio e João Paulo II. As paredes de sua casa transpiravam uma paixão: a arte sacra. Relíquias cristãs de várias partes do mundo – compradas ou ganhas em viagens por Jerusalém, Roma e outras capitais da cristandade, transformavam as paredes em um santuário particular. Um refúgio para o espírito peregrino. Era neste ambiente, em tom sério e professoral, que ele gostava de destrinchar nomes e curiosidades da vida de Michelangelo, Benini e outros mestres que esculpiram o Vaticano e a Igreja para a qual viveu.

Fizemos juntos um caderno de 12 páginas que só ganharia as ruas em edição extra de ZH, dois anos depois, no fatídico 2 de abril de 2005. Naquele dia, ao saber que embarcaria para o Vaticano para cobrir para a RBS os funerais de João Paulo II e o conclave que elegeria Bento XVI, telefonei para dom Antonio. Mas ele já estava em Roma.

Ao desembarcar na capital italiana convulsionada, encontrei dom Antonio no Vaticano antes mesmo de largar as malas no hotel. Vestia preto, trazia nas mãos um livro sobre a história do cardeal gaúcho dom Vicente Scherer. Era um presente ao Papa, que ele não conseguira entregar.

Na manhã seguinte, caminhamos pela Praça de São Pedro. A janela do quarto de João Paulo ainda estava aberta. Como o Papa em sua última aparição, num certo momento, dom Antonio parou. Não conseguiu falar. Seus olhos agora choravam a dor de quem perde um amigo distante. A mesma que hoje choraram os meus olhos, ao chegar à redação da RBS TV e ouvir a voz de dom Antonio em uma reportagem de arquivo daquele dia em que caminhamos pela Praça de São Pedro.

Postado por Rodrigo Lopes

Obama baila salsa

14 de outubro de 2009 0

Não é o Berlusconi, mas... Obama foi tirado pra dançar ontem à noite pela cantora mexicana Thalia. E saiu-se muito bem bailando salsa. Confira abaixo.

Postado por Rodrigo Lopes