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Posts do dia 14 janeiro 2010

VÍDEO: brasileiros atendem feridos haitianos

14 de janeiro de 2010 1

Como mostramos no post anterior, foi montado um hospital para atender as vítimas haitianas na base militar brasileira.

Cerca de 40 haitianos estão sendo atendidos aqui pelo Exército brasileiro.

Algumas, inclusive, passaram por pequenas cirurgias.

Pode-se dizer que a base brasileira é o local mais seguro de Porto Príncipe.

A estrutura aqui é mínima, mas o suficiente para desenvolvermos o nosso trabalho.

>>> Confira no site da RBS TV vídeo do atendimento aos feridos.

A tendência é a violência aumentar durante a noite

14 de janeiro de 2010 0

— A tendência é a violência aumentar. Vai faltar comida, água e há corpos nas ruas — é o que acaba de afirmar um dos oficiais responsáveis pelas comunicações aqui na base.

***

Noite aqui em Porto Príncipe. A base brasileira é, sem dúvida, o local mais seguro para estarmos no Haiti. A internet voltou. A segurança está reforçada e, mesmo com as réplicas (sentimos dois tremores desde que chegamos), as instalações são fortes.

Hospital militar é montado na base brasileira

14 de janeiro de 2010 0

Estamos na Base Militar do Brasil em Porto Príncipe. Todas as tropas brasileiras estão concentradas aqui desde que o terremoto destruiu a cidade. Como medida de segurança, não existem mais soldados espalhados pelo país, as chamadas bases avançadas.

Em uma área usada pelos soldados para fazer o tradicional churrasco do final de semana, foi montado um hospital militar para atender os feridos haitianos. É um local coberto com telhas de zinco, aberto na frente e nos lados. Há pelo menos 40 haitianos ali, feridos. Alguns estão com faixas nas cabeças, recebendo soro. Há pessoas de todas as idades: mães com crianças de colo, idosos... O tratamento é feito pelos médicos e enfermeiros do Exército.

A distribuição de alimentos ainda é lenta, a maioria das doações entra por terra pela fronteira com a República Dominicana. Os Estados Unidos também enviou cargas que chegam de avião pelo aeroporto de Porto Príncipe, que continua fechado.

Há quatro brasileiros desaparecidos, todos militares das forças de paz da ONU. Durante esta tarde, sentimos o primeiro tremor, durante cerca de cinco segundos, mas já basta para sentirmos uma tontura.

Cenas da devastação

14 de janeiro de 2010 1

No caminho, comboio de alimentos indo em direção a Porto Príncipe.

Já em Porto Príncipe, as cenas de devastação: primeiro um muro, depois um telhado e um prédio inteiro.


Na frente da base brasileira em Porto Príncipe, homens esperam pelos corpos de seus parentes. Neste momento, mais de 70 feridos estão sendo tratados em um hospital de campanha dentro da unidade militar.


O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reúne-se na base brasileira com o presidente haitiano René Préval.


Fotos: Rodrigo Lopes

Imagens do caminho até a fronteira do Haiti

14 de janeiro de 2010 1

Já vi este filme em Honduras. E, se deu certo lá, vale repetir aqui. Trouxemos pelo menos 10 folhas com a inscrição "Press - Brazil" e afixamos nos vidros de nossa caminhonete.


Neste local ermo, abastecemos o carro. No meio do nada, de uma paisagem árida, com cáctus e tudo. Parecia o deserto. Até rio sem água tinha.


Retroescavadeiras a caminho do Haiti. Não há equipamentos e máquinas suficientes para ajudar na retirada dos corpos dos escombros.


A fronteira: de um lado militares da República Dominicana. De outro, haitianos tentando fugir do país. No meio, um velho e enferrujado portão.


Uma imagem controversa por uma ironia: logo após a fronteira, este lago com águas límpidas é a primeira imagem do Haiti. Bem diferente da que encontraríamos em Porto Príncipe.

Fotos: Rodrigo Lopes

Destruição maior está no centro e em bairro na região montanhosa de Porto Príncipe

14 de janeiro de 2010 1

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, encontra-se, neste momento, com o presidente do Haiti, René Préval. Na reunião, eles devem discutir um plano de ajuda brasileira às vítimas do terremeto. Em breve, o ministro brasileiro deve dar uma entrevista coletiva.

Nas ruas do trânsito caótica de Porto Príncipe, a baderna continua. Acabamos de testemunhar um princípio de confusão: um caminhão que vendia água às pessoas que passavam foi saqueado. 

No trajeto entre a fronteira da República Dominicana com o Haiti é possível enxergar inúmeros prédios que sucumbiram. As zonas de maior destruição são o centro de Porto Príncipe — onde uma base militar brasileira desabou e 10 militares morreram — e um bairro localizado na área de montanhas, local onde se situava o hotel das Forças da ONU.

Ouça o boletim na Rádio Gaúcha:

Dos 14 militares mortos, 10 estavam em base avançada

14 de janeiro de 2010 1

Não sabíamos em que estado encontraríamos a fronteira. Depois de estradas esburacadas, tempo árido, a vislumbramos aparentemente aberta. Nem nos pediram passaporte.

Entramos num Haiti ainda calmo.

Mas, chegando na Região Metropolitana de Porto Príncipe, via-se já um trânsito caótico, muito mais do que o normal, dando uma ideia dos transtornos na cidade.

Aqui à frente da Base Gen. Bacellar onde me encontro, há vários haitianos, pelo menos 30, caminhando desesperados, pedindo qualquer ajuda, sobretudo algo para comer. Todos os militares brasileiros em missão de paz foram encaminhados para esta base, as demais foram desativadas, numa espécie de concentração.

O ministro Nelson Jobim também está na Gen. Bacellar,  deve dar uma entrevista coletiva em breve.

Os corpos dos soldados brasileiros estão aqui, inclusive os dos dois gaúchos. Dos 14 brasileiros vitimados, 10 morreram na base avançada do Exército Brasileiro da missão de paz da ONU.

Ouça o meu boletim na Rádio Gaúcha:

Movimentação na fronteira é para ajudar, mas também para escapar do caos

14 de janeiro de 2010 0

Estamos praticamente na fronteira entre a República Dominicana e o Haiti.

O tempo é muito árido. Subimos montanhas, vimos rios secos, não há água. O cenário começa, cada vez mais, a se assemelhar ao ambiente que nos aguarda em Porto Príncipe.

Há vários veículos de resgate aqui na fronteira. A movimentação é grande para ajudar as vítimas do terremoto, mas também há muita gente procurando o país vizinho ao Haiti para escapar dos problemas causados pelos tremores.

Apesar de a República Dominicana ser uma alternativa para fugir do caos, o país pouco contribui com o Haiti, que conta mesmo com a ajuda humanitária dos países dos outros continentes.

Confira o meu boletim na Rádio Gaúcha:

Comunicação é a maior preocupação no Haiti

14 de janeiro de 2010 1

Ainda na República Dominicana, em direção à fronteira, fiz meu comentário no programa Gaúcha Atualidade à respeito da preocupação geral com a comunicação na ilha. Depois da fronteira, não sabemos o que vamos encontrar pela frente e como será para enviar boletins e material, já que as condições estão difíceis nesse cenário de caos. O único acesso ao Haiti é por terra, o aeroporto está fechado, as torres de comando estão com problemas no equipamento. Sabemos que receberemos algumas surpresas. Confira o comentário completo:

A caminho da fronteira

14 de janeiro de 2010 0

Ainda fazia noite escura no Caribe enquanto iamos em direção à fronteira com o Haiti, em uma rodovia semelhante a Free Way gaúcha. A partir de lá, no trajeto para Porto Princípe, a probabilidade era de encontrar estradas bastante danificadas.

Muitos veículos da imprensa internacional já estavam no país. O ministro da Defesa, Nelson Jobim também já havia chegado para auxiliar no resgate das vítimas.

Confira meu comentário no Gaúcha Hoje:

Poucos estragos na capital dominicana

14 de janeiro de 2010 1

Santo Domingo é uma cidade simpática.

No caminho entre o aeroporto e a cidade, que é longo, pode-se perceber mesmo à noite o típico estilo colonial das fachadas. A cidade está passando por problemas de abastecimento de energia elétrica. Por isso, muitas ruas estão às escuras. O taxista nos diz que a cidade sentiu muito o terremoto - do ponto de vista emocional e literário da palavra. Estragos por aqui, praticamente não vi até agora. Mas o turismo está em baixa.

stamos hospedados no Hotel Intercontinental, de frente para o Mar do Caribe.

O Malecón, calçadão da orla, está vazio.

Em Santo Domingo

14 de janeiro de 2010 0

Chegamos a Santo Domingo perto da meia-noite (2h aí no Brasil). Tarde para qualquer negociação.

Mesmo assim, tentamos conversar com alguns taxistas, para descobrir o melhor caminho para se chegar a Porto Príncipe. São quatro horas daqui da capital dominicana até a fronteira. Depois, em situações normais, mais uma hora até a capital do Haiti.

A sensação já é de que os taxistas estão se aproveitando da leva de jornalistas que está desembarcando aqui.

No nosso avião, vieram equipes do USA Today, Rádio Canadá, Al-Jazeera (que está pensando em fretar um helicóptero), O Globo e nós, entre outros velhos correspondentes, que a gente identifica pela câmera, pelos coletes e pelo cabelo grisalho de quem já enfrentou muitas histórias como esta.