Mesmo depois de cobrir guerras, presenciar a fúria do Katrina e sentir uma Honduras em convulsão política, o que vi aqui no Haiti, nestes últimos dias, me parece incomparável.
Por onde passávamos, havia corpos, pessoas abandonadas sob os escombros. A cidade de Porto Príncipe é sinônimo de devastação. O centro da cidade deve ser construído todo novamente. A impressão é de que, se não houver um grande investimento internacional no Haiti, dificilmente a nação irá se reerguer.
O clima é tenso. A polícia se mostra truculenta, disparando para o alto no menor indício de um novo saque, provocando correria na já caótica capital. Eu tive a minha máquina fotográfica furtada, uma reação natural de quem precisa sobreviver. Em outra oportunidade, vi haitianos amontoados, em meio ao caos e ao concreto, pegando fios de cobre para vender ou saqueando supermercados.
Mas também pude notar muita gente ajudado nos resgates, buscando vidas sob as ruínas. Um dos militares gaúchos me contou que conseguiu vaga num orfanato aberto pela companhia de engenharia da Força de Paz para uma menina que acabara de salvar.
São os dois lados de uma tragédia.
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