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Posts de janeiro 2010

Reportagem no Teledomingo - Haiti

29 de janeiro de 2010 1

Se você não viu a reportagem sobre o Haiti no Teledomingo, clique aqui

Catástrofe no Haiti - vídeo 0

24 de janeiro de 2010 1

Este vídeo mandei quando ainda estava em Porto Príncipe, com a qualidade prejudicada, claro, pela dificuldade de acesso à internet. Republico aqui.

Catástrofe no Haiti - Parte 3

24 de janeiro de 2010 0

Este é o terceiro e último vídeo que fiz no Haiti. Confira aqui

Um depoimento sobre o Haiti

24 de janeiro de 2010 0

Desde que voltei do Haiti, na semana passada, queria ter escrito aqui no blog um post de desabafo, uma espécie de expiação de tudo o que vi e senti lá. Não consegui. Mas na sexta-feira às 19h, o editor de Mundo de ZH Luciano Peres me telefonou. Eu começaria minhas férias, e a proposta poderia ser, nas palavras do chefe, “indecorosa”. Não era. Ele e o diretor de Redação Ricardo Stefanelli não sabiam o bem que estariam me fazendo ao propor que escrevesse um texto em forma de depoimento pessoal. Foi um desabafo e ajudou a amenizar meus pesadelos. O resultado você lê aqui.

Catástrofe no Haiti - Parte 2

24 de janeiro de 2010 0

Veja aqui o segundo vídeo da série que gravei no Haiti.

Catástrofe no Haiti - Parte 1

23 de janeiro de 2010 1

Veja o vídeo com os bastidores da cobertura da RBS no Haiti. Confira aqui

Polícia haitiana usa violência para impedir passagem pela fronteira

18 de janeiro de 2010 2

Confira o flagrante dos agentes da Polícia Nacional Haitiana surrando os haitianos que tentavam deixar a fronteira, pela República Domincana. Fiz a foto no momento em que nossa passagem foi autorizada. Ao passarmos, para abrir caminho para o carro, os policiais atacaram os haitianos.

Fotos: Rodrigo Lopes

Truculência policial na fronteira

18 de janeiro de 2010 0

Iniciando nosso regresso a Santo Domingo, as imagens que vemos na fronteira são impressionantes.   A fronteira é um portão de grades, apenas, e alguns populares que tentam atravessar são impedidos pela polícia. A truculência policial é imensa e não sabemos se isso é uma medida oficial ou não. Até o momento, a  fronteira estava aparentemente aberta e o trânsito livre, apenas agora é possível ver essa dificuldade pra passar. Talvez a razão do problema seja que a maioria dos haitianos não tem carteira de identidade, nem muito menos passaporte. Confira meu boletim completo na Rádio Gaúcha:

Catástrofes revelam o melhor e o pior do ser humano

18 de janeiro de 2010 2

Mesmo depois de cobrir guerras, presenciar a fúria do Katrina e sentir uma Honduras em convulsão política, o que vi aqui no Haiti, nestes últimos dias, me parece incomparável.

Por onde passávamos, havia corpos, pessoas abandonadas sob os escombros. A cidade de Porto Príncipe é sinônimo de devastação. O centro da cidade deve ser construído todo novamente. A impressão é de que, se não houver um grande investimento internacional no Haiti, dificilmente a nação irá se reerguer.

O clima é tenso. A polícia se mostra truculenta, disparando para o alto no menor indício de um novo saque, provocando correria na já caótica capital. Eu tive a minha máquina fotográfica furtada, uma reação natural de quem precisa sobreviver. Em outra oportunidade, vi haitianos amontoados, em meio ao caos e ao concreto, pegando fios de cobre para vender ou saqueando supermercados.

Mas também pude notar muita gente ajudado nos resgates, buscando vidas sob as ruínas. Um dos militares gaúchos me contou que conseguiu vaga num orfanato aberto pela companhia de engenharia da Força de Paz para uma menina que acabara de salvar.

São os dois lados de uma tragédia.

Ouça o meu boletim na Rádio Gaúcha:

ONU na busca por dois brasileiros que ainda estão desaparecidos

18 de janeiro de 2010 0

A segunda-feira começou como mais um dia de sepultamento das vítimas do terremoto, com um sentimento maior de desesperança em achar outros sobreviventes. Existe uma cultura aqui de que estrangeiros não podem tocar os corpos dos haitianos. Por isso, o Brasil contratou cidadãos do Haiti para fazer o recolhimento dos cadáveres.

Os esforços da ONU, agora, estão voltados para encontar dois brasileiros que ainda estão desaparecidos. As buscas pelo coronel e pelo major desaparecidos se concentam na sede da Minustah, localizada no Hotel Christopher.

Nós, da RBS, devemos sair hoje de Porto Príncipe, encerrando a cobertura. Agora, resta a reconstrução ao Haiti. Fica muito difícil projetar qualquer tipo de futuro para um país abalado por duas ditaduras, depois por um regime corrupto e uma onda de violência, até a missão pacificadora da ONU, em 2004.

A volta da insegurança é a grande vilã.

Ouça o meu boletim na Rádio Gaúcha:

General brasileiro responde sobre operações de resgate

17 de janeiro de 2010 1

O dia começou com uma entrevista do general Floriano Peixoto (foto), comandante das forças de paz da ONU aqui no Haiti. Natural de Minas Gerais, ele passou a ser, na prática, a maior autoridade aqui. Não se sabe, por exemplo, de onde o presidente René Préval despacha. O número 1 da ONU morreu. O segundo também. Logo, todo o peso da responsabilidade recai sobre o general brasileiro, que respondeu firme às perguntas sobre as operações de resgate e ajuda aos haitianos, mas ainda emociona-se ao lembrar que escapou por pouco de morrer no terremoto. Se estivesse no país, estaria em sua sala, no Hotel Cristopher, recebendo uma comitiva chinesa em visita ao Haiti. Foi lá que morreram dois miliares brasileiros – e três permanecem desaparecidos.

>>> Leia aqui a entrevista com o general

Fomos também a Cité Soléil, a emblemática favela de Porto Príncipe. Foi a primeira vez que entrei no bairro sem colete à prova de balas. Das outras vezes em que estive aqui, acompanhei patrulhas com o Exército. Nos primeiros anos aqui, as tropas sequer ingressavam no território, onde a lei era ditada a tiros de fuzis pelos senhores de Cité Soleil. A muito custo, o Brasil conseguiu pacificar a área: numa grande batalha, que envolveu centenas de soldados e 34 dias de confronto. Depois, usou as chamadas ACISO – Ações Cívico-Sociais. Conquistou os corações e mentes dos haitianos do bairro. O risco agora é perder todo este trabalho. Muitos dos antigos líderes de gangues do local fugiram da penitenciária nacional, que ruiu, e teriam voltado para Cité Soleil.

O professor Ricardo Seitenfus (foto), amigo e professor da UFSM, voltou hoje aos escombros do prédio onde morava. Acabou machucando a testa, ao tentar entrar no que sobrou do edifício. Seu apartamento era o último. Por isso, seus móveis ainda estão expostos sobre o telhado. Foi uma visita emocionante. Nos escombros, ainda estão os corpos de duas meninas francesas, que tinham chegado ao país e estavam superfelizes, segundo o professor. Ricardo, que é o chefe da missão da OEA por aqui, estava de férias no Rio Grande. Por isso, se salvou. Voltou às pressas ao Haiti num voo da FAB, enquanto muitos diplomatas do Banco Interamericano de Desenvolvimento fugiam do país.

Cena de cortejo fúnebre emociona

17 de janeiro de 2010 12

Cena que eu ainda não havia visto por aqui: cortejo fúnebre. Aliás, o mais comum aqui é abrirem uma cova comum e jogarem dezenas de corpos dentro. Ou os corpos ficarem expostos na rua (coisa que já diminuiu bastante). Por isso, a cena singela de um cortejo fúnebre — um ser humano tendo um enterro digno — fez a diferença.

Medo no supermercado

17 de janeiro de 2010 1

No retorno para a base, uma surpresa: um mercado aberto. Paramos, e no portão de grade, homens armados impediam a entrada. O dono abriu apenas para estrangeiros. Nos identificamos e entramos. Lá dentro, um oásis ocidental: refrigerante, água, chocolates, pasta de dentes, tudo aquilo que a gente só passa a dar valor quando não se tem por mais de dois dias. Comecei a encher o cestinho, como uma criança numa loja de brinquedos. Mas o nosso intérprete corria. Martineau estava preocupado.

— O que houve? — perguntei.

— Não é bom ficar aqui.

Só então caiu a ficha. Local coberto, supermercado, novas réplicas do terremoto. Palavras que me deixaram também preocupado. Lá nos caixas, na frente, equipes do Unicef pagavam suas compras tranquilamente. Apressei nossa equipe:

— Vamos sair logo…

Diante da fila, pensei em largar tudo o que estava no cesto e sair (já fiz isso várias vezes aí em Porto Alegre, nos supermercados, quem nunca fez…?) Mas decidi ficar desta vez. Parecia sólido o prédio. Mas minutos antes, centenas como aqueles eu havia visto perto dali no chão. Foram intermináveis 15 minutos lá dentro até conseguir pagar e deixar o prédio.

***

Deixar o supermercado é outra novela. Coisas simples do dia a dia, que aqui se tornam complexas. Como saí na frente, fiquei esperando o fotógrafo da Folha de S. Paulo, que estava conosco. Ele ainda pagava. Eu, o motorista e o intérprete esperávamos no pátio. De repente, um estampido de tiro. Olho para trás, e um homem com uma pistola corre. — Sequestro — gritam alguns, em crióle. Expliquei a diferença entre sequestro e roubo de carro ao nosso intérprete e ele garantia que o haitiano tinha dito “sequestro”. Apressei o colega da Folha, o Caio, e saímos todos juntos. Corremos até o carro: 15 a 20 passos. Agora, éramos nós que tínhamos os produtos — portanto, alvos potenciais dos saques.


Trabalho de resgate continua

17 de janeiro de 2010 1

Tivemos acesso ao Hotel Montana, onde ficavam os alojamentos dos funcionários das Nações Unidas — muitos deles mortos em seus escritórios no hotel próximo, o Cristopher. Ambos foram um dia grandes hotéis de Pétionville, nas montanhas que circundam a cidade. Ao chegarmos lá, uma boa notícia: os bombeiros do Distrito Federal, que chegaram ao local, conseguiram identificar três sobreviventes sob os escombros. Comunicavam-se em francês. O coronel responsável pela operação estava entusiasmado.

— É um dos últimos lugares com pessoas vivas — afirmou.

Até as 9h15min de sábado (0h15min de domingo), eles não tinham conseguido encontrar os corpos.



***

Fomos também aos escombros de um grande supermercado. Lá, são equipes de resgate americanas que trabalham. Do alto de um prédio ao lado, pudemos observar o trabalho. Havia duas mulheres vivas nos escombros.

Retrato do sofrimento haitiano

17 de janeiro de 2010 2

Ainda não havia entrado em um hospital haitiano. Por isso, aproveitei a tarde para ir até o Hospital Universitário da Paz. No pátio barracas. Uma imagem triste, mas suportável. Porém, ao cruzar o portão, havia haitianos pelos chão, enfaixados, com os rostos cobertos, membros amputados, gritos de desespero, toda a sorte de horrores. Achei que o olhar da câmera me manteria à distância deste sofrimento. Mas não consegui dar mais do que 20 passos lá dentro. Além das cenas fortes, há o risco de epidemia (havia também muitas moscas no local). Voltei ao carro.

Nosso intérprete (não perca a história do Martineau em ZH deste domingo), que até hoje nos guiava pelas ruas tomadas por prédios desabados com rapidez, segurança e um aparente distanciamento, entrou no carro também.

— Meu Jesus — disse Marineau.

— Tá difícil — suspirei, em direção ao motorista dominicano, o Miguel, que havia ficado no veículo, com o ar-condicionado ligado.

— Jornalista aguenta tudo — me respondeu ele.

— Se vocês não estão aguentando, é porque a coisa tá muito feia, meu Deus — prosseguiu.

— Não aguentam tudo — pensei.

Respirei fundo. E fui de novo. Mas Martineau ficou. Desde que começamos a cobertura, eu ficava intrigado sobre o que passava pela cabeça dele, enquanto nos guiava por sua cidade devastada. Ficava me imaginando fazendo isso a um estrangeiro em Porto Alegre… Colocava-me no seu lugar. Naquele momento, ali na frente do hospital, Martineau fungou. E a lágrima correu pelo seu rosto negro, misturando-se ao suor. Apesar de todo o sofrimento, eu não tinha visto nenhum haitiano chorar até agora. E quando isso acontece é porque realmente não há mais esperança. Não, não são os jornalistas que aguentam tudo. São os haitianos, como o Martineau, que aguentam tudo. Ou pelo menos aguentavam até a terra tremer.