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Posts de março 2010

O site dos rebeldes chechenos

31 de março de 2010 2

Veja aqui o site usado pelos chechenos extremistas para fazer suas manifestações. Foi por meio deste portaç que o líder Doku Umarov reivindicou a autoria das explosões no metrô me Moscou, na segunda-feira. O site tem informações em turco, russo e inglês. E uma curiosidade: eles procuram um voluntário pra ser tradutor do russo para o inglês.

A vitória da negociação

31 de março de 2010 0

Tem obtido sucesso o governo da Colômbia ao negociar com as Farc a libertação de reféns. Só que agora, ao soltar ontem o militar que estava há 12 anos no cativeiro da guerrilha chega ao fim o processo de libertações unilaterais e incondicionais que vinham ocorrendo desde o ano passado, inclusive com a mediação do Brasil.

No total, seis reféns foram soltos. Uma vitória do governo, uma vitória para as famílias dos sequestrados…

E a partir de agora, as Farc, bastante enfraquecidas, pretendem retomar o diálogo para um acordo humanitário que colocaria em liberdade os 22 militares que ainda estão em poder da guerrilha, em troca da libertação de centenas de rebeldes presos. O presidente Álvaro Uribe já manifestou sua posição a favor de uma negociação com a guerrilha, sob condição de os rebeldes soltos abondonarem as armas.

Essa negociação tem dividido a opinião dos candidatos que disputarão a presidencia em maio. O debate é em torno de aceitar o diálogo com a guerrilha, insistir no método de resgates militares forçados ou levar as Farc a darem continuidade às libertações incondicionais. A última opção parece que está dando certo. Só pra lembrar: Uribe tentou um projeto para se candidatar novamente nas eleições do mês que vem, seria seu terceiro mandato, mas a medida foi rejeitada pela Justiça.

A marca das Viúvas Negras

29 de março de 2010 0

Os atentados no metrô de Moscou trazem a marca das Viúvas Negras, um grupo criado por mulheres que perderam maridos e filhos durante a invasão do território da Chechênia, a montanhosa região do Cáucaso, nos anos 90. Cerca de 100 mil pessoas morreram no auge do conflito, em 1994. Elas se vestem de preto dos pés a cabeça e usam cinturões recheados de explosivos. Não é a primeira vez que atacam. Elas se tornaram famosas naquela tragédia em um teatro de Moscou, em 2002. Elas invadiram o local e fizeram vários reféns durante um show musical. Sua notoriedade ficou ofuscada pelo fiasco da operação policial, na qual mais de 150 reféns morreram.

Ao contrário das mulheres-bomba do Oriente Médio, elas não tem grande apoio popular. O que as move, mais do que o extremismo, é o desejo de vingança.

Obama visita o Afeganistão

28 de março de 2010 0

Em segredo. Esta é a única forma que presidentes americanos, seja Bush ou Obama, conseguem viajar com tranquilidade ao Afeganistão. A visita do atual inquilino da Casa Branca ao território afegão é cercada de significados. Desde a campanha, em 2008, até seus primeiros gestos, Obama tem deixado claro que vê a região central da Ásia como o celeiro do terrorismo internacional. Nos últimos anos, a milícia Talibã voltou a ter força, reconquistou algum terreno e cooptou novos seguidores. A fronteira porosa com o Paquistão é um dos problemas, a região tribal, onde estariam membros da Al-Qaeda, misturados a chefes locais, numa sociedade quase medieval, uma outra dificuldade enfrentada pelos EUA na área.

Veja aqui as fotos da cobertura da viagem de Obama, publicadas pelo The New York Times.

Retirada de pessoas das ruas de Porto Príncipe é desafio hercúleo

24 de março de 2010 0

Com 1 milhão e 200 mil desabrigados, o Haiti tem um mês para tirar as pessoas das ruas antes do início da época das chuvas e, logo em seguida, da temporada de furacões. O plano de reconstrução do Haiti será discutido na conferência da ONU, no dia 31, em Nova York. Ontem, o primeiro-ministro do país, Jean-Max Bellerive, que está no Rio de Janeiro, rebateu as acusações de corrupção no governo - sabe-se que o Haiti é um dos países mais corruptos do mundo - e defendeu um controle maior sobre ONGs. São mais de 400 atuando no país.

O chanceler Celso Amorim disse que as favelas cariocas são como um condomínio de classe média se comparadas a Cité Soleil, a maior favela do Haiti.

Olhar o legado do terremoto do dia 12 ainda assusta: mais de 200 mil mortos, 250 mil casas destruídas, 400 mil deslocados em busca de parentes. E a urgência de tirar os desabrigados das ruas antes das chuvas esbarra na falta de recursos. O Haiti, no meio do Caribe, está próximo à área de formação de furacões do Atlântico. Eles geralmente se formam a partir de tempestades que se originam no oceano Atlântico, passam pelo Haiti, seguem por Cuba e só depois chegam ao sul dos Estados Unidos.

Em 2004, semanas após aquele jogo entre Brasil e Haiti, o furacão Jeanne chegou a matar mais de 3 mil pessoas no Haiti. Depois dele, já vieram muitos, sempre com mortos na faixa dos 500, 800. E pior: a temporada de furacões 2010 será mais intensa que o normal e existem altas chances de que tempestades tropicais e algum ciclone de grande força atinjam diretamente o Caribe. Um relatório aponta para a possível formação de entre 11 e 16 tempestades tropicais no Oceano Atlântico (a média histórica fica entre nove e 10).

A nova biografia de Obama

23 de março de 2010 0

Para conquistar a grande vitória até agora de seu mandato (e provavelmente a maior delas, aquela que vai ficar como legado), a aprovação da reforma da saúde, o presidente Barack Obama colocou em campo todas as qualidades que o tornaram um dos presidentes mais populares dos EUA: a perfeita retórica, ligou pessoalmente para mais de 90 deputados; propôs uma conversa pública com líderes republicanos, opositores, num debate transmitido ao vivo pela TV durante um dia inteiro; e, por fim, entrou em campo a vitoriosa equipe da eleição, comandada por David Axelrod, o mentor, o estrategista da campanha, que, como poucos, sabe usar a internet para atingir objetivos políticos.

Aproveitando esse momento em que Obama volta a ser idolatrado pelos apoiadores e crucificado pelos adversários, vale lembrar que vem aí um nova biografia do presidente americano, baseada em conversas com ele, a família e assessores. No próximo dia 6, será lançado nos EUA o livro The Bridge: The Life and Rise of Barack Obama (A Ponte: A vida e a Ascensão de Barack Obama). Foi escrito pelo jornalista David Renmick, um dos grandes editores da revista New Yorker, conhecido pelo texto maravilhoso. Inclusive estou aqui na minha frente com um dos últimos livros deste jornalista, Por Dentro da Floresta, em que ele traça perfis de Tony Blair, Al Gore, Mike Tyson, naquele estilo que só a New Yorker tem, detalhista, interessante, o melhor do jornalismo literário. Lembrando que as duas autobiografias de Obama, Sonhos do Meu Pai e A Audácia da Esperança (disponíveis aqui no Brasil), tornaram-se best-sellers.

Obama ameaçado de morte pelo Twitter

22 de março de 2010 4

O post é simples, mas despertou o alerta nos serviços de inteligência americanos. Por meio do Twitter, um internauta ameaçou de morte o presidente Barack Obama, depois da aprovação da reforma na saúde. Veja o que diz o texto do post:

“Assassinato! EUA, sobrevivemos aos assassinatos de Lincoln e Kennedy. Com certeza vamos superar uma bala na cabeça de Obama”.

Os serviços secretos estão rastreando o autor, identificado apenas como Solomon “Solly” Forell, responsável por vários blogs de críticas a Obama.

Gaúcho é eleito deputado na França

21 de março de 2010 3
Nascido no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Eduardo Cypel, 34 anos, foi eleito neste domingo conselheiro regional na França, cargo equivalente ao de deputado estadual no Brasil.
Filiado ao Partido Socialista, oposição ao presidente Nicolás Sarkozy, o gaúcho conquistou o cargo pela a Ile-de-France, na grande área metropolitana de Paris. A lista pela qual concorreu fez 57% dos votos.
As regiões são mais ou menos como os Estados no Brasil. Pode-se, então, fazer um paralelo entre os conselheiros regionais na França e os deputados estaduais brasileiros. A grande região parisiense tem 11 milhões de habitantes e um orçamento de 5 bilhões de euros por ano.
Em 2008, Cypel foi eleito vereador (conselheiro municipal) pela cidade de Torcy, a 20 quilômetros de Paris. Membro do conselho nacional do Partido Socialista (PS), Cypel mudou-se para o país há 23 anos, quando criança. O pai ia fazer pós-doutorado em Paris. A família acabou ficando, e o gaúcho, que tem dupla cidadania, direcionou seus estudos para as áreas sociais. Formado em Filosofia pela Universidade Paris 12, o gaúcho buscou especialização no Instituto Sciences Po, berço acadêmico de figuras como os ex-presidentes Jacques Chirac e François Mitterrand.
– As principais atribuições das administrações regionais são transporte público, desenvolvimento econômico, habitação e cultura – explica Cypel.
A região também desenvolve parcerias e cooperações internacionais. Assim, a Île-de-France tem parceria com a cidade e com o Estado de São Paulo (desenvolvimento econômico, pesquisa e cultura). As eleições regionais (22 na França e mais seis de além-mar) são uma espécie de termômetro para medir forças entre os diferentes partidos para as eleições presidenciais de 2012.

O bicho homem poluindo a Lua

19 de março de 2010 2

Hoje, é sexta-feira, eu selecionei uma assunto mais light, em meio a uma semana tensa no Oriente Médio, visita do presidente Lula, nesta noite passada inclusive com lançamento de foguetes Qassam palestinos, resposta de Israel com ataque a Gaza... Mas vejamos uma notícia de fora do mundo.

Está causando polêmica nos EUA o destino que deve ser dado aos restos das missões espaciais, como a Apolo 11, na Lua. Curiosidade: quando deixaram o satélite natural, em 1969, os astronautas Aldrin e Neil Armstrong deixaram para trás mais de cem objetos, entre elas quatro sacolas de urina, vários sacos para enjoo provocado pelo voo, uma câmera fotográfica, botas lunares e uma escada para descer da espaçonave ao solo lunar. Outra curiosidade: as pegadas dos astronautas na Lua estão mapeadas, assim como a “zona de despejo” - esse depósito de lixo. Tudo está supostamente bem preservado, já que a ausência de uma atmosfera significa que não há movimento de ar na Lua.

Os preservacionistas da Califórnia acham que esse material deve ser protegido por alguma lei, sendo considerado recurso histórico. Os arqueólogos espaciais temem que futuras missões, ou possivelmente turistas lunares, possam saquear ou até mesmo destruir esse “local sagrado da história mundial”. Eles estão preocupados que o lixo e os equipamentos das viagens à Lua possam acabar um dia à venda em sites de leilão da internet como o e-Bay.

O sistema solar é um museu extraterrestre (lixo, para a maioria das pessoas)... com um acervo de milhares de toneladas de restos espaciais. Em Marte, há restos de sondas... E na Lua, cerca de cem toneladas de lixo metálico e plástico.

Tempos difíceis

16 de março de 2010 3

Momento conturbado este que o presidente Lula escolheu para alçar voo ao Oriente Médio. Naquela região explosiva, qualquer detalhe não pode ser determinante para um futuro imediato de paz ou de guerra. Vejam só a manchete dos jornais internacionais desta quarta-feira: “Lula critica muro construído por Israel e condena o embargo israelense aos palestinos.” Só que o presidente brasileiro disse isso durante a visita a Cisjordânia dos palestinos, horas depois de sair do território israelense. Pra agradar os palestinos, é verdade. Só que, enquanto esteve em Israel, silenciou sobre o assunto.

Durante a viagem, o presidente tem se mantido otimista com relação ao diálogo de paz, na contramão do clima de ansiedade mundial por causa do congelamento das negociações e declarado pessimismo dos EUA, que suspenderam a visita do enviado especial, prevista para ontem.

Longe dos encontros onde Lula estava, um dia de fúria deflagrado pelos palestinos contra a construção de novos assentamenos judaicos na região. Israel tem irritado os aliados mais próximos, como os EUA, ao anunciar a construção de novas 1.600 casas em um bairro da Cisjordänia anexado ao município de Jerusalém na seção oriental, ocupada na Guerra dos Seis Dias.

Tudo isso, leva EUA e Israel à pior crise nas relações em 35 anos. O último grande embate foi em 1975, quando a Casa Branca pressionava Israel para que retirasse suas tropas da península do Sinai, região do Egito ocupada entre 1967 e 1982.

E a visita de Lula ainda tem o componente iraniano. O Brasil foi criticado por Israel por receber o presidente Mahmoud Ahmadinejad por aqui. Na terça-feira, o diretor do Museu do Holocausto pediu que o brasileiro leve um recado ao líder iraniano. A real prova de Lula virá daqui dois meses, quando a expectativa será de um encontro entre os dois em Teerã.

França e a derrota de Sarkozy

16 de março de 2010 0

As eleições regionais na França são uma prévia da sucessão presidencial. E, a se confirmarem os primeiros resultados de domingo, começa a cair a casa do presidente Nicolas Sarkozy. O Partido Socialista, de oposição, passou a ser de novo a principal força política francesa, deixando os conservadores em segundo plano. Foi uma vitória apertada, é verdade: 29,5% contra 26,2% dos votos. Mas um acordo que está sendo negociado entre os socialistas e os verdes (representados pela aliança Europa Ecologia) pode decretar de vez a derrota do partido de Sarkozy no segundo turno, que ocorre no próximo domingo.

Obedecendo a uma tendência na Europa, a direita do incansável Jean-Marie Le Pen voltou a ter alguma representatividade: conseguiu 12%.

Surpreendente foi a participação - o voto lá não é obrigatório. Apenas 46% dos franceses (nem a metade!) compareceu às urnas.

A cartada brasileira no Oriente Médio

15 de março de 2010 2

Ao viajar ao Oriente Médio com a clara (e auto-intitulada) missão de ser o mediador da crise no Oriente Médio, o presidente Lula dá uma de suas últimas cartadas no tabuleiro internacional, antes de deixar o governo. E sua mais ousada jogada na área diplomática. A visão é de que os EUA, tradicional mediador das negociações na região, é parte interessada no processo e visto com desconfiança pelos palestinos por ser aliado de Israel. O Brasil, portanto, seria neutro – e mais capacitado na visão de Lula para chegar a um acordo. O Brasil aproveita-se de que EUA e Israel vivem uma crise de desconfiança já que o governo Barack Obama tem se mostrado contrário à construção de mais 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, território ocupado por Israel.

A questão do Irã: Lula tem se manifestado contrário a mais sanções contra o regime dos aiatolás eé visto com desconfiança por setores mais duros de Israel por ter recebido Ahmadinejad aqui. O argumento do presidente será de que o Irã é um ator importante na região e pode ajudar no processo de paz. Por outro lado, quer que Ahmadinejad dê sua palavra de que não construirá a bomba atômica. E acha inclusive que o Irã pode contribuir nas negociações entre israelenses e palestinos porque tem influência de peso no lado palestino.

No auge das pretensões, o Brasil quer até mediar diretamente o diálogo entre o Fatah e o Hamas, as duas facções palestinas em guerra. O Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em junho de 2007, após um confronto fratricida entre as duas forças. Desde então, o território é uma área sem lei, dominada pelos extremistas. Só a união entre os palestinos, segundo Lula, pode levar a uma negociação séria com os israelenses.

O dragão em alerta

13 de março de 2010 0

Reportagem da rede Al-Jazeera sobre o crescimento do consumo de heroína e outras drogas no gigante. Veja aqui

Para escutar na tarde de sábado

13 de março de 2010 0

Inesquecível aquele sábado. Frio!!!!! Washington mobilizada, linda, respirava democracia, novos tempos. Um som para curtir a tarde de hoje, lembrando a fantástica apresentação do U2 no Lincoln Memorial, em Washington, nas vésperas da posse de Obama. Sem dúvida o mais lindo espetáculo que já vi. Clique aqui

O nosso olhar sobre o Haiti

13 de março de 2010 0


Amigos, esta semana completaram-se dois meses da tragédia no Haiti. Terminamos um especial sobre os dias em que eu e o cinegrafista Fernando Rech passamos lá. Ficou bem como eu imaginava: forte, humano, mostra as dificuldades que enfrentamos lá, mas, além disso, revela a força de um povo, a esperança de dias melhores, a ajuda dos militares brasileiros e, claro, o caos que se instalou logo após o terremoto: saques e violência aliados à miséria crônica.

A edição é do Caio Pompeu, colega que me acompanhou na cobertura da posse do Obama em Washington e agora trabalha no Teledomingo aqui em Porto Alegre. É dele também a trilha, que ficou bem bacana. Espero que apreciem. Será às 20h de domingo, na TVCOM.

Abraços e bom fim de semana!