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Posts de junho 2010

O dia D no Conselho de Segurança

09 de junho de 2010 1

Logo mais às 11h (horário de Brasília) acontece em Nova York, na sede da ONU, a mais importante reunião do ano até agora. Na sala do Conselho de Segurança, os 12 países com assento no órgão vão votar a mais dura resolução contra o Irã. Não se trata de fazer apostas, nem pesquisa eleitoral, mas tudo indica que a medida vai passar – à exceção de Turquia e Líbano, as demais nações votarão favoravelmente à resolução, inclusive China e Rússia (membros permanentes do Conselho, tradicionais aliados do Irã e com poder de veto). A incógnita é o Brasil.

Todo mundo sabe que o governo brasileiro é contrário à medida – queria o prolongamento das negociações, tendo como base o acordo fechado com o governo de Mahmoud Ahmadinejad. Mas ninguém sabe como votará.

Não se trata de misturar os assuntos, mas tradicionalmente na Comissão dos Direitos Humanos o Brasil se abstém de votar contra o regime cubano. Votará contra os EUA?

A hora de parar

08 de junho de 2010 0

Durante quase 50 anos, Helen Thomas entrou praticamente sem se identificar pelos portões da Casa Branca, caminhou em direção ao Salão Oval, o gabinete do presidente, sentou-se na primeira fileira da sala de entrevistas e teve o direito de fazer a primeira pergunta da coletiva. Hoje, Helen não estará lá. Sua aposentadoria foi anunciada ontem pelo Hersh News Service, a agência para a qual trabalhava nos últimos anos, depois de passar por praticamente todas as agências de notícias, como correspondente da Casa Branca.

Aos 89 anos, Helen é a repórter mais antiga dos EUA. Cobre o governo desde os anos 60, no mandato de John Kennedy. Neste período, tornou-se conhecida pelas perguntas duras, colocando contra parede os presidentes em períodos incômodos como os da época do Watergate.

Na sua biografia, escrita há dois anos, comentou que estava cobrindo o pior presidente da história americana. Falava de George W. Bush. Foi colocada na geladeira. Na semana passada, no auge da crise na costa de Gaza, por causa da da reação israelense à viagem da frota que transporatava ajuda humanitária, ela afirmou:

- Os judeus deveriam deixar os territórios palestinos e voltar para a Alemanha e Polônia.

Foi a gota d’água. Dias depois, ela admitiu o comentário infeliz. Pediu desculpas. E ontem veio a aposentadoria. Um fim um tanto melancólico para uma grande carreira. Respeitáveis 89 anos de vida e 50 de jornalismo. Por isso é sempre salutar saber a hora de parar.

Tensão na madrugada

04 de junho de 2010 1

A madrugada é tensa na costa do Oriente Médio. O navio Rachel Corrie deve atingir a zona de exclusão marítima até a manhã deste sábado. O navio teve a velocidade reduzida pela tripulação para não chegar a esta área à noite. O chanceler israelense, Avignor Lieberman reafirmou na tarde de hoje que o país vai impedir que os ativistas rompam o bloqueio.

- Nós vamos parar o navio e também qualquer outro barco que tentar ameaçar a soberania israelense. Não há chance de o Rachel Corrie chegar à costa de Gaza – disse o ministro.

Comunicado israelense

04 de junho de 2010 2

Acabo de receber o seguinte comunicado da embaixada de Israel:

Declaração do Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel Navio Rachel Corrie

Gostaríamos de divulgar, mais uma vez, a mensagem que foi entregue tanto nos canais públicos como nos privados para o navio Rachel Corrie, que segue em direção à Gaza:

“Nós não desejamos nenhum confronto. Nós não queremos embarcar no navio. Se o navio decidir seguir para o porto de Ashdod, iremos garantir a chegada segura e não embarcaremos.

Israel está preparado para receber o navio e para descarregar o seu conteúdo.

Depois de uma inspeção para garantir que nenhum armamento e material de guerra se encontram a bordo, estamos preparados para entregar todos os bens para Gaza.

Representantes dos participantes a bordo e das ONGs são convidados a acompanhar as mercadorias até a área de passagem para Gaza.

Vamos trabalhar com a ONU e organizações internacionais para assegurar que todos os bens sejam utilizados em benefício do povo de Gaza “.

Por que Rachel Corrie?

04 de junho de 2010 0

O navio irlandês que nas próximas horas deve entrar na área de exclusão na costa da Faixa de Gaza chama-se Rachel Corrie. O nome é uma homenagem a Rachel Aliene Corrie, uma americana membro do International Solidarity Movement (ISM). Ela morreu em março de 2003, na Faixa de Gaza, quando tentava evitar que máquinas israelenses derrubassem a casa de um líder palestino chamado Samir Nasrallah. Israel alega que a morte foi provocada porque o operador do buldozer D9 não viu a ativista. O The New York Times informou que Rachel e outros membros atuavam como escudos humanos.

Ex-primeiro-ministro deve ser o primeiro a cair em Israel

01 de junho de 2010 3

Só agora, com mais calma, consegui ler algumas reportagens dos jornais israelenses sobre o ataque de ontem. Desde o início do dia, já havia ouvido por aqui algumas das repercussões na imprensa israelense, a maioria detonando o ataque. Mas não havia conseguido parar para ler os artigos com calma. Agora, o fiz.

Os títulos são fortes e todos criticando duramente o governo. Alguns dos mais influentes jornais trazem em editoriais perguntas como “Onde estavam com a cabeça?” ou títulos como ˜Completa estupidez”, “Liderança de tolos”.

Sima Kadmon, articulista do Yedioth Ahronoth, o jornal com a maior circulação de Israel, faz um duro ataque ao governo: “Quase tudo o que fazemos nos últimos anos é afetado por alguma deficiência, por falta de inteligência… para incorrer na negligência”.

Outro jornalista influente, Eitan Haver, afirma que a questão poderia ter sido resolvida de forma pacífica e diz que o exército errou ao optar pela força. O título “Uma liderança de tolos”, que citei acima, é do jornal Maariv. No artigo de Ben Dror Yamini. O Haaretz diz que nenhuma explicação pode justificar o crime que foi cometido, nem há desculpa para a estupidez com que o governo e o exército atuaram.

Com a pressão da imprensa israelense, um dos primeiros a cair deve ser Ehud Barack, ex-primeiro-ministro e atual ministro da Defesa. Mas, embora em última análise, a responsabilidade pelos atos de seus militares seja dele, não se sabe, até agora a que altura da cadeia de comando chegou a ordem para interceptar a frota.

Os vídeos da frota

01 de junho de 2010 0

Nesta página oficial do The Free Gaza Movement (veja aqui), informações sobre os barcos com ajuda humanitária que tentam furar o embargo israelense e as últimas notícias com as versões do lado dos ativistas. Nesta página, vídeos produzidos pela frota (aqui), entre eles um reproduzido pela CNN com cenas gravadas pelos tripulantes na hora do ataque.

Os vídeos de Israel

01 de junho de 2010 0

Praticamente todos os vídeos divulgados até agora sobre a invasão israelense da frota de ajuda humanitária têm como fonte o governo israelense. É possível ver todos na página da embaixada israelense (aqui). É uma visão parcial do ataque.

Nova tentativa de furar bloqueio israelense

01 de junho de 2010 1

O Movimento Gaza Livre, que organizou a frota atacada por Israel na madrugada de ontem, informou que uma nova embarcação partiu a caminho da Faixa de Gaza e que tentará furar o bloqueio israelense. O barco com ajuda humanitária teria partido na segunda-feira de Malta, e a previsão é de que chegue ao território palestino até sexta-feira. Há informações de que Israel se prepara para uma nova interceptação. Há 15 tripulantes a bordo.

Nem oito nem 80

01 de junho de 2010 12

Israel diz que a Frota da Liberdade era integrada por terroristas com ligações com o Hamas, a Jihad e a Al-Qaeda. A comunidade internacional afirma que se tratava de uma missão pacífica. Nem oito nem 80. Não se pode descartar que haja integrantes dos grupos extremistas na tripulação de mais de 700 pessoas. Mas também não se pode desconsiderar que não houvesse ativistas interessados apenas na causa da paz. Aprendi na guerra do Líbano, em 2006, que no Oriente Médio a verdade nunca tem apenas um rosto.