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A máquina de desinformação americana

21 de julho de 2010 2


Uma hidra, monstro mitológico de várias cabeças. Assim pode-se dizer dos serviços de segurança americanos hoje em dia. Só que, no caso dos EUA, uma cabeça não conversa com a outra e o corpo controla apenas algumas delas. A sensação de insegurança depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e o descomando do antigo regime Bush fez nascer uma intrincada rede de espionagem que, hoje, é impossível saber com precisão sua eficácia ou abrangência.

O assunto está sendo levantado esta semana por uma equipe de 20 jornalistas do The Washington Post, um dos melhores jornalões americanos, celebrizado por ter descoberto o Watergate, escândalo que culminou na derrocada do governo Nixon, em 1974. Trata-se de uma série de reportagens chamada "A América secreta demais", resultado de dois anos de investigação, que revela que, nove anos após os atentados, o mundo secreto criado pela Casa Branca, Departamento de Estado, Justiça e Pentágono é tão vasto, tão difícil de comandar que ninguém ao certo sabe quanto custa, quantos programas existem, quantos serviços batem cabeça e fazem a mesma coisa ou sequer o número de pessoas envolvidas.

A série, dividida em três dias, terminou hoje. Alguns números levantados pela reportagem: seriam ao todo 1.271 agências governamentais, 1.931 empresas privadas, 854 mil funcionários com acesso a informações sigilosas e 33 prédios construídos ou em construção apenas em Washington. A enorme máquina de "inteligência" americana produz relatórios em uma quantidade tão grande - por volta de 50 mil por ano -, que muitos deles são simplesmente ignorados. Veja a versão para a internet do trabalho clicando aqui

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Comentários (2)

  • Godofredo Antunes diz: 21 de julho de 2010

    Genial! É um serviço secreto tão secreto, mas tão secreto, que ninguém tem a menor noção de quem são nem o que fazem. Nem a extinta República Democrática Alemã, com sua famigerada STASI, era tão secreta...

  • Marciano Isotton diz: 21 de julho de 2010

    Um flerte com o comunismo e seus prédios sombrios atulhados de burocratas.
    Uma linha tênue separa a forma capitalista de manobra das massas da maneira comunista.
    Os norte-americanos tiveram muito talento para vender a sua democrácia e sua economia de mercado. É risível assistir à intervenção governamental na gestão de grupos privados.
    Para quem viu a derrocada soviética, agora a capitalista. Há de surgir um sistema que reúna os benefícios de ambas. Acho que engatinha.

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