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Posts de julho 2010

Obama em rede nacional

29 de julho de 2010 0

Barack Obama nunca temeu entrevistas. Pelo contrário, ao longo de seu mandato (ainda que os americanos esperassem mais do presidente depois dos obscuros anos Bush), tem tentado ser coerente com seus anos de senador e com a imagem que criou o slogan “Change, we can believe in”. Ainda que os lobbies e os falcões de Washington tentem o contrário.

Hoje, foi ao ar nos EUA, pela rede ABC, uma entrevista que Obama concedeu ao programa The View, um dos campeões de audiência, apresentado por um painel que inclui a jornalista Barbara Walters e a atriz Whoopi Goldberg. O presidente foi perguntado sobre os 20 meses de crise e respondeu em tom de brincadeira: “por onde começo?”

Segundo Obama, os desafios incluem “um esforço sem pausa para reativar a economia, também há o vazamento de petróleo (no Golfo do México), e tivemos ainda duas guerras e uma pandemia (gripe suína) para administrar”. O presidente destaca que apesar das dificuldades, a economia está crescendo novamente.

Na mesma entrevista, Obama revela seu segredo de administrador: “não perco muito tempo comigo, uso meu tempo me preocupando com vocês (os americanos)”.

Veja a íntegra da entrevista aqui

E abaixo o trecho que, na minha opinião, é o melhor: os altos e baixos do ano, em sua avaliação:


Catalunha acaba com a tradição das touradas

28 de julho de 2010 12

Sei que é tradição na Espanha, respeito tradições. Sei também que elas ganharam tons épicos e inspiraram Goya e Hemingway, dois mestres que admiro na arte e na literatura. Mas nas vezes em que fui à Espanha, nunca fui a uma tourada. O máximo que fiz foi fotografar a bonita arena de Barcelona, a Monumental.

Não sinto prazer nem curiosidade em assistir a um desses “espetáculos” (?) de coragem, sangue e dor. Quem tiver opinião contrária, respeito (e viva a democracia e o livre pensamento).

Agora, que o assunto é polêmico dentro e fora da Espanha, não há como negar. Hoje, o parlamento da Catalunha (região onde fica Barcelona e uma espécie de Rio Grande do Sul da Espanha por suas características diversificadas – e arroubos de separatismo – em comparação com o restante da Espanha), aprovou a proibição da prática.  Isso ocorreu graças a um movimento popular contra a tradição liderado por defensores dos animais e que gerou um amplo debate social e político.

Foram 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções.

A medida vale a partir de 1º de janeiro de 2012. Em 1991, as Ilhas Canárias já haviam abolido a tradição.

Por que os líderes de Washington não dormem

27 de julho de 2010 1

O informativo que mais tira o sono dos falcões do governo Obama – e certamente do próprio – não é exibido na CNN ou ABC, não se trata do The New York Times ou The Washington Post, também não viaja nas ondas das rádios americanas. Um dos responsáveis pelos fios cada vez mais brancos de Obama responde pelo nome de Wikileaks (do inglês Leak = vazar). Desde que foi criado, em 2006, o site do momento nos EUA já “fez vazar” 1 milhão de documentos sigilosos sobre escândalos militares americanos.

Já tratei dele aqui no blog e na coluna de ZH algumas vezes. Mas agora o site atingiu um grau de importância que seus dossiês têm sido reproduzidos pelos mais respeitáveis jornalões dos EUA. Nos últimos dias, 90 mil documentos foram revelados pelo site e desvelam sistemáticas violações dos direitos humanos e outros crimes de guerra cometidos pelas tropas americanas e da Otan no Afeganistão. Alguns textos falam inclusive sobre Osama bin Laden (daqui a pouco no meu comentário na Rádio Gaúcha)

Inicialmente, o site foi visto com desconfiança pelos jornalistas tradicionais. Mas, após sucessivas e importantes revelações, como a ideologia xenófoba de um partido político britânico e o ataque indiscriminado de militares americanos contra um cinegrafista da Reuters, Wikileaks passou a ser uma das páginas certas nos computadores dos gabinetes do Pentágono e da Casa Branca.

Veja o site aqui

Os ouvidos de Mohammed

24 de julho de 2010 0

A primeira vez que o ouvi falar sobre eles foi em 2006, no meio da madrugada, cruzando o Vale do Bekaa, no Líbano, a caminho de Beirute.

–Você não consegue ouvi-los, mas eles estão lá em cima – advertiu-me o motorista Mohammed, contratado para fazer a travessia entre Damasco, na Síria, e a capital libanesa.

De fato, o meu ouvido não diferenciava o som produzido pelos pneus do veículo nos buracos da estrada do ruído dos temidos MK, a quem Mohammed se referia apenas como “eles”. Trata-se de aviões não-tripulados israelenses cujo nome completo é Searcher MK. São aeronaves de espionagem. Na prática, monitoram os céus de uma região conflagrada e, ao identificar movimentação inimiga, emitem um sinal aos comandos em terra ou no ar para um possível ataque. Na guerra de 2006, eles eram utilizados por Israel para espionar atividades do Hezbollah – e o Vale do Bekaa era um dos enclaves da guerrilha. Eu não ouvia os MK, mas Mohammed, nascido e habituado àquele zumbido, sabia bem. Eles estavam lá em cima.

Lembrei daquela madrugada de agosto de 2006 na semana passada, quando a imprensa internacional passou a noticiar o aumento do número de operações envolvendo os Drones americanos. Como os MK, os Drones são pequenos aviões sem piloto. A diferença é que, enquanto os israelenses apenas espionam, os Drones matam. Isto mesmo: a aeronave de última tecnologia dispara bombas, longe dos olhos reais do piloto – longe dos olhos do mundo. São cada vez mais utilizados no Paquistão e no Afeganistão e estariam provocando vítimas civis. Uma nova e “limpa” forma de matar. O que Mohammed diria dos Drones? É hora de seus ouvidos também se atualizarem.

TEXTO PUBLICADO NESTE DOMINGO NA COLUNA DIÁRIOS DO MUNDO (LEIA A COLUNA AQUI)

Veja abaixo como agem os Drones:

Nota venezuelana

23 de julho de 2010 0

Recebi, da embaixada venezuelana no Brasil, o comunicado acima.

As supostas provas colombianas

23 de julho de 2010 1

Vejam as imagens apresentadas pela Colômbia à Organização dos Estados Americanos (OEA) como supostas provas da existência de acampamentos das Farc em território venezuelano. Vídeo do jornal colombiano El Tiempo. Hoje, a Venezuela reconheceu a presença de guerrilheiros em seu território, mas culpou a Colômbia por não ter controle na fronteira.

O risco é de um ato tresloucado entre Colômbia e Venezuela

23 de julho de 2010 4

O governo venezuelano deu 72 horas para que a embaixada da Colômbia em Caracas seja fechada, e os funcionários deixem o país. O anúncio de Chávez aconteceu depois que o governo colombiano fez uma queixa à OEA, dizendo que a Venezuela abrigaria em seu território acampamentos das Farc. Chávez usou palavras duras, referiu-se ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, como “presidente mafioso” e chegou a dizer que “no caso de uma guerra com a Colômbia, iria chorando, mas teria que ir…”

Chávez também colocou em alerta as tropas na fronteira com a Colômbia. Há pelo menos um precedente preocupante: em 2008, aviões colombianos atacaram um acampamento das Farc no lado equatoriano da fronteira. No episódio, morreram vários guerrilheiros, entre eles Raul Reyes, à época o número 2 das Farc. A Venezuela entrou na briga ao lado do Equador para protestar.

Agora, o risco é de que algo semelhante ocorra do lado venezuelano. Qualquer ataque a eventuais campos de treinamento da guerrilha no território da Venezuela, qualquer violação de fronteira, poderia ser encarado como um ato de guerra. Passível de retaliação

Álvaro Uribe está saindo do governo com a popularidade nas alturas (por volta de 70%), após oito anos na presidência. Mal ou bem (às custas de sucessivas violações aos direitos humanos, segundo ONGs), conseguiu golpear as Farc como nenhum outro presidente na história. Atualmente, a guerrilha está praticamente acéfala, teve suas principais cabeças decepadas. De quebra, Uribe conseguiu eleger seu sucessor. Eleito com 68% dos votos, Juan Manuel Santos é, ovbiamente, continuador das políticas de Uribe, mas não se sabe até o momento como irá se comportar com relação às Farc.

O ato de Uribe, de comprar de novo briga com Chávez, ao levar o caso às instâncias internacionais, é também um gesto de um presidente em fim de mandato, querendo escrever seu nome na História – e quem sabe retornar daqui alguns anos. Já Chávez, conhecemos bem suas bravatas. Tanto que misturou um assunto sério, como o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, com o futebol, ao convidar Diego Armando Maradona para participar de seu anúncio. Foi quase um chiste. E, como sabemos, sempre política e futebol se misturam, a democracia e o esporta saem perdendo.

O presidente Lula, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner e outros líderes da Unasul já telefonaram para Uribe e Chávez para pedir calma. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

Bons companheiros

22 de julho de 2010 0

O rompimento das relações entre Venezuela e Colômbia é apenas mais um capítulo da “briguinha” entre Hugo Chávez e Álvaro Uribe. O aspecto curioso ficou por conta do personagem que estava ao lado de Chávez no anúncio nesta tarde: Diego Armando Maradona, técnico da Seleção argentina que viajou a Caracas deixando o país à espera de seu “sim” para continuar no comando do time.

Basta uma pesquisa rápida no Google (veja acima) para perceber que a amizade de Maradona e Chávez é antiga. No domingo passado, o presidente venezuelano, durante seu programa de TV semanal, havia anunciado que o ex-craque argentino queria visitá-lo. O objetivo da viagem, segundo Chávez: jogar uma partida de futebol e outra de softbol.

- Maradona me chamou. Me disse que queria passar por aqui. E eu disse que queria jogar uma partida de futebol e outra de sofbol, e ele me disse que estava pago -, declarou o presidente venezuelano.

Maradona e Hugo Chávez mantém uma boa relação, os dois estiveram juntos em Caracas em 2009, quando o ex-craque deu seu apoio ao presidente venezuelano em um referendo, e assistiu os festejos nacionais.

A máquina de desinformação americana

21 de julho de 2010 2


Uma hidra, monstro mitológico de várias cabeças. Assim pode-se dizer dos serviços de segurança americanos hoje em dia. Só que, no caso dos EUA, uma cabeça não conversa com a outra e o corpo controla apenas algumas delas. A sensação de insegurança depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e o descomando do antigo regime Bush fez nascer uma intrincada rede de espionagem que, hoje, é impossível saber com precisão sua eficácia ou abrangência.

O assunto está sendo levantado esta semana por uma equipe de 20 jornalistas do The Washington Post, um dos melhores jornalões americanos, celebrizado por ter descoberto o Watergate, escândalo que culminou na derrocada do governo Nixon, em 1974. Trata-se de uma série de reportagens chamada “A América secreta demais”, resultado de dois anos de investigação, que revela que, nove anos após os atentados, o mundo secreto criado pela Casa Branca, Departamento de Estado, Justiça e Pentágono é tão vasto, tão difícil de comandar que ninguém ao certo sabe quanto custa, quantos programas existem, quantos serviços batem cabeça e fazem a mesma coisa ou sequer o número de pessoas envolvidas.

A série, dividida em três dias, terminou hoje. Alguns números levantados pela reportagem: seriam ao todo 1.271 agências governamentais, 1.931 empresas privadas, 854 mil funcionários com acesso a informações sigilosas e 33 prédios construídos ou em construção apenas em Washington. A enorme máquina de “inteligência” americana produz relatórios em uma quantidade tão grande – por volta de 50 mil por ano -, que muitos deles são simplesmente ignorados. Veja a versão para a internet do trabalho clicando aqui

Promessas vãs

20 de julho de 2010 0

Chamada de histórica, um passo rumo ao futuro, a cúpula de Cabul sobra em adjetivos e carece de pés no chão. Foi firmado um acordo segundo o qual o governo do Afeganistão se compromete a assumir a segurança total de seu território até o final de 2014, ano da Copa do mundo por aqui. Estavam presentes no encontro hoje na reunião o presidente afegão, Hamid Karzai, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton e 60 outros líderes internacionais. O presidente Barack Obama não foi, mas mandou o recado: “o compromisso é um grande passo para o Afeganistão”.

Obama prometeu retirar as tropas americanas do Afeganistão bem antes, até julho de 2011. Como isso será possível, não se sabe: o Talibã, apesar de golpeado, não está morto – pelo contrário, desde o fim dos principais combates no país, reaglutinou-se em seu berço, Kandahar. Horas antes do início da reunião de cúpula hoje, deu uma demonstração de força: explosões sacudiram os arredores da capital afegã.

Na segunda-feira, Hillary anunciou investimentos de US$ 500 milhões em projetos civis no vizinho Paquistão. O objetivo é conquistar a simpatia dos paquistaneses. O país é um elemento chave na pacificação do Afeganistão. Mas só dinheiro e só força militar não ganham uma guerra, como já mostraram os nove anos do conflito na Ásia Central. Um conflito, diga-se de passagem, cada vez menos americano. Hoje, os militares dos EUA são minoria no Afeganistão, que conta com o apoio de forças multinacionais.

No meio de tudo isso, surgiu hoje, na Europa, a informação de que a ex-diretora do serviço secreto britânico, o MI5, afirmou, em depoimento, que não havia relações entre o Iraque de Saddam Hussein e os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA. A afirmação contraria o argumento da guerra de George W. Bush e do chefe dela à época, Tony Blair. Eliza Manningham-Buller disse mais: a Guerra ao Terror só fez aumentar o sentimento de ódio entre os jovens muçulmanos. As frases constam do depoimento de Eliza, no inquérito Chilcot, que investiga a participação da Grã-Bretanha no conflito no Iraque.

Jornalismo na era digital

20 de julho de 2010 0

Um dos textos mais lidos e comentados do jornalismo britânico nestes dias é de Andrew Marr, premiado jornalista, forjado nas melhores escolas da imprensa escrita, como Economist e Independent, e consagrado pela TV, na BBC.

Em um artigo publicado aqui, ele traça, com otimismo, as mudanças da comunicação: das antigas máquinas de escrever Olivetti ao Twitter, passando pela TV, blogs, Ipads, etc. Vale conferir: Marr gostaria de ter 20 anos de novo (hoje, ele tem 51) para fazer jornalismo na era digital. O artigo (em inglês) vem ao encontro do que costumo dizer nas faculdades: jornalismo é jornalismo sempre. E a base do melhor jornalismo é o texto, seja na TV, no rádio, no meio impresso, na internet, celular ou em qualquer plataforma que for inventada.

80 mortes por frio na América do Sul

19 de julho de 2010 2

Nas últimas semanas, vimos aqui no Rio Grande pessoas morrerem de frio. Isso mesmo, enquanto você está aí quentinho (eu também), alguém morreu de frio. Um deles, inclusive, numa cidade que encerrou a campanha da fraternidade deste ano porque já considerava que havia roupas suficientes para serem absorvidas por seus indigentes: falo de Passo Fundo, no norte do Estado, a mesma onde roupas provenientes de doações da campanha do ano passado acabaram em um lixão.

Neste inverno, cerca de 80 pessoas já morreram de frio na América do Sul. As principais vítimas são moradores de ruas, idosos e bebês. A Bolívia é o país com maior número de mortes. Lá, o frio causou 18 vítimas fatais, a metade delas habitantes da cidade de El Alto, vizinha a La Paz – e um lugar muito alto, que conheci durante a cobertura do primeiro ano de governo de Evo Morales. É lá que fica o aeroporto da capital, o primeiro contato que temos com o ar rarefeito boliviano, e berço dos movimentos sociais do país. Também houve seis mortes em Santa Cruz, onde há muitos gaúchos plantadores de soja.

Na Argentina, o número de mortos por hipotermia chegou a 11. Lá, além da morte de moradores de rua, por causa da hipotermina, tem morrido muita gente em decorrência do monóxido de carbono e uso de artefatos ou instalações de calefação defeituosas – assunto que tratamos ontem, no Faixa Especial.

No Chile, a onda de frio polar deixou dois mortos em Santiago, enquanto o sul do país sofre uma situação crítica, com centenas de habitantes isolados por nevascas.

Na região sul de Aysén, a 1,6 mil quilômetros da capital chilena, onde as temperaturas mínimas oscilaram entre -10 e -15 graus, há povoações isoladas e milhares de cabeças de gado e de ovelhas em perigo pela falta de comida.

As autoridades declararam estado de emergência agrícola em várias localidades da região, onde também houve cortes de provisões elétricas e se fechou durante alguns dias o principal aeroporto da área, em Balmaceda.

Houve mortes também no Paraguai, Uruguai e Peru e aqui, como eu disse, no sul do Brasil

Por que a CNN errou ao demitir editora de Oriente Médio

19 de julho de 2010 1

Artigo de Friedman no Times

Um dos maiores conhecedores dos meandros do Oriente Médio, Thomas Friedman, do The New York Times e autor de um dos livros da minha vida (De Beirute a Jerusalém), explica, em sua coluna de domingo, porque ele acredita que a CNN errou ao demitir Octavia Nasr. Ela “foi saída” na semana passada, após declarar no Twitter que estava triste pela morte do xeque Mohammad Hussein Fadlallah, um líder xiita libanês com relações com o Hezbollah. Leia (em inglês) a coluna de Friedman aqui

Ver o que poucos veem

18 de julho de 2010 0

Os olhos de Steve McCurry são capazes de enxergar o que poucos enxergam: a beleza do olhar dos outros. Assim começou o programa GloboNews Dossiê, de sábado. Assisti neste domingo, pouco antes do almoço neste chuvoso dia. Os ensinamentos de um dos melhores fotógrafos do mundo, em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, vão além da técnica e de suas histórias de viagem. Como todos os bons mestres, são universais: valem para o fotógrafo, para o médico, o engenheiro, o professor. Vale para todos nós.

Ele ficou conhecido por capturar o olhar penetrante de uma menina afegã. Mas fez fotos sensacionais em vários outros lugares, nem sempre tortuosos como a guerra. Ironicamente, voltara do Tibete na noite anterior ao 11 de setembro de 2001. Acordara naquela manhã de terça-feira cansado, mas, ao olhar pela janela de seu apartamento, ao lado do World Trade Center, viu as torres em chamas. Pegou suas câmeras e subiu para o terraço, de onde acompanhou o colapso do WTC. Em seguida, foi ao Groud Zero e ficou lá até a madrugada fotografando.

Se você perdeu a entrevista, clique aqui e olhe (é apenas 30 minutos, vale a pena). E se você quiser saber mais, acesse o site de McCurry aqui.

Quando o circo vai embora

18 de julho de 2010 0

O circo acabou, as unidades móveis e antenas de TV foram retiradas, levas de jornalistas e delegações foram embora. Uma semana depois da final da Copa da África do Sul, os relatos que chegam do lado de lá do Atlântico são preocupantes: um país obrigado a retornar, de súbito, à realidade dura das estatísticas nada animadoras. Militares voltaram a ocupar guetos de miséria, a tensão entre negros e brancos, maquiada por discursos de pacificação do futebol, não diminuiu com a Copa, e o desemprego de 25% assombra.

A Anistia Internacional denuncia que o governo “limpou” as cidades de seus problemas, como o fez a prefeitura de São Paulo com moradores de rua em seu centro, durante a visita do papa Bento XVI ao Brasil. Ficaram estádios gigantescos para um campeonato de futebol incipiente, obras de infraestrutura importantes, mas que pouco ajudaram a desenvolver o caótico sistema de transporte público. Funcionários de empresas de energia ameaçam entrar em greve – e não custa lembrar que, nos dias que anteceram o mundial, moradorres tinham que racionar luz em suas casas para que os estádios permanecessem acesos. Para nós, brasileiros, fica o exemplo do que não pode ocorrer quando o circo for embora em 2014.