O governo do Equador decretou estado de exceção e ordenou que o exército vá às ruas e assuma as funções da polícia para manter a segurança pública, em meio à onda de protestos de policiais e militares que toma o país.
Isso tudo começou depois de uma série de propostas encaminhadas por Rafael Correa ao parlamento para reduzir a burocracia estatal – diminuir a máquina estatal. No pacote estão incluídos cortes de benefícios para políciais e militares. Isso gerou a revolta dessas categorias, que hoje invadiram o aeroporto de Quito e protestaram em outras cidades importantes, como Guayaquil. Correa tem maioria no parlamento, mas muitos dos aliados não são favoráveis a essas medidas.
O que complicou ainda mais a situação foi um discurso do presidente num quartel militar, para tentar acalmar os ânimos. Houve tumulto, ele precisou usar mascara anti-gás lacrimogêneo, acabou respirando o gás e foi levado ao hospital, onde está neste momento. O presidente equatoriano concedeu uma entrevista por telefone na qual acusou a oposição, mais precisamente o partido Sociedad Patriótica, partido do ex-presidente Lucio Gutiérrez, de tentar um golpe de Estado com o apoio de setores das forças armadas.
O comando garante que as tropas estão ao lado do presidente, mas o que se percebe é uma divisão entre os militares. Manifestantes neste momento cercam não apenas a sede do parlamento, onde os deputados estão de certa forma sitiados, mas também o hospital onde está Correa.
O presidente estaria considerando dissolver o parlamento, para governar por decreto até a convocação de novas eleições. A dissolução da Assembleia é uma possibilidade prevista na Constituição aprovada em 2008, que permite ao presidente adotar a medida e convocar eleições imediatas para a escolha de novas autoridades legislativas e um novo presidente. Ela precisaria ser aprovada pelo tribunal constitucional.
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