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Um pouco sobre Cristina Kirchner

28 de outubro de 2010 1

Foram apenas seis meses de namoro. E 35 anos de casados. Néstor e Cristina dividiam não apenas a mesma cama, mas o poder. Tanto que neste momento a Argentina se pergunta como ela viverá e comandará o país sem ele. Foram raras as vezes em que Néstor foi visto sem Cristina, ou vice-versa. Na cobertura da eleição argentina, em 2003, pelo Grupo RBS, lembro que um dos pontos que me marcara naquela estada em Buenos Aires era justamente a independência de Cristina, à época futura primeira-dama.

- Ela tem luz própria - costumávamos comentar, eu e Rosane de Oliveira, minha parceira naquela cobertura, junto com o fotógrafo José Doval.

Então senadora, Cristina tinha um discurso forte, parecia independente do marido. Vários anos depois, surpresa: ao abrir mão da campanha em prol de Cristina, Néstor assumiu o comando não apenas da chapa, mas, depois de sua mulher eleita, do governo. Seria ele quem mandava, ao menos publicamente.

Lembro de Cristina como uma mulher bonita, que chama a atenção ao entrar no recinto. Pelos críticos, ela considerada uma pessoa fria e arrogante. A política remonta a sua adolescência: Cristina começou a militância ainda nos anos 70, quando decidiu se juntar à Juventude Universitária Peronista. Eram anos de ditadura militar. Ela estudava Direito em La Plata, desfilava sua beleza pelos corredores da faculdade e namorava colegas populares, segundo o La Nación, como um jogador de rúgbi. Isso até conhecer o colega que mudaria sua vida: o também estudante de Direito Néstor.

Eles casaram em 9 de maio de 1975, após um namoro relâmpago de apenas seis meses. Néstor já era alto, o nariz grande. Mas tinha o cabelo comprido. Cristina acabou presa pela ditadura, mas nunca falou muito sobre o assunto. Após o período em La Plata, o casal se mudou para a fria Patagônia. A província de Santa Cruz acabou se tornando o enclave político de Néstor e Cristina, que depois ganhariam a alcunha de "Casal K:. Um dos livros sobre os bastidores e intrigas da relação Néstor-Cristina chama-se Cristina, de legisladora combativa a presidente fashion, de Sylvina Walger. A obra revela detalhes do relacionamento até pouco tempo atrás nunca comentados pela imprensa: fala de traições, brigas verbais e agressões.

Enquanto Néstor era governador de Santa Cruz, permaneceu morando na província. Ela, já senadora da República, morava na capital, Buenos Aires. O livro não aborda possíveis romances extraconjugais, mas é comum nos bastidores do poder comentários sobre casos dela com um governador, um senador e um de seus guarda-costas. Ele também teria pulado a cerca.

Na época da eleição, devorei Santa Evita, de Tomás Eloy Martínez, em grande parte incentivado pela Rosane. Agora, o livro de Sylvina atiça minha curiosidade. Afinal, a história da política argentina, na alegria e na dor, na saúde e na doença, parece estar marcada por casais.


Comentários (1)

  • nadia diz: 28 de outubro de 2010

    Rodrigo, vivo aqui em Buenos, e te conto, fui a praca ontem, e hoje, penso na possibilidade de ir agora a noite ate a Casa Rosada, a fila é de 5, 6 horas de espera. Ontem era comovente e assim segue hj. Tenho a tv ligada todo o dia, e nao tem como desgrudar o olho de cada movimento de Cristina, mais alem de qualquer posicionamento politico, ta ali uma grande mulher velando o corpo de um grande estadista, seu marido, com uma impressionante dignidade e com uma nocao impar do seu lugar. Cada um que entra a esse salao, pelo corredor q passa o publico, tem uma palavra, um gesto um olhar dedicado a ela e ao ex presidente. Impossivel nao se comover ao ver uma das Abuelas abracada a Cristina, com o olhar tao sofrido, onde mais Cristina confortava do q era confortada e o simbolico gesto dessa Abuela de tirar o panuelo e depositar em cima do caixao, pois so tiram o panuelo quando encontram o neto roubado. Gostava do Kirchner, fez mais pela Argentina q quase todos q le antecederam. E torco pela Cristina.

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