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Posts de outubro 2010

Salve os mineiros

31 de outubro de 2010 0

Se você é ligado em tecnologia e gostaria de experimentar um pouco a sensação das equipes que retiraram os 33 mineiros do fundo da mina San José, no Chile, no dia 13 de outubro, prepare-se: já está disponível um dos primeiros jogos para iPhone, o celular multimídia da Apple, que simula a megaoperação de salvamento. E, melhor, é de um ilustrador gaúcho a ideia do game. Aos 40 anos, Marcos Riffel, artista gráfico da RBS TV, pensou em criar o jogo, ao acompanhar, pela televisão, a comoção mundial diante do resgate. Com experiência de dois games anteriores já comercializados na App Store, o gaúcho desta vez levou apenas três dias para projetar o software.

O primeiro game de Riffel (foto) para celular foi lançado em dezembro de 2009. Ele buscou cadastro na Apple, juntou alguns amigos para compor as músicas e os efeitos sonoros e lançou Tigerfish, um peixinho simpático que, para sobreviver, precisa se alimentar de animais menores e evitar os predadores em um rio que sofre com problemas ambientais. A versão demo teve mais de mil down- loads, principalmente nos EUA, Europa e Austrália. Em seguida, ele lançou Cooking Wicca, no qual uma bruxinha cozinheira precisa combinar os ingredientes em um caldeirão.

– Estou sempre acompanhando o que rola pelo mundo para ter alguma ideia para os jogos. Durante a Copa, deixei passar a oportunidade de fazer um game sobre o polvo Paul – diz o artista, referindo-se ao molusco morto na semana passada, que se tornou famoso ao “adivinhar” o placar das partidas.

Desta vez, ele não perdeu a oportunidade. O objetivo do novo game, é claro, é retirar cada um dos 33 mineiros do fundo da mina o mais rápido possível. Para isso, é necessário passar por três fases: localizar o refúgio com o auxílio de uma sonda, cavar o túnel e, finalmente, enviar a cápsula.

– É educativo, e o melhor é que nenhum dos mineiros morre. O máximo que pode acontecer é demorar um pouco mais para ser resgatado – brinca Riffel.

Leia a íntegra da coluna Diários do Mundo aem Zero Hora na versão impressa

Ao vivo na Argentina

28 de outubro de 2010 0

Emissora CN5, da Argentina, é uma das emissoras que transmite neste momento, ao vivo, a cerimônia de despedida a Néstor Kirchner. Pode ser acompanhado no site de notícias Emol (http://www.emol.com/)

Um pouco sobre Cristina Kirchner

28 de outubro de 2010 1

Foram apenas seis meses de namoro. E 35 anos de casados. Néstor e Cristina dividiam não apenas a mesma cama, mas o poder. Tanto que neste momento a Argentina se pergunta como ela viverá e comandará o país sem ele. Foram raras as vezes em que Néstor foi visto sem Cristina, ou vice-versa. Na cobertura da eleição argentina, em 2003, pelo Grupo RBS, lembro que um dos pontos que me marcara naquela estada em Buenos Aires era justamente a independência de Cristina, à época futura primeira-dama.

- Ela tem luz própria - costumávamos comentar, eu e Rosane de Oliveira, minha parceira naquela cobertura, junto com o fotógrafo José Doval.

Então senadora, Cristina tinha um discurso forte, parecia independente do marido. Vários anos depois, surpresa: ao abrir mão da campanha em prol de Cristina, Néstor assumiu o comando não apenas da chapa, mas, depois de sua mulher eleita, do governo. Seria ele quem mandava, ao menos publicamente.

Lembro de Cristina como uma mulher bonita, que chama a atenção ao entrar no recinto. Pelos críticos, ela considerada uma pessoa fria e arrogante. A política remonta a sua adolescência: Cristina começou a militância ainda nos anos 70, quando decidiu se juntar à Juventude Universitária Peronista. Eram anos de ditadura militar. Ela estudava Direito em La Plata, desfilava sua beleza pelos corredores da faculdade e namorava colegas populares, segundo o La Nación, como um jogador de rúgbi. Isso até conhecer o colega que mudaria sua vida: o também estudante de Direito Néstor.

Eles casaram em 9 de maio de 1975, após um namoro relâmpago de apenas seis meses. Néstor já era alto, o nariz grande. Mas tinha o cabelo comprido. Cristina acabou presa pela ditadura, mas nunca falou muito sobre o assunto. Após o período em La Plata, o casal se mudou para a fria Patagônia. A província de Santa Cruz acabou se tornando o enclave político de Néstor e Cristina, que depois ganhariam a alcunha de "Casal K:. Um dos livros sobre os bastidores e intrigas da relação Néstor-Cristina chama-se Cristina, de legisladora combativa a presidente fashion, de Sylvina Walger. A obra revela detalhes do relacionamento até pouco tempo atrás nunca comentados pela imprensa: fala de traições, brigas verbais e agressões.

Enquanto Néstor era governador de Santa Cruz, permaneceu morando na província. Ela, já senadora da República, morava na capital, Buenos Aires. O livro não aborda possíveis romances extraconjugais, mas é comum nos bastidores do poder comentários sobre casos dela com um governador, um senador e um de seus guarda-costas. Ele também teria pulado a cerca.

Na época da eleição, devorei Santa Evita, de Tomás Eloy Martínez, em grande parte incentivado pela Rosane. Agora, o livro de Sylvina atiça minha curiosidade. Afinal, a história da política argentina, na alegria e na dor, na saúde e na doença, parece estar marcada por casais.


Argentina, o futuro sem Kirchner

27 de outubro de 2010 3

El Calafate é hoje o epicentro da comoção que atingiu a Argentina, tomada de súbito pela morte de Néstor Kirchner. Era lá que o presidente estava, no momento em que passou mal, de madrugada. Kirchner deu entrada, ao lado da mulher, Cristina, no hospital local por volta das 7h. Sua morte ocorreu às 9h15min. O político peronista havia passado por duas internações de emergência. A primeira foi em fevereiro, quando foi submetido a uma cirurgia na carótida. Em 11 de setembro, teve que passar por nova cirurgia, desta vez uma angioplastia e a implantação de um stent.

Os médicos recomendaram que mudasse seu estilo de vida para controlar o estresse, mas poucas horas depois da última cirurgia ele já aparecia em um ato partidário no Luna Park, com a juventude kirchnerista. Sua última aparição pública foi na semana passada em um encontro em Chivilcoy, dois dias depois do assassinato de um militante.

Sua morte provocou comoção nos ambientes políticos, econômicos e sociais. Embora não fosse o presidente, Néstor era o grande articulador do Partido Justicialista, a eminência parda do governo da mulher, Cristina. Ele participava de todas as decisões, também era deputado, eleito em 2009, presidente do PJ e secretário-geral da Unasul. Apesar de pertencer a um partido conhecido pelo populismo - lembrem-se que o PJ foi fundado por Juan Domingo Perón, pode-se dizer que Kirchner era modesto nesse estilo. Não era um grande orador, tampouco carismático. Agia mais nos bastidores.

Na Argentina, costuma-se dizer que Cristina, o governo e o kirchnerismo - a ala mais forte do PJ - era "nestordependente". Quase nada era feito sem que ele soubesse. Comandava a construção do poder desde as relações mínimas (reuniões com prefeitos de povoados) até as mais importantes, como política econômica e relações internacionais.

Fica na Casa Rosada não apenas um vazio pessoal - Cristina perde o marido -, mas também um vácuo de poder. Kirchner era pré-candidato à presidência em 2011. Sua morte antecipa uma decisão que Cristina só pensava ter que tomar daqui cinco anos: disputar uma nova eleição. Só ela pode enfrentar o maior favorecido - perdõem-me a expressão em uma hora dessas - neste momento: Eduardo Duhalde, o rival político de Kirchner.



O Kirchner que eu conheci

27 de outubro de 2010 0

Conheci Néstor Kirchner, em 2003, durante a cobertura da eleição presidencial que colocaria fim aos 10 anos da era Carlos Menem, na Argentina. Era uma tarde de meio de semana, no comitê de campanha do Partido Justicialista, o velho peronista, ao lado do Teatro Colón, em Buenos Aires. Chegara da Patagônia, sua terra natal, enclave eleitoral e sempre presente em seus spots de campanha: de jaqueta vermelha, Kirchner gostava de ser fotografado próximo ao glaciar Perito Moreno, cartão-postal da fria região.

O homem alto, com nariz grande, meio desengonçado, vestindo um terno que parecia maior do que ele. Foi essa a primeira percepção que tive ao ver Kirchner ao lado de outros caciques do partido. Àquela altura do campeonato, o discurso do ex-governador da província de Santa Cruz, conhecido como El Pinguino, tentava dar um ar de renovação ao seu discurso. Mas os argentinos estavam cansados da política que os jogara na pior crise econômica de sua História, em 1999, arrasara com sua conhecida auto-estima e não chegavam a ver em Kirchner uma esperança.

- Ele é mais do mesmo – era comum se ouvir, de Puerto Madero a Florida, da Recoleta a La Boca.
Kirchner que conheci não chegava a ser um grande nome. Mas era a aposta de um grupo do Partido Justicialista que odiava o ex-presidente Eduardo Duhalde, da mesma legenda, mas de outra facção política. Por aqui, no Brasil, o presidente Lula ainda estava em seus primeiros meses de mandato, era uma novidade à qual a centro-esquerda argentina tentava colar sua imagem em busca de votos.
Elogios não faltavam ao presidente brasileiro. Nem promessas.

A Argentina tentava sair do poço, depois dos anos do peso equivalente ao dólar, que ergueu ao sul do Rio da Prata uma economia artificialmente pungente. No Hotel Presidente, na Avenida 9 de Julio, Menem jogou a toalha ao fim do primeiro turno. Kirchner virou presidente e transformou parte dos manifestantes – os piqueteiros que infernizavam o trânsito da capital em busca de melhorias salariais, garantias trabalhistas - em aliados. Dividiu o movimento.

Foi no seu governo também que começou a guerra com a imprensa, as sucessivas tentativas de censura aos jornais Clarín e La Nación. Mesmo terminando um governo com baixa popularidade, conseguiu um de seus maiores feitos: eleger a mulher, Cristina, senadora também pela província de Santa Cruz. O clã começava a se perpetuar na Casa Rosada.

Desgastado pelos embates com o setor rural e com a crise econômica, o kirchnerismo chegou a seus mais altos índices de rejeição no ano passado, quando saiu derrotado das eleições legislativas, perdendo o controle da Câmara e do Senado. Na ocasião, Kirchner deixou a presidência do Partido Justicialista afirmando que precisava assumir a responsabilidade, mas retomara o cargo que lhe dava visibilidade e a possibilidade de deslocar-se pelo país Era o reinício da campanha com vistas às eleições do ano que vem. Era parte dos planos do casal Kirchner de se perpetuar no poder através desse jogo que eles foram aos poucos colocando em prática – primeiro Néstor, depois Cristina, e em 2011 Néstor de novo. E, assim, governar a Argentina até 2020. O infarto interrompeu não apenas a estratégia do casal, mas deixou mais pobre a cena política dos nossos vizinhos. Como aqui no Brasil, feita de figuras carimbadas.

A guerra cobra o seu preço

25 de outubro de 2010 1

Quem é do clube, sabe que um dia vai acontecer. As perguntas são apenas "onde" e "como será"? Nos Bálcãs, no Iraque, no Afeganistão, no Líbano respondem à primeira. Dói muito? Perderei as pernas, morrerei? Terei forças, diante da imensa dor, e continuarei reportando? Fotografando?

Quem é do clube tem medo, aliado sempre vigilante dos correspondents de guerra. Quem é do clube sofre pelos companheiros perdidos no front. Mas, mesmo diante da tristeza, responde apenas em silêncio quando alguém, de fora, larga frases como:
- Ele sabia do perigo, foi porque quis.
- Ele já tinha várias fotos, não precisava fazer justamente aquela.
- Ele já tinha coberturas suficientes no currículo, podia se aposentar.
Ah, os outros… Não sabem que na veia de reporteres, fotógrafos e cinegrafistas puro-sangue, a melhor reportagem, a melhor imagem, é sempre a próxima. Certamente João Silva, um dos melhores fotógrafos da atualidade, está ouvindo frases como essa desde sábado. Português de nascimento, cidadão do mundo por vocação, João perdeu as pernas após pisar em uma mina na cidade de Kandahar, no Afeganistão. Repórter fotográfico do The New York Times, ele estava onde os bons profissionais devem estar: no epicentro dos dramas humanos. Acompanhava uma patrulha do exército americano, como embedded (embutidos, no jardão jornalístico-militar). Ele já cobriu conflitos na África, nos Bálcãs e no Iraque, e é elogiado pelos seus colegas de profissão pela sua bravura e sensatez. O editor executivo do New York Times chegou a considerá-lo um "artista do conflito".
João, junto com Greg Marinovich, Ken Oosterbroek e Kevin Carter formam o chamado Clube do Bangue-Bangue, responsável pela cobertura da guerra entre facções negras, travada todos os dias na África do Sul entre 1990 e 1994. São mais de 14 mil imagens que mostram os assassinatos brutais e massacres ocorridos nas cidades dormitórios da periferia de Joannesburgo entre o CNA, partido de Nelson Mandela, e o Inkatha, grupo separatista de etnia zulu. A história do grupo que, com seu trabalho, ajudou a denunciar massacres e sucessivas violações aos direitos humanos está no livro Clube do Bang-Bang, editado no Brasil pela Companhia das Letras.
Ken Oosterbroek, primeiro sul-africano a ganhar um Pulitzer, morreu às vistas dos companheiros no meio de uma fuzilaria, com o dedo ainda grudado no disparador da camera. Kevin Carter  suicidou-se aos 33 anos, com uma mangueira enfiada na boca. Acoplara a outra extremidade ao cano de descarga do carro. É dele a emblemática foto da criança desnutrida prestes a ser devorada por um urubu. Greg segue trabalhando.
"‘As vezes nos sentíamos como urubus. Pisamos em cadáveres, metafórica e literalmente, e fizemos disso nosso ganha-pão. Mas nunca matamos ninguém. Acredito que salvamos algumas vidas. E talvez nossas fotos fizeram alguma diferença’, diz Greg no livro.
Recebi a mensagem do breaking news da CNN anunciando a explosão que ferira João Silva no celular ainda na noite de sábado. Não nos conhecemos pessoalmente, mas virei admirador de sua bravura desde que passei a conhecer seus trabalhos. Ouso dizer que temos algo em comum: o gosto pela adrenalina e o sentimento de, ao revelarmos o que há de mais bestial no ser humano, ajudarmos a transformar o mundo em um lugar melhor. É por isso que escrevemos ou fotografamos.
João recebeu os primeiros-socorros no local e foi levado a um hospital militar em Kandahar para ser operado, antes de seguir para a Alemanha. Mesmo ferido pela explosão e com hemorragia interna, João fez o que todos nós, colegas de profissão, esperávamos que fizesse: continuou a fotografar.

Califórnia discute legalização da maconha

25 de outubro de 2010 0

No próximo dia 2, os americanos vão às urnas para eleger a nova cara da Câmara dos Deputados (Representative House) e um terço do Senado. Mas além desta eleição que é superimportante para o futuro do governo Obama, vários Estados aproveitarão o dia para realizar referendos. É o caso da Califórnia do governador Arnold Schwarzenegger. Lá, os eleitores vão decidir pela legalização ou não da maconha para "consumo recreativo". Especialistas calculam que a legalização poderia render ao governo até US$ 1 bilhão em impostos.

Na Califórnia, atualmente já é possível comprar maconha, de plantações autorizadas, para uso médico desde que se apresente receita. Mas o assunto divide opiniões. Há quem diga não ver diferença entre álcool e um cigarro de maconha, e por isso apoia a ideia para aumentar a receita do Estado em crise. Outros acreditam que a legalização servirá como uma apresentação da droga aos jovens.

Notícias de domingo

24 de outubro de 2010 0

A principal notícia do fim de semana vem do Haiti, onde um surto de cólera matou pelo menos 250 pessoas. Mas, segundo o governo, a epidemia estaria controlada.

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No Oriente Médio, terminou hoje o sínodo da Igreja Católica, com os bispos fazendo uma declaração final denunciando o antisemitismo e condenando o terrorismo. Por outro lado, a Igreja culpou principalmente Israel pelo conflito na região. O documento faz um apelo para que a comunidade internacional exija que Israel cumpra a resolução do Conselho de Segurança aprovada em 1967, que determina a retirada das tropas de todas as terras ocupadas então.

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Na França, a semana deve ter novos protestos contra a reforma da previdência de Nicolas Sarkozy, segundo confirmou o secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Bernard Thibault. O Senado votou na passada sexta-feira o textoque aumenta a idade mínima para aposentadoria em dois anos: de 60 para 62 anos a voluntária e dos 65 para os 67 anos para uma pensão completa. Duas novas jornadas de luta estão marcadas: a primeira com greves e manifestações na próxima sexta-feira; a segunda, no sábado.

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E os novos vazamentos de informações do site Wikileaks continuam provocando polêmica nos EUA. Segundo o portal, conhecido por vazar informações sigilosas do Pentágono e da Casa Branca, militares americanos mataram 680 civis iraquianos inocentes, sendo 30 crianças, em postos de controle no país. Os militares, que tinham recebido ordens de disparar contra todo veículo que não parasse nesses controles, mataram quase seis vezes mais civis do que insurgentes.

Boa semana a todos!

Batalha contra gays. Nos EUA e em Uganda

20 de outubro de 2010 0

O governo Barack Obama trava na Justiça uma guerra contra o alistamento militar de homossexuais. A Casa Branca apelou a um tribunal da Califórnia contra a decisão judicial que impede as forças armadas de barrarem o alistamento. O governo diz que é a favor de mudanças, mas que deixar a decisão entrar em vigor agora seria um problema para o setor militar.

Enquanto os EUIA travam a batalha na Justiça, em Uganda, na África, um jornal publicou uma "reportagem", apresentando os nomes de 100 gays e lésbicas com maior destaque no país, revelando fotos e endereços. Ao lado da lista, o jornal Rolling Stone (que não tem nada a ver com a prestigiada revista americana) afirmou: "Enfoque-os". O texto veio a tona um ano depois de um parlamentar ter tentado aprovar uma lei que pedia pena de morte para quem fosse flagrado "em atividades homossexuais no país".

Tudo isso, é bom lembrar, em pleno século 21.

Manuscritos do Mar Morto no Google

20 de outubro de 2010 1

Vejam que legal! A Google de Israel e a Israel Antiquities Authority criaram uma versão online dos Manuscritos do Mar Morto. Os usuários poderão baixar as imagens digitalizadas com dados adicionais que permitirão realizar pesquisas em vários idiomas e formatos. O projeto usa imagens de alta resolução para a coleção de 900 manuscritos que compreendem cerca de 30 mil fragmentos. Os textos incluem transcrições, traduções e bibliografia. Está será a primeira vez que os pergaminhos serão fotografados integralmente desde os anos 50.

Os Manuscritos são considerados uma das maiores descobertas arqueológicas da História. Foram encontrados entre 1947 e 1956 nas cavernas de Qumram, uma fortaleza a leste do Mar Morto localizada no que foi historicamente parte da Judéia. Eles foram escritos em grego, hebraico e aramaico entre o século III a.C. e o ano 70 d.C., quando foi destruído o segundo Templo de Jerusalém. Os textos confirmam o Velho Testamento e foram escritos, em sua maioria, pelos essênios, uma seita judaica. Até a descoberta dos Manuscritos, os únicos textos em hebraico do Velho Testamento eram do século 10.

Bin Laden no Paquistão? Qual é a notícia?

18 de outubro de 2010 0

Desde quando a suposta presença de Osama bin Laden no Paquistão é novidade?

Desde o fim da última Guerra do Afeganistão, praticamente todos os relatos de inteligência apontam para a presença do líder da rede Al-Qaeda na região conhecida como Waziristão do Norte, uma área montanhosa comandada por líderes tribais, na fronteira entre os dois países. A infomação de que ele estaria vivendo confortavelmente ao lado do médico Ayman Al-Zawahiri naquela área veio a tona por meio de um alto funcionário da Otan em entrevista à rede CNN e dominou os noticiários.

Não há nada de novidade. Pelo contrário. Que Bin Laden é protegido dos líderes tribais, já é sabido há longas datas. Que teria proteção de integrantes do serviço de inteligência paquistanês também já se suspeitava havia anos.

O maior erro é pensarmos que a Al-Qaeda é um grupo uniforme. Não é. Desde o 11 de setembro de 2001, seus tentáculos se espalham em uma espécie de franchising do terror: são os apoiadores dos milicianos do Iraque, simpatizantes do desgoverno da Somália e até terroristas do Iêmen. Há também pessoas que apoiam a ideologia da rede, mas não atuam de forma organizada nem prática. Pensar que a Al-Qaeda atua como sistema unicelular foi um dos principais erros dos EUA, que permitiram o maior atentado terrorista da História: a queda das torres do World Trade Center, o prédio do Pentágono e a tragédia do voo 93.

Prender ou matar o terrorista faria alguma diferença hoje? Talvez não. É importante lembrar que Bin Laden ainda é um ícone e tem importância estratégia. Mas o radicalismo islâmico é muito maior do que ele e que, mesmo com Bin Laden eliminado, continuaremos tendo o mesmo nível de ataques. Podemos tomar como exemplo a morte de Abu Mussab al-Zarkawi. Sua morte no Iraque foi um golpe importante dos EUA, mas não diminuiu a atividade terrorista.

Os EUA não estão mais próximos de Bin Laden do que estiveram no passado. Ele dispoõe de uma rede de informantes, conta com apoio da população local, vive em uma região de difícil acesso e tem ao seu lado guerrilheiros islâmicos que o protegem, capazes de morrer por ele. Ou de matá-lo caso ele seja encontrado.



Os bastidores da notícia

17 de outubro de 2010 0

Antena sobre veículo de imprensa; satélite era muitas vezes a única forma de transmitir ao vivo

Na cobertura do resgate dos mineiros, uma expressão muito comum na imprensa era o "circo da mídia". A maioria de nós, jornalistas que estávamos lá, tinha noção do quanto éramos protagonistas da cobertura - e não apenas testemunhas. Afinal de contas, havia as famílias de 33 mineiros e mais de mil jornalistas. Em um determinado momento, falou-se que havia 10 repórteres ou cinegrafistas/fotógrafos para cada parente de mineiro.

Tive a sensação exata da palavra "circo" cada vez que dezenas de jornalistas começavam a se empurrar, aglomerar, subir sobre cadeiras, mesas na frente das barracas de familiares, na hora do resgate. Ou nas vezes em que fomos despejados por colegas jornalistas, que diziam já ter demarcado território.

Quem é de fato a notícia? Mostrar os bastidores, de forma crítica, sabendo que tratava-se de uma retroalimentação. Éramos parte da história e, ao mesmo tempo, testemunhas. Abaixo, algumas fotos (minhas e dp que talvez vocês não tenham visto ao longo da cobertura. O que ocorria por trás das câmeras.

Copiapó, cidade de 130 mil habitantes, berço da maioria dos 33 mineiros

[caption id="attachment_1766" align="aligncenter" width="700" caption="Para usar a internet, algumas vezes precisávamos sentar ao lado da barraca, onde o sinal era melhor"][/caption]

Para entrar no acampamento e circular entre as famílias, era necessário credencial; duas horas de espera ao sol pelo documento

Twitcam ao vivo durante o resgate dos últimos mineiros foi um dos diferenciais da cobertura do Grupo RBS

[caption id="attachment_1769" align="aligncenter" width="700" caption="A plataforma instalada para os jornalistas ficava a 200 metros do local do resgate"][/caption]

O local era utilizado basicamente por cinegrafistas; para nós, repórteres, era melhor ficar próximo aos familiares

[caption id="attachment_1771" align="aligncenter" width="700" caption="Sob o sol de 40C, a barraca às vezes era o único refúgio para escrever; mesmo assim, muito abafado"][/caption]

Nossa barraca, montada pelo Alvaro, estudante de jornalismo vencedor do concurso Primeira Pauta, que me acompanhou

Nossa barraca no terceiro local escolhido no acampamento

Subindo a colina da Esperança

[caption id="attachment_1776" align="aligncenter" width="700" caption="Fotografando familiares dos mineiros"][/caption]

Familiares dos mineiros, bate-papo

[caption id="attachment_1778" align="aligncenter" width="700" caption="Às vezes, escrever só de pé"][/caption]

Novo visual

10 de outubro de 2010 0

Caros leitores, após um longo período de expedição pelo Rio Grande, no projeto O Caminho até o Piratini, e férias, retorno neste domingo. Com o blog com novo visual, como vocês devem ter percebido. Esse período pelo Rio Grande do Sul e de férias - ainda que curtas - foi importante para rever conceitos, atualizar o uso de ferramentas e ler um pouco sobre o que rola no mundo das relações internacionais e do jornalismo de convergência.

Este espaço está de volta, sempre trazendo um olhar diferente sobre os fatos internacionais, curiosidades e o ponto de vista do sul do mundo sobre... o mundo. Os vídeos e os links de coberturas anteriores podem ser encontrados na coluna à direita ou ali acima, no cabeçalho. Espero que apreciem o novo visual. E que dividam aqui opiniões sobre esse planeta e aqueles que o habitam. Abraços