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Posts de novembro 2010

A íntegra dos documentos em que EUA consideram Itamaraty "adversário"

30 de novembro de 2010 0

Não é novidade, mas o racha entre a atual política externa brasileira e diplomatas de carreira do Itamaraty foi escancarado pelo vazamento de novos documentos sigilosos americanos pelo site Wikileaks. Antigos diplomatas nunca esconderam o descontentamento com o caminho escolhido pelo governo Lula na área internacional: uma diplomacia ousada em detrimento da tradição do Itamaraty, cunhada há muitos anos, de manter cautela, evitar opiniões no calor dos acontecimentos e não interferir em assuntos internos de outros países.

A declaração “adversário” consta de telegramas confidenciais de diplomatas dos EUA que trabalharam no Brasil no calhamaço de documentos vazados pelo site Wikileaks. Segundo alguns dos 1.947 textos (já divulgados no site, veja abaixo os originais, em inglês), o governo americano considera o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um adversário que adota uma “inclinação antinorte-americana”. Apesar disso, nas correspondências, os americanos elogiam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, considerado um “aliado americano”.

As íntegras desses papéis estarão ainda hoje no Wikileaks (assim que forem divulgados, publico aqui). Em um dos telegramas, de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço mantido dias antes com Nelson Jobim. Nesse encontro, o ministro brasileiro contribuiu para reforçar a imagem negativa do Itamaraty perante os americanos.

Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim citou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, “Jobim disse que Guimarães ‘odeia os EUA’ e trabalha para criar problemas na relação (entre os dois países)”.

Em um telegrama de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA. Ao relatar a visita (de 18 a 21 de março de 2008), os EUA pareciam frustrados: “Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema”.


Louco, autoritário, machista... Algumas das palavras top secret americanas

29 de novembro de 2010 0

Nos mais de 250 mil documentos vazados pelo Wikileaks, alguns adjetivos nada formais para a pomposa linguagem diplomática vieram à tona. Todos foram usados por embaixadores americanos nos países citados. Dêem uma olhada:

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, “o louco”

Nicolas Sarkozy, presidente da França, “o autoritário”

Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, “o machista”

Angela Merkel, chanceler da Alemanha, “avessa a riscos”

Os EUA ainda disseram estar preocupados com a “saúde mental” da presidente argentina, Cristina Kirchner

É, acho que realmente a Casa Branca deveria estar mesmo preocupada…


Brasil citado em quatro documentos secretos americanos

29 de novembro de 2010 7


Com a devida calma, só agora consigo ruminar um pouco as informações vazadas pelo site Wikileaks que estremeceram os corredores de Washington, desde que foram divulgadas ontem por algumas das mais importantes publicações mundiais, como o jornal americano The New York Times e a revista alemã Der Spiegel. Já faz algum tempo que os grandes jornais e revistas têm se unido para verificar fontes e publicar, de forma conjunta, os vazamentos feitos pelo Wikileaks, o que acaba dando mais credibilidade ao site.

São mais de 250 mil documentos, alguns deles de difícil compreensão pela linguagem diplomática. É possível depreender que eles vazaram de duas secretarias (leia-se ministérios) do governo americano: a da Defesa e a de Estado, dois órgão fundamentais do regime Obama. Por isso, a reação irada de pessoas como a secretária de Estado Hillary Clinton, que lamentou o vazamento e disse que isso mina os esforços americanos de trabalhar em conjunto com outros países – é verdade, diga-se de passagem até o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon foi espionado. O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, disse que já há uma investigação criminal “ativa e em curso” sobre o vazamento.

O Brasil aparece principalmente em dois documentos. Em um deles, menos grave, o nosso país é citado em um diálogo entre o presidente iraniano, Mahmou Ahmadinejad, e o presidente russo, Dmitri Medvedev. No encontro, Medvedev questiona Ahmadinejad sobre a política nuclear do país dos aiatolás. O líder iraniano diz que sua nação não está fazendo nada diferente do Brasil.


O outro documento, mais grave, diz que o Brasil disfarça a existência e a prisão de pessoas ligadas ao terrorismo. “O governo brasileiro é um parceiro de cooperação no combate ao terrorismo e actividades relacionados com o terrorismo no Brasil [...] No entanto, os mais altos níveis do governo brasileiro, particularmente o Ministério das Relações Exteriores, são extremamente sensíveis a quaisquer créditos públicos de que terroristas têm presença no Brasil – seja para arrecadar fundos, organizar a logística, ou mesmo trânsito no país – e vai vigorosamente rejeitar quaisquer declarações implicando o contrário.” O texto aparece em uma carta secreta do então embaixador americano no Brasil, Clifford Sobel, de 8 de janeiro de 2008. Segundo ele, “o governo brasileiro recusa-se a definir legal ou mesmo retoricamente designados grupos terroristas como o Hamas, Hezbollah ou as Farc como grupos terroristas – os dois primeiros sendo considerados pelo Brasil como partidos políticos legítimos”. De acordo com Sobel, a Polícia Federal prendeu muitas vezes pessoas que tinham ligações com o terrorismo, mas os acusou de crimes que não eram relacionados ao tema para “evitar chamar a atenção da mídia e do alto-escalão do governo.”




Essa postura se deve ao medo, ainda segundo o texto, de “estigmatizar a comunidade muçulmana do Brasil [...] ou prejudicar a imagem do território como um destino turístico. Não é de hoje que o Brasil não tem a tipificação do crime terrorismo.

Uma parte dos documentos procede do sistema SIPRNet (Secret Internet Protocol Router Network), ao qual têm acesso 2,5 milhões de funcionários americanos através de computadores autorizados, cujos procedimentos de acesso são modificados a cada 150 dias aproximadamente. Os documentos “top secret” não transitam pela rede SIPRNet, mas 850 mil pessoas têm acesso a eles. As revelações do WikiLeaks dizem respeito a 251.287 documentos enviados por diplomatas americanos a Washington e 8.000 diretrizes do governo americano transmitidas a suas embaixadas.



Pelo segundo dia, Rio é destaque na imprensa mundial

26 de novembro de 2010 3


“Brasil manda tropas militares a Rio infestado por violência”. É o que diz a rede americana CNN. A emissora lembra que “autoridades estão preocupadas com o crime no Brasil, enquanto o país se prepara para sediar a Copa do Mundo de futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016″.
A violência no Rio é o destaque da página de América Latina no site da rede britânica BBC. Em vídeo, a emissora mostra imagens dos tanques nas ruas e dos agentes do Bope em ação, ao som de tiros ao fundo. No texto, a BBC afirma que a polícia “disse agora ter total controle da favela Vila Cruzeiro, enquanto continua a ação enérgica contra violentas gangues de drogas”.
“Polícia do Rio ataca fortaleza de traficantes” é a manchete do jornal americano The New York Times. Também afirma que a polícia tomou a fortaleza dos grupos do tráfico e um símbolo da habilidade deles em controlar grandes áreas da cidade com impunidade”.
O espanhol El País dá o crédito ao presidente Lula pelo envio de “800 soldados do Exército” ao Rio, “além de dois helicópteros da Força Aérea e mais tanques de guerra”.
“Policiais e militares brasileiros miram traficantes de drogas”, manchete do The Guardian. Em vídeo, o jornal britânico mostra imagens de policiais, soldados e moradores correndo sob o barulho de tiros.


A emissora árabe Al-Jazeera, do Catar, traz na capa do site como principal manchete: Polícia brasileira retoma  favela no Rio.

Copa no Rio preocupa o mundo

25 de novembro de 2010 1

Dos EUA, passando pela Europa e chegando ao Extremo Oriente, jornais do mundo inteiro publicam em suas capas oa crise no Rio de Janeiro. Algumas das manchetes que citei nos comentários durante o dia na Rádio Gaúcha estão abaixo:

BBC, de Londres – “Copa do Mundo com medo”

CNN, Estados Unidos – “22 mortos desafiam Rio de Janeiro” - Todos acontecimentos mostram apenas como o município trabalha para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos

The Guardian, Londres – “Polícia carioca investe contra crime na favela”- Com tiroteios por todos os lados, a cidade olímpica de 2016 teve muitos carros queimados

El País, Madri – Traficantes desafiam Rio de Janeiro

The Washington Post – “Veículos queimados, ameaça de bomba no Rio”

The New York Times – “Cidade Olímpica sob extrema violência”

The Washington Post – “Homens fortemente armados pararam ônibus e carros, roubaram os passageiros e atearam fogo a veículos

Do outro lado do mundo, a agência chinesa Xinhua mostrou imagens de postos da polícia atingidas por tiros. O site da emissora de TV Al Jazeera, que tem sede no Catar e influência em todo o mundo árabe, também se mostra preocupado com a segurança no Rio de Janeiro.

O caos no Haiti visto pelo chefe da OEA

25 de novembro de 2010 3

A três dias da eleição que pode mudar os rumos do Haiti, a situação no país mais pobre das Américas é delicada. Devastada por um dos piores terremotos da História, que deixou mais de 200 mil mortos. e engolfada por uma epidemia de cólera, a nação caribenha parece andar para trás.
Um dos principais responsáveis pela organização da eleição presidencial, o gaúcho Ricardo Seitenfus, chefe da missão da Organização dos Estados Americanos, fala na entrevista a seguir sobre os riscos do pleito, de a cólera dizimar a população e para onde vai a operação das Nações Unidas. Leia a seguir, os principais trechos:
Zero Hora – Aqui de longe, a gente acompanha com apreensão a cólera no Haiti, o senhor que esta aí poderia nos dar uma visao de quão real e perigosa é essa epidemia?
Ricardo Seitenfus - A epidemia se transformou em pandemia e atinge praticamente todo o pais. Segundo informações não divulgadas, o número de mortos é superior a 2 mil e houve mais de 70 mil infectados.
A previsão da Organização Pan-americana de Saúde é de que a pandemia poderá atingir 300 mil a 400 mil pessoas nos próximos 12 meses. A profilaxia é bastante simples: como prevenção, a higiene, e, uma vez infectado, a hidratação. Ocorre que a bacteria é muito violenta e pode matar em três a quatro horas, caso não haja tratamento adequado. O ambiente haitiano é propício para uma rápida propagação da pandemia. As condições de higiene são precarissimas (somente 17% da população dispõe de uma latrina), o lixo é mal recolhido, utiliza-se os rios e riachos para todos os fins (lavar roupa, jogar excrementos, banhar-se e inclusive beber água). Por isso, a difusão galopante da pandemia.
ZH – Há risco para o senhor e para as tropas brasileiras?
Seitenfus - Em principio não. Certamente, tomamos muitas precauções e vivemos em constante alerta. Não é nada agradável. mas é preciso conviver com isso. Há muitos países, por exemplo no Sudeste Asiatiático, onde a colera é endêmica. Certamente, nós, estrangeiros, somos privilegiados em comparação à grande maioria da população haitiana. Por isso, a necessidade de se solidarizar.
ZH – Essa revolta que chegou a ocorrer diante dos rumores de que as tropas nepalesas tivessem levado a cólera para o Haiti tem fundamento? Há risco de perda de controle no quesito seguranca para as tropas brasileiras?
Seitenfus - Sobre o boato da origem da cólera há duas considerações. De um lado, não houve nenhuma comprovação científica sobre a origem da doença. Sabe-se que foi na região de Mirebalais e que o vibrião tem um fundamento asiático, isto é, trata-se do mesmo tipo encontrado no Sudeste Asiático. Por outro lado, como há um contingente do Nepal próximo ao rio onde foi localizado o vibrião, a opinião pública haitiana concluiu que se trata de uma doença importada pelos soldados nepaleses da Minustah. Por isso, as manifestações da semana passada associando a ONU à cólera e pedindo sua retirada. Agora, a situação é tensa pois estamos há poucos momentos das eleições gerais de 28 de novembro. Há alguma violência esporádica mas a situação de segurança está sob absoluto controle da Minustah e da Polícia Nacional Haitiana.
ZH - Há condições para que ocorra a eleição?
Seitenfus - Sem dúvida. Todas as condições logisticas, de segurança e organizacionais estão presentes. Nós, da OEA, consiguimos imprimir 340 mil novas carteiras de identidade em algumas semanas e estamos correndo contra o relogio para distribui-las em todo o territorio nacional. Como não há título eleitoral, a carteira é indispensável para votar. Todas estarão com os cidadãos até as 18h de sábado. Contudo, como o voto não é obrigatório e em razão da situação extremamente delicada do pais (terremoto, colera, etc) há uma grande interrogação sobre a participacao do eleitorado. No entanto, quem deve fazer o eleitor sair de casa no domingo são os candidatos e os partidos politicos. Lembro que, nas eleições presidenciais de 2006 que elegeram René Preval, houve uma participação de 62%. Creio que, desta vez, a participação será menor. Quanto menor? Esta é a dúvida que assalta a todos.
ZH – Quando o Brasil entrou na missão não se imaginava que seria tão complexo sair. Como o senhor avalia esse ponto?
Seitenfus - Durante o segundo semestre de 2009, houve um início de dialogo entre todos os parceiros internacionais sobre os modelos de saida de crise. Estavamos definindo parâmetros, condições, prazos, etc, com o objetivo de estabelecer uma rota e um ritmo de possível saída. O terremoto de 12 de janeiro de 2010 tambem fez ruir este exercício. Não se falou mais no assunto. Ao contrário, foi enfatizada a necessidade de permanência, inclusive com aumento de tropas. Creio que agora esta fase já passou, e chegou novamente o momento de debater não a saida, mas a presenca em parâmetros distintos e mais complexos. Creio que a chegada de novos governos no Brasil e no Haiti deveria permitir que nosso país liderasse um diálogo com os demais parceiros e colocasse de maneira  franca as condições de nossa continuada participacao. Há mais de seis anos a Minustah está no Haiti e a situação atual é pior do que em 2004. O Haiti foi engolfado por catastrofes naturais que exigem outro tipo de resposta da comunidade internacional. Caso contrário, estaremos “arando no mar’.

O poder das águas e a tragédia no Camboja

22 de novembro de 2010 1

Não me sinto muito à vontade no meio de multidões. Estive, em duas oportunidades, por força do trabalho, em meio a um turbilhão de gente: em 2005, na Praça de São Pedro, no Vaticano, quando 1 milhão de pessoas se despediram de João Paulo II, e em 2009, na posse de Barack Obama, no National Mall, em Washington.

A tragédia desta segunda-feira no Camboja figura entre uma das maiores do História provocada por aglomerações humanas. Até agora, o número chega a 339, mas deve aumentar.

Uma das maiores tragédias do tipo ocorreu em junho de 1990 na Arábia Saudita, quando 1.426 pessoas morreram esmagadas dentro do túnel Al Muaissem, perto de Meca, durante o Eid AL Adha, a Festa do Sacrifício, a mais importante festividade islâmica, ao final da peregrinação do Haj. Em agosto de 2005, 1.005 pessoas morreram em um tumulto em uma ponte sobre o Rio Tigre, em Bagdá, devido a rumores de havia um homem-bomba entre os xiitas.

A tragédia de hoje ocorreu durante as festividades anuais da Festa da Água, no Camboja. Os cambojanos estavam no terceiro dia da festa, em Phnom Pehn, a capital que por anos serviu aos desmandos do Khmer Vermelho e de seu sanguinário líder Pol Pot. O incidente ocorreu após um show musical, que se seguiu a uma corrida de barcos no rio Tonle Sap, considerada o ponto alto do evento.

Os cambojanos reverenciam o poder das águas. A celebração comemora a fartura do ano, do sustento tirado do rio. A população está muito ligada à água. Em 2004, estive em Siem Reap, onde ficam as ruínas de Angkor. Tive a oportunidade de navegar pelo Mekong, o grande rio que singra o Sudeste Asiático, da Tailândia ao Vietnã e de onde esses países tiram seu sustento.

Assisti a uma dessas corridas, em que, a bordo de barcos tradicionais, vários homens e mulheres remam, recuperando a história de seus ancestrais. Uma cerimônia bonita, que é possível lembrar nas fotos que fiz durante a viagem e que partilho aqui no post.


O que rolou pelo mundo...

21 de novembro de 2010 0

Abaixo, o que de mais importante ocorreu pelo mundo no fim de semana:


Muita polêmica em torno das declarações do papa Bento XVI que vieram a tona, antecipadas, na verdade, pelo lançamento de um livro do Pontífice, previsto para terça-feira. Na declaração, o Papa teria admitido o uso da camisinha “em certos casos”. Isso chegou a ser interpretado como um avanço da Igreja, principalmente por autoridades da saúde como o diretor do fundo das Nações Unidas para o combate à Aids (Unaids). Mas hoje o Vaticano tentou minimizar as declarações de Bento XVI, dizendo que não há qualquer viés revolucionário ou mudança de paradigma da Igreja com relação ao uso de preservativos.


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Na Nova Zelândia, o drama em torno de uma mina que explodiu continua. Até agora, equipes de resgate dizem não ter ideia de quando conseguirão chegar até os 29 homens presos desde sexta-feira no fundo da mina de carvão. Há altos níveis de gases tóxicos na área, que tornam arriscada demais qualquer tentativa de entrar no local. No entanto, as equipes ainda estão confiantes de encontrar os trabalhadores com vida.
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Ontem (sábado), houve um anúncio importante. A Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, afirmou que a Rússia concordou em cooperar com o sistema de defesa antimísseis da aliança atlântida liderada pelos EUA – aquele polêmico escudo antimísseis criado na época do Reagan e que Bush tentou levar adiante durante seu governo. Foi a primeira vez que os dois lados concordaram em assinar um documento dizendo que não representam mais uma ameaça um para o outro. Basta lembrar os anos de Guerra Fria, em que a Otan era rival do Pacto de Vasróvia, liderado pela antiga URSS. Obama e Medvedev estavam presentes ao encontro, em Lisboa.
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Os países integrantes da zona do euro concordaram hoje (domingo) em conceder ajuda financeira à Irlanda, que enfrenta graves problemas em suas contas públicas. O pacote de socorro financeiro, no entanto, deve ficar abaixo dos 100 bilhões de euros (cerca de US$ 135 bilhões) inicialmente estimados por especialistas do mercado financeiro. A Irlanda faz parte do grupo de países identificados como “PIIGS” – fragilizados por graves déficits públicos. A letra “G” da sigla, a Grécia, já foi alvo há cerca de seis meses de um pacote de socorro financeiro orçado em 110 bilhões de euros.



A epidemia de cólera vista por um haitiano

21 de novembro de 2010 1


Na semana passada troquei e-mails com meu amigo Martineau Chérubin, o haitiano que ajudou nossa equipe de reportagem na cobertura do terremoto que matou cerca de 250 mil pessoas e devastou Porto Príncipe, em janeiro. Depois daquela tragédia, o jovem, que trabalha para as tropas brasileiras no Haiti, vive um novo drama: a epidemia de cólera, que já deixou mais de 1,1 mil mortos. Leia um dos diálogos (publicado hoje em ZH, na coluna Diários do Mundo – para ler o restante da coluna, clique aqui:

Zero Hora – Como está o Haiti?

Martineau Chérubin – O Haiti está muito complicado, porque vai haver eleições (no próximo dia 28 de novembro), e há muitas manifestações contra o governo. A maioria dos haitianos acha esse governo corrupto.

ZH – Você está com medo da cólera?

Chérubin – Sim, tenho medo. Muita gente está dizendo para a ONU ir embora daqui. Mas, se isso ocorrer, vai haver mais problemas. Por exemplo, os bandidos vão começar de novo a atuar livremente. Hoje, eles têm medo das tropas.

ZH – Existe algum risco para a sua família?

Chérubin – Sim, existe risco, a cólera é muito perigosa.

ZH – Como estão os hospitais?

Chérubin – A situação nos hospitais está crítica. Não há médicos suficientes. Não há enfermeiros para atender todo mundo. Tampouco lugar para as pessoas receberem atendimento.

ZH – Há risco para as tropas brasileiras?

Chérubin – Não. Nenhum militar está com cólera.

ZH – Como você se sente ao ver o país, depois do terremoto, agora sofrer com essa epidemia?

Chérubin – Não me sinto bem. O problema atinge o país e o povo em geral. Não me sinto nada bem.

Fidel admite que não tem mais condições de liderar PC

18 de novembro de 2010 1

Em um encontro com estudantes, o ex-presidente Fidel Castro admitiu que não tem mais condições de ser o chefe do Partido Comunista cubano. A informação foi divulgada hoje pela imprensa oficial cubana. Ele deixou claro na reunião que não estava ali como líder do único partido da ilha.

- Fiquei doente e fiz o que devia fazer: deleguei minhas atribuições – afirmou.

No próximo ano, em abril, o PC vai realizar o primeiro congresso do partido em 13 anos. O foco deverá ser soluções para o futuro econômico e sopcial do regime. mas, nos bastidores, o tema deverá ser “Cuba sem Fidel”. O governo nunca justificou os sucessivos adiamentos do congresso, mas atribui-se isso ao estado de saúde de Fidel, que não governa Cuba desde 2006.


Tapa na cara, baixaria na Argentina

18 de novembro de 2010 0

É… a baixaria no parlamento não é apenas coisa do Brasil ou do Japão. Já viu o tapa que uma deputada Graciela Camaño deu no colega Carlos Kunkel, durante uma sessão da Câmara. A reunião era uma tentativa dos parlamentares de conseguirem o quorum necessário para aprovar o orçamento de 2011, envolto por acusações de que o Legislativo esteja sendo influenciado por um esquema de subornos. Abaixo, literalmente, a baixaria…



Mineiros na CNN

18 de novembro de 2010 0

Um dos melhores programas da televisão mundial, o Heroes, da CNN, vai apresentar no próximo dia 25 um episódio especial sobre os 33 mineiros resgatados da mina San José, no Chile. Eles chegaram hoje aos EUA para participar das gravações do programa que homenageia “pessoas comuns que mudam o mundo”. Além dos mineradores, participarão do programa cinco membros da equipe de resgate que trabalhou na operação. Durante sua viagem pelos EUA, os mineradores e seus acompanhantes percorrerão o sul da Califórnia e visitarão Los Angeles e Hollywood durante o fim de semana.

Cólera chega aos EUA

17 de novembro de 2010 0

Nas últimas 24 horas, as notícias sobre o avanço da cólera pioraram. Depois que o primeiro caso fora do Haiti foi registrado na terça-feira na República Dominicana, agora é a vez da Flórida, nos EUA confirmar um doente. A vítima é uma mulher que mora no condado de Collier e que esteve recentemente no Haiti. As autoridades da Flórida disseram apenas que a paciente está bem, recebendo tratamento médico, mas não deram mais detalhes. O governo admitiu que está investigando novos casos no Estado.

Autoridades de saúde comparam a atual epidemia no Haiti à crise que atingiu o continente na década de 90. Na ocasião, a Flórida teve cerca de 20 casos de cólera “importados”. A orientação é para que viajantes que tenham estado no Haiti recentemente procurem atendimento médico em seus países, caso apresentem algum sintoma da doença.

O registro nos EUA salta aos olhos porque, pela primeira vez, a cólera é registrada fora da Isla Hispaniola (formada por Haiti e República Dominicana). Até então, a doença estava restrita ao Haiti, onde mais de mil pessoas já morreram e à República Dominicana, onde por enquanto apenas um caso foi registrado – o paciente está em tratamento e também esteve no Haiti recentemente.

Um olhar sobre a cólera no Caribe

17 de novembro de 2010 1

Ainda que a cólera esteja por enquanto restrita à Isla Hispaniola, a notícia de que a doença superou a fronteira haitiana fazendo uma vítima na República Dominicana colocou os demais países do Caribe em alerta. Em quatro semanas, a cólera já deixou mais de mil mortos no Haiti. Há 17 mil doentes.

A República Dominicana nunca havia registrado um caso. É de um haitiano que havia visitado seus familiares no Haiti 12 dias atrás. Ele retornou à República Dominicana em um ônibus. Segundo as primeiras informações, o veículo dispõe de um banheiro (o que é raro por lá). O ônibus teria sido localizado tomadas as medidas sanitárias necessárias, conforme o o governo: o isolamento dos resíduos sanitários recolhidos.

Os dois países não têm muitos pontos de passagem, porque é uma região de fronteira montanhosa. Conheci um desses pontos em janeiro deste ano, quando eu e o cinegrafista Fernando Rech, da RBS TV, entramos por terra no Haiti, logo após o terremoto em Porto Príncipe. É um portão de ferro, com alguns homens armados. De vez em quando ocorre alguma truculência. Ao lado do portão há um lago, o Lago azul, no qual não há nenhum tipo de fiscalização.

Autoridades internacionais de saúde salientaram que é praticamente impossível prever o padrão do surto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que a prioridade neste momento é evitar a propagação do surto de cólera no Haiti e tratar os contaminados, e não investigar as causas da epidemia. As declarações foram dadas depois que surgiram rumores de que a epidemia pode ter sido provocada pelas forças da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que teriam contaminado um rio em Mirebalais.

Haitianos acusam soldados do Nepal integrantes da Minustah de levar o cólera ao país pela primeira vez em um século. A ONU confirmou que o tipo de cólera no país é o mesmo existente no Nepal, mas diz não ter encontrado evidências de que foram seus soldados que levaram a doença ao Haiti.

Cconheci também um hospital de Porto Príncipe. As condições são muito precárias – não se compara nem ao nosso pior SUS. Crianças pelo chão, sujeira, lixo, na frente, porcos, outros animais. Poças de água parada, tudo isso com um calor de 30 graus, muito abafado. Lembro que naquela ocasião do terremoto, eu entrei no prédio, fiz algumas imagens e logo sai com medo de ser contaminado por algum tipo de virus ou bactéria.

A cólera é uma doença gastrointestinal transmitida por meio de água contaminada e está relacionada a condições precárias de higiene, à superpopulação e à falta de sistemas adequados de saneamento. A doença pode ser tratada com relativa facilidade, mas provoca muitas mortes em países em desenvolvimento.

O Brasil tem 7 mil homens no Haiti, mas familiares devem ficar tranquilos. As instalações na base brasileira são limpas, os militares bebem sua própria água e fazem sua própria comida. Se na primeira vez em que estive no Haiti, em 2005, esses cuidados já eram importantes. Agora, eles devem ser redobrados.

O noivado de Kate e William

16 de novembro de 2010 0

Fazia tempo que não havia uma notícia positiva na família real britânica, sempre em meio aos escândalos… A Clarence House, residência oficial do príncipe herdeiro Charles, anunciou o noivado de William  com Kate Middleton. Ou seja mais uma plebéia na corte britânica. Os dois namoram há oito anos, entre idas e vindas, e ela ganhou a aliança de safira e diamantes usada pela mãe dele, a princesa Diana. O casamento deve ser no ano que vem. Dizem os rumores que eles já haviam noivado no mês passado, durante uma viagem do casal ao Quênia, e que hoje foi apenas o anúncio oficial.

Foi bastante elegante Kate, ao dizer que Diana é uma inspiração, mas ela também admitiu que sente um friozinho na barriga quando pensa sobre a vida na corte. Diana enfrentou muitos problemas e nunca foi aceita pela mãe de Charles, a rainha Elizabeth II.

Claro, há diferenças, Diana quando se casou com Charles tinha 19 anos. Kate tem 28, estudou na História da Arte, na universidade, trabalhou em uma rede de lojas de roupas femininas e ajuda os pais em uma empresa online da família, que vende artigos para festas de crianças.

CURIOSIDADE – Sites britânicos dizem que deve ser uma estilista brasileira a confeccionar o vestido de casamento de Kate: a carioca Daniela Issa Helayel. Segundo a imprensa europeia, Kate é vista com freqüência usando vestidos da grife Issa, mantida pela brasileira no bairro londrino de Chelsea.

Em 1981, centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Londres para ver a linda comitiva do casamento de Diana com Charles. Centenas de milhões assistiram à cerimônia pela TV no mundo todo. Emoção essa que muitos esperam ver no ano que vem. No verão ou primavera europeia.