François Houtart é um dos mais conhecidos sociólogos antiglobalização. Marxista, adepto da teologia da libertação, foi um dos mentores do Fórum Social Mundial de Porto Alegre em 2001. Hoje, o jornal belga Le Soir divulgou que o padre de 85 anos confessou ter praticado pedofilia 40 anos atrás, contra um menino de oito anos.
Houtart disse ao jornal que ele é o "canônico A", acusado por uma das 475 denúncias apresentadas este ano perante uma comissão criada pela Igreja belga para tratar casos de sacerdotes pedófilos. Apelidado de "o papa da antiglobalização", Houtart foi inscrito por seus partidários em outubro como candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 2011. A campanha a seu favor perdeu força logo depois das denúncias.
Em outubro, depois que partidários deram início à campanha apoiando o sacerdote para o Nobel da Paz, uma mulher entrou em contato com a ONG que ele fundou, a Cetri (na sigla em francês) e disse que ele teria abusado sexualmente de seu irmão há 40 anos, de acordo com o diretor da organização, Bernard Duterme. No e-mail que enviou à ONG e ao comitê que fazia campanha pela nomeação de Houtart ao Nobel da Paz, a irmã da vítima fornece detalhes sobre os supostos abusos. Segundo ela, Houtart - que era amigo de seu pai - entrou no quarto de seu irmão duas vezes "para estuprá-lo".
Segundo ela, seu pai conversou com o padre sobre o incidente alguns dias depois e disse que ele deveria se desculpar, mas o sacerdote se recusou e disse "que aquilo era normal". A família cortou então qualquer contato com Houtart.
Hoje, ao jornal belga "Le Soir", o padre admitiu que abusou do garoto em duas ocasiões na casa dos pais do menino em Liege, no leste da Bélgica.
"A. entrou duas vezes no quarto do meu irmão para estuprá-lo", conta a autora da denúncia. O padre, considerado um dos mais influentes do mundo católico belga, confessou parcialmente seu crime.
- Ao atravessar o quarto de uma das crianças da família, de fato toquei suas partes íntimas por duas vezes, o que o acordou e assustou - declarou.
A mulher, no entanto, fala claramente em "estupro".
- Evidentemente foi um ato impensado e irresponsável - admitiu, afirmando jamais ter abusado de outros menores.
Ex-professor da Universidade Católica de Leuven (UCL), Houtart é especialista do Concílio Vaticano II. Em 2002, ao ser questionado sobre a herança do fórum de Porto Alegre, afirmou:
"Porto Alegre 2001 foi um evento de grande força simbólica. Em Porto Alegre não se criaram novas estruturas ou um contrapoder nem econômico nem político, mas Porto Alegre criou uma nova cultura. Também permitiu a movimentos de tipos muito diferentes encontrarem-se, e a fazer contatos e intrerconexões fortes. O ano que vem vai ser realmente crucial, para ver se se encontra o tipo de organização eficaz, e não pesado demais, se se encontra a pedagogia para ir além e se podemos chegar realmente a propostas reais que são de diferentes tipos, umas mais utópicas, mas também propostas alternativas a curto e médio prazo para realmente propor mais do que uma simples regulação da economia, da ecologia, do poder político e uma construção, a longo prazo, de outra lógica econômica, outra organização do mundo, para responder às necessidades dos seres humanos e não somente da acumulação do capital."
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