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Gaúcho chefe da OEA no Haiti diz que voltará ao país do Caribe apenas para se despedir

26 de dezembro de 2010 0

Um dos homens mais corretos que conheço, Ricardo Seitenfus praticamente já não é mais o chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti. O gaúcho, professor de Relações Internacionais, chegou na noite de sábado de Porto Príncipe para férias em Arroio do Tigre.

Em contato hoje, por e-mail, ele me disse:

- Não me demiti, nem fui demitido. Simplesmente Insulza me pediu que gozasse férias a que tinha direito.

Ele refere-se a José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA. Seitenfus explicou:

- Devo retornar ao Haiti ao final delas para despedir-me pois não assumirei novamente o posto. Estes são os fatos. A partir deles, cada um interpreta como bem entende.

O diálogo entre Seitenfus e Insulza teria ocorrido na segunda-feira, quando o secretário-geral da OEA teria se referido a uma entrevista concedida pelo gaúcho ao jornal suíço Le Temps. Seitenfis teria ditto que permaneceria no Haiti, que enfrenta uma crise de segurança e a epidemia de cólera, mas Insulza teria ditto para que tirasse ferias. Nos bastidores, sabe-se que Seitenfus teria estranhado a ordem para tirar ferias. Ele planejava permanecer no Haiti até 31 de março de 2011.

Na entrevista ao Le Temps, Seitenfus disse que o país caribenho pagou por sua proximidade com os EUA, afirmou também que várias ONGs só existem às custas da desgraça hatiana e que o Haiti é testemunho do fracasso da ajuda internacional.

Tudo o que afirmou, é verdade. Mas Insulza não gostou. O gaúcho também criticou a atuação das tropas de paz da ONU, lideradas pelo Brasil.

- É necessário construir estradas, represas, um sistema jurídico, mas a ONU diz que não tem jurisprudência para isso – disse.

Insulza afirmou hoje:

- Não é verdade que pedi sua renúncia. O senhor Seitenfus há tempos anunciou que ia embora. É sempre efetuou declarações bastante fortes sobre a distribuição da ajuda no Haiti. Eu o fiz ver que é representante da OEA e que não é bom que faça essas declarações. Mas não foi essa a razão da saída.

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