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Posts do dia 24 janeiro 2011

Atentado é aviso a Putin

24 de janeiro de 2011 0

A região do Cáucaso é complicada. Trata-se de uma área extremamente rica em gás natural, entreposto comercial antigo entre o Ocidente e o Oriente. Um caldeirão de etnias, que desde tempos remotos vive uma guerra contra o poder central, ainda no tempo do czar. A principal província ali, a Chechênia, briga pela independência. A frente estão radicais islâmicos, alguns deles com treinamento no Afeganistão.

Houve uma guerra entre 1994 e 1996, chamada de Primeira Guerra da Chechênia, quando os rebeldes conseguiram deter a ofensiva russa. O governo já cambaleante de Boris Yeltsin mandou tanques à região, mas o Kremlin precisou recuar. Foi declarado um cessar-fogo, e houve uma certa autonomia chechena até 1999.

Naquele ano, guerrilheiros muçulmanos atacaram enclaves na província vizinha do Daguestão, e uma série de atentados sacudiu a Rússia.

Lideradas por Vladimir Putin, as tropas russas voltaram ao front, com política de terra arrasada. Os atentados recrudesceram, mas o Kremlin deu por terminada aquela que ficou conhecida como a Segunda Guerra da Chechênia. Pelo jeito, o conflito está longe do fim. O atentado de hoje é visto como um aviso a Vladimir Putin, que promete voltar nas eleições de 2012.



Uma tragédia anunciada

24 de janeiro de 2011 0

Ainda é cedo para apontar culpados pelo atentado que há pouco provocou pânico no aeroporto de Moscou. Mas o histórico da guerra interna na Rússia nos permite, ainda que com cautela, suspeitar dos suspeitos de sempre: os radicais muçulmanos da região do Cáucaso. Chechênia, Daguestão e outras províncias islâmicas que o Kremlin procura manter sob seu guarda-chuva à fórceps são um ninho de extremistas, que volta e meia provoca o caos no sistema de segurança russo e apavora o mundo.

A notícia do atentado não surpreende. Há vários meses, esperava-se uma onda de ataques, com a aproximação das eleições presidenciais russas de 2012. Os suspeitos são os mesmos que provocaram o horror na escola de Beslán, os mesmos de um ataque a um teatro de Moscou (terroristas plantaram explosivos no meio da plateia na Dubrovka Street, em um impasse que durou quatro dias e terminou com a morte de mais de cem reféns) e aqueles que, em março de 2010, detonaram bombas no metrô da capital, matando 40 pessoas. Muitos dos responsáveis por esses ataques são as chamadas viúvas negras, mães e esposas de extremistas mortos pelas forças russas do Cáucaso.

A Rússia registrou nos últimos 10 anos uma série de explosões reivindicadas por militantes da causa separatista. Nos últimos anos, contudo, os atentados se tornaram menos frequentes.

Além da proximidade da eleição, outro fator tornam esta uma tragédia anunciada: o recrudescimento por parte do governo de Dmitri Medvedev da campanha contra o terrorismo no Cáucaso Norte. A reação do Kremlin começou após um atentado suicida contra um prédio da polícia na república da Inguchétia, no qual morreram 24 pessoas.

O Domodedovo é o aeroporto mais moderno de Moscou, mas sua segurança já havia sido questionada. Em 2004, dois suicidas embarcaram em aviões lá após terem comprado passagens ilegalmente de funcionários do próprio aeroporto. Eles se explodiram em pleno ar, matando 90 pessoas em dois aviões.

Construído em 1964, o Domodedovo fica a cerca de 42 km a sudeste do centro de Moscou. Ele é o maior dos três principais aeroportos que servem à capital, e teve movimento de 22 milhões de passageiros em 2010.

Clique aqui e veja vídeo no YouTube com imagens (abaixo) do aeroporto há poucos instantes. Neste outro link, a fumaça no interior do prédio.