Durante nossa cobertura no norte da África, usamos como QG a ilha de Djerba, que fica a cerca de uma hora de carro de Ras Ajdir, o posto fronteiriço com a Líbia. Já comentei aqui que, não fosse uma cobertura de guerra, o local seria perfeito para passar férias. O clima ainda anda meio tenso na Tunísia, berço da revolução árabe, que começou em Túnis, em janeiro, e culminou na derrocada do regime do ditador Ben Ali. Mas Djerba, com 140 mil habitantes, ainda sofre os efeitos da crise - só agora os turistas estão começando a voltar.
Como reportagem não combina com turismo, a menos que seja para a seção especializada de Viagem dos jornais e programas de TV, não postei aqui algumas fotos que fiz diariamente a caminho do front. Elas revelam um pouco da história deste lugar.
A ilha foi fenícia, cartaginesa e romana. A sua população é de origem berbere, os árabes chegaram no século 6 . A ilha conta ainda com uma das mais antigas comunidades judaicas do mundo. No século 15, foi refúgio de piratas, e no século 19 chegou chegaram os franceses. No período romano, os invasores ficaram fascinados com a oliva da região, instalaram um forte (cujas ruínas se pode ver logo na entrada da ilha), e começaram a exportar o produto para o continente europeu. Também estão lá, na beira da estrada, cemitérios romanos - mal cuidados, é verdade.
Repare na mesquita da foto acima. Pequena né? Pois saiba que o prédio é mais antigo do que o Brasil descoberto...
Alguns moradores utilizam o barro para esculpir peças de artesanato lindíssimas. É possível entrar nessas cavernas, caminhar pelos túneis e observar o trabalho. Enfim, como eu disse, um ótimo lugar para passar férias, a três horas de voo de Paris. Espero voltar lá um dia, com o país pacificado. E para descansar.











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