O acordo preliminar foi assinado há pouco no Cairo, Egito, entre as duas facções, dois movimentos políticos que dominam o cenário nos territórios palestinos: a Fatah, historicamente mais moderada, liderada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o Hamas, grupo extremista islâmico considerado terrorista pelos EUA, Israel e União Europeia. Os dois grupos estavam em guerra de junho de 2007, quando o Hamas expulsou a Fatah da Faixa de Gaza. Assim, o Hamas passou a controlar toda a Faixa de Gaza, o que motivou um embargo econômico internacional, que faz sofrer a população civil. E a Fatah, por sua vez, ficou com a Cisjordânia.
Foi uma guerra fratricida já que todas as facções são palestinas. Com isso, Israel fechou seu posto de fronteira com a Faixa de Gaza, alegando que a Fatah não poderia mais garantir a segurança na região, e impôs um bloqueio ao território palestino, proibindo todas as exportações e permitindo, unicamente, limitada ajuda humanitária. O governo egípcio havia também fechado sua fronteira quando os combates mais intensos entre Fatah e Hamas tiveram início.
O Egito vai agora pedir uma reunião de todas as facções palestinas para assinar um acordo de reconciliação no Cairo nos próximos dias. O que deve ser criado a partir daí é um governo misto, que deverá preparar eleições presidenciais e legislativas em um ano. Ainda é cedo para falarmos em paz, principalmente com Israel, já que o Hamas não aceita negociar com israelenses, diferentemente da Fatah, facção do histórico líder Yasser Arafat, para quem a tranquilidade do Oriente Médio passa pelo processo de paz com Israel.
Mas já é uma boa notícia. Os dois lados assinaram cartas preliminares de um acordo em que todos os pontos divergentes foram superados, segundo as primeiras informações.
O que chama a atenção também é que a participação do Egito, país que viveu uma crise política recentemente, com a queda do ditador Hosni Mubarak, e que, mesmo assim, está mediando o entendimento. Isso mostra que o processo de negociação pela paz no Oriente Médio não necessariamente dependia do ditador Mubarak. O que também é uma ótima notícia.
Nas próximas horas deveremos ter mais detalhes sobre os termos do acordo, já que por enquanto são apenas anúncios em off, extra oficiais.


Infelizmente não posso ser tão otimista quanto o sr.
Acho que complicou ainda mais, já que o Hamas não reconhece Israel, não sentará em qualquer mesa de negociação com Israel e quer o fim de Israel.
Como será possivel um acordo nestas codições?
Ou o sr. acredita que o Hamas, sustentado pelo Irã e pelo Hezbolah vai mudar?
A AP deveria selar um acordo com Israel e ignorar o Hamas.
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Nossa, ótimas notícias. A não ser pela possibilidade de que não seja "negociação pela paz" coisa nenhuma: o Egito faz o meio-campo porque o Muslim Brotherhood (pai de Hamas e Hizbullah e al-Qaida) tá tomando conta; Hamas e Fatah dão-se as mãos no que sempre foi seu objetivo declarado (inclusive por Arafat e Abbas): a eliminação de Israel e o estabelecimento de (mais um) estado islâmico, i.e., uma teocracia semitotalitária. Os pontos divergentes entre eles referem-se somente a quem vai deter mais poder e enriquecer mais com a corrupção; o objetivo fundamental é o mesmo. Aprecio também a retórica: Mubarak era um ditador (concordo), Arafat um "líder histórico" (e não um gangster terrorista).