A gaúcha Kelly Isis Pelisser, que está em Londres e desde ontem tem enviado relatos para o blog, mandou há pouco fotos do frenesi na capital britânica nesta sexta-feira. Ela conseguiu ficar bem próximo das carruagens, que transportaram Kate e William e a rainha, no início do The Mall. Veja a descrição - e as fotos - da Kelly.
Nesta sexta-feira, tive a real dimensão do que significa a palavra "crowd", ou multidão, em bom português. Eu era mais uma entre o povo que se amontava para assistir ao casamento real em Londres. Fui ao Palácio de Buckingham, porque a Abadia de Westminster me pareceu lotada demais ainda na quinta-feira. Acordei às 5h30min (1h30min no Brasil). Cheguei uma hora depois na acenida que dá acesso ao palácio. A multidão já tomava conta, mas ainda havia bons espaços disponíveis. Consegui ficar pertinho do cordão de isolamento, logo atrás do pessoal que tinha dormido lá com barracas.
A maioria do público foi fantasiado com as cores da bandeira da Grã-Bretanha. O acessório mais popular era uma bandeira com a figura do casal estampada (eu também comprei a minha, por três pounds, cerca de R$ 8,10). Havia várias meninas vestidas de noiva (vi até um cachorro com roupa de noiva, de novo...). Houve também quem levou a sério o figurino de um casamento: mulheres com vestidos longos e chapéus eram vistas com certa frequência entre o público, assim como garrafas de champanha espocando.
Mas não pense que a vida de súdito é fácil. Foram seis horas em pé, sem conseguir me mexer, tomando água e comendo alguns biscoitos. Eu mal conseguia pegar a comida na minha bolsa e, se tirasse o pé do lugar, não dava para colocá-lo de volta na mesma posição porque alguém já teria ocupado o espaço. Tudo isso para ver o casal real, a rainha da Inglaterra, o príncipe Charles e companhia por alguns breves segundos na ida para a Abadia, na volta ao Palácio, e depois, por cinco minutos na sacada.
Minhas costas doem, minhas pernas doem (muito). Mas, estou feliz. Nunca cultuei celebridades, bandas de rock ou atores. Porém, confesso que, ao ver a rainha Elizabeth II, Kate e William ali a poucos metros, me emocionei. Afinal, é um acontecimento histórico. Daqui a muitos anos, as pessoas ainda vão falar desta sexta-feira. Se, no futuro, eu tiver filhos, vou poder contar a eles: “sabe o Rei William (se ele chegar a ser rei até lá)? Mamãe foi ao casamento dele”. E, naquele dia, eu aprendi o que é ser multidão.




















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