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Posts de abril 2011

Direto de Londres - bastidores do casamento pelo olhar de uma gaúcha

29 de abril de 2011 0

A gaúcha Kelly Isis Pelisser, que está em Londres e desde ontem tem enviado relatos para o blog, mandou há pouco fotos do frenesi na capital britânica nesta sexta-feira. Ela conseguiu ficar bem próximo das carruagens, que transportaram Kate e William e a rainha, no início do The Mall. Veja a descrição - e as fotos - da Kelly.

Nesta sexta-feira, tive a real dimensão do que significa a palavra "crowd", ou multidão, em bom português. Eu era mais uma entre o povo que se amontava para assistir ao casamento real em Londres. Fui ao Palácio de Buckingham, porque a Abadia de Westminster me pareceu lotada demais ainda na quinta-feira. Acordei às 5h30min (1h30min no Brasil). Cheguei uma hora depois na acenida que dá acesso ao palácio. A multidão já tomava conta, mas ainda havia bons espaços disponíveis. Consegui ficar pertinho do cordão de isolamento, logo atrás do pessoal que tinha dormido lá com barracas.

A maioria do público foi fantasiado com as cores da bandeira da Grã-Bretanha. O acessório mais popular era uma bandeira com a figura do casal estampada (eu também comprei a minha, por três pounds, cerca de R$ 8,10). Havia várias meninas vestidas de noiva (vi até um cachorro com roupa de noiva, de novo...). Houve também quem levou a sério o figurino de um casamento: mulheres com vestidos longos e chapéus eram vistas com certa frequência entre o público, assim como garrafas de champanha espocando.

Mas não pense que a vida de súdito é fácil. Foram seis horas em pé, sem conseguir me mexer, tomando água e comendo alguns biscoitos. Eu mal conseguia pegar a comida na minha bolsa e, se tirasse o pé do lugar, não dava para colocá-lo de volta na mesma posição porque alguém já teria ocupado o espaço. Tudo isso para ver o casal real, a rainha da Inglaterra, o príncipe Charles e companhia por alguns breves segundos na ida para a Abadia, na volta ao Palácio, e depois, por cinco minutos na sacada.

Minhas costas doem, minhas pernas doem (muito). Mas, estou feliz. Nunca cultuei celebridades, bandas de rock ou atores. Porém, confesso que, ao ver a rainha Elizabeth II, Kate e William ali a poucos metros, me emocionei. Afinal, é um acontecimento histórico. Daqui a muitos anos, as pessoas ainda vão falar desta sexta-feira.  Se, no futuro, eu tiver filhos, vou poder contar a eles: “sabe o Rei William (se ele chegar a ser rei até lá)? Mamãe foi ao casamento dele”. E, naquele dia, eu aprendi o que é ser multidão.



Entre os convidados do casamento, representantes de ditadores e déspotas

29 de abril de 2011 0

A realeza britânica informou que embaixadores de todos os países com os quais a Grã-Bretanha tem “relações diplomáticas normais” foram convidados para o casamento, cerca de 185 no total, e que o convite não analisa comportamento dos governos. Não é bem assim:  na lista de casamento, estava o príncipe herdeiro do Barein, Salman ben Hamad Al-Khalifa. Seu pequeno país no Oriente Médio passa por uma série de manifestações contra o regime. Depois da polêmica, a monarquia árabe declinou do convite. Em um comunicado, o príncipe Salman pediu desculpas a William e afirmou que esperava que “os acontecimentos atuais melhorassem”, para que pudesse comparecer.

A outra polêmica partiu do cerimonial real: a Grã-Bretanha anulou o convite para o embaixador da Síria. Nas últimas semanas, mais de 500 pessoas foram mortas na revolta contra o governo de Bashar al-Assad. Também não foram convidados os embaixadores da Líbia - a Grã-Bretanha está envolvida na missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o governo de Muamar Kadafi - e do Malavi, cujo enviado foi expulso de Londres nesta semana como uma espécie de punição diplomática.

Entre os convidados criticados por ativistas de direitos humanos estão o monarca absolutista da Suazilândia, rei Mswati III; o embaixador do governo do presidente Robert Mugabe do Zimbábue; e o príncipe Mohamed bin Nawaf bin Abdulaziz, da Arábia Saudita.

Blair e Brown são as ausências do casamento real - e o polêmico viés conservador

29 de abril de 2011 0

Permitam-me deixar de lado, por alguns instantes, a parte mais pop do casamento real. Gostaria de abordar o tema por um viés um pouco político, que passou ao largo da supercobertura da imprensa internacional nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira. Estavam na Abadia de Westminster o casal Bekham, a cantora Joss Stone, o músico Elton John, amigo da princesa Diana, e outras celebridades. Entre os políticos, estava lá o ex-primeiro-ministro britânico John Major. Não consegui ver Margareth Thatcher. Sabia que ela tinha sido convidada, mas não havia confirmado presença por problemas de saúde. Ambos conservadores convidados. Mas não estavam na lista seleta os ex-primeiros-ministros Tony Blair e Gordon Brown, os trabalhistas. Foram contemplados 52 membros da monarquia e 200 do governo e do corpo diplomático.

Eu, você...todos nós que já organizamos alguma festa de formatura ou mesmo de casamento sabemos o quanto é difícil, diante de um orçamento apertado, ter que escolher os nomes de convidados. Fazer 200 pessoas caberem em uma lista muitas vezes limitada. Não me parece o caso da realeza britânica. Foram 1,9 mil nomes na abadia.

As ausências de Blair e Brown foram sentidas nos meios políticos. De viés liberal, os dois nunca tiveram bom relacionamento com a rainha Elizabeth II. Blair, principalmente, em uma rusga escancarada durante a morte de Diana, quando o primeiro-ministro chegou a ir ao Palácio de Buckingham pedir uma manifestação oficial de pesar da rainha e uma declaração oficial de luto.

As desculpas da Casa Real para as ausências: Major e Thatcher têm tílulos de nobreza, e como tais foram convidados. Margaret Thatcher recebeu da rainha o título de baronesa em 1995. Major, nomeado sir em 2005, tem ligação mais estreita com a realeza: ele foi o guardião legal de William e Harry depois da morte da princesa Diana. A questão da "nobreza" foi o argumento também para explicar porque Barack Obama, Nicolas Sarkozy, a presidente Dilma Rousseff e outros líderes mundiais não estavam lá. Era uma festa de famílias reais. Blair e Brown, embora ex-chefes de governo, não têm a distinção. A outra explicação: o príncipe Charles, pai do noivo, disse que o casalmento "é um evento particular, embora desperte grande atenção pública". Isso explicaria, segundo ele, a exclusão também de amigas de Diana, mãe de William e morta em 1997. Em outras palavras, ele quis dizer: "a festa é nossa, e nós convidamos quem quisermos".

A título de curiosidade: quando Charles e Diana se casaram, em 1981, foram convidados cinco ex-primeiros-ministros.

E em tempo: enquanto o casamento rolava do outro lado do Atlântico, Tony Blair, cumpriu agenda no Rio de Janeiro, onde participou de um debate sobre Copa do Mundo e Olimpíadas durante o Fórum Econômico Mundial da América Latina.

Na Abadia de Westminster, expectativa e até cão vestido de noiva

28 de abril de 2011 0

Segue o relato da gaúcha Kelly Isis Pelisser ao blog, colaborando de Londres. E fotos enviadas agora:

A calçada em frente à Abadia de Westminster é espaço bem mais concorrido do que o Palácio de Buckingham. A expectativa do público de ver os noivos e os convidados adentrando à igreja fez com que não houvesse mais lugares naquelas cercanias ainda nesta quinta. A polícia inglesa teve de improvisar uma cerca tomando parte da rua, já que a calçada virou território intrasitável por causa das barracas.

Direto de Londres a menos de 12 horas para o casamento real

28 de abril de 2011 0




Londres começa a viver horas de expectativa. A gaúcha Kelly Isis Pelisser está na cidade passeando. Viajou de Dublin para a capital justamente para acompanhar a cerimônia de casamento entre Kate e William, que começa às 7h desta sexta-feira pelo horário de Brasília. Ela enviou para o blog as fotos que fez hoje. A movimentação é intensa na frente do Palácio de Buckingham, como ela narra no texto a seguir:

Não há outro assunto em Londres. O casamento real está estampado nos jornais, nas revistas de fofoca, na televisão. A cidade está abarrotada de turistas de todos os cantos do mundo. Na tarde desta quinta-feira, as estreitas calçadas em frente à Abadia de Westminster, onde a cerimônia será realizada, já não tinham mais lugares a ser preenchidos pelo público. Há gente acampada há vários dias. Alguns não têm barracas nem hotel, estão dormindo na rua, tendo a mala como travesseiro.

A maioria dos expectadores tenta se destacar com alguma fantasia. Tem até quem trouxe a cachorra usando vestido de noiva. Tiarinha de princesa é o acessório mais popular entre as garotas. E o souvenir preferido é uma bandeira da Gra-Bretanha com a foto do casal William e Kate.

Em frente ao Palácio de Buckingham, o povo em barracas se mistura a inúmeros repórteres. Durante a tarde, cada vez que um dos portões se abria para entrada ou saída de um veículo com escolta, lá ia o público correndo com máquinas em punho. Mas não vi ninguém da família real, claro.

A maioria das ruas onde o cortejo vai passar nesta sexta-feira  ainda estava liberada, mas o trânsito no entorno já era caótico pela movimentação de turistas. E há muitos policiais por toda a parte. Ao passar em frente a um hotel na Knightsbridge Road, próximo ao Hyde Park, vi agentes revistando até as flores da entrada. Aliás, neste parque, já foram montados os telões onde o público que não conseguir ficar ao longo da rota do casal, poderá acompanhar a cerimônia.

Londres já está vestida de festa para o casamento.




Como Bin Laden escapou?

28 de abril de 2011 1

Documentos revelados pelo Wikileaks, com base em textos secretos do governo americano, dão uma ideia de como o procurado número 1 do planeta conseguiu fugir das bombas americanas sobre o complexo de montanhas de Tora Bora, no Afeganistão em 2001. Veja aqui, em reportagem da rede CNN (em inglês).

Esperança de paz no Oriente Médio - Fatah e Hamas chegam a acordo

27 de abril de 2011 2


O acordo preliminar foi assinado há pouco no Cairo, Egito, entre as duas facções, dois movimentos políticos que dominam o cenário nos territórios palestinos: a Fatah, historicamente mais moderada, liderada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o Hamas, grupo extremista islâmico considerado terrorista pelos EUA, Israel e União Europeia. Os dois grupos estavam em guerra de junho de 2007, quando o Hamas expulsou a Fatah da Faixa de Gaza. Assim, o Hamas passou a controlar toda a Faixa de Gaza, o que motivou um embargo econômico internacional, que faz sofrer a população civil. E a Fatah, por sua vez, ficou com a Cisjordânia.

Foi uma guerra fratricida já que todas as facções são palestinas. Com isso, Israel fechou seu posto de fronteira com a Faixa de Gaza, alegando que a Fatah não poderia mais garantir a segurança na região, e impôs um bloqueio ao território palestino, proibindo todas as exportações e permitindo, unicamente, limitada ajuda humanitária. O governo egípcio havia também fechado sua fronteira quando os combates mais intensos entre Fatah e Hamas tiveram início.

O Egito vai agora pedir uma reunião de todas as facções palestinas para assinar um acordo de reconciliação no Cairo nos próximos dias. O que deve ser criado a partir daí é um governo misto, que deverá preparar eleições presidenciais e legislativas em um ano. Ainda é cedo para falarmos em paz, principalmente com Israel, já que o Hamas não aceita negociar com israelenses, diferentemente da Fatah, facção do histórico líder Yasser Arafat, para quem a tranquilidade do Oriente Médio passa pelo processo de paz com Israel.

Mas já é uma boa notícia. Os dois lados assinaram cartas preliminares de um acordo em que todos os pontos divergentes foram superados, segundo as primeiras informações.

O que chama a atenção também é que a participação do Egito, país que viveu uma crise política recentemente, com a queda do ditador Hosni Mubarak, e que, mesmo assim, está mediando o entendimento. Isso mostra que o processo de negociação pela paz no Oriente Médio não necessariamente dependia do ditador Mubarak. O que também é uma ótima notícia.

Nas próximas horas deveremos ter mais detalhes sobre os termos do acordo, já que por enquanto são apenas anúncios em off, extra oficiais.


Roma de novo terá dois papas

27 de abril de 2011 0

É claro que o título deste post é metafórico: pela influência e legado que João Paulo II deixou - para muitos, uma sombra sobre o pontificado de Bento XVI -, o papa polonês voltou com força a habitar o imaginário de Roma e do Vaticano nesta semana que antecede sua beatificação. A cerimônia será no dia 1 de maio, domingo. Mas, na verdade, os rituais começam ainda no sábado, dia 30, com uma vigília no Circus Maximus romano. A celebração estará sob comando do cardeal Agostino Vallini, vigário-geral da diocese de Roma. Bento XVI acompanhará a oração por videoconferência.

A festa propriamente dia ocorre na Praça de São Pedro, para onde são esperados 1 milhão de pessoas - embora na praça caiba bem menos do que isso. Será uma invasão semelhante a daquele abril de 2005. Mas desta vez, ao invés de tristeza pela morte do pastor dos católicos, as cenas que se verão serão de júbilo. Entrei na Praça de São Pedro a primeira vez no dia 3 de abril, um domingo, 24 horas depois da morte de João Paulo II. Cruzei o local às pressas, estava atrasado para a produção da primeira reportagem como enviado especial ao Vaticano. Encontrei fiéis de várias partes do mundo, em um episódio curioso e emocionante que relato no livro que estou escrevendo. Nos dias seguintes - e foram 22 de cobertura -, a praça passou a ser meu escritório de trabalho. Ali vi a condução do corpo do papa morto, a cerimônia de sepultamento, a fila da multidão na despedida, a fumaça branca sair da Capela Sixtina, depois de algumas pretas, e, por fim, o anúncio de Bento XVI como novo pontífice.

Neste domingo, a cerimônia será precedida por uma hora de oração do Terço da Divina Misericórdia. Em seguida, haverá a missa e a consagração. O corpo de João Paulo II será trasladado da cripra, no subterrâneo da Basílica, para dentro da igreja, uma honra consagrada a poucos. Ocupará uma tumba na capela de São Sebastião, próximo à Pietá. Na sexta-feira próxima, dois dias antes da beatificação, o corpo será exumado. Ele ficará sobre uma maca, coberto por um manto branco e diante do túmulo de São Pedro. O local ficará fechado ao público.

O milagre atribuído a João Paulo II refere-se à cura da freira francesa Marie Simon Pierre. A francesa sofria do Mal de Parkinson – doença que se caracteriza por tremores e instabilidade postural e tem causas variadas. A freira francesa faz parte da congregação das Irmãzinhas das Maternidades Católicas. Marie Simon Pierre conta que conseguiu superar a doença em 2005, mesmo depois de apresentar todos os sintomas do Mal de Parkinson. O cardeal Ângelo Amato afirmou que o decreto que trata desse milagre deverá ter repercussões em todo o mundo.

150 presos em Guantánamo eram inocentes, apontam documentos divulgados pelo Wikileaks

25 de abril de 2011 1

Pelo menos 150 presos na penitenciária naval de Guantánamo são inocentes - entre eles, motoristas, agricultores e cozinheiros, que foram capturados pelas tropas americanas durante operações de "inteligência"(?) em zonas de guerra. A avaliação consta de documentos secretos divulgados em uma nova leva pelo Wikileaks e destacados hoje em jornais como The New York Times, Guardian, Le Monde e El País. Muitos permanecem presos devido a confusões de identidade ou simplesmente por terem estado no lugar errado na hora errada.

Depois de alguns meses de silêncio, o Wikileaks voltou a abalar o governo americano - e seus aliados - com a revelação de 700 documentos sigilosos. Nos textos, é possível compreender como os EUA usaram Guantánamo para obter informações dos detentos a qualquer custo - inocentes ou nao. O material foi elaborado durante o governo George W. Bush. Não havia regras claras e não eram necessárias provas para manter uma pessoa presa.

Embora os relatórios não tenham sido confeccionados por seu governo, o presidente Obama classificou a publicação do Wikileaks como "infeliz". No total, pelo menos 780 pessoas passaram pelas celas de Guantánamo desde 2002.

As autoridades militares americanas consideraram 220 dos prisioneiros de Guantánamo como militantes extremistas de alto risco. Outros 380 presos foram classificados como pessoal de baixo escalão do Talebã. Os demais seriam os inocentes citados acima.

Os documentos também revelaram detalhes de supostos planos de ataques terroristas a alvos na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Sob interrogação, os presos teriam mencionado a suposta existência de uma arma nuclear a ser detonada na Europa em caso de prisão do líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

Entre outros supostos planos, estaria o de impregnar o sistema de ar condicionado de edifícios públicos americanos com cianeto, um veneno mortal, e recrutar militantes no aeroporto londrino de Heathrow, o mais movimentado da Europa.

Leia a íntegra dos documentos divulgados pelo Wikileaks aqui

O Oriente Médio em debate

25 de abril de 2011 0

Nesta segunda-feira, às 19h30min, Beto Conte conta detalhes de sua viagem ao Líbano, Síria e Jordânia, durante as convulsões no mundo árabe, especialmente no norte da África, mas que teve reflexos nesses países. O empresário dono da STB promete uma volta no tempo ao berço do povo fenício em Byblos e ao mundo romano nas ruínas de Baalbeck. Trata-se de uma oportunidade de desvendar os segredos do povo Nabateu em Petra, encravada nas montanhas, e de Maaloula, onde ainda se fala aramaico.
Confirra também o cotidiano na parte murada de Damasco e as dunas do deserto de Wadi Rum palco de ações de Lawrence da Arábia.
Atividade gratuita, porém com lotação limitada. Confirmar presença pelo telefone 3346-1088. O evento será na Bazkaria, na rua Comendador Caminha, 324.

João Paulo II nos altares

24 de abril de 2011 0


No início da tarde de 8 de abril de 2005, uma sexta-feira, choveu pela primeira vez em Roma desde a morte de João Paulo II. Os sinos da Basílica de São Pedro haviam silenciado. As portas da grande igreja haviam sido fechadas, ocultando o caixão do Papa, que por dias atraiu legiões de fiéis que prestaram a última homenagem. A multidão de fiéis reunida na Praça não arredava pé, como se estivesse presa a seu pastor. E o grito que até hoje ecoa era:

– Santo Subito!

Sentado abaixo de uma das colunatas de Benini, observei com lágrimas nos olhos aquele momento. A multidão proclamava João Paulo II “santo já”. Nos dias seguintes, em que a emoção daria lugar à especulação sobre que nome sairia da Capela Sixtina quando a fumaça branca surgisse, os especialistas em Vaticano ainda se perguntavam se a Igreja Católica romperia a tradição e proclamaria o papa polonês santo, passando por cima da longa escada de exigências que conduz um cristão aos altares.

Bento XVI, amigo, braço direito de João Paulo II, não passou por cima da tradição. Por isso, só no próximo domingo o papa que marcou uma geração será beatificado, no primeiro passo para a santidade.

A cerimônia, que concorrerá – talvez com menos apelo midiático – com o casamento real britânico, na sexta-feira, será um acontecimento sem precedentes. Nos últimos 10 séculos da Igreja Católica, nenhum papa beatificou seu antecessor. É preciso buscar na Idade Média casos similares. Pietro del Murrone, o eremita que foi eleito papa com o nome de Celestino V em 1294 e renunciou vários meses depois, foi proclamado santo em 1313, 20 anos após sua morte. No entanto, isso foi feito por seu terceiro sucessor. As santidades de Leão IX (1002-1054) e de Gregório VII (1020-1085) foram reconhecidas imediatamente após suas mortes – como queriam os fiéis na Praça de São Pedro, com Karol Wojtyla. João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli), cujo pontificado foi exercido entre 1958 e 1963, ficou tão famoso por sua bondade que, dois anos após sua morte, quiseram canonizá-lo durante o Concílio Vaticano II, que ele tinha convocado.

Atualmente se encontra aberto o processo de beatificação de Pio XII (1939-1958) e Paulo VI (1963-1978). João Paulo II se antecipará aos dois e será beatificado mesmo antes do período de cinco anos após sua morte, como contempla a normativa vaticana. O que já é muito em se tratando de Igreja Católica. Mas o que ainda é pouco para um papa como João Paulo.

LEIA OUTROS DESTAQUES DA COLUNA DIÁRIOS DO MUNDO EM ZH DESTE DOMINGO

Sexta-feira de sangue na Síria

22 de abril de 2011 0

Sexta-feira tem sido um dia da semana sangrento nos países árabes. Não por acaso. É nesse dia da semana que os muçulmanos realizam as orações. Há muita gente nas ruas, a caminho das mesquitas, é aproveitando-se disso, os grupos opositores organizam protestos para depois das celebrações religiosas. Em países onde as ditaduras tremem, como na Síria, os governos tentam conter as manifestações com uso de violência.
Hoje, na Síria, pelo menos 88 pessoas morreram, segundo dados obtidos pela agência de notícias Reuters. Os confrontos ocorreram na capital, damasco, na cidade portuária de Latakia e localidades como Homs, Hama, Izraa, no sul do país.
Muitas das mortes teriam ocorrido quando soldados dispararam com armas de fogo e gás lacrimogêneo contra multidões que protestavam contra o regime sírio. Era o dia da "Grande Sexta-feira", como foi chamado pela oposição.
Pela primeira vez, veio a público um documento dos oposicionistas no qual eles explicitam as exigências: o estabelecimento de um sistema político democrático, o fim da tortura e dos assassinatos, prisões e violência contra os manifestantes.
Bashar al-Assad está no poder desde 2000, quando substituiu o pai Hafez al-Assad, que estava governou o país com mão de ferro de 1971 até sua morte.

Na sexta-feira santa, Papa Bento XVI responde a perguntas pela Web

22 de abril de 2011 0

Um marco na história da Igreja Católica aconteceu nesta sexta-feira santa na Itália. O papa Bento XVI respondeu diretamente a perguntas de fiéis de todo o mundo pela televisão. A transmissão foi feita pelo programa "A Sua Imagem, Perguntas sobre Jesus", da Rai 1. Foi a primeira vez que isso ocorreu.

Entre os assuntos, o terremoto e tsnumani no Japão. A pergunta foi feita por uma menina japonesa de sete anos.
- Um dia vamos entender que esse sofrimento não era vazio, não foi por acaso, mas por trás dele há um projeto bom, de amor - disse o líder religioso.

Bento XVI respondeu ainda a uma polêmica pergunta de uma mãe italiana. Ela quis saber se o seu filho, em coma há dois anos, ainda tem alma.

- Certamente a alma é presente, mas é como um violão cujas cordas estão quebradas. O instrumento do corpo é frágil e vulnerável, a alma não pode tocar, embora esteja presente - explicou Bento XVI.

As respostas do papa foram gravadas pela CTV, Centro Televisivo do Vaticano, na semana passada, na biblioteca do Palácio Apostólico. Nas imagens, o sumo pontífice apareceu em plano bem fechado, sentado numa cadeira estofada de branco, diante de sua escrivaninha. O papa respondeu a sete questões, selecionadas entre cerca de 3 mil, enviadas por fiéis de vários países.

Uma italiana com o filho em coma há dois anos perguntou se a alma ainda está presente em seu corpo. "Certamente a alma é presente, mas é como um violão cujas cordas estão quebradas. O instrumento do corpo é frágil e vulnerável, a alma não pode tocar, embora esteja presente", disse ele.

Quem é quem entre os 100 da Time

21 de abril de 2011 2

Publiquei em um post anterior o link para a revista Time, que começa a chegar às bancas americanas nesta sexta-feira. Mas se você não quiser ler em inglês, basta dar uma olhada rápida nos nomes, separados por áreas de atuação. Abaixo:

INTERNACIONAL

Ahmed Shuja Pasha - chefe do serviço secreto do Paquistão
Ai Weiwei - artista plástico e líder opositor chinês
Angela Merkel - premiê da Alemanha
Anwar al Awlaki - terrorista americano radicado no Iêmen
Aruna Roy - ativista indiano
Aung San Suu Kyi - líder opositora do Mianmar
Barack Obama - presidente dos Estados Unidos
Bineta Diop - ativista congolesa
Binyamin Netanyahu - primeiro-ministro de Israel
Cecile Richards - advogada americana
Cheng Yen - líder budista taiwanês
Chris Christie - governador de New Jersey (EUA)
Cory Booker - prefeito de Newark (EUA)
David Cameron - primeiro-ministro do Reino Unido
Dilma Rousseff - presidente do Brasil
Fathi Terbil - advogado líbio
Feisal Abdul Rauf - líder muçulmano americano
Gabrielle Giffords - deputada americana
Geoffrey Canada - educador americano
Hassan Nasrallah - líder do Hizbollah
Hillary Clinton - secretária de Estado dos Estados Unidos
Joe Biden - vice-presidente dos Estados Unidos
John Boehner - porta-voz da Presidência dos EUA
Julian Assange - fundador do Wikileaks
Katsunobu Sakurai - prefeito de Minami Soma (Japão)
Kim Jong Un - filho do Kin Jong Il, ditador da Coreia do Norte
Liang Guanglie - ministro da Defesa da China
Lisa Jackson - chefe da agência ambiental dos Estados Unidos
Margaret Woodward - militar americana
Maria Bashir - promotora afegã
Marine Le Pen - líder política francesa
Michele Bachmann - deputada americana
Michelle Obama - primeira-dama dos EUA
Michelle Rhee - educadora americana
Muqtada al Sadr - líder religioso iraquiano
Nicolas Sarkozy - presidente da França
Paul Ryan - deputado americano
Príncipe Willian e Kate Middleton - casal real britânico
Rob Bell - pastor e escritor americano
Ron Bruder - advogado americano que atua no Oriente Médio
Saif al Islam Gaddafi - filho de Muammar Gaddafi, ditador da Líbia
Wael Ghonin - revolucionário egípcio
Xi Jinping - chefe do Partido Comunista da China

MÍDIA

Arianna Huffington - fundadora do Huffington Post
Ayman Mohyeldin - jornalista egípcio
Charles Chao - presidente do portal de internet chinês Sina.com
Hu Shuli - jornalista chinesa
Hung Huang - apresentadora de TV e empresária chinesa
Oprah Winfrey - apresentadora de TV e empresária americana
Saad Mohseni - empresário de mídia afegão

ECONOMIA

Azim Premji - presidente da Wipro Technologies
David e Charles Koch - proprietários da Koch Industries
Esther Duflo - economista americana
Jamie Dimon - executivo-chefe do JPMorgan Chase
Jean-Claude Trichet - presidente do Banco Central Europeu
Joseph Stiglitz - economista americano
Lamido Sanusi - presidente do Banco Central da Nigéria
Sergio Marchionne - executivo-chefe da Fiat

TECNOLOGIA

Larry Page - co-fundador do Google
Peter Vesterbacka - desenvolvedor de games americano
Mark Zuckerberg - fundador do Facebook
Reed Hastings - executivo-chefe da Netflix

CIÊNCIA

Derrick Rossi - cientista americano
Felisa Wolfe-Simon - bióloga da NASA
Kathy Giusti - fundadora da ONG Multiple Myeloma Research Foundation
Nathan Wolfe - fundador da ONG Global Viral Forecasting Initiative
Ray Chambers - co-fundador da ONG Malaria No More
Sue Savage-Rumbaugh - cientista americana
Takeshi Kanno - médico japonês
V.S. Ramachandran - neurocientista indiano

ESPORTES

Kim Clijsters - tenista belga
Lionel Messi - jogador de futebol argentino
Mahendra Singh Dhoni - capitão da seleção indiana de críquete

ARTES
Amy Chua - escritora chinesa
Amy Poehler - atriz americana
Blake Lively - atriz americana
Bruno Mars - cantor e escritor americano
Chris Colfer - ator americano
Colin Firth - ator britânico
El Général - rapper tunisiano
George R.R. Martin - escritor americano
Grant Achatz - chef americano
Heidi Murkoff - escritora americana
Jennifer Egan - escritora americana
Joe Scarborough - apresentador de TV americano
John Lasseter - animador e diretor americano
Jonathan Franzen - novelista americano
Justin Bieber - cantor canadense
Mark Wahlberg - ator e produtor americano
Matt Damon e Gary White - atores e diretores americanos
Matthew Weiner - produtor americano criador da série Mad Men
Mia Wasikowska - atriz australiana
Mukesh Ambani - empresário cinematográfico indiano
Patti Smith - cantora americana
Rain - ator sul-coreano
Rebecca Eaton - produtora de TV americana
Scott Rudin - produtor de cinema americano
Sting - cantor e ativista inglês
Tom Ford - estilista americano

Tim Hetherington vive

21 de abril de 2011 0

Essa é uma dica do Jefferson Botega, parceiro e profissional da imagem do Grupo RBS (aqui o blog do cara). Ele encontrou no Vimeo um vídeo de Tim Hetherington, fotógrafo morto na Líbia ontem, que havia sido indicado ao Oscar por Restrepo. No vídeo abaixo, Tim faz um trabalho subjetivo muito interessante, após 10 anos de coberturas de guerra. As palavras de Tim para apresentar seu vídeo:

” ‘Diário’é um filme altamente pessoal e experimental que expressa a experiência subjetiva do meu trabalho, e foi feito como uma tentativa de me localizar depois de dez anos de reportagens. É um caleidoscópio de imagens que apontam a nossa realidade ocidental para os mundos aparentemente distantes que vemos na mídia”.


Diary (2010) from Tim Hetherington on Vimeo.