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Posts de maio 2011

Ao extraditar genocida, Sérvia manda recado à União Europeia

31 de maio de 2011 0

Chegou há pouco a Haia, na Holanda, o ex-comandante do exército sérvio-bósnio Ratko Mladic, acusado de crimes de guerra. Ele foi foi colocado em um avião para ser levado ao Tribunal Penal Internacional, após o Tribunal de Crimes de Guerra em Belgrado ter rejeitado um recurso que contestava a legalidade de sua extradição. A partida do general foi mais rápida do que se previa. Ele foi colocado no avião antes mesmo de o governo confirmar sua partida. Aparentemente, era uma tentativa de evitar mais protestos dos partidários e simpatizantes de Mladic, como os que ocorreram no domingo.

A extradição para Haia de um dos maiores genocidas do final do século 20 mostra a maturidade política e da Justiça sérvia. Mas há também interesses: o governo sérvio disse que com o gesto demonstra comprometimento com suas "obrigações morais internacionais". A afirmação é um recado direto à União Europeia (UE), que tinha a prisão do ex-general como um dos requisitos para dar entrada no processo de ingresso da Sérvia no bloco.

No Tribunal Penal Internacional, ele enfrentará acusações de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. Mladic é acusado de comandar o cerco a Sarajevo, que durou 43 meses e deixou 8 mil meninos e homens muçulmanos mortos no massacre de Srebrenica, durante a guerra da Bósnia (entre 1992 e 1995). Ele era um dos acusados de crimes de guerra mais procurados do mundo e foi capturado na última quinta-feira, após viver foragido por 16 anos. O massacre, ocorrido durante a Guerra da Bósnia, foi a maior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Superbactéria põe Alemanha em alerta

26 de maio de 2011 0

Depois do vulcão islandês, agora uma superbactéria está preocupando os alemães. O assunto é capa dos principais jornais do país nesta quinta-feira, depois que o Ministério da Agricultura anunciou ontem a morte de quatro pessoas que consumiram pepinos, tomates e alfaces contaminados com a Escherichia coli. As mortes ocorreram no norte e no nordeste do país, por isso, é aconselhável não ingerir esses alimentos provenientes dessas regiões da Alemanha. A Escherichia coli provoca hemorragia no aparelho digestivo.

O Instituto Robert Koch já identificou 140 casos de síndrome urêmica hemolítica (causada pela bactéria) em todo o país, mais do que o dobro registrado no ano de 2010 (65, com dois óbitos). Os 140 casos foram identificados em apenas 15 dias, o que preocupa ainda mais as autoridades alemãs. A Escherichia coli é transmitida ao homem pelo consumo de alimentos contaminados, como carne crua, leite e verduras. No caso das verduras, as autoridades recomendam cozimento por ao menos 10 minutos para reduzir o risco de contaminação.

Vídeo mostra a situação no aeroporto de Tegel, em Berlim

25 de maio de 2011 0

Produzi este vídeo para mostrar a situação de desinformação no aeroporto de Tegel, o principal de Berlim, fechado para pousos e decolagens desde as 11h (6h em Brasília).


Problemas devem ser menos intensos do que em 2010, segundo Eurocontrol

25 de maio de 2011 1

Pelo segundo ano consecutivo a erupção de um vulcão na Islândia ameaça o tráfego aéreo europeu. Em 2010, foi o vulcão Eyjafjallajökull que provocou o drama, fechando aeroportos como o britânico Heathrow, um dos mais importantes do mundo. Desta vez, o vulcão se chama Grimsvötn.

A companhia aérea alemã Lufthansa cancelará 150 voos hoje. Já a Air Berlim, a segunda maior companhia aérea da Alemanha, anulou 70 voos.

Na Grã-Bretanha e na Irlanda, cerca de 250 voos foram cancelados só hoje.

600 voos devem ser cancelados hoje

25 de maio de 2011 0

O fechamento dos aeroportos, como de Tegel, em Berlim, o de Bremen e o de Hamburgo, vai afetar pelo menos 600 voos hoje na Alemanha. Há uma expectativa otimista de que a nuvem de cinzas se dissipe a partir da tarde no espaço aéreo alemão. Mas, segundo o Eurocontrol, a partir de amanhã, o problema deve afetar aeroportos poloneses.


Berlim está isolada pelo ar

25 de maio de 2011 0

Neste momento, a capital alemã está isolada pelo ar. Não há comunicação aérea de Berlim com o resto da Alemanha e da Europa. Escrevo do aeroporto de Tegel, o principal de Berlim. Desde as 11h, todos os voos estão cancelados. Desde cedo, muitos passageiros começaram a buscar informações nos paineis, quando seus voos ainda estavam confirmados. Mas aos poucos, a desinformação começou a tomar conta do principal terminal. Neste momento, quem busca alguma notícia sobre seu voo no balcão de informações é orientado a se deslocar até o guichê de sua companhia aérea: em uma delas, contei 93 pessoas. Uma delas é Mariah, que estava com uma menina de um ano, aguardando informações sobre seu voo para Helsinque. Ela estava de férias em Berlim e ontem à noite começou a ficar preocupada com as informações sobre os cancelamentos que via na TV. Ela pegaria o voo AB8308 às 12h35min. Mas não fará a viagem.

- Se tiver que ficar alguns dias, não há problema, porque minha amiga já ofereceu o apartamento dela - contou.

Algumas chegadas canceladas: Bonn/Colônia, Dusseldorf, Londres, Munique, Bruxelas.

Algumas partidas canceladas: Paris, Dusseldorf, Frankfurt, Helsinque.

Na chegada foi possível perceber que voos para o Leste Europeu - no sentido contrário ao avanço da nuvem de cinzas do vulcão islandês - chegaram a decolar, como para São Petersburgo.

Não há voos diretos entre Berlim e o Brasil. As portas de entrada dos brasileiros na Alemanha são Frankfurt e Munique.


Os aeroportos de Bremen e Hamburgo, aqui na Alemanha, estão fechados desde as 5h e 6h da manhã respectivamente. A decisão de fechar os aeroportos foi tomada depois que a nuvem de cinzas superou o limite máximo de 2.0 miligramas por metro cúbico de ar, o que compromete a segurança dos voos. Agora, a altitude das cinzas chega a 5 mil metros.

Aeroportos de Berlim vão fechar às 11h

25 de maio de 2011 0

Cinzas do vulcão islandês devem tumultuar o tráfego aéreo alemão nesta quarta-feira. Aeroportos de Bremen e Hamburgo estão fechados. O Tegel e o Shoenfeld, os dois aeroportos da capital, Berlim, devem ser fechados a partir das 11h (6h pelo horário de Brasília). Estranhamente, o dia está lindo. Com sol e céu azul (foto). A olho nu, não se vê as cinzas.

Cinzas de vulcão ameaçam Alemanha

24 de maio de 2011 0


É um início de madrugada de expectativa nos aeroportos da Alemanha, especialmente nas cidades do norte do país. Em Hamburgo, onde estive no início desta semana, o aeroporto deve ficar fechado nesta quarta-feira por causa das cinzas do vulcão islandês, que se espalha pela Europa. Há uma elevada concentração de cinzas na atmosfera. Segundo a autoridade de segurança aérea alemã, estão vedadas descolagens e aterragens no aeroporto de Bremen a partir das 5h (meia-noite em Brasília) e no aeroporto de Hamburgo a partir das 6h (1h da manhã no Brasil).
No total, só nesta terça-feira, 500 voos foram cancelados. Tudo indica neste momento que o aeroporto de Berlim, Tegel, poderá ser atingido e fechado nesta quarta-feira. Até o momento, olhando para o céu não há sinais da coluna de fumaça. Pelo menos não a olho nu.


Cinzas sobre a Europa

24 de maio de 2011 0

Mais de 500 voos foram cancelados só hoje aqui na Europa por causa da coluna de cinzas expelida pelo vulcão islandês Grimsvôtn. Até o momento, o problema não atinge o espaço aéreo da Alemanha, onde estou, mas já provoca preocupação. Nosso grupo de jornalistas, que viajam a convite do Instituto Goetche e do governo alemão, tem voos marcados para o sábado. Até lá, a coluna de fumaça já deve ter diminuito de intensidade.

Dificilmente, o problema afetará a Alemanha já que o mais provável é que a nuvem se desloque na direção da Dinamarca e norte da Noruega e Suécia. Mesmo assim, o impacto nos voos deve ser mais limitado. O alerta por aqui permanece porque a agência europeia divulgou que, diante da instabilidade das condições meteorológicas, não é possível identificar com certeza qual será o movimento da nuvem da cinzas.

Algo estranho no ar de Dresden

22 de maio de 2011 2

Dresden, cidade de 500 mil habitantes, cortada pelo Rio Elba, tem uma história interessante. Renasceu das cinzas, como escrevi no post anterior. Com a II Guerra praticamente encerrada na Europa, forças aliadas, especialmente britânicos, bombardearam a cidade, matando 35 mil pessoas. O ataque é controverso porque não alteraria em nada o futuro do conflito - nem Dresden era um alvo militar importante.

Capital da Saxônia, a cidade foi reconstruída com muito dinheiro investido pelos soviéticos. Dos escombros, surgiu uma maravilha da arquitetura que lembra e muito Florença, na Itália. Mas há algo escondido na cidade, que só um olhar um pouco mais atento pode perceber. Localizada na antiga área da República Democrática Alemã, socialista, a cidade tornou-se a porta de entrada de imigrantes do Leste Europeu na União Europeia. O trem em que viajei de Dresden a Berlim, por exemplo, era húngaro. E muitos alemães ainda veem com preocupação a chegada de centenas de milhares de pessoas, que irão disputar seus postos de trabalho. Por isso, Dresden tornou-se uma espécie de ninho de movimentos de direita, inclusive neonazistas. Os alemães não escondem isso. Pelo contrário, combatem.

Em julho de 2009, um jovem alemão de origem russa esfaqueou uma egípcia grávida de três meses em um tribunal de Dresden. Em 1991, Jorge Gomondai, um moçambicano, foi assassinado por skinheads. Hoje, ele dá nome a uma praça na cidade. De tempos em tempos, Dresden é palco de marchas e contramarchas. No ano passado, por exemplo, cerca de 5 mil representantes da extrema direita se reuniram diante da estação ferroviária de Neustadt, de onde pretendiam seguir em passeata até o centro da cidade. No entanto, aproximadamente 2 mil manifestantes da esquerda conseguiram bloquear trechos por onde a marcha dos neonazistas passaria.

Veja algumas fotos que fiz da cidade.


A ponte da discórdia de Dresden

22 de maio de 2011 4

DA COLUNA DE ZH DE DOMINGO

Pelas calçadas de paralelepípedo de Dresden, já jorraram o sangue de 35 mil mortos. No ocaso da II Guerra Mundial, com o conflito praticamente terminado, o bombardeio da cidade tornou-se um dos episódios mais controversos da história do século 20. Entre 13 e 15 de fevereiro de 1945, aviões dos aliados bombardearam Dresden, destruindo toda a cidade, inclusive prédios históricos, como a igreja Frauenkirche. A cidade virou símbolo da selvageria humana.

Dresden foi reconstruída graças a investimentos pesados da Alemanha Oriental, da prefeitura da cidade e de fundações. Virou patrimônio cultural da humanidade. Não pela reconstrução em si, mas pela combinação do concreto com a natureza exuberante. Porém, Dresden perdeu o título graças a um ato político controverso. Devido a uma ponte polêmica, um trecho de 18 quilômetros do Vale do Elba que corta a cidade, perdeu a honraria.

Reunido em Sevilha, em junho de 2006, o Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco concluiu que a construção de uma ponte com quatro pistas, visível a partir do centro histórico, altera de forma irreparável a paisagem. É a segunda vez na história da Unesco que um Patrimônio Mundial perdeu o título. Em 2007, o Santuário Natural de Órix Árabe, em Omã, foi retirado da lista devido à redução da área de preservação ambiental.

A população aprovou a obra. Mas, à época, ainda não sabia que a construção implicaria a perda do título. Na sexta-feira, vi a ponte quase pronta. Além de impactar sobre a paisagem da cidade histórica, em sua fase final, a construção irá atordoar a vida de vários moradores.

Mais do que a ponte em si, a obra implicará a construção de túneis e na alteração do trânsito. Para a cidade, a perda do título terá sérias consequências financeiras. Além de eventualmente receber menos turistas, Dresden deixará de receber a verba relativa ao programa de apoio aos Patrimônios Mundiais alemães, dotado de150 milhões de euros. Vale de alerta para nós, no Rio Grande do Sul, que temos as ruínas de São Miguel também na lista. Um título que deve estar acima de desmandos políticos.

Hamburgo e a célula da Al-Qaeda

17 de maio de 2011 1

Ao contrário dos EUA, da Espanha e da Grã-Bretanha, a Alemanha tem sido poupada de atentados terroristas. Mas, pouco antes de eu chegar a Berlim, no início de maio, três homens foram detidos em Dusseldorf e Essen por suposto envolvimento com a rede Al-Qaeda. Por aqui, não há o esquema de segurança reforçado em shoppings e outros locais, como nos EUA e Israel, mas, para entrar em órgãos públicos e emissoras de TV e jornal, até agora passamos por várias revistas e equipamentos de raio x. Em 2004, quando estive em Berlim, o ingresso no parlamento alemão, por exemplo, era muito mais acessível do que hoje em dia. O governo não integrou as ações no Iraque – pelo contrário, o país foi uma das poucas vozes contrárias à guerra de George W. Bush, em 2003. Mas sua participação em operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) o torna alvo potencial de extremistas. Prova de que a ameaça existe foi a prisão dos três suspeitos, no final de abril.

Desde que soube que visitaria Hamburgo, no Norte, o que mais me despertou a atenção não era seu porto, o terceiro maior da Europa, sobre o qual já comentei aqui, mas o fato de a cidade ter sido um palco importante no planejamento dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA. Era aqui que morava Mohammed Atta, o líder do grupo que efetuou os ataques contra as torres gêmeas do World Trade Center e o Pentágono. Em 1992, ele chegou à cidade como estudante de planejamento urbano na Universidade de Hamburgo, onde permaneceu até a conclusão do curso em 1999. De acordo com o FBI, em 11 de novembro de 1998, Atta mudou-se para um apartamento com Said Bahaji e Ramzi Binalshibh. Nascia a chamada "célula de Hamburgo". O grupo se encontrava em um prédio, que teria sido visitado várias vezes por Khaled Sheikh Mohammed, o mentor intelectual dos ataques aos EUA.

Fiquei na cidade de ontem para hoje menos de 30 horas. E não tive tempo para apurar mais sobre a chamada célula de Hamburgo. Nos intervalos das reuniões com organismos de imprensa alemães e com grupos de análises políticas, sobraram poucas horas para um passeio rápido pelo centro histórico. Há um lago lindo, o Alster, e a arquitetura combina (às vezes nem tanto) prédios novos e velhos. Próximo à margem do Elba, há uma grande área em construção. Os canais da cidade de 1,7 mil habitantes lembram um pouco Amsterdã. Talvez, Hamburgo mereça um olhar mais turístico do que político, como o meu. É bonita, com uma população amável, simpática, que lembra muito as cidades de colonização alemã que temos aí no Brasil, e em especial no Rio Grande do Sul. Quem sabe em uma próxima oportunidade...


Os caídos de Berlim

17 de maio de 2011 0

Entre abril e maio de 1945, Berlim viveu alguns dos piores dias de sua História. A batalha pela capital, que envolveu tropas soviéticas e do exército alemão, foi uma das principais da II Guerra Mundial. Ao final, Hitlher se suicidara, e a bandeira soviética estaria hasteada no alto do Reichtag, o parlamento. 82 mil pessoas morreram. Parte desta história está no memorial de guerra soviético, em Treptower Park, no sudeste de Berlim. Trata-se de um grande espaço construído pelo arquiteto Yakov Belopolsky para lembrar os soldados soviéticos mortos na ocupação. Americanos e britânicos foram determinantes para o início do fim do Terceiro Reich, com o desembarque na Normandia, mas os soviéticos chegaram antes a Berlim, o que diz muito sobre o futuro da capital e da Alemanha nos anos subsequentes. O que chama a atenção no memorial é que, ainda hoje, com a Alemanha unificada, exista um espaço de reverência intacto como este. Estive no local e gravei o vídeo abaixo.




Hamburgo, o poderio alemão às margens do Elba

16 de maio de 2011 4


Escrevo de Hamburgo (acima), a duas horas de trem de Berlim. Não há como não associá-la ao Rio Grande do Sul. Por causa do Rio Elba, que lembra, é claro, Porto Alegre e o Guaíba. Segundo, por causa do superporto, o terceiro maior da Europa, atrás de Roterdã, na Holanda, e da Antuérpia, na Bélgica. Navegar pelos canais lembra um pouco o Rio Grande. Potência econômica da União Europeia, Hamburgo, de 1,7 milhão de habitantes muito simpáticos, exibe um poderio comercial incrível. Tive a oportunidade de navegar por uma hora e meia pelas águas do Rio Elba, docas e afluentes, onde gigantescos navios e seus contêineres são a porta de entrada e saída da Europa para o mundo.

Diariamente, chegam um total de 1.500 camiões aos três grandes terminais da HHLA, Hamburger Hafen und Logistik AG. E sabem quantos anos tem o porto? 821 anos... Acreditem!! Nasceu na Idade Média, ganhou cada vez mais importância durante o século 19, foi bombardeado durante a II Guerra Mundial e, em pouco tempo, reergueu-se e modernizou-se. Entre 1958 e 2008, o movimento anual passou de 30 milhões de toneladas para 140 milhões de toneladas. Atualmente, a conteinerização – manipuação de mercadoria por contêiners, que indica o nível de modernização do porto – chega a 96%. Uma média de 12 mil navios cargueiros passam por Hamburgo todos os anos. Chamou-me a atenção o mais moderno terminal de contêineres do mundo, totalmente automatizado - a retirada dos contêineres e a colocação nos navios é feita por computador (foto acima). E o contraste, foto abaixo, entre o carvão, os aerogeradores de energia eólica - como os que temos aí em Osório - em um país que começa a rediscutir a questão da energia nuclear após a tragédia de Fukushima, no Japão.

Visitei também duas redações - a da Der Spiegel, a principal revista semanal da Alemanha, com 1 milhão de exemplares e a sede do noticiário nacional Tagesschau (TBC) Norddeutscher Rundfunk (NDR) de televisão. Fundada em 1947, a Der Spiegel (O Espelho, em alemão) é muito parecida com a Veja, no Brasil, ou a Time americana. Foco em noticiário internacional, com mais de 300 jornalistas, cem deles responsáveis apenas pela revisão das reportagens: eles conferem informações, datas, o idioma, a ponto de, com alguma falta de modéstia, o editor que nos recebeu dizer que "eles não erram".

Minha opinião: todos erramos. Nós, jornalistas, buscamos o que na ZH chamamos de "erro zero". Mas o jornal perfeito é uma utopia a qual buscamos com revisão diária de conceitos e prevenção de erros.

Voltando a Der Spiegel. Fomos recebidos por um dos editores responsáveis pela redação da cobertura da morte de Osama bin Laden. Ele contou que, naquela noite, repórteres da revista buscaram fontes nos EUA e na Grã-Bretanha, na CIA, no FBI, para tentar montar o quebra cabeças da operação - o que todos nós fizemos. Mas chamou-me a atenção o relacionamento que a redação tem com o Wikileaks. No primeiro episódio do vazamento de informações este ano, a revista participou do pool para divulgação do chamado Cablegate. Mas, nos vazamentos seguintes, rediscutiu o acordo, uma vez que o site de Julian Assange teria passado as informações para outros jornalistas antes da divulgação oficial.

- É uma relação complicada - admitiu o editor.

Na TBC, um dos principais noticários de TV da Alemanha, estive na redação e nos estúdios. Conheci o processo de edição. Há 15 anos não há cinegrafistas nos estúdios. As câmeras são comandadas por controle remoto (abaixo).

As histórias de três gaúchos em Berlim

16 de maio de 2011 2

Fui almoçar no fim de semana em um belo restaurante na Unter den Liden, uma das principais avenidas da capital alemã, justamente aquela do Portão de Brandenburgo. Qual foi a minha surpresa ao ser recepcionado por um belo "Vocês são brasileiros". No local, três gaúchos de Caxias do Sul trabalham há vários anos. No vídeo que gravei, eles falam sobre como é a vida aqui em Berlim e, é claro, da saudade de casa.