

Escrevo de Hamburgo (acima), a duas horas de trem de Berlim. Não há como não associá-la ao Rio Grande do Sul. Por causa do Rio Elba, que lembra, é claro, Porto Alegre e o Guaíba. Segundo, por causa do superporto, o terceiro maior da Europa, atrás de Roterdã, na Holanda, e da Antuérpia, na Bélgica. Navegar pelos canais lembra um pouco o Rio Grande. Potência econômica da União Europeia, Hamburgo, de 1,7 milhão de habitantes muito simpáticos, exibe um poderio comercial incrível. Tive a oportunidade de navegar por uma hora e meia pelas águas do Rio Elba, docas e afluentes, onde gigantescos navios e seus contêineres são a porta de entrada e saída da Europa para o mundo.

Diariamente, chegam um total de 1.500 camiões aos três grandes terminais da HHLA, Hamburger Hafen und Logistik AG. E sabem quantos anos tem o porto? 821 anos... Acreditem!! Nasceu na Idade Média, ganhou cada vez mais importância durante o século 19, foi bombardeado durante a II Guerra Mundial e, em pouco tempo, reergueu-se e modernizou-se. Entre 1958 e 2008, o movimento anual passou de 30 milhões de toneladas para 140 milhões de toneladas. Atualmente, a conteinerização – manipuação de mercadoria por contêiners, que indica o nível de modernização do porto – chega a 96%. Uma média de 12 mil navios cargueiros passam por Hamburgo todos os anos. Chamou-me a atenção o mais moderno terminal de contêineres do mundo, totalmente automatizado - a retirada dos contêineres e a colocação nos navios é feita por computador (foto acima). E o contraste, foto abaixo, entre o carvão, os aerogeradores de energia eólica - como os que temos aí em Osório - em um país que começa a rediscutir a questão da energia nuclear após a tragédia de Fukushima, no Japão.

Visitei também duas redações - a da Der Spiegel, a principal revista semanal da Alemanha, com 1 milhão de exemplares e a sede do noticiário nacional Tagesschau (TBC) Norddeutscher Rundfunk (NDR) de televisão. Fundada em 1947, a Der Spiegel (O Espelho, em alemão) é muito parecida com a Veja, no Brasil, ou a Time americana. Foco em noticiário internacional, com mais de 300 jornalistas, cem deles responsáveis apenas pela revisão das reportagens: eles conferem informações, datas, o idioma, a ponto de, com alguma falta de modéstia, o editor que nos recebeu dizer que "eles não erram".
Minha opinião: todos erramos. Nós, jornalistas, buscamos o que na ZH chamamos de "erro zero". Mas o jornal perfeito é uma utopia a qual buscamos com revisão diária de conceitos e prevenção de erros.
Voltando a Der Spiegel. Fomos recebidos por um dos editores responsáveis pela redação da cobertura da morte de Osama bin Laden. Ele contou que, naquela noite, repórteres da revista buscaram fontes nos EUA e na Grã-Bretanha, na CIA, no FBI, para tentar montar o quebra cabeças da operação - o que todos nós fizemos. Mas chamou-me a atenção o relacionamento que a redação tem com o Wikileaks. No primeiro episódio do vazamento de informações este ano, a revista participou do pool para divulgação do chamado Cablegate. Mas, nos vazamentos seguintes, rediscutiu o acordo, uma vez que o site de Julian Assange teria passado as informações para outros jornalistas antes da divulgação oficial.
- É uma relação complicada - admitiu o editor.
Na TBC, um dos principais noticários de TV da Alemanha, estive na redação e nos estúdios. Conheci o processo de edição. Há 15 anos não há cinegrafistas nos estúdios. As câmeras são comandadas por controle remoto (abaixo).

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