Chegou há pouco a Haia, na Holanda, o ex-comandante do exército sérvio-bósnio Ratko Mladic, acusado de crimes de guerra. Ele foi foi colocado em um avião para ser levado ao Tribunal Penal Internacional, após o Tribunal de Crimes de Guerra em Belgrado ter rejeitado um recurso que contestava a legalidade de sua extradição. A partida do general foi mais rápida do que se previa. Ele foi colocado no avião antes mesmo de o governo confirmar sua partida. Aparentemente, era uma tentativa de evitar mais protestos dos partidários e simpatizantes de Mladic, como os que ocorreram no domingo.
A extradição para Haia de um dos maiores genocidas do final do século 20 mostra a maturidade política e da Justiça sérvia. Mas há também interesses: o governo sérvio disse que com o gesto demonstra comprometimento com suas "obrigações morais internacionais". A afirmação é um recado direto à União Europeia (UE), que tinha a prisão do ex-general como um dos requisitos para dar entrada no processo de ingresso da Sérvia no bloco.
No Tribunal Penal Internacional, ele enfrentará acusações de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. Mladic é acusado de comandar o cerco a Sarajevo, que durou 43 meses e deixou 8 mil meninos e homens muçulmanos mortos no massacre de Srebrenica, durante a guerra da Bósnia (entre 1992 e 1995). Ele era um dos acusados de crimes de guerra mais procurados do mundo e foi capturado na última quinta-feira, após viver foragido por 16 anos. O massacre, ocorrido durante a Guerra da Bósnia, foi a maior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.


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